13 de junho de 2026

Sobre o golpe civil-militar de 1964

Comentário ao post “Um estudo clássico sobre 1964

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O documento do Wanderley coincide em grande parte com o que propunha o PCB comandado por Prestes pós 1964: a luta pelo retorno à democracia através da aliança de trabalhadores urbanos e do campo com setores da classe média e da burguesia industrial, criação de uma base social através da luta por reinvidicações específicas dos trabalhadores, estudantes e artistas, etc (melhores salários, gratuidade do ensino, liberdade de expressão) e, em especial, a não mobilização popular pela luta armada.

Talvez tenha sido por isto que os militares liquidaram literalmente quase todo o Comitê Central do PCB.

Uma outra coisa é concluir que não houve golpe civil-militar: quem viveu o período pré e pós 1964 assistiu todo o golpe se desenrolando de camarote: a agitação política e midiática contrária a Jango e aliados, as marchas da TFP, os tanques se deslocando pelas estradas e ruas para ocupar pontos estratégicos, a atuação dos golpistas no Congresso, o deslocamento da fôrça naval norte-americana, a atuação diplomática do embaixador norte-americano, a brutal repressão aos trabalhadores, camponeses, estudantes, artistas, sargentos, cabos, soldados e marinheiros, sindicalistas e militantes dos Partidos que apoiavam Jango e aliados.

Outro equívoco é afirmar que não houve apoio norte-americano ao golpe, para resumir: hoje estão comprovadas, por documentos, fotos, aúdios e vídeos produzidos à época no Brasil e nos EUA, todas as evidências sobre a participação decisiva norte-americana no golpe civil-militar de 01 de abril de 1964. Isto não é mais especulação histórica. É ciência histórica corroborada por documentos.

Outro equívoco é afirmar que houve amplo apoio popular ao golpe civil-militar: quer dizer que trabalhadores urbanos e camponeses, estudantes, artistas, setores da classe média urbana como engenheiros (Clube de Engenharia), arquitetos (IAB), jornalistas (ABI), advogados (OAB), só para citar alguns, parte do oficialato, sargentos, cabos, soldados e marinheiros, etc, na sua maior parte apoiaram o golpe ? Eu vivi este período e posso desmentir esta pergunta enfaticamente.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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