16 de junho de 2026

A moça estuprada, seu celular e a Testemunha de Acusação

Atualizado às 19:14

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O Extra faz um jornalismo surpreendente, diria até que o melhor jornalismo de reportagem da atualidade.

Mesmo sendo das Organizações Globo, coube a ele desmentir o tremendo factoide armado na época, sobre os boxeadores cubanos que teriam sido extraditados para Cuba pelo governo brasileiro, para impedi-los de conquistar a liberdade.

Colocou seus repórteres refazendo a pista dos cubanos, descobriu que foram enganados por um empresário de boxe alemão, ficaram na mão e pediram para retornar para Cuba.

Agora, levantam o caso da menina supostamente estuprada por trinta meliantes. E publica, hoje, uma boa matéria enfrentando todas as afirmações preconceituosas contra a menina, tipo “ela não é santa, teve o que procurou”, “foi orgia, suruba, não estupro”, “ela não presta, teve filho aos 13 anos”.

Trata-se de uma postura digna e corajosa, ainda mais destinando-se a um público de baixa renda, bastante conservador e preconceituoso. E uma boa aula de como desmascarar argumentos machistas nos casos de estupro.

Ocorre que há duas discussões em pauta.

Uma, genérica, sobre o estupro, na qual se levantam todos os argumentos preconceituosos rebatidos pelo Extra.

Outra, objetiva, jornalística, se atendo aos fatos.

O Extra dá uma boa resposta aos argumentos machistas. Mas se desbastar as dúvidas sobre o estupro de toda a dose de preconceitos existente, ainda assim a versão da menina não para de pé. Há a evidência de que ela foi bolinada sem condições de se defender; e que o vídeo foi publicado na Internet. Tem-se aí um crime de atentado violento ao pudor e outro de divulgação de vídeo com cenas íntimas. 

Essa história ainda vai se tornar um caso a ser estudado nas faculdades, nesses tempos de Internet e seus  hoaxs e mídia alucinada por fabricar escândalos.

Não se indaga  qual a razão de um aparato bélico contra uma jovem indefesa.

Jovens acusados afirmam que, dois dias após o suposto estupro coletivo ela voltou ao morro. À polícia, a jovem admitiu que procurou o dono do tráfico no morro para cobrar o seu celular que tinha desaparecido (http://goo.gl/C5JdNO).

Alguém que foi estuprado por trinta homens armados não volta ao local do crime dois dias depois, para cobrar o celular desaparecido.

(À luz de comentários postados, retiro o argumento da busca do celular como sinal de despreocupação da moça).

O jornal alega que, em muitos casos de abusos contra a mulher, esta demora a reagir e a se afastar do local dos abusos. Ora, essa regra vale para abusos que são cometidos no lar das vítimas, de mulheres, em geral com filhos, dependentes do marido, sem alternativas fora da casa. Não no caso de uma jovem classe média que apenas visitava a favela.

Ou seja, levantou uma explicação que cabe nas mulheres submissas aos maridos, mas não se aplica ao caso da jovem.

O Extra justifica a jovem não ter dado parte à polícia imediatamente devido ao fato do aparato do Estado estar distante do povão. Opa! A jovem é de classe média, filha de pastor, provavelmente de uma família com plenas condições de acionar o aparato do Estado. Quem não tem acesso ao Estado são os jovens favelados acusados.

Ou seja, levantou uma situação que se aplica a jovens do subsolo da pirâmide social e aplicou a uma jovem de classe média.

Como é possível a alguém que supostamente sofreu violência tão grande, disfarçar da própria família, retornar ao local do crime dois dias depois para reclamar…  o celular perdido?

Além disso, o Extra não explica a solidariedade do morro para com os acusados, nem o fato do tráfico – que tem no estupro um dos crimes capitais – não ter saído por aí executando suspeitos.

O que se tem de concreto:

1. Segundo notícias de hoje, o chefe do tráfico jurando a menina de morte por tê-lo colocado no centro de uma controvérsia nacional.

