Chico Buarque
Cantor, compositor e escritor
Pensei que o Roberto Carlos tivesse o direito de preservar sua vida pessoal. Parece que não. Também me disseram que sua biografia é a sincera homenagem de um fã. Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas, inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou.
O texto de Mário Magalhães sobre o assunto das biografias me sensibilizou. Penso apenas que ele forçou a mão ao sugerir que a lei vigente protege torturadores, assassinos e bandidos em geral. Ele dá como exemplo o Cabo Anselmo, de quem no entanto já foi publicada uma biografia. A história de Consuelo, mulher e vítima do Cabo Anselmo, também está num livro escrito pelo próprio irmão. Por outro lado, graças à lei que a associação de editores quer modificar, Gloria Perez conseguiu recolher das livrarias rapidamente o livro do assassino de sua filha. Da excelente biografia de Carlos Marighella, por Mário Magalhães, ninguém pode dizer que é chapa-branca. Se fosse infamante ou mentirosa, ou mesmo se trouxesse na capa uma imagem degradante do Marighella, poderia ser igualmente embargada, como aliás acontece em qualquer lugar do mundo. Como Mário Magalhães, sou autor da Companhia das Letras e ainda me considero amigo do seu editor Luiz Schwarcz. Mas também estive perto do Garrincha, conheci algumas de suas filhas em Roma. Li que os herdeiros do Garrincha conseguiram uma alta indenização da Companhia das Letras. Não sei quanto foi, mas acho justo.
O biógrafo de Roberto Carlos escreveu anteriormente um livro chamado Eu não sou cachorro não. A fim de divulgar seu lançamento, um repórter do Jornal do Brasil me procurou para repercutir, como se diz, uma declaração a mim atribuída. Eu teria criticado Caetano e Gil, então no exílio, por denegrirem a imagem do país no exterior. Era impossível eu ter feito tal declaração. O repórter do JB, que era também prefaciador do livro, disse que a matéria fora colhida no jornal Última Hora, numa edição de 1971. Procurei saber, e a declaração tinha sido de fato publicada numa coluna chamada Escrache. As fontes do biógrafo e pesquisador eram a Última Hora, na época ligada aos porões da ditadura, e uma coluna cafajeste chamada Escrache. Que eu fizesse tal declaração, em pleno governo Médici, em entrevista exclusiva para tal coluna de tal jornal, talvez merecesse ser visto com alguma reserva pelo biógrafo e pesquisador. Talvez ele pudesse me consultar a respeito previamente e tirar suas conclusões. Mas só me procuraram quando o livro estava lançado. Se eu processasse o autor e mandasse recolher o livro, diriam que minha honra tem um preço e que virei censor.
Nos anos 70 a TV Globo me proibiu. Foi além da Censura, proibiu por conta própria imagens minhas e qualquer menção ao meu nome. Amanhã a TV Globo pode querer me homenagear. Buscará nos arquivos as minhas imagens mais bonitas. Escolherá as melhores cantoras para cantar minhas músicas. Vai precisar da minha autorização. Se eu não der, serei eu o censor.
Rui Daher
16 de outubro de 2013 3:14 pmBiografias
Mais um caso na Federação de Corporações Brasil.
Hélio Jorge Cordeiro
16 de outubro de 2013 3:18 pmQualquer figura pública deve
Qualquer figura pública deve ter sua vida biografada para que todos de hoje, principalmente, de amanhã saibam que a mesma foi isso, aquilo e aquilo outro, sem restrições. O que não vale são falácias, mentiras, escarnios, mas só a verdade, nada mais nada menos que a pura verdade. Quem se expõe não pode restringir sua imagem seus movimentos do público. Nós, por exemplo, que emitimos opiniões sobre isso ou aquilo, aqui ou em outro blog, corremoso risco de vermos falados, analizados e julgados nossos pontos de vista. Ou não?
Maria Izabel L Silva
16 de outubro de 2013 3:19 pmFaz sentido. O Chico esta
Faz sentido. O Chico esta nadando contra a maré … Mas me parece bastante lucido.
wilson t
16 de outubro de 2013 3:41 pmPô Chico,
Desta vez, desta
Pô Chico,
Desta vez, desta vez fizeste fora do Penico. Será mesmo a federação de corporações. De todo modo acho que os artistas estão como aquela estória do argentino: achando que valem mais do que realmente valem.
Athos
16 de outubro de 2013 3:53 pmEu parei no primeiro
Eu parei no primeiro parágrafo. Não precisa ler mais e o assunto não é complicado.
Quem complica são advogados.
“…Lamento pelo autor, que diz ter empenhado 15 anos de sua vida em pesquisas e entrevistas com não sei quantas pessoas, inclusive eu. Só que ele nunca me entrevistou.”
Isso é caso para censura?
Ou para um processo posterior?
Não disse que era simples o assunto…
Teve um comentário do Daniel de 3 linahs que resume tudo.
Todo mundo pode falar o que quiser de todo mundo desde que de boa fé, cite quem disse o que, onde e quando. Etc.
Não seguiu a regra ,… processo na cabeça!
Enfim, bom senso. O resto é advogado tentando ganhar $$$.
hugo1
16 de outubro de 2013 9:36 pmLeia o resto do texto e você
Leia o resto do texto e você vai entender o que ele quis dizer com essa frase.
Nem todo biografo é um Mário Magalhães.
Marcel Santo
16 de outubro de 2013 3:57 pmE obvio quem está por traz dessa campanha contra a privacidade!
as editoras tem o maior interesse em explorar esse filão que tanto dinheiro deu lá fora!
Jose Emilio
16 de outubro de 2013 4:08 pmBiografias e Chico Buarque
Hoje tomei um susto ao ouvir um comentário de um tal Afonso Borges, de um tal de um sempre um papo, descendo o cacete no nosso grande Chico fazendo comentário pejorativos sobre uma cronica escrita pelo nosso grande Buarque de Holanda escrita por ele no jornal O Globo.
