Comentário ao post “As semelhanças entre o STF e os EUA do começo do século“
O que estamos assistindo, muitos não estão se dando conta, é o agigantamento perigoso do poder judiciário e da justiça eleitoral em detrimento dos poderes legislativo e executivo. Isso significa que a cidadania brasileira está cada vez mais sendo tutelada por interesses estranhos a vontade soberana do povo, ou seja, estranhos ao poder que emerge das urnas.
Todas essas políticas de cunho regressista, que buscam criminalizar cada vez mais a atividade política, não passam de tutela judicial disfarçada, estão tutelando o voto do povo brasileiro através do bacharelismo moralista que rebaixa a política e abre caminho para discursos de fanfarrões ‘salvadores da pátria’. A continuar nessa loucura coletiva de criminalização da política, daqui a pouco exigirão que candidatos não possuam condenação em juízo de primeira instância, que nunca tenha tido multas ao dirigir veículos, que nunca tenha xingado alguém num jogo de futebol, que tenha sido um excelente aluno com notas 10 durante seus anos de estudo, que possua diploma de nível superior, enfim, que seja um coroinha ao invés de um ser humano que milita políticamente.
Isso destrói a política, pois, ao fim e ao cabo, nada, absolutamente nada importa na vida pessoal de A, B ou C. O que importa de fato, sempre importou e sempre importará é o projeto político que o candidato A, B ou C defende!!! Os leitores aqui do blog que são de esquerda, por obséquio pensem o seguinte… Um candidato bonitinho, limpinho, cheiroso, sem nenhum processo, que é bom pai de família, trabalhador, cumpridor dos seus deveres (seja lá o que isso signifique), etc. Pois bem, esse cidadão é filiado ao DEM. Pergunto eu, de que adiantam todos os predicados do ilustre cidadão se o projeto que ele defende é regressivo e vai contra as demandas históricas dos movimentos sociais?
Só está faltando criarem um pré-requisito de que o candidato assuma o compromisso de ajoelhar no milho todas as noites enquanto exercer o seu mandato…
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