2. Uma delegada pressionada pela mídia, fazendo o que for necessário para dar satisfações ao público, ainda que à custa de violência contra jovens suspeitos.

3. O noticiário sendo relegado ao pé das homes ou às páginas internas dos jornais, pela óbvia dificuldade de admitir a barriga em que entraram.

O Extra encontrará uma saída para o episódio. E não afeta em nada sua qualidade jornalística.

Aliás, seria bom o diretor de redação assistir o clássico “Testemunha de Acusação”. Em uma atuação jurídica magistral, o velho advogado Charles Laughton defende o réu Tyrone Power e consegue sua absolvição. Depois, descobre que a versão contada era errada eque o réu era culpado.

Na última cena, veste seu jaquetão para voltar ao tribunal. Agora, para acusar o réu que ele próprio absolveu.

No episódio em questão há provas contra três pessoas, de atentado violento ao pudor e divulgação de vídeo com cenas íntimas. Tem que se parar com essa caçada humana, apenas para atender à sede de vingança da opinião pública.

PS – Aliás, é curiosíssimo que, dentro dos grupos de mídia, Extra e Exame pratiquem um jornalismo menos comprometido que as publicações mães.

Desmentem o provérbio popular de que quem engorda o porco é o olhar do dono. No caso brasileiro, aparentemente o jornalismo só floresce onde o dono não bota seu olhar.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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46 Comentários
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  1. Fábio Peres

    1 de junho de 2016 6:20 pm

    Se a vítima, como o Nassif

    Se a vítima, como o Nassif diz, é filha de pastor, isso explica muita coisa.

    Evangélicas e evangélicos devem casar virgens, pois é mandamento divino e obrigação teológica, exigida de todo e qualquer cristão (inclusive dos católicos, de ambos os sexos).

    Caso se descubra que uma menina evangélica, filha de pastor, se envolveu em uma orgia, ela seria disciplinada – perda de direitos na denominação que frequenta – e o pai poderia perder o cargo, já que era responsabilidade dele manter a família sob seu comando (a forma clássica de dar responsabilidade aos homens nos meios conservadores).

    O erro da menina vira a humilhação do pai, que perderia o emprego, a fonte de renda e a moral diante da comunidade. Natural, pois, que ela tentasse inventar qualquer estória para justificar o que aconteceu.

    Observem, isso NÃO justifica o estupro – mas explica o que poderia ser uma mentira em juízo, que pode comprometer a vida de muita gente que estava no lugar errado, na hora errada. E, para ficar na metáfora das redes sociais, #EstuproNuncaÉCulpaDaVítima, #MasMentirParaAPolíciaÉCrime – dos graves, por sinal.

    1. drews

      1 de junho de 2016 10:41 pm

      Se ela já tinha tido um filho

      Se ela já tinha tido um filho aos 13 anos, já não era virgem… ou nào entendi o que você disse?

    2. Anarquista Lúcida

      2 de junho de 2016 12:24 am

      Valem todas as especulaçoes, menos a palavra da vítima

      É revoltante, e só mostra o machismo, a “solidariedade” masculina diante do abuso com as mulheres.

  2. Fábio Peres

    1 de junho de 2016 6:24 pm

    Quanto à desmistificação que

    Quanto à desmistificação que o Extra ousou fazer, de forma muito correta, infelizmente ela não terá muito efeito.

    Tudo bem, posso concordar com todos os fatos, mas nenhuma pessoa pode ter pena de quem se colocou abertamente em situação de risco, como essa menina. Quem tem filhos (e filhas) torce abertamente todos os dias para que eles cheguem em casa sãos e salvos – e livres de riscos, em um mundo supostamente cruel como o nosso.

    Mesmo que não seja verdade, é melhor ser um ogro aos olhos de seus filhos que buscá-los no IML ou em um hospital. Como diz a célebre frase, “quem cuida dos seus não os degenera”.

