4 de junho de 2026

Euro-russo e Euro-americano: conversa entre surdo e mudo

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Comentário ao post: Países centrais patinam na procura de novo guia econômico

“O mundo global visto do lado de cá”, como nos ensinou  Milton Santos, descolonizar-se, era aprender a enxergar o mundo pelos próprios olhos. “O mundo é o que se vê de onde se está, o centro do mundo está em todo lugar”, dizia. “Mas insistimos em ser europeus. (…) Achamos mais chique pensar como pensam os americanos. E aí temos uma enorme dificuldade de entender o mundo.

Creio que o diálogo aqui ou em qualquer outro lugar, entre figuras como Saul Leblon e Andre Araujo, é aquela conversa entre surdo e mudo, um é euro-russo, o outro é euro-americano, uma elite que adora comemorar o 14 de Julho francês, e a outra que adora o 4 de Julho americano, mas ainda nenhum dos dois chegou a sete de setembro, não o de 1822 que como sabemos por Luis Felipe de Alencastro, “o Brasil comprou a sua independência”, mas o nascimento de nosso nacionalismo com Euclydes da Cunha no fim do século XIX e início do século XX.

Estamos assistindo a crise do modelo eurocêntrico dos últimos séculos, somada a crise da fé, ou seja, crise da fé e da razão, que deve remontar a união da fé com razão, no século XII, com São Tomás de Aquino.

A falácia da superioridade eurocêntrica e do conceito de capitalismo que se diz ter 400 anos, pois sabemos que o capitalismo tem mais de milênios, os sinais que vem das pesquisas da Antropologia e da Arqueologia datam da primeira metade do século XX, para citar um livro entre centenas, livro de Andre Gunter Frank, “The World SystemFive Hundred Years Or Five Thousand?” (1993).

Como disse Oswald de Andrade, “a letra de câmbio foi inventada na Babilônia“, e a igreja de Roma herdou os escombros do império romano, na qual as prefeituras de Roma viraram as novas igrejas do catolicismo. isso ele disse a mais de meio século, assim como disse em 1928, no Manifesto Antropofágico, “devorar a cultura europeia e global e abrasileirá-la”, mas nós pouco aprendemos, quase nada assimilamos, continuamos “Alunos Forever“, a mediocridade e a sabujice de uma “elite marginal“, de “uma sociedade pré-capitalista“, para citar um dos grandes intérpretes do Brasil na segunda metade do século XX, Raymundo Faoro, que está para a nossa história política, assim como Celso Furtado está para a economia política, mas nem um, Saul euro-russo, nem outro, Andre euro-americano, consideram, eles gostam que pensar somente com as ideias do outro lado do atlântico, como dizia Euclydes da Cunha no século XIX, e agora do lado de cima do equador. Um acha que está tudo bem com o capitalismo, e o capitalismo neoliberal das últimas décadas, e o outro que o desejando o fim capitalismo, seja ela qual for. Em resumo e o dogmatismo e a ideologia acima da realidade e das utopias.

E la nave va.

Sds,

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