4 de junho de 2026

O modelo jornalístico de abordagem da ciência

Por Ricardo Miranda

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Comentário ao post “O supercomputador que vai pensar como o cérebro humano

Acho que há muita euforia de todos os lados. 

A começar com o modelo jornalístico de abordagem da ciência. Sempre aparecem com uma frase chamativa, “partícula de Deus”, “computador que pensa como o cérebro” e assim por diante. E por via de regra, lemos o artigo e vemos que é impossível concluir o que a chamada da matéria implica com a metodologia possível do estudo. É assim, e sempre será assim, pois o jornalismo e a publicidade não se divorciam nunca, e a desculpa sempre são os filhos…

Nessa reta aparecem cientistas que adoram ser promovidos e posar de filósofos, então gostam quando comparam seu trabalho a uma grande questão da humanidade, mesmo que eles não entendam nada do assunto, como é de costume. Mas afinal, o que eles sabem fazer é recortar um problema em uma área específica e tentar gerar resultados esperados, e ai entram por exemplo, sistemas de monitoramento de informação, criptografia, sistema de controle e automação, softwares de simulação, e a lista é grande, voltada para interesses governamentais e privados, da indústria médica à militar. Eles não querem saber o que é a mente, a relação aqui é técnica, não é Filosófica.

E então aparecem as reclamações sobre a falta de um pensamento holístico da ciência. Ora, não existe muita ciência no mundo, apenas uns gatos pingados, estamos em uma era de tecnociência, de tecnologia, desde antes das grandes guerras isto se anunciava. Mas não sei se o problema da ciência se resolve se passarem a ser cientistas em sentido amplo, ou cientisas-filósofos como aconteceu na física do século XX. Os modelos ou teorias da mente que encontramos no mercado filosófico não parecem abrir um caminho mais interessante. Depois do Boom analítico e o fetiche da linguagem, as afirmações peremptórias sobre a consciência ser a linguagem e a linguagem uma gramática lógica, projeto Chomskyano e do primeiro Wittgenstein que faliram, o melhor talves seja trabalhar sem modelos e teorias sobre a mente, afinal, tecnocientístas criam algo com alguma utilidade, a mente já existe nos humanos, não precisamos necessariamente replicar numa máquina, mas, se conseguirmos alguma coisa, fazer algo por analogia… tá valendo!

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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