Depois que li a matéria supra citada, fiquei aliviado pois o tal sempre um papo, do tal Afonso é uma coisa equivocada e que nao pode ser levada a sério.
Agora fiquei pensando com os meus botoes- será que o tal Afonso já convidou o Chico para participar do seu programa sempre um papo e o Chico até hoje nao compareceu e o tal Afonso ficou chateado .
Também Afonso, nunca vi o Chico no Jo Soares, tampouco no Faustao, quer dizer, nunca ouvi falar.
José Emílio Guedes Lages- Belo Horizonte
nosde
16 de outubro de 2013 4:19 pmSeguinte, seguinte: Toda
Seguinte, seguinte: Toda biografia autorizada é uma farsa, raro o biografado que deixaria contar suas verdades, além do que a visão do biografado é apenas dele, a imagens são composições complexas, criadas e fixadas pelas diversas formas de ver.
Não perca tempo com biografia autorizada.
Sérgio T.
16 de outubro de 2013 4:27 pmLiberdade de expressão
A liberdade de expressão não deve sofrer limites pré definidos, e os “famosos” não têm o direito de escolher quando se beneficiam da super exposição, e quando não… Porém, que seja considerado crime com pena de multa e cadeia, toda mentira, ofensa, e preconceitos de “A” a “Z” cometidos pelo autor(es)…
Um abraço.
luiz valentim
16 de outubro de 2013 4:35 pmUm cara público eque se
Um cara público eque se deixa fotografar no mar com uma Mulher casada quer privacidade pra quê?
Quando querem fama e/ou publicidade pessoas
populares se deixam fotografar na intimidade e
até obrigam Jornalista a fazerem perguntas indiscretas .
São adeptos do lema: Tudo é permitido quando me coinvém!
Minha opinião: 1-liberdade total e direito de acionar a justiça por dano moral.
2-Os Biógrafos tem que ter bom senso.
Se Biógrafos não souberem o sentimento do biografado e os princípios de suas família porquê estam metide nisso?
3- Uma lei definindo um percentual da renda para o biografado ou os herdeiros ,pois, é o lucro que move noventa e nove por cento do interesse das Editoras e dos Biógrafos..
Adamastor
16 de outubro de 2013 4:46 pmA coisa tá feia mesmos
Novo
A coisa tá feia mesmos
Novo Testamento pode sair de circulação por ser biografia não autorizada de Cristo
A polêmica envolvendo biografias de famosos chegou até as Sagradas Escrituras. Um grupo de religiosos está pedindo a retirada do mercado do Novo Testamento sob a justificativa de que ali estariam presentes dados biográficos não autorizados de Jesus Cristo. O grupo acusa o texto do Novo Testamento de relatar eventos na vida de Jesus que poderiam comprometer a sua imagem pacificadora como por exemplo o episódio em que o Messias entra no Templo e expulsa os vendilhões revirando suas barracas a força. Os religiosos acreditam que esse trecho poderia incitar o vandalismo.
Do outro lado a Justiça é contra a retirada dos evangelhos das prateleiras e alega que as partes não autorizadas da vida de Jesus não foram colocadas no texto, como por exemplo toda a sua vida dos 13 aos 30 anos.
Aline C Pavia
16 de outubro de 2013 7:47 pmMelhor comentário que eu vi
Melhor comentário que eu vi sobre o assunto.
Ana Dias
16 de outubro de 2013 4:52 pmAh, Chico. que texto mais
Ah, Chico. que texto mais bobinho. Ninguém que está contra o tal “Procure Saber” é a favor de que se coloque inverdades nas biografias. Se houver difamação, calúnia ou coisa assim, que se processe o autor. Como foi colocado, a imprensa também vive inventando coisas a respeito dos famosos, mas até onde eu sei o “Procure Saber” não está propondo que se proíba as atividades da imprensa de celebridades, né? e por que não exigir uma lei de direito de resposta que seja mais eficaz?
é muito complicado dizer que a publicação de certas verdades fere a suscetibilidade das celebridades. O Roberto Carlos vive não só da sua música como arte, mas (talvez principalmente) da sua imagem de rei, de celebridade, do furor que causa quando passa e que faz as pessoas pagarem muito por um cruzeiro com o Rei. Me desculpe, mas pagar pelo cruzeiro com o Rei tem muito mais a ver com a imagem, com a indústria de celebridades do que com o lado artístico do RC. Então qual a justificativa moral para alguém querer alimentar a indústria de celebridades e incensar sua imagem para ganhar dinheiro com isso e impedir que os fãs tenham acesso a verdades menos convenientes sobre o ídolo?
Eu já fui em show do Chico no qual a mulherada por pouco não atirou calcinha no palco. Vai me dizer que esse comportamento é puramente espontâneo? E há muito tempo eu não vou a shows do Chico porque, pra se conseguir ingresso aqui em BH, tem que dormir na porta do Palácio das Artes. Isso tem a ver só com a arte, ou faz parte de outro tipo de indústria?
Decepcionante esse texto.
MarcoPOA
16 de outubro de 2013 4:54 pmO fascinio pelo lado mais escuro!
O sujeito abaixo idolatrado foi caluniado, difamado, chamado de Deus, drogado, bebado. Teve sua vida pessoal devassada, virada do avesso, atrapalhada. Foi criminosamente perseguido por ‘Paparazzis’ quando tomava heroina via oral, pois era o proximo da lista e nunca, repito, nunca mexeu uma palha contra as dezenas de biografias que foram lançadas a seu respeito. De todas as que chegaram em minhas mãos eu prefiro a original, apesar das omissões obvias!
A questão central nisso tudo é dinheiro, wampum, money…só que esquecem que alguem realmente famoso vive de sua imagem, boa ou má (não adianta recolher e proibir as copias do amor, estranho amor ou se arrepender do porno que fez pelo dinheiro, depois de feito adeus). As pessoas querem conhecer o lado mais negro dos artistas, não adianta tentar esconder – fascina qualquer um e…vende mais!
Particularmente sempre preferi Eric Clapton sujo, drogado e blues (ao melhor estilo I’m With Stupid’)…esse é seu melhor lado, portanto pouco me interessa se ele fez isso ou aquilo!
