
O que diferencia você dos outros?
por Gi Oliveira
Você é uma pessoa interessante? Se você passasse por “você”, na rua, hoje, você se impressionaria? Chamaria sua atenção? Registraria, lembraria de ter passado por sua pessoa? Ou seria mais um na multidão? Se “você” fosse atendido por você no seu trabalho, o que “você” ressaltaria no seu atendimento? O que julgaria surpreendente, inovador ou inusitado? Você é uma pessoa marcante?
Parece papo de louco? Não é não! Basta sair um pouquinho de si mesmo e imaginar como as pessoas te percebem. É um exercício muito enriquecedor. Posso sugerir várias situações em que você, ao se colocar na perspectiva alheia, de seu interlocutor, de seu cliente, vai perceber que recebe na mesma medida do que oferta. É a tal lei da ação e reação. E isso nos leva de volta a sua Marca Pessoal.
Tenho notado um fato curioso: as pessoas se ofendem quando digo que são medíocres. Mesmo quando explico que o termo significa estar na média, ser normal, saber o que todos sabem, fazer o que todos fazem. Mas por que isso é ofensivo? Talvez porque quem ouve se sinta diminuído, não veja seu valor reconhecido. Percebo que dizer a alguém que ele é normal é algo ruim, pejorativo. A pessoa se ressente de ser encaixada em um estereótipo de comum, sem relevância.
Você sabe o que é estereótipo? É a imagem preconcebida de determinada pessoa, coisa ou situação. É como um molde padrão, um pré-conceito, aquelas características que são válidas para todo o grupo, sem considerar as diferenças individuais. Por exemplo, todo político mente, todo artista de TV é rico, todo vendedor é insistente. Acredito que o estereótipo de medíocre não contemple características admiráveis, desejáveis, nem mesmo neutras, já que causa repulsa e indignação em quem é adjetivado com esse termo.
Em nossa sociedade, a visibilidade tem mais importância que a habilidade, isso é fato. É essencial que a sua imagem seja atraente, confiável e até mesmo sedutora; que desperte o interesse pelo conteúdo, por ideias e forma de agir, além de não induzir a julgamentos errôneos e desfavoráveis. Mas, antes de tudo, é preciso dar visibilidade a tudo isso, ao que você tem de único, autêntico. As empresas e o público em geral querem mais, muito mais que o comum. De acordo com o famoso administrador, Max Gehringer, “na visão da empresa, o funcionário normal está muito mais próximo do desemprego do que de um aumento de salário”. Além de ser encaixado em um estereótipo adequado às suas intenções, para construir uma marca pessoal significativa, é essencial se sobressair no seu grupo com algo original, notável e consistente.
Existem pessoas que conseguem visibilidade por serem extremamente hábeis em alguma coisa, como por exemplo, os personagens dos Jogos Olímpicos, o corredor Usain Bolt e o técnico Bernadinho. Mas também temos casos de pessoas que, mesmo não sendo tão notáveis ao executar alguma atividade, conseguem tamanha visibilidade que se tornam famosos e atraem mais interesse que muitos campeões, como o atleta de Tonga, besuntado em óleo de coco, que não passou das oitavas de final no Taekwondo. A visibilidade por si só não tem utilidade na formação da marca pessoal; ela precisa ser acompanhada de conteúdo e consistência. É preciso saber qual característica o distingue no grupo, o que o torna único, admirável e investir para que este atributo integre sua Marca Pessoal de forma perceptível e permanente.
A proposta é fazer um exame de consciência e responder sinceramente: Você tem um diferencial ou é mais um na multidão? Por que devo dar atenção especial a você, por que merece ser ouvido, receber destaque? Se você é parte da massa, entrega apenas o esperado, se conforma com o óbvio, não ousa algo novo, não coloca sua assinatura nos trabalhos que executa, não imprime sua identidade nos serviços que oferece, não pode se ofender ao ser chamado de medíocre. Entenda e aceite que você é normal, na média, sem atrativos em relação aos demais do seu grupo. Tem um monte de gente igual a você. Nem mais, nem menos. Por isso você deve receber o mesmo tratamento, o mesmo salário, as mesmas oportunidades que a massa. Não deve ser lembrado quando houver uma promoção, um cargo de confiança, uma entrevista, ou qualquer oportunidade. Estará gravado em sua marca pessoal o atributo do lugar comum, nada instigante, sem novidades.
Gi Oliveira é Estrategista de Marcas Pessoais
Raphael Jogib
24 de agosto de 2016 11:14 pmTexto muito interessante e assertivo
Excelente texto. Tenho acompanhado os textos da profissional. Já na expectativa do próximo.