6 de junho de 2026

A diminuição da alíquota do compulsório e outras medidas

Da Reuters Brasil

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BC reduz alíquotas do compulsório e injeta R$30 bi na economia

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA, 14 Set (Reuters) – O Banco Central reduziu nesta sexta-feira as alíquotas do recolhimento compulsório dos bancos, injetando na economia em torno de 30 bilhões de reais com o objetivo de impulsionar o crédito no país e aumentando as dúvidas sobre um novo corte da taxa básica de juros.

A alíquota adicional incidente sobre os depósitos à vista foi reduzida de 6 por cento para zero, e passa a vigorar a partir desta sexta-feira. Já a alíquota adicional do depósito a prazo foi reduzida para 11 por cento, ante 12 por cento, e surtirá efeito a partir de 29 de outubro de 2012.

“Esse conjunto de medidas deve liberar, nos próximos meses, em torno de 30 bilhões de reais do estoque atual de 380 bilhões de reais de depósitos compulsórios, o que contribuirá para alongar o perfil de captação do sistema e melhorar a distribuição da liquidez no mercado interbancário”, disse o Banco Central em nota.

O BC permitiu ainda que até metade do recolhimento compulsório sobre depósito a prazo seja cumprida com a aquisição de Letras Financeiras e carteiras de crédito. Essa regra, que passou a vigorar imediatamente, deve favorecer o fluxo de recursos dos grandes bancos para os de pequeno porte, segundo um economista.

“Acredito que era mesmo preciso que o BC fizesse uma contribuição maior para fornecer liquidez para a economia para que ela tivesse um crescimento mínimo possível. Liberar quase 8 por cento do estoque de compulsório é bastante, deve estimular a economia”, disse o economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito.

A redução do depósito compulsório foi anunciada em um momento em o crédito mostra sinais de enfraquecimento e no mesmo dia em que o BC decretou a liquidação de dois bancos de médio porte.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes, disse, no entanto, que a medida não tem relação com a liquidação dos bancos Cruzeiro do Sul e Prosper.

“Essa mudança vinha sendo estudada há algum tempo e é uma medida de política monetária, não é medida de fiscalização. Foi uma mera coincidência”, disse o diretor do BC.

Ele afirmou ainda que o governo está buscando aumentar o crédito e levar a alíquota do compulsório para mais perto da média internacional.

“É um estímulo porque as instituições financeiras vão poder aumentar a oferta de crédito, a taxa de juros e o spread vão cair. Nesse sentido, essa medida contribui com o custo do dinheiro na ponta, é uma pré-condição para que o juro caia na ponta”, disse Aldo Mendes.

O compulsório sobre os depósitos à vista cai para 44 por cento, e o sobre os depósitos a prazo para 31 por cento, segundo o BC.

NOVO CORTE DE JURO?

Desde a última reunião do Comitê de Política Monetária, quando a taxa básica de juros foi reduzida para 7,5 por cento ao ano, o mercado está dividido sobre a continuidade na política de corte dos juros. Isso porque o BC disse em comunicado que se houvesse espaço para uma nova mudança, essa seria feita com máxima parcimônia.

A redução do compulsório, na opinião de alguns economistas, reforça a tese de que o BC vai interromper o ciclo de redução dos juros.

“Apesar de aparentemente as medidas terem sido desenhadas para melhorar a liquidez total e sua distribuição no setor financeiro, elas provavelmente são uma sentença de morte para as esperanças de uma nova rodada de redução dos juros em outubro”, avaliou o economista Alexandre Schwartsman, da Schwartsman & Associados.

“Isso visa enfrentar os problemas de atividade. É um outro instrumento que o BC pode usar, já que se continuasse reduzindo mais a Selic não iria ancorar as expectativas de inflação”, disse o economista da Gradual Investimentos.

Mas as dúvidas ainda persistem sobre um novo corte. 

“Não acredito que a medida substitui a ferramenta clássica de política monetária, que é cortar os juros. Mas vai no sentido de outras medidas que o governo tem feito”, disse o economista-chefe do BES Investimentos, Jankiel Santos.

O Banco Central não mexia no compulsório desde maio, quando liberou 18 bilhões de reais do recolhimento sobre depósitos a prazo para o financiamento de automóveis e veículos leves.

(Com reportagem de Danielle Ramos)

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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