  3. Ivan de Union

    1 de junho de 2016 6:27 pm

    “1. Segundo notícias de hoje,

    “1. Segundo notícias de hoje, o chefe do tráfico jurando a menina de morte por tê-lo colocado no centro de uma controvérsia nacional”:

    Ah, nao foi isso que eu disse ontem?  Impossivel acreditar que quem mandou prender nao sabia que ia acontecer.

  4. Sergio Saraiva

    1 de junho de 2016 6:29 pm

    Nassif, por favor,

    então está, não houve nada.

    A moça não sofreu penetrações seguidas de 30 homens.

    Apenas encontraram-na desacordada, bolinaram seu corpo, filmaram-na nua e publicaram o vídeo na internet.

    Coisa menor.

    Como, aliás, pontificou o delegado desde o princípio – não houve estupro.

    1. luisnassif

      1 de junho de 2016 6:35 pm

      Há diferenças

      Há diferenças fundamentais.

      No caso da bolinação e da filmagem, há três suspeitos identificados, que podem ser presos e julgados.

      Se se aceitar a hipótese do estupro coletivo, haverá uma caçada humana atrás de inocentes, um desrespeito truculento aos direitos dos suspeitos, apenas para dar satisfações à opinião pública.

      Assim como no caso do Extra, sua resposta é adequada para quem afirmar que não houve estupro. Não é o caso do post, onde se afirma claramente que houve estupro.

      1. Roberto S

        1 de junho de 2016 6:55 pm

        Estado de direito

        Nassif,

        o problema não esta no fato em si, mas na espetacularização que se faz do fato e a necessidade de termos um arbitro. E do árbitro, sabemos muito bem de quem estamos falando: STF. Uma vez o fato (indigencia para com o estado de direito) impedimento se tornar consumado, não teremos mais arbitro na sociedade (se é que já tivemos um dia … antes a ausencia estava camuflada nas instancias inferiores e no subdesenvolvimento do país). E estará aberta a porteira da barbarie, fazendo deste caso (estupro) coisa de sessão da tarde.

        Resumindo, quando o estado de direito é perdido, quem perde é toda a nação.

      2. Pedro A

        1 de junho de 2016 7:03 pm

        Inocente..

        Inocente?

        Inocente de que cara pálida?

        Oxalá uma de suas três filhas não seja vítima de inocentes assim…

        1. walter araujo

          1 de junho de 2016 8:22 pm

          Pedro:
          Duas coisas:
          Voce

          Pedro:

          Duas coisas:

          Voce deveria aprender a interpretar textos

          e evitar este tipo de comentário. Ofensivo a todos nós.

      3. Alexandre Tricolor

        1 de junho de 2016 7:32 pm

        cRIME DIFERENTE

        Bolinar na vitima inconsciente é violação sexual mediante fraude e não estupro. Veja o que diz o código penal:

        Violação sexual mediante fraude (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

        Art. 215.  Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou dificulte a livre manifestação de vontade da vítima: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

        Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

        Estupro 

        Art. 213.  Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso: (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

        Pena – reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)

         

        1. luisnassif

          1 de junho de 2016 9:57 pm

          Conforme está claro no texto,

          Conforme está claro no texto, a bolinação é crime de estupro e a divulgação do vídeo também é crime.

      4. Sergio Saraiva

        1 de junho de 2016 8:17 pm

        Pois aí é que está, Nassif.

        O delegado teve tudo isso nas mãos.

        Tivesse indiciado, ou mesmo prendido preventivamente, as pessoas que participaram do abuso – bolinação, filmagem e publicização do vídeo – e o caso estaria encerrado com o laudo de corpo delito.

        Mas, ao invés, o delegado partiu para a tese de consentimento da garota.

        O delegado criminalizou a vítima.

        1. Ivan de Union

          1 de junho de 2016 9:06 pm

          O delegado foi A MA DOR.  E

          O delegado foi A MA DOR.  E muito.  Passou a bola pra frente pra nao ter que fazer gol porque tava com medo dos “garotos” do trafico, talvez?

