Caros,
Comentário ao post: Países centrais patinam na procura de novo guia econômico
“O mundo global visto do lado de cá”, como nos ensinou Milton Santos, descolonizar-se, era aprender a enxergar o mundo pelos próprios olhos. “O mundo é o que se vê de onde se está, o centro do mundo está em todo lugar”, dizia. “Mas insistimos em ser europeus. (…) Achamos mais chique pensar como pensam os americanos. E aí temos uma enorme dificuldade de entender o mundo.”
Creio que o diálogo aqui ou em qualquer outro lugar, entre figuras como Saul Leblon e Andre Araujo, é aquela conversa entre surdo e mudo, um é euro-russo, o outro é euro-americano, uma elite que adora comemorar o 14 de Julho francês, e a outra que adora o 4 de Julho americano, mas ainda nenhum dos dois chegou a sete de setembro, não o de 1822 que como sabemos por Luis Felipe de Alencastro, “o Brasil comprou a sua independência”, mas o nascimento de nosso nacionalismo com Euclydes da Cunha no fim do século XIX e início do século XX.
Estamos assistindo a crise do modelo eurocêntrico dos últimos séculos, somada a crise da fé, ou seja, crise da fé e da razão, que deve remontar a união da fé com razão, no século XII, com São Tomás de Aquino.
A falácia da superioridade eurocêntrica e do conceito de capitalismo que se diz ter 400 anos, pois sabemos que o capitalismo tem mais de milênios, os sinais que vem das pesquisas da Antropologia e da Arqueologia datam da primeira metade do século XX, para citar um livro entre centenas, livro de Andre Gunter Frank, “The World System: Five Hundred Years Or Five Thousand?” (1993).
Como disse Oswald de Andrade, “a letra de câmbio foi inventada na Babilônia“, e a igreja de Roma herdou os escombros do império romano, na qual as prefeituras de Roma viraram as novas igrejas do catolicismo. isso ele disse a mais de meio século, assim como disse em 1928, no Manifesto Antropofágico, “devorar a cultura europeia e global e abrasileirá-la”, mas nós pouco aprendemos, quase nada assimilamos, continuamos “Alunos Forever“, a mediocridade e a sabujice de uma “elite marginal“, de “uma sociedade pré-capitalista“, para citar um dos grandes intérpretes do Brasil na segunda metade do século XX, Raymundo Faoro, que está para a nossa história política, assim como Celso Furtado está para a economia política, mas nem um, Saul euro-russo, nem outro, Andre euro-americano, consideram, eles gostam que pensar somente com as ideias do outro lado do atlântico, como dizia Euclydes da Cunha no século XIX, e agora do lado de cima do equador. Um acha que está tudo bem com o capitalismo, e o capitalismo neoliberal das últimas décadas, e o outro que o desejando o fim capitalismo, seja ela qual for. Em resumo e o dogmatismo e a ideologia acima da realidade e das utopias.
E la nave va.
Sds,
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