4 de junho de 2026

Temer, o interino, desmente o Datafolha, por Armando Coelho Neto

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Temer, o interino, desmente o Datafolha

por Armando Rodrigues Coelho Neto

“Nunca fui pesquisado pelo Datafolha” é uma frase comum, aplicável ao Ibope. Mas, não se pode dizer que sob o ponto de vista da metodologia específica, os tais “institutos” fujam de certos padrões. Portanto, não me incluo entre as pessoas que desqualificam os tais “aparelhos” por nunca haver sido entrevistado. Entretanto, quem pesquisar meu humor saindo de um velório não terá a mesma resposta ao sair de uma festa. A escolha dos momentos de pesquisa criminalizam os resultados. Sobretudo, se o entrevistado é consultado sobre fatos plantados pelo próprio “instituto”, quando ele próprio tem interesse no resultado.

Quando iniciei meu trabalho de conclusão de curso de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP), a primeira advertência recebida foi: o mal das teses e dissertações no Brasil é partir de uma conclusão e sair a procura de argumentos para justificar um resultado preconcebido. O correto seria estar diante de uma pergunta e, após a pesquisa, publicar a resposta, algo do gênero dois mais dois são cinco e não necessariamente quatro como se dizia até então.

Acompanho de longe os tais “institutos”. Enquanto empresas, defendem seus interesses. O que hoje virou o tal “manchetômetro” foi tema de meu trabalho de conclusão de curso, há décadas, na Universidade de São Paulo (USP). “Com quantas manchetes se escreve uma palavra” é o título. O resultado das manchetes pró “Palhaço da Sorbone” foi exatamente (ou quase isso) os números das urnas. As manchetes alimentavam as pesquisas e as pesquisas alimentavam a intenção de votos. Igualzinho ao golpe da maconha intrujada do Temer, Datafalha/Ibope colhem sangue com agulha contaminada.

Recentemente, foram desmascaradas as manobras dos institutos que querem conferir aprovação popular ao impostor. Mas, nem o intrujado acreditou. Seguiu sua instituição e ficou escondido como um bicão de festa durante a abertura das Olimpíadas, no dizer do jornalista e poeta Francisco Costa. O penetra entrou para o Livro dos Recordes ao receber a maior vai do mundo, ouvida nos cinco continentes, por uma abrir a boca por sete segundos.

Quem leu o que escrevi quando a Presidenta Dilma Rousseff foi vaiada, deve achar que estou me contradizendo. Afinal, disse que quando numa cerimônia desse quilate o representante da Nação é vaiado, seu povo está vaiando a si mesmo. Portanto, continuo sendo contra, por achar que isso nos desmoraliza diante do mundo. Mas, não foi o caso. A vaia que os cinco continentes ouviram foi contra um impostor, que usa uma faixa por força de um golpe (patrocinado sabe-se lá por quem), com assinaturas de ladrões, investigados, suspeitos. Um impostor que no dia seguinte mandou um preposto leiloar o Brasil.

De qualquer modo o país não foi desmoralizado? Não. O Brasil já estava e está desmoralizado: panelas silenciosas, Pato da inadimplente Fiesp murcho e ausência de autoridades na abertura falam por si. A vaia só reforçou a imagem de um país cujo Poder Judiciário tem partido, a Polícia Federal e o Ministério Público têm bandidos de estimação, “juiz” de primeira instância manda mais que a dita Suprema Corte. Um país cuja classe remediada foi pra rua pra dizer “Somos todos Aécio, Cunha, Bolsonaro, Beira-Mar, Marcola, Marinhos e Ratinhos”.

O país de Dilma crime zero é o mesmo de Temer citado 21 vezes na Farsa Jato, sabe-se por quantos milhões. O país que não aceita Lula como ministro por causa de um pedalinho é o mesmo que aceita Serra (23 milhões de caixa-dois) e vários ministros suspeitos de todos os tipos de crime. O Aécio, que convocou o povo pra rua contra, está escondido pós surgir como criminoso. Eis as informações de canto de página dos jornalões sem credibilidade, mas que formam a opinião dos remediados. Os coxinhas repetem os mantras do “Pravda Macunaima”, controlado por onze famílias, de Marinhos a Civita, de Saad a Abranavel, Sarneys a donos de motosseras…

É publico e notório que “os crimes de Dilma” são os mesmos de Temer. Mas os crimes desse impostor não são os mesmo da legítima eleita Dilma Rousseff. Eis o contexto em que, sob vaias, Temer desmentiu o “Datafalha”.

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista e advogado, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo

Armando Coelho Neto

Armando Rodrigues Coelho Neto é jornalista, delegado aposentado da Polícia Federal e ex-representante da Interpol em São Paulo.

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3 Comentários
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  1. Junior Sertanejo

    8 de agosto de 2016 1:23 pm

    Parabenizo mais uma vez

    Parabenizo mais uma vez Armando Neto pelo seu artigo.Tornei-me um admirador dele,e olhe que sou bastante seletivo para essas escolhas.Peço vênia ao editor do blog e a Armando,para retransmitir seu artigo para Ricardo Kotscho,sério até onde sei,mas depois que começou prestar seus serviços a TV daquele bispo desavergonhado,que triplicou sua fortuna na era lulo petista,deu-se a pisar na bola.A maior delas foi com o Datafolha,daquele Otavinho Frias,segundo Papai,um imprestável que não serve a coisa alguma,passava uma semana comentanto a pesquisa de ocasiãoi,item por item,dando-lhe ares de verdade parecido com os dez mandamentos.Quem sabe se depois dessa ele aprende.

  2. Maura Bezerra Vilar

    8 de agosto de 2016 5:58 pm

    Temer, o interino, desmente o Datafolha, por Armando Coelho Neto
    Parabéns Armando Rodrigues Coelho Neto!
    Seus textos são excelentes e bem a realidade.
    Primeiramente #VOLTADILMA/VIVALULA!

  3. Andre' Bogdan

    9 de agosto de 2016 1:22 am

    Ironia com requinte

    Vc teve um requinte ABSOLUTO com essa matéria. Uma matéria dígna de prêmio … mas essa ironia, do tipo tapa na cara dos coxinhas,  me fez quase molhar a cadeira de tanto rir…  Fantástico texto. Abração Armando

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