Por JB Costa
Comentário do post “O tratamento dado ao mensalão do PT“
Esse artigo do Coimbra decerto vai ter leitores “especiais”. Para ser mais específicos, os onze senhores e senhoras de toga que dão expediente na praça dos três poderes. E um mais “especial” ainda: o ministro Ayres de Brito, o novo xodó da grande imprensa.
Acompanhei desde “os cueiros” esse processo. Fui um atento assistente de todas as sessões da CPMI. Sorvi desde 2005 todo artigo, todo debate, toda notícia, todas as mentiras, todas as verdades, todas as fantasias, todas as hipocrisias. Li as peças de acusação da PGR e de defesa do José Dirceu, Marco Valério e do Delúbio Soares.
Daí concordar 100% com o Marcos Coimbra acerca da inadequação desse termo “mensalão”, uma contrafação engendrada pelo aparato oposicionista-midiático para enganar os incautos e serventia política-eleitoral, e – aí minha raiva do Poder Judiciário – singularizar esse caso por ser do PT e ter ocorrido no governo de Lula só por deferência (ou será mesmo “por covardia”?) ao estilo Goebbels da chamada grande mídia.
Há nos arquivos deste generoso blogs comentários meus acerca do aludido por Coimbra (não com a precisão e a classe, claro), em especial acerca do processo de diferenciá-lo e destacá-lo do avô-avó-pai-mãe dessa prática em destaque que foi o “mensalão” tucano, eufemisticamente e safadamente apelidado por “ela”, a distinta, por “mensalão mineiro”. Lembro-me bem de um em que refutava esse tese do envolvimento direto de dinheiro público, dado que os recursos tidos como desviados vieram da Visanet, uma empresa privada controlada por um pool de bancos, dentre os quais o BB, o Bradesco e outro mais.
Houve, sim, porque os próprios acusados admitiram, crime de natureza eleitoral, fiscal e provável evasão de divisas. Eticamente, portanto, não existe santo, nem ingênuos nesse imbrolio. Tampouco cabem versões fantasiosas pelo lado de cá, tais como essa última de que foi produto da perfídia de Carlinhos Cachoeira e seu personal parlamentar Demóstenes, hoje quase um finado(politicamente escrevendo).
Não é porque o “lado de lá” é hipócrita e mentiroso que temos que rebater na mesma moeda. Haverá, inevitavelmente condenações. Mas como também absolvições. A bola está com o Supremo.
PS: o José Dirceu é quase certo sair inocentado por falta de prova. A Justiça, até onde sei, não absolve ou condena por ilações e hipóteses, por mais plausíveis que sejam, e sim, em “riba” de provas documentais.
Agora não assino embaixo de jeito nenhum acerca dele não saber das tripulias do Delúbio e do, à epoca, carequinha. Seria o mesmo que a Alemanha ter invadido a URSS sem o conhecimento do Fuhrer.
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