
Na Veja do final dos anos 70, cunhamos a expressão “prego no vinil” para definir as intervenções do Secretário de Redação – a quem incumbia fazer a última leitura das matérias – nos textos que saíam das editorias.
Muitas vezes, eram intervenções tão forçadas que a definição até era suave.
É o caso de O Globo e a cobertura da entrevista que fiz com a presidente licenciada Dilma Rousseff.
Quem assistiu a entrevista viu uma primeira parte, em que questionei Dilma sobre todos seus erros. E uma segunda em que a deixei à vontade para falar.
Aliás, a ideia de que toda entrevista é um embate entre entrevistador e entrevistado, uma luta de boxe, é um tic típico de um certo jornalismo espetáculo. É colocar o entrevistador como personagem principal, e não o entrevistado. A maior das entrevistadoras brasileiras, Marilia Gabriela, torna-se quase uma confidente do entrevistado. Porque o que interessa é obter o maior número de revelações. E a entrevista de pugilato não busca a informação, mas transformar o entrevistado em escada para o entrevistador.
Todos os jornais deram uma cobertura decente para a entrevista e, lá no pé, deram o devido crédito ao entrevistador.
Menos os veículos da Globo. O G1 coloca a matéria como se o entrevistador fosse a EBC. O Globo fez mais e deu um eloquente exemplo do estilo “prego no vinil”.
O repórter escreve uma matéria decente. Na hora de mencionar o entrevistado, entra o editor e inclui uma frase às pressas, para poder justificar a desobediência ao índex ao Ali Kamel.
E aí, sai uma frase apressada, sem pé nem cabeça: “que não em nenhum momento contestou a petista”.
Pergunto ao diretor de redação de O Globo, jornalista experiente: vale a pena pagar um preço desses – o de ser obrigado a mesquinharias nas menores coisas – pelo emprego?
Tem gente que acha que vale.
Ivan de Union
11 de junho de 2016 5:17 pmFica pior: a “criativa”
Fica pior: a “criativa” adicao eh um non sequitur analfabetinho que da ate pena…
Jair Fonseca
11 de junho de 2016 5:18 pmFreud explica.
Freud explica.
Revelador da má-fé do redator esse erro com a dupla negação na frase: “que não em nenhum momento contestou a petista”.
Gui Oliveira
11 de junho de 2016 6:53 pmÉ o tal caso…
Pois é. 2 não = 1 sim. E neste caso um “sim” é uma afirmativa falsa, já que não corresponde ao comportamento do entrevistador. Daí decorre que o tal “adendo” foi um ato falho do editor – censor que revelou a vontade da parte dele de “ajustar” o texto ao que ele gostaria que tivesse sido a atitude do Nassif, ainda que para isso tivesse que falsificar a realidade. Um jumento antiético, este Kamel (perdão aos asnos).
Luciano Prado
11 de junho de 2016 6:08 pmPrego caibral
Felipe Pena @felipepena 22 hHá 22 horas
Vergonha alheia. O cara pensa que tem autoridade moral pra isso. Deplorável.
Ivan de Union
11 de junho de 2016 9:05 pmNao entendi, Luciano. Quem
Nao entendi, Luciano. Quem eh Guilherme Fiuza?
André Oliveira
11 de junho de 2016 6:13 pmMe espanta que a Globo não
Me espanta que a Globo não tenha simplesmente ignorado a entrevista e pronto. É uma tática muito usada por eles.
WALDIR
11 de junho de 2016 6:17 pmSe um dia voltarmos à Democracia
Existem dezenas de ações que precisam serem tomadas, mas acho que uma das essenciais para a sociedade, é uma injeção supra-mega-hiper-grande de ÉTICA JORNALISTICA na nossa imprensa tupiniquim, está ficando pra lá de feio. Em tempos de redes sociais, não há como esconder as mazelas que em 68 eram escondidas. E o mundo está vendo.
jose adailton v ribeiro
11 de junho de 2016 6:18 pmNem te ligo?
Anos atrás quando os “blogs políticos” iniciaram sua ação de contraponto à linha editorial da grande imprensa, a reação desta se comparava a indiferença que um elefante dispensava a um pequeno pássaro catando bichinhos no seu lombo. Hoje o paquiderme diminuiu de tamanho e o passarinho se tornou uma águia ameaçadora de gandes garras afiadas.Mesmo com tal mudança na proporção de forças, dissimuladamente e com inseguro garbo os ingleses ainda mantém sua fleuma.
PS: A reação da imprensa tradicional a esta entrevista era mais do que esperada, nenhuma novidade. O JN citou a EBC e uma única resposta dada por Dilma. Alguém esperava mais?
jns
11 de junho de 2016 6:28 pmComendo moscas
Encaminhei, nesta semana, matéria que, num lapso global, foi publicada, pela “poderosa”, com a grafia do termo governo golpista, usado pelo redator onde, provavelmente, deveria ter sido utilizado governo interino ou outra denominação qualquer.
Emanuel Augusto
11 de junho de 2016 6:28 pmNovidade!!
É que O Globo queria mostrar que o entrevistador é “chapa cinza” já que agora a Presidenta é afastada e não poderia supor ser “chapa branca” , ai enfiam qualquer coisa para desqualificar o entrevistador. Novo normal jornalístico.
will
11 de junho de 2016 7:16 pmJá que tocou no assunto
Baseado nos posts ao longo do tempo, sabemos que na economia vc é um critico feroz com a Presidenta.
