Jornal GGN – Um modelo de previsão meteorológica mais preciso. O Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) lançou, nesta quarta-feira (13), uma nova versão do modelo regional Brams de previsão de tempo, que cobre toda a América do Sul. O Brams 5.0 já está operacional para até sete dias.
O modelo gera previsões com resolução espacial de 5 km, enquanto que a versão anterior fazia previsões com resolução de 20 km. O avanço só foi possível devido à alta capacidade de processamento do Tupã, o novo supercomputador Cray do Inpe, instalado no CPTEC, em Cachoeira Paulista (SP). Para desenvolver a nova versão do Brams, também utilizado para a previsão e monitoramento da poluição do ar, os pesquisadores usaram um modelo não hidrostático, que representa com maior precisão processos físicos de menor escala, como o desenvolvimento e a dissipação de nuvens e chuvas. Além disso, diversos avanços em parametrização (representações matemáticas de processos físicos) foram realizados para nuvens, radiação solar e processos e dinâmicas de superfície.
O desenvolvimento para tornar o Brams 5.0 operacional levou cerca de um ano. Para cobrir toda a extensão da América do Sul, foram necessárias 1.360 x 1.480 células horizontais e 55 níveis verticais. As cerca de 110 milhões de células de grade são processadas simultaneamente nos 9,6 mil processadores do Cray. Coordenado pelo Grupo de Modelagem Atmosférica e Interfaces (Gmai), esse esforço colocou o CPTEC em posição de competitividade com os principais centros operacionais do mundo. Só para se ter uma ideia, o centro de previsão do National Centers for Environmental Prediction (NCEP), por exemplo, gera previsões a partir de um modelo similar – o National Mesoscale Model – de 4 quilômetros, 70 níveis verticais e grade de 1.371 x 1.100 células, que cobre toda a região continental dos Estados Unidos.
A avaliação comparativa para a média de chuva do mês de janeiro, na figura ao lado, mostra o avanço da nova versão (centro) em relação à anterior (esq.) do BRAMS, apontando com maior precisão quantidade e localização das chuvas, como pode-se observar no mapa de dados observados (dir.), com medidas de estações meteorológicas, satélites e bóias oceânicas.
Para a implementação dessa nova versão foi realizada uma grande reformulação do paralelismo do modelo, empreendida pelo grupo de Processamento de Alto Desempenho (PAD), do CPTEC. O esforço permitiu o uso escalar de dezenas de milhares de cores, tornando viável a operação do modelo, e, ao mesmo tempo, extraindo o máximo de desempenho de processamento do Tupã.
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