          Eh impensavel que alguem tao amador teria emprego de policial nos EUA, credo!

      5. xand

        1 de junho de 2016 11:42 pm

        Não, Nassif.
        O post está

        Não, Nassif.

        O post está afirmando claramente que NÃO houve estupro.

        “Tem-se aí um crime de atentado violento ao pudor e outro de divulgação de vídeo com cenas íntimas.” 

    2. José Geraldo

      1 de junho de 2016 6:38 pm

      Isso já é estupro.

      Isso já é estupro. Ponto.

      Menor nessa história é a menina. Não o crime.

    3. José Geraldo

      1 de junho de 2016 6:38 pm

      Isso já é estupro.

      Isso já é estupro. Ponto.

      Menor nessa história é a menina. Não o crime.

  5. Denise A

    1 de junho de 2016 6:30 pm

    Sobre u trecho
    Inicio agradecendo suas sempre relevantes colocações.
    No entanto, creio que em certo trecho do presente artigo podemos questionar inconsistência.
    Se me permite…
    “O jornal alega que, em muitos casos de abusos contra a mulher, está demora a reagir e a se afastar do local dos abusos. Ora, essa regra vale para abusos que são cometidos no lar das vítimas, de mulheres, em geral com filhos, dependentes do marido, sem alternativas fora da casa. Não no caso de uma jovem classe média que apenas visitava a favela.”

    Trabalhei anos com violadores de direitos e atualmente trabalho em Paefi-creas.
    Não há regra para a reação humana frente a violência, ainda mais advinda de um meio familiar.
    A jovem frequentava aquele espaço.
    Denunciar perpassa por uma exposição e violências simbólicas que são medidas pela vítima, assim, muitas não o fazem mesmo qdo são estupradas em Via publica.
    Nesse caso, a exposição foi involuntária a adolescente, portanto, o q se tinha a perder estava posto.
    Sem contar que denunciar é “tornar real” e a mente humana se protege com a descrença frequentemente.
    Enfim, muitas mulheres não revelam esses dados nem no leito de morte.
    Isso que não chegamos as questões de naturalização de atos e espaços.

    Enfim (novamente), que não se esqueçam os direitos dos jovens arrolados, mas se tenha respeito ao relato da vítima para além de pre-concepções e “regras” de comportamento.
    Humanos sempre surpreendem.

    Forte abraço.

    1. Sandra Gomes

      2 de junho de 2016 12:58 am

      Ótima observação, é muito mais do que se imagina

      Ótima observação Denise. Tudo é possível e é isto que torna “provar” o caso complexo. E se é verdade que a moça era de “classe média”, o que eu não sabia, há ainda mais razões para crer que ela voltou para pegar seu celular e mostrar completa indignação,  

      tendo a ver que a “mulher como objeto” é praxe em todas as classes sociais, por que não nas favelas onde as oportunidades de vida tendem a ser muito mais limitadas, em especial para as mulheres? Já visitei várias favelas em que as mulheres estão em casa, os homens nos botecos. Fiquei chocada com minha própria ignorância e distância desse universo. 

      Mas depois vi que algo parecido ocorria na empresas multinacionais “top” . As mulheres são minoria e as poucas que acendem, tem histórias muito particulares, especialmente o nome de seus pais. Ainda assim, não se compara com o que as mulheres pobres passam  

      achei horrível a foto das mulheres da favela em defesa dos acusados. Não sei se viu. Todas atrás dos cartazes, se escondendo, literalmente. Parecieu, para mim, um “pagamento de dívidas”. Por que se esconderam?

      ignorar o machismo do mundo do crime, não sei, mas me parece ignorar a brutalidade desse mundo. 

      Talvez a história esteja incompleta e não tenha havido todos os atos que viralizaram. Mas que há algo extremamente errado nessa visão à vontade de dizer que “comeu”, que isto é legal, e postar na internet, não tenho dúvidas que deve ser dito como inaceitável. 