Nesta entrevista, como em outras, vc deixou ela falar o suficiente, até que se complete o raciocínio, as intervençõesforam poucas, assim como o tempo da entrevista foi pouca.
Houve até tempo para piadinha aqual axhei que você foi maldoso, mas ela levou na esportiva, e daí pra frente, a entrevista ficou destrancada, quase um bate papo.
Percebi que Dilma voltou a falar como Presidenta Eleita.
Quando ela fala de economia, percebe-se um conflito em suas explicações, muito em razão de ela querer dizer às pessoas mais simples, e acho que ela conseguiu por que a entrevista permitiu o clima favorável.
Elamdeixou cada vez mais claro que existe o financiamento externo de juros altos. Revelando que estes tem grande interesse e trabalham com golpistas daqui.
Maria de Fátima de Souza Rocha
11 de junho de 2016 7:31 pmPrego no Vinil
E a ex-Vênus Platinada citou a entrevista da Dilma ao Nassif ?
Entendido. Como a Lava Jato e a PGR, daqui até a saída da Dilma, nunca foi, nem será seletiva.
Quá Quá Quá… (obrigada, PH!)
Maria de Fátima de Souza Rocha
11 de junho de 2016 7:32 pmPrego no Vinil
E a ex-Vênus Platinada citou a entrevista da Dilma ao Nassif ?
Entendido. Como a Lava Jato e a PGR, daqui até a saída da Dilma, nunca foi, nem será seletiva.
Quá Quá Quá… (obrigada, PH!)
Eduardo Outro
11 de junho de 2016 9:39 pmRiso de hiena.
Riso de hiena.
André W.
11 de junho de 2016 7:47 pmNassif você é um profissional
Nassif você é um profissional qualificado, competente e sério, poderia fazer carreira em qualquer mídia jornalística do mundo, diferentemente dos eternos estágiários que o criticam. Eles deconhecem a ética e as regras mas reclamam da outra parte por qualquer coisinha. Parecem aqueles jogadores que se jogam em campo, dão cotoveladas e vivem encoxando o juiz, que acabaram como futebol brasileiro.
Tina
11 de junho de 2016 11:02 pmPior
Eles conhecem as regras e a ética.
Mas não praticam.
Plínio J. V. Lins
11 de junho de 2016 8:49 pmMoreno, xeleléu de
Vergonhosa é a forma como O Globo e seu nhenhenhém Jorge Bastos Moreno tratam o caso EBC hoje.
O “governo” Temer quer extinguir a EBC porque é um “cabide de empregos”, diz Geddel, meu deus, Geddel!
Escondwem, vergonhosamente, que o governo queria era aparelhar a EBC. Demitiram o Ricardo Melo tratorando a lei e, como o STF repôs as coisas no lugar, então querem detonar a empresa de informação pública.
Ou é como eu quero ou eu acabo com ela.
Democracia: que hora ela volta?
João Maria Fernandes de Sousa
11 de junho de 2016 8:52 pmA canalhice
Impera no reino da Globo.
Omar Luz
11 de junho de 2016 10:24 pmcoveiros da democracia
A globo rasga seda com golpistas…. É só lembrar da entrevista com o meirelles: “Muitíssimo obrigado! Adorei! Que dê tudo certo! Todos torcemos para que dê tudo certo!” Não tem nenhuma moral, para nada… São coveiros da democracia…
Celio Mendes
11 de junho de 2016 10:33 pmGlobo e democracia são
Globo e democracia são mutuamente excludentes, ou você tem democracia ou tem a globo, a democracia é extremamente util e valiosa para o país, já a globo não nem uma coisa nem a outra.
JB Costa
11 de junho de 2016 11:56 pmO pano de fundo disso é a
O pano de fundo disso é a pinimba que a dita grande imprensa tem com o jornalismo não institucional.
Jamais se conformarão com a perda de prestígio, de dinheiro e de poder. O jornalismo alternativo está dando um banho de competência e veio para ficar apesar do fogo cerrado de quem avaliou e projetou mal os cenários derivados das novas tecnologias e das mudanças de perfil e de postura do público consumidor.
Observa-se bem isso quando intercalam numa matéria (que deveria ser só) jornalística, cujo foco era as declarações de uma entrevistada de nível bem acima do comum numa situação também de anormalidade, para “exigir” do entrevistador-desafeto o que para eles seria o “normal”: a confrontação da entrevistada conforme exige o novo paradigma por eles adotado, onde ela – imprensa – própria deixa de ser apenas o “meio” para se transformar em protagonista.
O limite para alcançar o desespero está cada vez mais perto.
Maria Carvalho
12 de junho de 2016 2:01 amPrezado Luis Nassif,
você sabe quem você é e o que faz na sua “zona profissional”.
Certos “melindres” devem ser ignorados.
Nem sei do que se refere esse “prego”, pois não “leio”, não “assisto” nem “clico” em nada que venha dessa “joça”, e vivo muito bem, obrigada!
DanielD
12 de junho de 2016 8:13 amQueria perguntar
se, como ocorreu no caso do Minc, onde os artistas se uniram para precionar o governo interino, no caso da EBC não vai haver um movimento similar de quem de direito, afim de evitar essa barbaridade que já se anuncia.
Não estaria na hora de todos os setores partirem para atitudes mais concretas no seu ramo de atuação?
Henrique Finco
12 de junho de 2016 9:44 amCiúmes
Vai ver em um pouco de ciúmes pelo fato de o Nassif ter feito esta entrevista histórica…..
gerson C T
12 de junho de 2016 1:40 pmQuando vence a concessão
Da Groubo ?
2018 ?