O debate político pós-junho aponta para a elevação das insatisfações sociais em nosso país e a distância entre as aspirações coletivas e o baixo nível da qualidade de muitos serviços públicos, incluindo aqueles prestados por concessionários privados. Há muitas questões envolvidas nessa discussão e uma visão reducionista pode se mostrar bem problemática nesta hora.
Seguindo a linha de argumentação de Alexis de Tocqueville (1856), podemos seguramente dizer que os aspectos gerais da vida da nossa população melhoraram nos últimos anos e, junto com os mesmos, as expectativas da sociedade se elevaram. Conforme aponta o autor de O Antigo Regime e a Revolução: “Não é sempre caminhando de mal a pior que o país entra em revolução”. Não estou sugerindo que estamos passando por algo do gênero, porém é importante reconhecermos que as rupturas políticas não ocorrem por acaso e sem elos objetivos e subjetivos com os feitos do passado.
A distância entre a elevação das expectativas e a realidade dos serviços públicos ofertados pode muito bem explicar as insatisfações sociais em nosso país. O fenômeno das expectativas foi e continua sendo objeto de diversos estudos e pesquisas. Não se trata de algo que afete apenas o funcionamento de uma sociedade em particular. Devemos compreender que a forma de manifestação das expectativas é diferenciada e invariavelmente multifacetada nos distintos contextos históricos. Há ainda o entrelaçamento das mesmas com o campo econômico.
John M. Keynes (1936) foi inovador ao descrever a importância da relação entre a confiança e as expectativas de longo prazo. Segundo o autor, “o estado da expectativa de longo prazo, que serve de base as nossas decisões, não depende, portanto, exclusivamente do prognóstico mais provável que possamos formular. Depende, também, da confiança com a qual fazemos este prognóstico”. O futuro é sempre incerto e quando se enfrentam perspectivas de mudanças difíceis de serem ponderadas razoavelmente pelo cálculo probabilístico, pode-se muito bem esperar uma natural retração dos agentes econômicos. Gastar ou não recursos financeiros é um dilema que depende do estado de confiança e das expectativas em relação ao futuro. O nível e a qualidade dos investimentos produtivos são afetados desta forma.
Nesse sentido, creio que devemos refletir profundamente sobre a relação entre produtividade e desindustrialização. Nos EUA, aproximadamente 65% das exportações de bens são manufaturas e no Brasil, 30%. A relação comércio/PIB representa 28% nos EUA e 23% no Brasil. Ambos passaram por um processo de desindustrialização. No nosso caso ela foi prematura e empurrou mão de obra para serviços de baixa produtividade. Serviços já respondem 70% da nossa economia. Esse é um debate complexo e com diversas repercussões sociais no presente, inclusive para a necessária melhoria da qualidade dos serviços públicos e a esperada remuneração dos nossos jovens.
Rodrigo Medeiros é professor do Ifes (nstituto Federal do Espírito Santo)
Frederico69
21 de setembro de 2013 12:13 ampor enquanto
só rola padrão fifa no desvio de verbas. enquanto isso a máquina pública está quebrada.