Costumo dizer que o lado mais perverso da característica central do neo-liberalismo, o enfraquecimento do Estado enquanto provedor de serviços básicos, é invisível.
Privatizações de grandes empresas estatais de telecomunicação, distribuição de energia, etc, são apenas a uma pequena parte do iceberg neo-liberal que fica exposta e como tal, vira alvo das críticas das opiniões anti-neo-liberais.
Porém, a grande massa do iceberg de transferência do Estado para o mercado privado está submersa sob as águas e passa despercebida pela grande maioria.
Enfraquecido o Estado, aquele que deveria regular para que todos tivessem igualdade de acesso aos serviços básicos, acentuam-se as desigualdades socias.
Se analisarmos os governos que rezam pela cartilha neo-liberal no Brasil nos últimos 20 anos ( FHC, Lula e Dilma ) podemos chegar a conclusão que, o iceberg vem crescendo bastanto embaixo do nível d’água nestes últimos dois, estratégicamente camuflado de transferência de renda acompanhado de nenhuma melhoria nos serviços públicos.
Vejamos os números:
Privatização da Saúde – Em 2000 haviam 30,7 milhões de brasileiros usando planos de saúde privados, em 2010 já eram 47,9 milhões. Em 2011, o mercado dos planos de saúde teve um faturamento de R$ 83,4 bilhões, o que representa um crescimento de 11,7% quando comparado a 2010
Privatização da Educação – O número de alunos matriculados na rede particular de ensino em todo País aumentou 24% desde 2007. E a tendência é que o brasileiro invista 13,5% a mais em educação em 2012. De acordo com a pesquisa, o gasto total das famílias exclusivamente com mensalidades de escolas e universidades atingirá 49,5 bilhões de reais este ano, superando os 43,6 bilhões de reais no ano anterior. O gasto per capita passará de R$ 267,68 para R$ 303,92, um aumento de 13,53%.
Privatização da Segurança – Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que em dez anos, a segurança privada cresceu 74% no Brasil. O brasileiro gasta quase R$ 40 bilhões ao ano em contratação de trabalhadores em segurança. O Brasil já é o segundo país das Américas na proporção entre seguranças privados e policiais, dos 22 com dados disponíveis: são quase cinco agentes particulares para cada um do Estado, mais do que o dobro da média regional.
Triste é constatar que esses números são mostrados e propagandeados pelo próprio Estado como um sinal de que o país está melhorando e que cada vez mais as classes mais baixas estão tendo acesso a esses serviço, como se a função do Estado não fosse prover a população desses serviço em nome da universalidade do acesso a ele.
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