20 de junho de 2026

Teto estrangulante que corta todo o necessário, por Janio de Freitas

 
Jornal GGN – “O projeto que fixa um teto estrangulante para os gastos de governo durante 20 anos, cortando todo o necessário para a retomada do crescimento econômico, equivale à extorsão de 50% dos recursos financeiros de pessoas e de empresas, executado por Collor a pretexto de sustar gastos inflacionários”, analisa Janio de Freitas, em sua coluna na Folha deste domingo (16).
 
Para o colunista, a tentativa de convencer a população que a PEC 241 tem efeitos positivos é uma mistura das “mirabolâncias de Collor” com o “blablablá” do governo Sarney para ressusctirar o Plano Cruzado. Mas o que as análises, estatísticas, levantamentos e pesquisadores só conseguem concluir é “o fato, simples e incontestável, é que teto generalizado ou indiscriminado de gastos é uma brutalidade”.
 
Leia a coluna completa:
 
 
Por Janio de Freitas
 
Na Folha de S. Paulo
 

Henrique Meirelles e o grupo de Michel Temer reproduzem, combinadas em seu comportamento, as mirabolâncias de Collor que salvariam a economia do país e as criações do caos que ressuscitariam o Plano Cruzado, no governo Sarney.

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O projeto que fixa um teto estrangulante para os gastos de governo durante 20 anos, cortando todo o necessário para a retomada do crescimento econômico, equivale à extorsão de 50% dos recursos financeiros de pessoas e de empresas, executado por Collor a pretexto de sustar gastos inflacionários. A incapacidade de Meirelles, Temer & cia. de apresentar ideias convincentes, ou de ao menos fazer uma demonstração respeitável das suas hipóteses, repete o blablablá e o gasto em propaganda no governo Sarney contra igual carência.

A campanha defensiva do tal teto, por parte do governismo, recorre a argumentos patéticos. Meirelles: “Sem o teto, a alternativa será muito pior”. Onde está um mínimo de demonstração disso? A alternativa pode ser ótima, a depender da criatividade e da competência técnica já vistas, por exemplo, no Plano Real, de André Lara Resende. E ausentes agora.

Rodrigo Maia, presidente da Câmara, avisa que só o teto salvará o Brasil de ficar “como o Haiti”. Se fosse exagero, seria ridículo. É, porém, um ato de propósito enganador e nenhuma inteligência. Michel Temer: “Se as medidas fossem tomadas antes, agora não se precisaria disso”. Foi o que Joaquim Levy, com os mesmos princípios conservadores e sem aventureirismo, tentou durante todo o 2015, em negociações com as lideranças do Congresso. Sempre bloqueado por PSDB e PMDB. Sozinho, o primeiro nada poderia. Decisivo foi o outro: o PMDB então presidido por Michel Temer. Já era a conspiração.

É dessa maneira que o governismo defende seu projeto milagroso. Nesta ocasião, também, em que uma pesquisa internacional faz oportuna constatação (editorial da Folha, 14.out). Apesar de incluir-se nos países de maior violência interna, o Brasil continua mais preocupado com o sistema de saúde (50%) do que com os problemas de violência (48%). O que lhes reserva a respeito o projeto governamental do teto?

Estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) estima perda até de R$ 743 bilhões no sistema de saúde, durante a vigência do teto. O presidente do instituto, Ernesto Lozardo, tratou de emitir uma nota antiética para dizer aos de cima que o Ipea é a favor do teto. Mas não é, nem contra, por ser instituição apenas de pesquisa, não de política econômica. Ainda assim, Fabíola Sulpino Vieira, economista co-autora da pesquisa, deixa seu cargo no Ipea.

Se a violência não tem estudo, outra preocupação nacional aumenta o alarme: a Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara –a Conof dos melhores técnicos da Casa em questões orçamentárias– concluiu que a educação perderá R$ 20 bilhões por ano, R$ 480 bilhões na pretendida vigência do teto.