Ana Dias
16 de outubro de 2013 4:54 pmé isso. querem o bônus da
é isso. querem o bônus da imagem, mas não o ônus.
jc.pompeu
16 de outubro de 2013 5:20 pmnão vou duvidar, ô nega
então tá!
…pero mas, e se for uma autobiografia não autorizada?
como é que vai ficar, ô nega?
Tiao
16 de outubro de 2013 5:22 pmChico Buarque está acima de
Chico Buarque está acima de toda essa baboseira.Êle é genial,e quem é gênio não se mistura com gentalha !!!
ricardowsky
16 de outubro de 2013 9:21 pmDicionário de rimas
O cchico tem medo que revelem que sua genialidade não existiria sem seu dicionário de rimas.
Alexandre Maruca
16 de outubro de 2013 5:24 pmChico no debate
Não vou entrar na onda e jogar pedra em quem é a favor das biografias autorizadas. No limite podemos ter biógrafos tornando verdadeiros fatos inverídicos, e a depender do tamanho da repercussão, todos sabemos que uma causa posterior ganha não tem a mesma proporção. Acho que o assunto é controverso e deve ser mais bem discutido antes de se assumir posições dogmáticas como tem ocorrido por parte de muitos leitores. Imagino em outros tempos a globo, por hipótese, através de sua editora, querer difamar uma figura a quem é contrária, como Chico Buarque ou Tim Maia, através de uma biografia escrita por, digamos, Pedro Bial. Suponhamos que tal biografia fosse sucesso de vendas, como reconstruir a verdade? O assunto está sendo tratado de forma mais simples do que é.
autonomo
16 de outubro de 2013 5:58 pmPerdi a vontade de responder
Perdi a vontade de responder para alguem que diz:
“Quem se expõe não pode restringir sua imagem seus movimentos do público”.
Tal cidadão jamais entenderia que um artista ja se expos o suficiente atraves de sua musica,sua poesia, ou sua pintora.
É possivel que na incapacidade de escutar uma musica ou olhar um quadro o comentarista se interesse mais pelas manchas do lençol da cama do criador. Talvez seja uma tentativa de compreender ou sentir aquilo que não consegue apenas atraves da arte.
So pode ser.
Seria igualmente cansativo falar sobre o comentario de quem diz “que os artistas estão como aquela estória do argentino: achando que valem mais do que realmente valem.”
Esse tambem jamais compreenderia que é ele quem acha que os artistas valem menos do que os outros. Segundo ele a pessoa, por ser artista, deveria perder ate o direito de manter a privacidade de sua vida.
Tem outro que declara:
“Seguinte, seguinte: Toda biografia autorizada é uma farsa, raro o biografado que deixaria contar suas verdades, além do que a visão do biografado é apenas dele”
Sera que o cavalheiro pensa que exista alguem capaz de conhecer melhor as intimidades de uma vida do que a propria pessoa?
Deve considerar que todos os artistas são falsos, “não contam suas verdades”, sem compreender que ninguem, famoso ou não, esta obrigado a expor todos os atos intimos de suas vidas.
E uma simples pergunta:
Porque alguem se interessa pela vida de quem considera um “farsante” ?
Poderia igualmente responde-lo afirmando que “toda biografia” não “autorizada é uma farsa”.
Qualquer biografo bem intencionado partira do principio que o biografado é a melhor fonte para uma pesquisa sobre sua propria vida. Ao não procura-lo revela de principio estranho proposito.
Quanto aos que dizem, “não seguiu a regra ,… processo na cabeça!”, caberia apenas um sorriso.
Processo no Brasil?
Quando é se o difamado ganhar na “justiça”, os detalhes de sua vida intima,verdadeiros ou não, ja rolaram nas conversas de mesa de todos os botequins.
Mas como disse o dignissimo presidente do nosso STF, favoravel as biografias não autorizadas, o difamado podera ganhar uma “grossa indenização”.
Hoje, num comentario sobre o mesmo assunto um cidadão descreveu em pormenores a relação sexual de uma jovem ja falecida, irmã do Glauber Rocha. Esqueceu apenas de citar alguns minimos detalhes, como a cor da calcinha e se os esperma foi para dentro ou fora.
E ainda se vangloriou por ter “postado” ( ou melhor, bostado ) tanta baixaria no facebook.
Não se preocupou nem em revelar o nome do marido.
Alias para que,não é mesmo?
Chega dessa obrigação chata de se respeitar os outros.
A sorte dele, pelo pouco que conheci do Glauber,foi o cineasta estar morto.
Caso contrario dormiria hoje com um processo a responder e a cara amassada.
jc.pompeu
16 de outubro de 2013 7:16 pmautonomias autônomas anônimas & sa
daqui de Carlos Alberto Mattos: a primeira vez de Caetano
Como contribuição à Biografia do Caetano, lançada no Facebook e galhardamente não autorizada, estou postando este trecho do meu livro Walter Lima Jr. – Viver Cinema. Nele, Caetano Veloso conta sua primeira relação sexual com uma mulher, no caso Anecy Rocha (então conhecida como Anecyr), irmã de Glauber, casada na época com o cinegrafista Hans Bantel e futura mulher de Walter Lima Jr.
De qualquer modo, não se pode acusá-lo de empunhar seus escudos contra o vazio. Seus próprios amigos eram apaixonados por Necy. Era preciso estar atento e forte. O mais fiel companheiro poderia, de uma hora para outra, transformar-se num perfeito cafajeste. A mistura de beleza, sensualidade, alegria e ternura da irmã era, afinal, irresistível. Além do mais, o apego de Anecyr à liberdade também não deixava sua cabeça descansar em paz. O fato de estar casada não a impediria de viver uma aventura amorosa, se fosse bela e valesse a pena.
