16 de junho de 2026

Constantinopla foi tomada por otomanos em 29 de maio de 1453

Do Opera Mundi

Hoje na História: 1453 – Tomada de Constantinopla marca o fim da Idade Média

Cidade, último vestígio do Império Romano, era a muralha da Cristandade ante a força do Islã
 

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A data de 29 de maio de 1453 figura tradicionalmente entre as datas-chaves da História. Nesse dia, Constantinopla cai nas mãos do sultão otomano Mehmet II. A cidade, vestígio do Império Romano do Oriente e do Império Bizantino, era a última depositária da Antiguidade Clássica, além de muralha da cristandade ante a pressão do Islã.

Sua queda provocou forte comoção em toda a cristandade e consagra o surgimento de uma nova era histórica.

A capital do Império Bizantino já havia sofrido dois sítios pelas frotas muçulmanas. O primeiro cerco durou cinco anos de 673 a 677; o segundo, um ano somente, em 717.

Nos dois episódios, os árabes foram repelidos graças a uma arma secreta dos bizantinos : o fogo grego. Tratava-se de uma mistura misteriosa de salitre, betume e enxofre que possuía a particularidade de queimar mesmo sob a água. Propelida em direção aos navios inimigos, permitia incendiá-los de um só golpe. Apesar disto, os bizantinos perderam ao longo dos séculos sua superioridade bélica.

Reprodução/Manuscrito, ateliê de Jean Mielot, 1455

Sítio de Constantinopla com, à esquerda, o Corno de Ouro,e, ao fundo, da esquerda para a direita, o estreito de Bósforo e o mar de Mármara

A queda da “Nova Roma” tornou-se inelutável quando novos invasores vindos da Ásia, os turcos otomanos, atravessaram o Estreito do Bósforo. Tomaram a maior parte dos Bálcãs e instalaram sua capital em Andrinópolis, cerca de Constantinopla. Isolando esta cidade, impediram qualquer apoio das nações ocidentais.

A partir do século XIV, as vitórias dos turcos em Kosovo e Nicópolis sobre os cristãos prenunciavam a queda iminente de Constantinopla. Mas a derrota dos turcos em Ângora diante de Tamerlan, atrasou de meio século o desfecho fatal.

A cidade de Constantino I, em meados do século XIV, era um pequeno Estado relacionado com os mercados do Extremo Oriente, porém em benefício dos mercadores de Veneza e Gênova que negociavam com a seda chinesa por eles trazida.

Em 1451, Mehmet II sucede a seu pai, Murad II, à frente do Império Otomano. Nascido de mãe escrava e cristã, o novo sultão, de 19 anos, decide acabar com Constantinopla.

Envia, em julho de 1452, uma declaração de guerra ao imperador bizantino. Dois meses mais tarde, desencadeia as hostilidades testando as muralhas da cidade com 50 mil homens. O sítio começa em abril de 1453 com 150 mil homens e uma poderosa frota. Os bizantinos só dispunham de sete mil soldados gregos e um destacamento de 700 genoveses sob o comando de Giovanni Longo, além de 40 navios.

O imperador Constantino XI envia emissários, disfarçados de turcos, que se infiltram entre os navios e chegam a Veneza. A Sereníssima República logo arma 10 possantes navios para socorrer seus tradicionais aliados. Porém, a ausência de vento e a pouca pressa dos venezianos não permitiram chegar a tempo para salvar Constantinopla.

Diante do tríplice anel de muralhas, Mehmet II recorre a todos os seus recursos de artilharia. Durante semanas, sem trégua, arremessam pedras e balas com suas bombardas. Dispunha também de uma bombarda especial, a “Real” que, montada sobre um impressionante castelo de madeira e manobrada por um milhar de homens, atirava sobre a cidade enormes pedras pesando até 700 quilos.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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