    2. Júlio De Bem

      2 de junho de 2016 5:44 am

      Só lembrando que ter
      Só lembrando que ter respeito, não significa que tenho que acreditar e achar que é real. Posso respeitar, mas simplesmente dizer que é uma mentira pois as evidências que ela mesmo forneceu apontam para uma história completamente diferente.

  6. Anarquista Lúcida

    1 de junho de 2016 6:41 pm

    Nojenta essa negaçao da vítima feita pela maioria aqui

    Dá engulhos.

  7. Mari G

    1 de junho de 2016 7:04 pm

    Violência
    Nada do que foi levantado justifica um crime. Ela usar drogas, ela ter voltado lá. Se não houve estupro, houve abuso sexual, isso foi provado no vídeo. Fora a divulgação do mesmo. Independente de quem seja, é crime, principalmente ela estando desacordada. Acho que muitos homens deveriam se colocar no lugar. Se fosse uma filha? Uma esposa? A reação dela depois do ocorrido não apaga o ato em si. Pode não ter sido 30, o caso pode ser menor do que foi divulgado. Mas, não tira a seriedade. Ninguém que participa seja olhando, filmando ou fazendo, pode ser considerado inocente. É nojento!!

    1. Ricardo Cesar

      2 de junho de 2016 1:05 am

      Concordo 99% com vc! O um por

      Concordo 99% com vc! O um por cento é por conta do “o caso pode ser menor”. Para mim um estupro é um estupro e não precisa de de nehum aumentativo. Tampouco se foi 30 ou 1, dormindo ou acordada.

  8. Infovagner

    1 de junho de 2016 7:10 pm

    O estupro esta posto. Quem

    O estupro esta posto. Quem fala em quantidade primeiramente, em 30 homens é quem grava o video original. Depois a menina diz 33. Inocentes talvez venham a ser preso? Talvez. Mas sem culpa da menina, e sim de nossa policia, nossa justiça, que jamais se preucupou com a exatidão dos fatos, o cuidado com a pericia, a preucupação em condenar inocentes, como ainda agora vemos neste episodio golpista.

     

  9. socram pb

    1 de junho de 2016 7:14 pm

    Tem 3 filmes que acho que

    Tem 3 filmes que acho que podem ajudar a entender como as versões vão sendo moldadas de acordo com os interesses:

    – as duas faces de um crime (1996)

    – advogado do diabo (1997)

    – a caça – Thomas Vinterberg (2012)

  10. CARLOS PINHEIRO JR.

    1 de junho de 2016 7:20 pm

    É o contrário.

    Pequena correção: no (ótimo) filme de Billy Wilder que você menciona, o advogado interpretado pelo grande Charles Laughton defende o personagem de Tyrone Power, e o absolve. E depois descobre que ele era, sim, culpado de homicídio. E depois defende a mulher dele, feita por Marlene Dietrich, por tê-lo matado ao se ver traída.    

    1. luisnassif

      1 de junho de 2016 9:55 pm

      Obrigado. Corrigi.

      Obrigado. Corrigi.

  11. J. Alberto

    1 de junho de 2016 7:30 pm

    A moça se aventurou em uma

    A moça se aventurou em uma atividade na qual não é marinheira de primeira viagem.

    Caiu desacordada. Sabe-se lá se antes, durante ou depois do ato. Crime? Sim!!! Estupro!

    Vejam como a nossa lei é boa! É protetora! É preventiva!

    Se a moça consente integralmente com o que está acontecendo por ali mas, durante o ato, é privada de sua consciência, mesmo que não tenha sido levada a isso por absolutamente ninguém (!), a lei está do lado dela!

    O objetivo é claro: a partir do momento em que a moça perde a consciência, o cidadão comum, segundo a lei, deve se solidarizar com ela e não prosseguir com o que faz como se nada tivesse acontecido. Senão é cana!