Uma delas ocorreu nos estertores do casamento com Hans, durante uma viagem de Anecyr a Salvador. Numa caminhada de fim de tarde pelas areias do porto da Barra, o diretor de teatro Álvaro Guimarães apresentou-a a um jovem magrelo e cabeludo, tímido estudante da Faculdade de Filosofia que cultuava Chet Baker e adorava cinema. Caetano Veloso ficou deslumbrado com aquela mulher “visceral e espontânea, linda e muito engraçada”. No dia seguinte, Alvinho contou-lhe que ela também ficara impressionada por ele. Marcaram novo encontro. Ela confessou-lhe que precisava se separar do marido. Tinha descoberto que seu casamento era uma ilusão e encontrava-se agora mais presa à família do que antes. De repente, puxou-o pelo braço: “Olhe, vou levar você pra conhecer a coisa mais linda da Bahia”.
Na rampa do Mercado Modelo, tomaram um barquinho a remo conduzido por um menino e rumaram para o forte de São Marcelo, a construção circular que domina a paisagem da Bahia de Todos os Santos, em frente ao panorama da cidade. Ali o pequeno condutor desembarcava os passageiros e cuidadosamente afastava-se. Diante de uma visão de Salvador que até então desconhecia, Caetano teve o que sintetiza como “uma iniciação privilegiada, grandiosa”. Caetano mescla poesia e memória para descrever sua primeira mulher, aquela que, como confessou em Verdade Tropical, desempenharia um papel decisivo em sua vida: “Tudo dela brotava naqueles dentes muito brancos como coco. Ela tinha os lábios muito carnudos como uma fruta, o cabelo muito preto. O sorriso se parecia com o do Glauber, espremendo os olhos”. No vídeo Alvorada Segundo Kryzto, realizado por Paloma Rocha e Raul Soares em 1986, ele daria o seguinte depoimento: “Antes de eu conhecer Necy, o amor para mim era alguma coisa do mundo das sombras, do mundo da morte. Não era uma coisa vivível. Necy foi para mim a porta para o amor-vida. Eu não faria nenhuma canção, não teria um filho, não viveria se não fosse ela.”
Apesar de intenso e breve como uma chuva de verão, o caso deixaria uma lembrança para sempre emocionada no compositor. Em Necy, produziria uma ponta de íntimo orgulho.
Pouco depois do mágico encontro no forte, Caetano visitou-a no Rio, durante uma ausência de Hans. De repente, alguém mexeu na porta do apartamento e Anecyr saltou, assustada. Quando viu que era Glauber, pôs-se ainda mais nervosa. O irmão chamou-a na cozinha e ela tentou tranqüilizá-lo, dizendo que sua companhia era apenas “um amigo bicha de Salvador”.
autonomo
16 de outubro de 2013 7:39 pmNão lhe respondo, porque o
Não lhe respondo, porque o que teria a lhe dizer não caberia num espaço frequentado por mulheres e crianças.
Fabio (o outro)
16 de outubro de 2013 6:54 pmNos anos 70 a TV Globo te
Nos anos 70 a TV Globo te proibiu.
Nos 80 , na mesma GLOBO , tinha um programa semanal só teu e do Caetano : CHICO E CAETANO.
Vida , minha vida , olha o que é que eu fiz ………..
Mucio L
16 de outubro de 2013 6:57 pmO interessante é que O Globo
O interessante é que O Globo fez um box na mesma página desse artigo do Chico mostrando como é a situação em alguns países nessa questão. A favor das biografias: Estados Unidos, França, Inglaterra, Canadá, Suécia. Contra: Síria, Rússia, China. Nossos medalhões estão muito bem sintonizados nessa peleja. Como eles mesmos gostam de dizer, estão totalmente primeiro mundo, né Monsieur Chicô?
ArthurTaguti
16 de outubro de 2013 7:06 pmDiscussão sem sentido.
Discussão sem sentido. Proibição de biografia não autorizada é uma violação a Constituição de 88, que garante amplamente a liberdade de expressão (e de imprensa).
Biografar equivale a um trabalho jornalístico: o sujeito pesquisa, colhe material, entrevista pessoas e, caso cometa excessos, os prejudicados sempre podem recorrer ao Judiciário.
O Nassif sempre advogou pelo direito de resposta, mas nunca vi ele defendendo que um jornal ou uma revista deveria pedir a sua autorização antes de veicular uma matéria sobre ele.
Se proibir biografias não autorizadas visa essencialmente impedir que o retratado tenha direitos violados, conforme o Chico quer, a mesma lógica não deveria ser aplicada a jornais e revistas, matérias televisivas, cinema, teatro, e até a posts de Blog?
Seguindo esta lógica, Nassif deveria ter pedido (talvez tenha mesmo) autorização a Abílio Diniz antes de dizer que este firmou acordo com os franceses porque queria ter o Cash em mãos.
Seguindo esta lógica, a tal da aluna da Mônica Serra deveria pedir autorização a ela para postar no Facebook que ela teria confessado cometer aborto.
Não foram ambas – lógico que utilizando meios diversos do livro – mini-biografias não autorizadas? Quem sabe se a ex-aluna tivesse sido impedida de postar, Serra seria hoje Presidente?
Agora imagine aquelas biografias, baseadas em relatos, documentos, depoimentos, sobre Hitler, Churchill, Che Guevara, John Lennon, ou, vamos lá, Chico Buarque, Caetano, Lula, FHC, Roberto Marinho, não puderem ser lançadas porque não houve autorização?
Que material um sujeito lá no futuro terá como referencial destas figuras? “A arte da política – A história que eu vivi” escrita pelo próprio FHC? Ou a biografia linda e florida do Roberto Marinho escrita pelo Pedro Bial?
Um trabalho sobre figuras assim não adquire relevância pública, tal qual uma matéria jornalística com o mesmo intento (ao qual os artistas não contestam)? Claro que adquire, e já é comezinho que o direito a privacidade pode ser flexibilizado quando o interesse público está presente.
Quando digo privacidade, não digo que tal interesse justificaria instalar uma câmera dentro da casa do Chico Buarque, ou bisbilhotar seus e-mails, mas sim obter documentos (acessíveis ao público) sobre sua vida e escrever com fundamento neles.
