4 de junho de 2026

Mauricio Macri tentou prender Hebe de Bonafini

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Jornal GGN – Na última quinta-feira (4), a líder das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, participou de uma manifestação em Buenos Aires e viu um grande aparato policial se deslocar para cumprir a ordem de prendê-la. Só que a senhora de 87 anos conseguiu dar “um drible” na polícia e a população se juntou para defendê-la.

Para alguns, o governo tenta dessa forma testar os próprios limites. Isto é um ensaio. Estão testando até onde podem chegar, o nível de reação que temos”, disse Fabian de 47 anos.

“Nos cercaram de policiais, atravessaram um carro na frente da van das Madres, mas saímos por cima. Demos um drible”, contou Hebe ao jornalista Hugo Morales. “Fizeram uma jogada de Maradona”, respondeu ele. “Sim, e o povo completou para o gol”, concluiu Hebe.

Do Pagina 12

O dia em que Macri tentou prender Hebe de Bonafini

Por Nora Vieras

Traduzido por Antonio Martins, do Outras Palavras

Líder das “Mães da Praça de Maio”, símbolo da luta contra ditadura, ela resistiu, aos 87 anos. Uma multidão surgiu para apoiá-la. Governo parece recuar. Semelhanças com o Brasil?

 “Não fiquemos tristes, aflitos, calados ou quietos. A mobilização dos povos é o que liberta. As Madres seguiremos nesta posição irredutível, para que não continuem avançando sobre nós. Já fizeram demais, em sete meses. Macri, pára!” Eram pouco mais de seis da tarde [de quinta-feira, 4/8] quando Hebe de Bonafini falou pela segunda vez no dia a uma multidão que a abraçava. Nas primeiras horas da manhã, o advogado da Associação Mães da Plaza de Maio havia apresentado em documento diante do juiz Marcelo Martínez de Giorgi, antecipando que Hebe não se apresentaria à segunda convocação para depor, relacionada à organização Sonhos Compartidos (conheça o caso). Um aparato policial, inédito para executar a ordem de detenção de uma mulher de 87 anos, deslocou-se então para a Plaza de Mayo, na mesma hora em que, desde 1999, as Madres saem para sua ronda histórica. Não puderam cumprir a missão e a notícia começou a se difundir pelo mundo, ao ritmo de centenas de pessoas que confluíam à praça e em seguida, em caminhada, de volta à casa das Madres, a duas quadras do Congresso.

“Nos cercaram de policiais, atravessaram um carro na frente da van das Madres, mas saímos por cima. Demos um drible”, contou Hebe, um pouco depois, ao jornalista Víctor Hugo Morales.

“Fizeram uma jogada de Maradona”, respondeu ele.

“Sim, e o povo completou para o gol”, concluiu Hebe.

“Estupor”, “desgosto”, “barbaridade” eram as palavras repetidas por todos. Chegaram as mulheres que lutam nas ruas há quarenta anos e o ânimo mudou. “Com Hebe não se mexe”, “Madres de la Plaza / el pueblo las abraza”, começou o coro. As Madres saudavam: “sempre igual, na luta, vivas”.

Um símbolo

As pessoas foram chegando, espontaneamente. “Estava no trabalho, fui alertado por um whatsapp e estou aqui. Isto é um ensaio. Estão testando até onde podem chegar, o nível de reação que temos”, repetia Fabian, 47 anos, assalariado. Alguns passos adiante, Andrés Eraso havia comparecido com sua câmera, para registrar um destes dias que não poderia esquecer. “Onde eu possa levar meu corpinho estou, trato de acompanhar. Esta gente não sabe o que fazer deste país. Em sete meses, geraram uma trapalhada fenomenal, que não sabem como consertar”.

“Amanhã, não se esqueçam de ler Clarín e La Nación [jornais da velha mídia argentina, que apoiam o governo Macri], para ver o que ocorreu”, ironizava um fotógrafo, surpreendido por uma multidão que foi se formando por quadras. “Pela Avenida de Mayo, quando as Madresvoltavam da Plaza, foram saudadas por chuva de papéis picados”, contava. “É doloroso, mas estar juntos é a forma de recarregar as baterias”, sintetizava outra senhora.