    Mas para a militância virtual isso não é suficiente. Não importa. Os fatos precisam ser aumentados. A propaganda política não pode parar.

    A tática é de guerra!

  12. Cristiane N. Vieira

    1 de junho de 2016 7:34 pm

    A velha a fiar
    Desculpe, Nassif, mas diferenças sociais não são justificativa para atenuar barbaridades nem pressupor que só por não ser favelada a vítima deveria ter um aparato familiar, psicológico e social que a fizesse empoderada diante de um fato dessa gravidade. Todos conhecemos um pouco a Síndrome de Estocolmo, e nesse momento em que a imprensa parece capitanear as investigações, e os destinos do país, devemos tomar todo cuidado com formação de juízos específicos – não há dúvida quanto ao horror do que se alega, o estupro, não digo que houve ou não porque não vi imagens nem reportagens mais explícitas, apenas referências, e não é a minha questão nem responsabilidade, a cargo dos órgãos competentes (?) e todos os envolvidos – com base em informações precárias e apressadas. Quanto aos fatos e comportamento dos envolvidos diretos e indiretos, você tem razão em dizer que se está fazendo mais editorais de opinião do que reportagens sérias e de fontes confiáveis. Portanto, é aconselhável esperar a poeira baixar e as verdades em jogo aparecerem, sem excessos de nenhum lado, se possível.
    Quanto à caçada a inocentes, pergunto: se ela supostamente frequentava o local e pessoas que filmaram estão presas, não podem eles apontar suspeitos? Só porque a polícia é truculenta e corrupta não se pode mais fazer investigação? Cabe aos observadores da imprensa e de áreas como direitos humanos, da criança e do adolescente, as muitas procuradorias disso e daquilo, fazerem seu trabalho com isenção e objetividade, na medida do impossível, e não se preocuparem em culpar ou inocentar ninguém antes da hora, e também não tentar, porque desnecessário e perigoso, escolher entre dois crimes igualmente horrendos, aceitando um para combater o outro: o abuso sexual e o policial, onde a única defesa incontestável é, a meu ver, a dos direitos civis inalienáveis, como presunção de inocência, amplo direito de defesa e de julgamento justo, e sem nenhum tipo de discriminação, velada ou socialmente aceita.
    A discussão do caso vai além dos dados factuais porque sua análise é o caminho para que se entenda melhor como se constrói a Cultura da violência em seus aspectos menos óbvios, mais intrincados e psicologicamente mais arraigados na sociedade e nos preconceitos inconfessáveis que todos carregamos. É um bom exercício de reflexão a que estamos nos desabituando com a cultura massificada da pressa e da competição generalizadas que acaba por alterar vertiginosamente a natureza das coisas.

  13. Carla Antonia

    1 de junho de 2016 7:53 pm

    Detalhe

    Me desculpem, mas o fato da menina ser de  menor não o classifica, de qualquer forma, como crime?

  14. maria rodrigues

    1 de junho de 2016 8:38 pm

    É muito correta a análise

    É muito correta a análise dessa matéria. De fato, nada explicaria como uma mocinha, de 16 anos, poderia ser estuprada por mais de 30 homens, e no outro dia voltar ao lugar do crime para buscar seu celular na cara limpa. 

    Das duas entrevistas que a moça forneceu a Globo e Record, ela falou sobre a perda do celular, incluvie pra esclarecer o fato de nada ter visto pela redes sociais. Aí, eu pensei se ela não poderia ter usado o aprelho de outra pessoa. Ou seja, a gente vai vendo as coisas e se perguntando.

    Claro está que houve crime de estupro, segundo a lei, e houve crime pelo fato dos caras terem se aproveitado da garota para expô-la nas redes com aquele sarcasmo todo. No fundo, eles próprios se denunciaram. Tivesse essa menina sofrido tal violência, do modo como ela descreveu, não estaria até agora em condições de falar direito. Trinta homens não são pouca coisa.