Conforme disseram anteriormente, este pessoal só quer o bônus da fama, e não o ônus.
luddita
16 de outubro de 2013 7:12 pmO não sei o que poderiam
O não sei o que poderiam falar em uma biografia para denegrir a imagem de Caetano ou de Chico, mas com todo esse circo e todas esses argumentos, acho que nem precisa mais…
Quanto mais falam e se justificam, pior fica…
Ledour
16 de outubro de 2013 7:38 pmPelo Twiter Alceu Valenca foi
Pelo Twiter Alceu Valenca foi definitivo quanto a esse assunto:
“O que é pior? A mordaça genérica ou a suposta difamação?”
“Eficiência e celeridade processual são princípios que devemos reivindicar para a garantia dos nossos direitos. Evitar a prática de livros ofensivos e meramente oportunistas, através do Poder Judiciário, é uma saída muito mais eficaz e coerente com os fundamentos democráticos”.
“Definitivamente, a questão não é financeira. A ideia de royalties para os biografados ou herdeiros me parece imoral. ‘Falem mal, mas me paguem’? É essa a premissa??? Nem tudo pode se resumir ao vil metal. Com todo o respeito às opiniões contrárias, esse é o meu posicionamento. Viva a democracia!”
André LB
16 de outubro de 2013 7:58 pmQue coisa de louco… tem
Que coisa de louco… tem gente que, se amanhã Chico Buarque disser que pular da ponte é bom, estará lá se jogando. É a INFALIBILIDADE CHICAL.
Nessa o Chico Buarque está ERRADO. Oras, falar das coisas e mesmo de alguém faz parte da LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Se algum vizinho meu fizer sucesso com crônicas no jornal e de repente escrever uma sobre mim, só estará errado se me CALUNIAR, DIFAMAR ou INJURIAR.
Chico Buarque – e os outros – deveriam então é lutar por uma justiça mais célere, e não em se esconder atrás de um privilégio.
Lembro ainda que a CENSURA (é disso que se trata) chega a ser prejudicial à própria obra de seu criador. Hoje, se quero analisar Manuel Bandeira, tenho acesso a estudos sobre sua vida. Se no futuro quiserem estudar a influência das experiências de Chico Buarque em suas obras, deverão apelar para a mesa branca?
O nome do jogo é um só: CENSURA.
ArthurTaguti
16 de outubro de 2013 8:52 pmO Nassif é um dos jornalistas
O Nassif é um dos jornalistas que mais falam sobre o assassínio de reputações.
Nunca vi ele defendendo que seria preciso autorização antes de se publicar matéria acerca de uma pessoa (se já o fez, me desculpe), mas sim em modernizar, concretizar, implementar verdadeiramente o direito de resposta em nosso país.
Esta reclamação dos artistas têm ligação íntima com o que vem sendo discutido aqui há anos.
Se biografias só podem ser publicadas se autorizadas, para “prevenir” possíveis assassinatos de reputação, é impossível escapar do raciocínio de que matérias de jornal, de revistas, televisivas, documentários, seriados, filmes, posts em blogs, ou seja, tudo que envolva terceira pessoa deve ser previamente autorizada por ela.
Um caso bem notório de interesse público sobre a vida em seus pormenores de uma pessoa é o do Hitler. Saber como foi a infância dele, adolescência, ou seja, como se formou a personalidade doentia que se manifestaria mais tarde, é de um interesse público que está fora de discussão.
Mesma coisa Chico Buarque, sua infância, sua relação com o pai igualmente gênio, suas amizades, enfim, um puta material fértil de interesse público que, se ficar só restrito aos biógrafos “chapa-branca”, empobreceria muito o trabalho jornalístico.
Estes artistas não têm coragem de aplicar a mesma regra para uma matéria de jornal, senão vai ficar muito óbvio o caráter de censor deles.
O negócio é partir para as biografias, em que a discussão fica mais nebulosa, onde passa-se a impressão que TODAS AS BIOGRAFIAS são puramente caça-níqueis elaboradas por desocupados com rigor investigativo mínimo (o que é uma inverdade tremenda).
Felipe Mc
17 de outubro de 2013 1:08 amJornal é totalmente diferente
Nos jornais, existe a possibilidade do direito de resposta. É totalmente diferente. Além disso, jornais não tratam de questões íntimas de ninguém. Confundir biografias com matérias jornalísticas (pouco importa de que categoria) é um erro absurdo que foge completamente da questão.
Felipe Mc
16 de outubro de 2013 10:42 pmposso estar enganado, mas…
Não sei se entendi bem a questão, mas tendo a concordar com o Chico. Penso que se algum amigo seu resolver publicar sua biografia sem te consultar e expor a sua vida de forma indiscreta e indesejada para obter sucesso, ele estará sendo oportunista e eticamente questionável. E é possível que sem contar uma única mentira – apenas omitindo detalhes que não ajudariam as vendas – destrua a sua imagem vendendo somente um passado que você não gostaria de dividir com ninguém. Se existe liberdade de expressão, deveria existir também o direito à privacidade.
Além disso, convém lembrar das vítimas da imprensa no caso da Escola Base. Um erro cometido massivamente pode ser verdadeiramente devastador. Se um best seller te difama, você não tem direito de resposta e em troca de muitos anos de humilhação irreversível, na melhor das hipóteses, receberá uma indenização. Certas coisas não podem ser compradas com nenhum dinheiro no mundo. E, considerando-se os padrões brasileiros, é possível até que o autor ainda saia lucrando.
Acho que as pessoas deveriam ter direito à vida privada. Não acho que o mundo perderia qualquer coisa protegendo a infância do Roberto Carlos, os casamentos da capa da Revista Caras ou outras frivolidades e dramas da vida de qualquer famoso. O mesmo não se aplica as seres humanos individualmente, que são vaidosos e frágeis e podem sofrer consequências graves.