Mas a solidez do plano e o critério que determinou sua duração estão expostos pelo próprio Temer, segundo o qual, na GloboNews, a duração pode ficar em “uns quatro, cinco, seis anos”. O fato, simples e incontestável, é que teto generalizado ou indiscriminado de gastos é uma brutalidade. E nega a razão de ser dos governos, que é administrar circunstâncias a cada dia, a cada hora, e seu provável futuro.

O Brasil necessita é de racionalização de gastos. E isso não requer alterações constitucionais. Só precisa de critérios competentemente honestos e de um presidente firme e íntegro, que não se caracterize por oscilações e recuos. 

 

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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5 Comentários
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  1. Heloísa Coellho

    16 de outubro de 2016 2:39 pm

    Plebiscito ou Referendo sobre a PEC 241

    Uma Proposta de Emenda Constitucional como essa, com claro viés de retrocesso social e que revoga a Constituição de 1988, no que ela tem de mais importante, seu caráter Democratico e Social, tem que ser submetida a um Plebiscito ou a um Referendo do Povo Brasileiro, antes de entrar em vigência. Contará com o voto NÃO da minha Família. Mas pelo menos o atual regime poderia se mostrar um pouco menos antidemocrático.

    1. ze sergio

      16 de outubro de 2016 6:15 pm

      plebiscito…

      Heloisa, respondendo a você  à Maria, o povo sabe muito bem o que quer. O que ele precisa é definitivamente ter a consciência que é Ele quem manda. E mais ninguém. Temos uma elite, tanto de direita quanto de esquerda, que não aceitam esta máxima. Seria o controle da sociedade sobre o poder. Por isto, neste país tão poucos referendos e plebiscitos. Eleições obrigatórias com a sociedade expurgada do processo no dia seguinte. Quanto mais você mandar, menos mandarão por você. E em você. As ruas mostrarão que este é um caminho sem volta. abs.    

  2. ze sergio

    16 de outubro de 2016 2:59 pm

    teto….

    Um amigo com diabetes foi socorrer-se num destes pronto-socorros com outro nome (Um galpão industrial, que os proprietários não conseguiram alugar , então com “ajuda certa”, alugaram para o governo. Uma estrebaria onde pessoas estão joigadas num calor infernal (o prédio não é projetado para isto) Esperando a boa vontade de gente que não tem o minimo para trabalhar (embaixo da rod. raposo tavares, km 94/SP). Realmente, podem confiar nas palavras de Temer: “Cortaremos na carne”. A carne que sempre sangrou. neste país. As ruas estão demorando para cobrar um país de verdade.    

  3. Maria Luisa

    16 de outubro de 2016 4:46 pm

    O Brasil necessita amadurecer

    O Brasil precisa de um povo mais instruido, que entenda melhor como se dão as relações de poder na politica e entre as instituições. O Brasil precisa de reformas, para que um presidente (a) integro não seja prisioneiro de um Congresso retrogrado e extremamente oportunista.

    Sobre Rodrigo Maia assino em baixo da sentença. Sempre que o vejo ou ouço, não ha sinal de inteligência nem que se vê nem no que se ouve….

  4. Daniel Caetano

    21 de outubro de 2016 1:36 am

    O que é mais fácil de controlar???

    O povo desde que é povo segue.

    Reclama aqui e ali, mas sem saber como fazer para melhorar, apenas seguem.

    Aos poucos que se questionam, logo, sao imputadas barreiras para a sua auto alienação. 

    Os que governam, tendo a grande midia ao seu dispor, mantem o povo iludido, ignorante, desvirtuado mesmo.

    Colocom a culpa em alguem ou em alguma coisa, aparesse um plano infalivel de um salvador e pronto.

    A novela comessa. Iludem aqui e ali e depois de dar errado comessa tudo denovo.

    E é dai que vem a pergunta do titulo.

    Oque é mais facil controlar???

    Um povo ignorante e alienado ou uma populaçao instruida e bem informada??

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