5 de junho de 2026

As manifestações contra o aumento da tarifa em 1958

Por Zanchetta

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Do Estadão

Protesto contra tarifa deixou 4 mortos em 1958

Aumento na calada da noite causou paralisação do transporte e confronto no centro de SP

Carlos Eduardo Entini, Edmundo Leite e Rose Saconi

No final de novembro de 1958, os paulistanos foram dormir com uma tarifa e acordaram com outra. E no final daquele dia, a cidade foi dormir com quatro manifestantes mortos, dezenas de feridos e 150 veículos depredados.

Os usuários só ficaram sabendo do reajuste quando encontraram, na manhã do dia 30, cartazes nos pára-brisas dos ônibus e bondes com novo valor. Com o aumento na calada da noite, as tarifas de ônibus passaram de Cr$ 3,50 para CR$ 5,00, e dos bondes de Cr$ 2,50 para Cr$ 3,00.  Ciente das possíveis reações, o prefeito Adhemar de Barros mandou colocar policiais armados em diversos pontos de ônibus da cidade. Nos dias das manifestações, Barros estava no Rio de Janeiro.

A primeira reação da população foi de reclamação. Mas às 10h30 começaram chegar notícias das primeiras paralisações de ônibus e bondes feitas por estudantes e que se estenderiam durante aquela jornada. Os alunos do Liceu Pasteur pararam um bonde no ponto final da Vila e outro foi impedido por alunos do Mackenzie na Rua Maria Antonia. 

Durante toda aquela manhã e tarde as manifestações foram pacíficas. Para provar, estudantes do Mackenzie montaram um tabuleiro de xadrez em frente a um bonde parado.

Mas o tom das paralisações subiu durante o entardecer, quando já havia maior procura por transporte. Os estudantes já tinham bloqueado a circulação dos ônibus na Avenida São João e o comércio, baixado as portas e as vidraças do Cine Olido foram estilhaçadas.

Em várias regiões, os manifestantes esvaziavam os ônibus; em outras, como na Praça 14 Bis, os fiscais da extinta Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) instruíam os motoristas a mandá-los para a garagem.

Com os pontos de ônibus cada vez mais apinhados de gente, a Força Pública foi acionada para dispersar os manifestantes e liberar a circulação dos veículos na Praça da Sé e na Praça Clóvis, os terminais mais movimentados naquela época.

Os soldados levavam, além de munição real, balas de festim e bombas de efeito moral. Quando as tropas do Batalhão de Guardas e do Regimento de Cavalaria chegaram, em torno das 18 horas, foram recebidas com paus e pedras pelos manifestantes e não puderam impedir que os ônibus fossem depredados e incendiados.

Às 21 horas, sem conseguir dispersar a multidão que estava reunida, a tropa foi orientada a atirar para o alto. Mesmo assim, o resultado foi de quatro mortos, três à bala, além de dezenas de feridos e presos.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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