Felipe Mc
16 de outubro de 2013 10:42 pmposso estar enganado, mas…
Não sei se entendi bem a questão, mas tendo a concordar com o Chico. Penso que se algum amigo seu resolver publicar sua biografia sem te consultar e expor a sua vida de forma indiscreta e indesejada para obter sucesso, ele estará sendo oportunista e eticamente questionável. E é possível que sem contar uma única mentira – apenas omitindo detalhes que não ajudariam as vendas – destrua a sua imagem vendendo somente um passado que você não gostaria de dividir com ninguém. Se existe liberdade de expressão, deveria existir também o direito à privacidade.
Além disso, convém lembrar das vítimas da imprensa no caso da Escola Base. Um erro cometido massivamente pode ser verdadeiramente devastador. Se um best seller te difama, você não tem direito de resposta e em troca de muitos anos de humilhação irreversível, na melhor das hipóteses, receberá uma indenização. Certas coisas não podem ser compradas com nenhum dinheiro no mundo. E, considerando-se os padrões brasileiros, é possível até que o autor ainda saia lucrando.
Acho que as pessoas deveriam ter direito à vida privada. Não acho que o mundo perderia qualquer coisa protegendo a infância do Roberto Carlos, os casamentos da capa da Revista Caras ou outras frivolidades e dramas da vida de qualquer famoso. O mesmo não se aplica as seres humanos individualmente, que são vaidosos e frágeis e podem sofrer consequências graves.
Plínio J. V. Lins
16 de outubro de 2013 8:07 pmIsto é histórico: demorou
Isto é histórico: demorou décadas, mas finalmente Chico Buarque deixa de ser unanimidade!
Até ele deve estar curtindo isso.
ArthurTaguti
16 de outubro de 2013 8:39 pmOntem Nassif publicou uma
Ontem Nassif publicou uma matéria sobre as “razões” pelas quais teriam levado Abílio a se acertar com o grupo Casino. Vai dizer que isto não é uma mini (bem mini mesmo) biografia do dito cujo? Que, a depender de Chico e Caetano, deveria ter sido autorizada para ser postada no Blog?
E no caso da ex-aluna da Mônica Serra, que postou no Facebook que a mulher de José admitiu ter feito aborto, também não é uma mini (bem mini mesmo) biografia da citada?
Sim, neste caso poderia ser uma mentira homérica da ex-aluna, mas a depender da autorização da dita cuja (que certamente JAMAIS viria), talvez teríamos hoje José Serra Presidente, sob a benção do divino.
O “Príncipe da Privataria”, de Palmério Dória, apesar de não estar escrito lá “Biografia”, é (quase) todo sobre FHC também, e seguindo esta lógica, deveria ter sido autorizado porque devassou a intimidade do ex-Presidente, falou do seu suposto filho secreto.
Vamos ter bom senso, pessoal.
Escrever sobre Chico, Caetano, FHC, Lula, Hitler, Churchill, John Lennon, Madre Teresa de Calcutá não é a mesma coisa que escrever sobre o José da esquina. O interesse jornalístico, cultural e histórico é nítido. E escrever sobre sua vida pessoal não significa plantar uma webcam no quarto do biografado, ou interceptar o telefone deles, ou bisbilhotar e-mails, como quer fazer parecer Chico com esta história de manter a privacidade: significa que, com acesso a documentos não sigilosos, depoimentos de pessoas próximas, ou seja, com base em um trabalho de apuração jornalístico sólido, escrever sobre a vida do biografado. Se ninguém questiona que a Folha de São Paulo, a Piauí, ou o Blog do Nassif pode pesquisar a vida de Chico/Caetano e escrever uma matéria sobre eles, porque é que os próprios precisam autorizar se alguém resolve escrever um livro? Se assim for, as gerações futuras só conhecerão Roberto Marinho pelo livro de Pedro Bial, “O Príncipe da Privataria” precisa ser retirado de circulação urgentemente e substituído por “A arte da política – histórica que eu vivi”, escrito pelo próprio FHC. Este posicionamento dos artistas é indefensável. E a emenda sai pior que o soneto quando tentam se explicar, igual o faz Chico. Aliás, já enxeu o saco este “ativismo” dos medalhões da MPB, sempre em causa própria. Seria muito mais útil se utilizassem todo o seu prestígio em prol de algo mais útil.
Motta Araujo
17 de outubro de 2013 1:58 amParabens, assino embaixo.
Parabens, assino embaixo.
maria rodrigues
16 de outubro de 2013 8:44 pmComo alguém pode ser autor de
Como alguém pode ser autor de uma biografia se o bografado sequer conheceu esse auor um dia? Ora bolas!
Acho justo que se alguém pretende fazer biografias que faça, mas consciente de que estará expondo a vida de alguém, que vivo dverá ser co-responsável, e se morto, terá seus familiares para aceitar ou não, como ocorreu com a biografia de Garincha, que a família não gostou, pediu indenização na Justiça, e saiu ganhando a ação.
Achar que porque Chico ou Gil, ou seja quem for, tem vida pública não significa que qualquer pessoa, pelo que leu num jornaleco, ou ouviu falar nas esquinas tem condições de ganhar com a venda de um livro sobre a vida deles.
Minha prima chamava-se Zila Mamede. Era poetiza, amiga, ou muito conhecida de João Cabral de Melo Neto, e residia em Natal. Foi uma luta grande pra ela conseguir terminar uma Bibliografia desse grande poeta. Ele morava em Portugal, e ela teve que, primeiro ter dele a autorização pra escrever o livro; depois, precisou ir várias vezes a Portugal para fechar as entrevistas. Com toda certeza, sem o consentimento de João Cabral, Zila jamais escreveria aquele livro. Infelizmente, morreu afogada antes de lançar sua obra no mercado.
hugo1
16 de outubro de 2013 9:41 pmAcho que nessa história, todo
Acho que nessa história, todo mundo tem razão e ninguém tem razão.
josé adailton
16 de outubro de 2013 10:24 pmBIOGRAFIA DE GARRINCHA:
No
BIOGRAFIA DE GARRINCHA:
No “Globo”, Chico escreveu: “Sou autor da Companhia das Letras e ainda me considero amigo do seu editor Luiz Schwarcz. Mas também estive perto do Garrincha, conheci algumas de suas filhas em Roma. Li que os herdeiros do Garrincha conseguiram uma alta indenização da Companhia das Letras. Não sei quanto foi, mas acho justo.”
