4 de junho de 2026

Três visões sobre o artigo de Mino Carta

Por robertog

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OLha, gosto muito do Mino e de sua revista. Mas dessa vez ele estava pouco inspirado: o país está passando por mudanças importantes, a maior parte delas para melhor e os pontos de vista “pétreos” das elites que ele abomina estão sendo flanqueados e depois esquecidos. Instituímos o sistema de cotas, uma abominação, senão a abominação suprema para as elites culturais tradicionais e seus vulgarizadores da mídia; baixamos os juros e liberamos grande massa de recursos para políticas sociais que, faz dez anos, todos achavam serem impossíveis (tanto baixar os juros quanto o sucesso das políticas sociais). E por aí vai.

Imaginar que todas essas vitórias, que têm uma dimensão cultural importante senão não seriam implementadas, acontecem independentemente do que se passa na esfera cultural é pouco perspicaz. O problema é identificar hoje os gênios da atualidade. Nenhuma época foi pródiga nesse quesito. E naquelas em que os paradigmas estão mudando, isso é mais difícil ainda.

Por alfredo st

Claro que a arte e a cultura produz personalidades marcantes em tempos atuais. Mas nem sempre ganham espaço na mídia e nem sempre se consegue descobrí-los nesse Brasil tão grande e nesse tempo de cultura pulverizada. O texto de Mino é saudosista de forma equivocada  e agressivo ao escolher o verbo imbecilizar para tratar da televisão.Ele generalizou de maneira a ofender boa parte da população. A Globo tem seus defeitos, em especial o jornal capcioso apresentado pelo irônico e as vezes raivoso William W, mas também tem seus méritos em programas como Globo Reporter ou na novela Ladoa Lado que concilia informação histórica e folhetim. Por elas, muitos ficam sabendo como nasceam as favelas do Rio, depois do prefeito Moraes Passos não honrar compromissos de desapropriação. Por ela ficamos sabendo das adversidades enfrentadas pelo negro no Brasil logo após o fim da escravidão. E da mulher em geral. O texto do grande e velho jornalista (eu também sou velho) desta vez é rançoso e algo arrogante.

Por Carlos Henrique Machado

O artigo do Mino, como sempre, é impecável. É verdade que isso está no forno, e essa cultura é servida com excelência nos banquetes midiáticos. Aliás, a ideia de elegância, de requinte, esse leitão fantasiado de civilização dos bacons é praticamente um instinto dos que estão hoje comandando o nosso bom senso comum. No entanto, não sejamos ingênuos! Porque ingenuidade nossa significa a vitória dos donos da “evolução”. Seria interessante pintar as paisagens dessa crise cultural com uma levada mais cadenciada, sobretudo na altíssima roda das instituições culturais brasileiras, públicas e privadas. Pois esses elegantes são pautados pelos velhos códigos das oligarquias. Poderíamos então dizer que a agudíssima gestão do terceiro setor em que institutos e fundações das grandes corporações se localizam, estão nos velhos casarões do baronato. Lógico, tudo conduzido pelo leme de um consultor técnico que adota o patriotismo inglês como o profeta oficial desse pós-modernismo emparelhado com a visão dos velhos donos da terra Brasilis. Mas se focarmos mesmo na chamada mídia alternativa, observaremos que a diferenciação de cultura inferior e cultura superior varia na mesma ordem da filiação dos grupos, Abril, Globo e mais a pantomima institucional de institutos e fundações que andam com seu antropofagismo mais voraz do que nunca. Por isso é bom fazermos os nossos miolos ferverem mais porque o buraco é mais em cima e a paisagem é mais deserta.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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