Jornal GGN – A decisão do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) de adiar o corte do processo de compras de títulos pegou o mercado de surpresa, e os investidores que tinham apostado no corte correram para refazer seu posicionamento, e a bolsa de valores brasileira disparou na reta final das negociações. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) terminou o pregão de quarta-feira (18) em alta de 2,64%, aos 55.702 pontos (melhor patamar registrado desde 28 de maio) e com um volume negociado de R$ 9,001 bilhões. A valorização acumulada no mês chega a 11,38%, ao passo que a perda apurada em 2013 chegou a 8,61%.
Alem de manter a taxa básica de juros entre zero e 0,25%, a autoridade monetária norte-americana manteve seu programa mensal de incentivos à economia no valor de US$ 85 bilhões, o que surpreendeu boa parte do mercado e deu início a uma sequencia de máximas até o fim das negociações. “A gente estava trabalhando com um corte de US$ 15 bilhões, e a decisão foi prorrogada para as próximas reuniões se os dados continuarem ruins. E podemos entender que as próximas reuniões podem ser no fim do ano ou em 2014”, diz o analista Pedro Galdi, da SLW Corretora.
“Para o mercado doméstico, essa notícia acaba até amenizando as expectativas daqueles que estavam mais afoitos com relação à compra”, dizem os analistas Bruno Piagentini e Marco Aurélio Barbosa, da corretora Coinvalores. “O mais importante disso é que o mercado antecipou boa parte desse movimento de redução, principalmente no mercado cambial. Então, quando o anúncio efetivamente acontecer, vai ter um impacto de curtíssimo prazo, mas isso não deve se sustentar”.
No câmbio, a moeda já estava em queda por conta dos leilões do BC (Banco Central), mas a decisão do Fed impulsionou o ritmo de baixa, e levou a moeda a despencar 2,97%, para um fechamento de R$ 2,1920 – a menor cotação de fechamento desde 26 de junho, quando foi de R$ 2,1900, segundo informações do serviço Broadcast, da Agência Estado.
No Brasil, a moeda perdia força por conta dos leilões de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro), quando foram negociados 63,3 mil contratos de swap, em um total de US$ 3,215 bilhões, e a decisão da autoridade monetária norte-americana amplificou o ritmo de perda.
A agenda macroeconômica desta quinta-feira (19) terá os Estados Unidos como destaque, por conta da divulgação dos pedidos semanais de seguro-desemprego e de vendas de casas existentes, entre outros. “Nossa bolsa está subindo quase 12% no mês, e vai ter uma devolução a qualquer momento. Muito dessa alta (de quarta-feira) foi pego vendido (apostando na queda) e foi reverter posição, e alguns papéis subiram muito forte por conta disso. Agora é acompanhar, mas pode ter realização de curto prazo, o que é normal diante da onda de alta”, diz Galdi.
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