Schwarcz conta que a biografia só voltou a circular mediante “volumoso acordo, e sem nenhuma condenação” e que, “com o pagamento realizado, nem a capa ou muito menos o conteúdo voltou a preocupar as herdeiras”. “O fato é que a atual lei brasileira permite, singularmente, que se instaure um balcão de negócios, arbitrariedades e malversações.”
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/10/1357532-editor-de-chico-buarque-reage-a-artigo-do-cantor-sobre-biografias.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2013/10/1357464-biografo-de-roberto-desmente-chico-buarque-que-diz-nao-ter-sido-entrevistado.shtml
Jair Fonseca
16 de outubro de 2013 10:30 pmResposta a Chico Buarque
O professor e ótimo historiador Paulo Cesar de Araújo, o biógrafo censurado por Roberto Carlos e criticado por Chico Buarque, responde a ele e o desmente, com provas. Tem até foto…
http://oglobo.globo.com/cultura/de-seu-amavel-interrogador-10392630
Paulo Gurgel Carlos da Silva
16 de outubro de 2013 10:30 pmAutobiografia (o real problema)
Era escrita de um modo absolutamente solitário, sem a “peruação” de estranhos. Podia o original ser feito à pena, caneta ou na máquina de escrever.
Mas isso, antigamente.
Hoje, sabe o que acontece mal alguém começa a digitar a autobiografia?
– O Clippy aparece!
http://blogdopg.blogspot.com.br/2011/11/autobiografia.html
Marcel Santo
16 de outubro de 2013 10:40 pmeu desconfio quando……
…… muitos comentaristas aqui apoiam assuntos estranhos ou de pouco interesse como esse. Eu penso que tem outra coisa oculta por tras disso. Pessoas proibirem biografias não autorizadas e direito delas, afinal a difamação e um problema seria para quem vive de vender a propria imagem!
fico imaginando biografias apocrifas de FHC, Aecio, Marina e agora do Eduardo montadas e aguardando para serem imprensas. Obviamente teremos também da Dilma e do Lula, mas pelo fervor libertario dos comentarios imagino quais sairiam primeiro!
Dudu Cartucho
17 de outubro de 2013 12:09 amE alguém quer saber da vida
E alguém quer saber da vida de Aécio, Marina.
Mas a sua turma se delicia com Dirceu, a Biografia.
joselacerda
16 de outubro de 2013 11:12 pmEu só autorizo alguém
Eu só autorizo alguém publicar minha biografia se essa pessoa/empresa assinar comigo um contrato em que me passa a metade do que ela ganhar vendendo o livro. Fora disso, nada. Se alguém se propõe ganhar dinheiro publicando minha biografia, tem que me pagar. Trata-se da minha história, da qual sou autor. Portanto, trata-se de direito autoral. Então, estou falando aqui de biografia autorizada no sentido de eu autorizar que ela seja publicada com qualquer conteúdo, sem minha interferência, desde que eu participe dos ganhos.
Agora, essa ideia de que é censura não cola. A história da minha vida é minha e ninguém tasca.
Luiz Eduardo Brandão
17 de outubro de 2013 12:11 amBiografia e privacidade
Mais um Fla x Flu entra em campo, pelo menos é o que está se tornando a discussão desse tema complicado. Em vez de sair atirando pedra em Chicos e Lavignes seria melhor refletir sobre os diversos aspectos do problema das biografias. Um bom começo seria recordar o que é uma biografia, sim, porque tem gente até equiparando biografia com foto de famosos fazendo sei lá o quê num lugar público: biografia é a reconstituição, pessoal e histórica da vida de uma pessoa. Nada a ver com paparazzi. Por outro, biografar alguém não é citar a participação de determinadas pessoas em acontecimentos históricos. Li por aí, que a necessidade de permissão para falar de alguém (de novo: isso não é biografar) impediria de escrever a história recente: um dos exemplos dados, foi o do sinistro delegado Fleury, cuja participação na tortura, assassinato, desaparecimento de perseguidos políticos teria de ser autorizada pela família. Até permissão dos possíveis herdeiros de um Hitler teria então de ser obtida para falar do seu papel no genocídio nazista. A discussão já não é simples, entrando em cena tais confusões conceituais, mais complicada ainda fica.
A reconstrução da vida de uma pessoa envolve um direito fundamental dos cidadãos: o direito à privacidade. O problema é conciliar esse direito com o conhecimento da vida de pessoas públicas: artistas, políticos, jogadores de futebol etc. Não me parece que isso — saber da vida alheia, digamos para simplificar — seja um direito de ninguém, mas que é uma vontade, uma curiosidade, um interesse válidos, é inegável, e uma boa biografia é um gênero literário altamente enriquecedor e que pode ter grande valor e importância históricas. Basta ler uma do Fernando de Morais, ou a da Carmen Miranda pelo Ruy Castro, para se convencer disso. A discussão deveria contribuir para responder à pergunta: até onde vai o direito à privacidade de uma pessoa, o qual, como todo direito, tem seus limites?