As Madres chegaram, precedidas por uma guarda improvisada de motoqueiros. Desceram da van e abriram caminho como puderam, até chegar à cozinha de sua casa. O lugar em que se encontram diariamente. “Alguns creem que isso é o Kremlin. E a primeira coisa que dizemos todos os dias é que viemos comer. Pedimos alguma coisa e depois morremos de rir, porque não lembramos do que pediu cada uma”, contaria Hebe mais tarde, desdramatizando o dia em que pela primeira vez quase a encarceraram em “democracia”.

Dirigentes de movimentos sociais e apoiadores do kirchnerismo foram chegando. Na última hora, depois de falar por telefone, chegou Máximo Kirchner, [filho dos ex-presidentes Nestor e Cristiina]. “Resgato a dignidade de Hebe e das Madres. Sempre estão dispostas a envolver-se com o próprio corpo. Foi assim na ditadura; em 2001, quando a polícia atacou-as com cavalos e também agora”, disse o deputado.

“A única luta que se perde é aquela a que se renuncia. Este ataque não é apenas contra Hebe. Começou com Milagro Sala [líder popular e cooperativista, hoje presa]. Seguiu com a perseguição midiática e judicial a Cristina Kirchner. Hoje é Hebe; amanhã, todos os militantes populares”, disse o advogado Oscar Parrilli. Andrés Larroque, [dirigente da Cámpora,a ala esquerda do kirchnerismo], destacou que “o povo esteve à altura das circunstâncias e inundou as ruas”. O deputado Martín Sabatella destacou: “Hebe é um monumento à dignidade. Se a tocam, e a Cristina, nos tocam a todos”. Daniel Catalano, secretário da associação dos servidores públicos alertou a ministra da Segurança, Patricia Bullrich “para que saiba que há um povo decidido a resistir, por mais que ela queira cumprir as ordens de Washington”. O economista Axel Kicillof destacou “a vergonha internacional que a tentativa de deter Hebe provoca. A notícia hoje é que os lutadores populares são perseguidos, enquanto se procura libertar os repressores. Este projeto só pode ser imposto com a repressão dos que lutam. O ativista Luis d’Elia, principal referência da Federação da Terra, Moradia e Habitat, previu que “o Judiciário e a mídia não poderão frear a luta popular”. Jorge Ferraresi, prefeito do distrito de Avellaneda, adverteu: “vamos combater. As Madres não tiveram medo d[o ditador Jorge] Videla. Vão temer Macri?”

Hebe fechou o ato improvisado na porta da casa das Madres, confessando sua felicidade pela “mobilização do povo”. Todos juntos cantaram o hino argentino. E as Madres voltaram à intimidade de sua cozinha.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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9 Comentários
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  1. romulus

    5 de agosto de 2016 7:43 pm

    Nado sincronizado do cardume de sardinhas

    Evidentemente Macri esta testando os llimites.

    Assim como os nossos testam – sem oposiçao – os limites do arbitrio a cada dia.

    Eh interessante notar como ha um “efeito cardume” na America Latina.

    “Agora a onda eh ditadura militar”

    Pronto… vai todo mundo pros quarteis.

    “Agora a onda eh crise da divida e fim das ditaduras”

    E todo mundo sai dos quarteis.

    “Agora a onda eh neoliberalismo”

    Cada um com um FHC pra chamar de seu.

    “Agora a onda eh ouvir o grito dos excluidos”

    Todo mundo vira pra esquerda em governos de mais ou menos conciliaçao entre capital e trabalho.

    “Agora a onda é a reaçao truculenta às migalhas dadas aos excluidos”

    E vai cada um nessa direçao, testando os limites de sociedades civis que, infelizmente, devido aos varios “caldos” e tombos das ondas anteiores, nao lograram amadurecer e oferecem resistencia debil às pulsoes arbitrarias.

    Que tristeza.

  2. luiz claudio pontes

    5 de agosto de 2016 8:03 pm

    TEMOR, TEMER, MEDO.

