4 de junho de 2026

“O bonito canto dos irlandeses”

 

 
 

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                   Low lie, the Fields of Athenry

                           Where once we watched the small free birds fly.

                           Our love was on the wing, we had dreams and songs to sing,

                           It’s so lonely ’round the Fields of Athenry.

 

                                                                                 Pete St John

 

 

Final de tarde, final de expediente, estava acompanhando pelo twitter os resultados e comentários dos jogos da Eurocopa. Espanha dando um vareio na Irlanda, 4 x 0. A retranca do técnico Trappatoni da Irlanda não vingara. Torres e companhia passearam, perderam gols, a Espanha venceu fácil.

Do futebol que houve importa pouco.

O que marcou mesmo foram os comentários emocionados dos amigos Marinilda e Arnóbio. Os dois tuitavam com evidente emoção a descrição de uma torcida irlandesa cantante, derrotada e cantante. Arnóbio comenta todo o contexto do momento irlândes: bancarrota econômica, futebol ruim e o paradoxo do canto e da festa. Sofrido povo irlândes. Marinilda exalta sua escolha de torcer para os “losers”, estar sempre do lado dos derrotados, velha sina comunista.

Sem televisão, sem informação, sem link de imagem e de som, cheguei em casa curioso para saber qual a canção que eles cantavam, e como foi este momento catártico e intrigante de celebração diante de uma acapachapante derrota. Pela alegria de estar vendo o time de coração, pelo prazer de estar do lado dos camaradas?

Muita bobagem e preconceito se fala dos irlandeses. Em todos os filmes  irlandês representa o tosco, iletrado e violento. Os policiais sem ética, as famílias desagregadas, o papel subalterno no “american dream” O caráter sanguinário e extremista das suas causas e ações políticas. Os nordestinos da Europa, os grosseiros, todas estas escrotices racistas e preconceituosas que generalizam e diminuem um povo.

Mas a Irlanda ama sua cultura, sua música, seus tipos folclóricos, sua história e memória, sua capacidade de enfrentar adversidades.

Uma passagem histórica trágica: a grande fome de 1845-1849, causada principalmente por uma contaminação das batatas, base da alimentação irlandesa, que matou quase 30% da população. Naquele  momento a história muda radicalmente e vários irlandeses se espalharam pelo mundo, em desvantagem, fugidos da fome e de um país sem oportunidade. Pulando outros períodos, hegamos à história recente e  vemos a Irlanda como um dos países mais afetados pela monolítica receita neoliberal que assola a Europa, novamente eles vivem um péssimo momento, com outras tintas, mas com a mesma gravidade.

Porém, os irlandeses cantam e é bonito.

Fui pesquisar na internet, youtube, foruns, etc, digitei:

What song were the irish supporters singing at the end of match with Spain?

E o rio de informações da internet me levou até “The Fields of Athenry” uma canção dos anos 70 que faz alusão justamente à grande fome,  conta a história de um homem que é preso por roubar comida para a família que esta passando fome, ele vai seguir num barco para uma colonia e esta se despedindo da esposa. Athenry é uma pequena cidade no leste da Irlanda que foi castigada na grande fome.

 

The Fields of Athenry  virou hino das torcidas dos times de rugby e futebol, das organizações política nacionalistas irlandesas, é cantada na alegria e na tristeza, uma canção de perseverança, uma canção de um povo orgulhoso de ser quem é, mesmo perdendo, que vive a alegria de poder cantar ao lado dos camaradas, com cerveja e com união.

 

O futebol vem perdendo a magia e cada vez mais se transforma em produto de cálculos frios e mercadológicos, nesta onda toda talvez este seja um dos momentos mais bonitos, e por demais inspirador, da Eurocopa:

 


 
 

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