Também se deveria responder a esta: a biografia de um vivo e a de um morto estão em pé de igualdade, desse ponto de vista da privacidade? Afinal, existe uma diferença sensível entre as duas: a biografia de um morto pode contar a história toda da vida do biografado, já a biografia de um vivo, não. Isso implica o seguinte problema: uma pessoa pode alegar seu direito à privacidade para não ser biografada, pode-se discutir até onde vai esse direito; mas tem sentido seus herdeiros o alegarem, esse direito não era exclusivo do seu ancestral até o momento em que, como escreveu o biografado Getúlio Vargas, saiu da vida para entrar na história? Chico, Roberto Carlos, Lula, Pelé podem se negar a ser biografados, mas os descendentes do Garrincha têm o mesmo direito de agir assim em relação àquele que foi a alegria do povo, mesmo se ele tivesse deixado escrita a vontade de não ter sua vida contada? Chico parece achar que sim, eu acho que não. Pelo menos enquanto não me convencerem do contrário.
observador
17 de outubro de 2013 1:50 amNassif, a enxurrada de
Nassif, a enxurrada de calúnias, xingamentos e aleivosias disparada contra Chico Buarque demonstra que toda aquela luta que travamos nos anos 1980 por aquilo que Ulysses Guimarães chamou de “Constituição Cidadã” não foi em vão. Hoje, aviso aos navegantes, Chico Buarque pode processar quantos tentam emporcalhar sua trajetória de vida, simplesmente recorrendo ao artigo 1.o, inciso III e ao artigo 5.o, inciso X da Constituição Federal, que protegem a honra, imagem, intimidade, vida privada e a própria dignidade humana de cada brasileiro. Em síntese, todos que querem ganhar no grito ou urro o direito de escrever biografias sem o consentimento prévio do biografado deveriam, antes de mais nada, tentar extirpar da Constituição brasileira esses dois artigos que representam a medida dos direitos fundamentais que nos protegem. Ambos foram exaustivamente discutidos por toda sociedade, antes que a CF entrasse em vigência há um quarto de século, ficando comprovado que a obediência aos mesmos não representa censura à imprensa ou cerceamento das demais liberdades individuais. Trocando em miúdos, se algum biógrafo escrever um perfil de Chico Buarque que não ofenda a sua dignidade, ninguém poderá acusá-lo de detrator ou exigir direito à reparação. Pretender obrigá-lo a autorizar o escritor a escrever o que bem entender sobre ele, isto sim é assinar cheque em branco para o estelionatário se esbaldar na impunidade. Todos esses argumentos que agora estão sendo raivosamente brandidos contra Chico Buarque foram cunhados pelos proprietários de jornais e revistas à época da Constituinte, só não vingando devido a um pequeno pormenor: ninguém está impedindo a confecção dessas biografias, o que se procura resguardar é o direito do biografado comprovar em juízo que foi alvo de mentiras, calúnias, distorções e outros crimes contra sua dignidade. Leio, estarrecido, que Chico Buarque quer impedir biografias sobre os grandes criminosos de colarinho branco, quando é o oposto disso. O direito de escrever reportagens sobre quem quer que seja continua em vigência na CF, desde que o repórter ou biógrafo se ampare em fatos, verdades e provas, uma vez que o oposto disso se chama calúnia, injúria, difamação e outros crimes. Entendo que boa parte dessa enxurrada de xingamentos se deve ao imperativo do lucro a qualquer preço: com os estertores atuais da grande mídia impressa (nas vascas da agonia por ter optado pela auto-censura, pelo partidarismo corrupto e infenso à realidade das urnas) e a demora do mercado publicitário em transferir para a webb os seus anúncios promocionais, está sobrando bons textos na praça. As editoras de livros apostam em biografias de artistas e personalidades públicas como investimentos de lucros garantidos, desde que os biografados lhes dêem antecipadamente o cheque em branco devidamente assinado e com firma reconhecida em cartório. E a legião de bons textos desempregados que cuide de obter os cheques em branco, sob pena de continuarem sem emprego ou remuneração. Como conseqüência, temos essa orquestração contra Chico e demais personalidades que se negam a assinar o cheque em branco, que se negam a doar suas patentes (sim, no Direito Econômico a história que cada um construiu ao longo da vida e carreira é equivalente à posse da patente ou direito exclusivo de fazer dela o que bem entender, por mérito dominial inquestionável), como se a somatória de seus anos, feitos e desfeitos não fosse invento de sua lavra, talento e esforço, plenamente resguardada pela legislação que protege os demais patrimônios que porventura haja amealhado na vida. Desta forma, basta de hipocrisia, urros desatinados e demais formas de chantagem: quem quiser fazer uma reportagem sobre a vida de Chico Buarque e comercializá-la, que o faça devidamente lastreado pela verdade dos fatos. Caso contrário, respeite-se a honra, intimidade, vida privada e, acima de tudo, dignidade desse cidadão acima de quaisquer suspeitas, pois soube compor e cantar alguns dos melhores hinos libertários da trilha musical de um Brasil em luta pela redemocratização, pelo fim da ditadura e dessas maquinações maquiavélicas contra os direitos inalienáveis de nossa cidadania duramente conquistada, da qual a CF é o marco, em que pese o lamentável – porém passageiro – “domínio dos “fatos” esgrimido por um STF que envergonha a nacionalidade!
Luis Carlos Gonçalves de Oliveira
17 de outubro de 2013 2:01 amBiografias
Não sou leitor de biografias por preconceito, acho um genero menor embora na minha fila de leituras constem os volumes recentemente lançados com a história do Getúlio Vargas e a biografia do Stefan Zweig, um biografo, escrita pelo Alberto Dines. Concordo que figuras públicas tem direito a privacidade e devem recorrer à justiça caso sintam-se ofendidos com o conteúdo de alguma publicação: biografias, sites na Internet etc… A obrigatoriedade de pré-aprovação de biografias não é censura mas impede a documentação da História. Lí uma resenha sobre um perfil do José Dirceu recentemente publicada que parece patético que um editor lance um livro com tantas incorreções.Estranhei a amnésia do Chico em relação a entrevista que ele deu ao biografo do Roberto Carlos porque as imagens mostram um Chico dialogando sem qualquer constrangimento aparente e sóbrio. Se estivesse calibrado….
marcelo
17 de outubro de 2013 2:29 amÉ uma discussão inútil. A
É uma discussão inútil. A internet está aí. Quem quer publicar publica.
Luis Carlos Gonçalves de Oliveira
17 de outubro de 2013 10:09 amSe toda a documentação onde o
Se toda a documentação onde o “Historiador” e “Biografo” do “Rei” aparece conversando com o Chico for autentica o músico e escritor pode tomar um processo por calúnia, difamação e danos morais. Como esquecer uma entrevista com toda aquela duração ?