    Há poucos dias, quando Nassif foi depor em Curitiba, tremi na base e ironizei o amigo com a letra de “Chame Ladrão” de Chico Buarque, postada por mim neste blog no dia do depoimento do companheiro no Paraná.

    O post não foi publicado, pois talvez achassem que eu estava “trollando” nosso querido blogueiro, mas minha intenção era a de brincar com coisa séria e alertar a todos o que pode vir por aí se nosso povo não for para a rua e deter essa ditadura que, pouco a pouco, deixa de ser  somente judiciária para ser  extremamente policialesca e militarizada.

    Não me importei de não ter sido publicado, mas de ter passado a ideia de ofender o amigo blogueiro, sobretudo em um momento de retorno do caça às bruxas. Causa temor essa perseguição aos jornalistas e blogs livres.

    Se pareceu ofensa, por favor , perdoe-me.

    P.S: Vejo com grande preocupação o enorme  deslocamento de tropas para o RJ . Ayé policiais de S. Paulo estão aqui. Nunca vi isso em toda a minha vida na cidade. A última vez que policiais paulistas estiveram aqui foi na época do Fleury, delegado do DOI-CODI.

    Não  enxergo esse ato como demostração de segurança para o nosso povo, mas sim para mostrar-nos o poderio que será utilizado, caso haja resistência ao novo – caquético – governo.

    Esse papo de evocar o terrorismo enconde, na verdade, uma grande cortina de fumaça para o recrudescimento da antiga lei de segurança nacional e seus métodos. Se Macri tenta prender um dos símbolos de luta contra a ditadura sangrenta, o que não farão nossos fascistóides de araque representados pelo arremedo de ministro da justiça e que mais se  parece com um membro dos Carecas do ABC.

  3. Paulo Figueira

    5 de agosto de 2016 8:35 pm

    Não é coincidência, a direção

    Não é coincidência, a direção dos cardumes é dirigida plas correntes de Washington

  4. Neusa Maria Barbosa

    5 de agosto de 2016 8:52 pm

    tentativa de prisão de Heve Bonafini

    Olha o péssimo exemplo do Brasil se alastrando….

     

    Por isso é que não se pode parar de resistir a essa onda reacionário-autoritária. Lá e aqui e em qualquer lugar.

  5. Schell

    5 de agosto de 2016 9:33 pm

    talvez, se o temer (resistir

    talvez, se o temer (resistir sempre, temer jamais) for orgulhosamente aplaudido em delírio pelo povo maracanizado-da-globo, amanhã sejam mais cruéis em suas perseguições contra direitos dos povos (incluídos nosotros). Diga a pequena burguesia de direita (sempre) facilmente influenciável.

    1. Frederico69

      6 de agosto de 2016 9:39 am

      uma tímida vaia coxinha!
      Mas nada de mandar ele tomar alguma coisa em algum lugar!

  6. Vixe

    5 de agosto de 2016 11:08 pm

    Digo e repito:

    As armas para combater a direita não passam pelo diálogo…

  7. Jossimar

    6 de agosto de 2016 3:19 pm

    A mesma tática utilizado no

    A mesma tática utilizado no Brasil. Quando perceberam que poderiam fazer qualquer coisa, deram o golpe. Isto se deveu a burrice da dilma em manter o inoperante zé da justiça. Agora já era e sou contra plebiscito, eleição geral o seja que merda for.

    Deixem os golpistas se autocarimbarem. O povo vai pagar caro , mas merecem por causa do comodismo introjetado em suas mentes pela globo em cinco décadas.

    Lá, os EUA colocaram um preposto, pelo menos tevfe eleição; aqui querem emplacar outro preposto de nome José Serra.

    Não acredito que o Temeroso dure até 2018. Acho que depois do golpe consolidado vai ser a vez dele e de sua camarilha porque a ordem dada é para José Serra no governo, como presidente ou primeiro ministro, o PT destruído e o Lula preso.

    Falta cumprir a última ordem.

    O Moro bandido já tentou.

     

  8. Jossimar

    6 de agosto de 2016 3:24 pm

    Como afirmo: os brasileiros

    Como afirmo: os brasileiros são bananas podres. A àrea geografica que o Brasil ocupa merecia povo melhor.

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