4 de junho de 2026

A ligação entre esquerda e políticos evangélicos

Comentário ao post “O Estado Laico, as religiões e a esquerda

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A ligação esquerda-religiões funciona assim:

13% de congressistas (e são 13% e não 22% porque quase metade dos evangélicos não vota em candidato religioso) não são capazes de aprovar ou rejeitar nada em termos de leis. Precisam da conivência dos que se dizem laicos. Inclusive dos que se dizem ‘esquerda laica’.

Alguns pastores-políticos precisam fazer discurso do medo (do fim da família, das drogas, etc) para ‘mostrar serviço’ para suas bases. 

Pois se não houver discussão disso na política eles ficam a descoberto, sem discurso.

Alguns políticos candidatos a cargos executivos têm receio que seus discursos ‘progressistas’ não sejam o suficientemente convincentes. No receio de perder eleições majoritárias fazem um acordo.

Os pastores-políticos elogiam tais candidatos junto a suas bases. Ideologia não importa nisso (os pastores sabem que o país, em função de vários estamentos, não deixará de ser de ‘centro-direita-intervencionista’.) Em troca, as bancadas destes candidatos ‘progressistas’, depois de eleitos, ajudam no discurso religioso.

Assim, os políticos, que podem ser de direita ou esquerda, se elegem com a sedução de massas de menor instrução, que acreditam em bobagens por isso mesmo. E os pastores-políticos se mantêm em evidência.

Faz parte nunca colocar projetos em votação, pois os deputados laicos passariam vergonha se tivessem que votar de acordo em votações abertas em plenário. Um exemplo é a ‘cura gay’: o governo consentiu em retirar o projeto de pauta, quando militantes LGBT e o PSoL queriam sua votação para expor as bancadas ao ridículo (mais ou menos como ocorreu com a PEC 37.)

Isso se chama ‘voto de cabresto’, a intermediação do pensamento desinformado. É uma política assemelhada ao coronelismo, ou seja, tipicamente de direita. E com isso mantêm-se a educação e saúde públicas atrasadas em questões como educação sexual e aborto, prejudicando dezenas de milhões de famílias.

Qualquer semelhança com Rússia ou Turquia não é coincidência. Grandes partidos com apelo popular fazem isso em quase todos os países onde for possível, de preferência onde os níveis gerais de instrução são mais baixos e as pessoas mais manipuláveis.

E vamos para de ficar falando em ‘esquerda’ pra cá e pra lá como se fosse grife. Pega bem autodenominar-se esquerda, mas a distância do apelido autoconcedido e a prática é muito grande.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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