O prego no Vinil de O Globo

 
Na Veja do final dos anos 70, cunhamos a expressão “prego no vinil” para definir as intervenções do Secretário de Redação – a quem incumbia fazer a última leitura das matérias – nos textos que saíam das editorias.
 
Muitas vezes, eram intervenções tão forçadas que a definição até era suave.
 
É o caso de O Globo e a cobertura da entrevista que fiz com a presidente licenciada Dilma Rousseff.
 
Quem assistiu a entrevista viu uma primeira parte, em que questionei Dilma sobre todos seus erros. E uma segunda em que a deixei à vontade para falar.
 
Aliás, a ideia de que toda entrevista é um embate entre entrevistador e entrevistado, uma luta de boxe, é um tic típico de um certo jornalismo espetáculo. É colocar o entrevistador como personagem principal, e não o entrevistado. A maior das entrevistadoras brasileiras, Marilia Gabriela, torna-se quase uma confidente do entrevistado. Porque o que interessa é obter o maior número de revelações. E a entrevista de pugilato não busca a informação, mas transformar o entrevistado em escada para o entrevistador.

 
Todos os jornais deram uma cobertura decente para a entrevista e, lá no pé, deram o devido crédito ao entrevistador.
 
Menos os veículos da Globo. O G1 coloca a matéria como se o entrevistador fosse a EBC. O Globo fez mais e deu um eloquente exemplo do estilo “prego no vinil”.
 
O repórter escreve uma matéria decente. Na hora de mencionar o entrevistado, entra o editor e inclui uma frase às pressas, para poder justificar a desobediência  ao índex ao Ali Kamel.
 
E aí, sai uma frase apressada, sem pé nem cabeça: “que não em nenhum momento contestou a petista”.
 
Pergunto ao diretor de redação de O Globo, jornalista experiente: vale a pena pagar um preço desses – o de ser obrigado a mesquinharias nas menores coisas – pelo emprego?
 
Tem gente que acha que vale.

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