    Por fim, o que a gente não quer é estupros e violências de jeito nenhum, em especial de homens sarados contra crianças, adolescentes, idosos, e toda e qualquer pessoa indefesa. É comum, por exemplo, doentes mentais serem atacados por tarados. 

    É preciso que esse caso seja melhor explicado à população, inclusive para salvar o delegado, que, do mesmo modo que alguns inocentes apontados como piscopatas, pode estar sofrendo uma grande injustiça, quando foi sua intenção, com base em experiência, primeiro sentir a realidade dos fatos para, então, investigar e prender os criminosos. 

    Resta saber como ficará a advogada da garota, já fora do caso, a pedido da família.

     

    1. junior50

      1 de junho de 2016 10:20 pm

      O concreto

           Quando ela foi “procurar o celular”, buscou tornar a ela concreto, palpavel o ocorrido, confirmar que ela esteve lá, que o fato realmente aconteceu.

           Ela é adolescente, disseram que tem problemas com drogas ou já teve, provavelmente reprimida em casa, acessa as “redes sociais” pelo “SEU” celular – algo dela, exclusivo, onde ela expõe sua vida – portanto nesta situação, com esta ocorrencia, ela não teria a opção psiquica e lógica de ver o video através de outro aparelho, mas no “dela”, pois só neste, no “seu”, este momento seria a ela crivel.

  15. Alex Jimenez

    1 de junho de 2016 8:41 pm

    Não custa lembrar o caso Escola de Base

    O Nassif  está mostrando sua coragem e comprometimento com a verdade, mesmo diante da autêntica fogueira de inquisição que se ergueu no caso do suposto estupro.

    Em um momento de catarse coletiva, basta fazer questionamentos simples e obvios, diante das grandes contradições do caso,  para ser chamado de “machista”, “defensor do estupro” ou até coisa pior.

    Evidentemente, toda a mídia segue o caminho “seguro”, do sensacionalismo, do discurso fácil. Se, ao final, ficar caracterizado que os acontecimentos não foram os alegados pela vítima, muda-se de assunto do modo mais hipócrita possível. Exatamente como no clássico caso da Escola de Base em Brasília, onde houve um linchamento moral (e, por pouco não houve o físico também) mas as denúncias eram falsas. Arruinaram a vida dos acusados e ficou tudo por isso mesmo. 

    É interessante observar também que a indignação é seletiva. Os setores mais retrógrados da mídia cansaram de fazer observações covardes e machistas contra Dilma Rousseff, Marta Suplicy, Jandira Feghali e outras mulheres ligadas a grupos políticos de esquerda. Mas as reações do público, inclusive o publico feminino, foram pífias ou até mesmo de apoio às agressões.

    O que fica claro é que esse caso foi mais um que adquiriu contornos “ideológicos”. Convida as feministas a enxergarem o acontecido como uma guerra contra o sexo oposto. E aí, danem-se os fatos. Conforme vão caindo por terra algumas acusações, busca-se outras justificativas. A jovem demorou a comunicar a polícia e até mesmo aos pais, no dia seguinte ao acontecido, foi buscar um aparelho celular no local onde foi estuprada, há muitas incoerências nas acusações mas e daí? “Cada um reage de maneira diferente”, “Isso não significa que não houve o crime”. Então continuemos a catarse.

  16. junior50

    1 de junho de 2016 10:09 pm

    O celular

          Que o estupro ocorreu é FATO, incontestavel a luz da legislação. 

          Pouco importa se a garota era frequentadora assidua da comunidade, se jogava no funk, “ficava” ou “ficou” com varios jovens, se é ou foi dependente de drogas, sequer é valida a possibilidade, de que anteriormente ela tivesse concordado em “sexo grupal”, NÃO IMPORTA , ela foi estuprada, e alem desta violencia sexual direta, do abuso de seu corpo, a violência psiquica nestes casos é até pior , e demora para a vitima – de alguns dias até alguns meses – que a “ficha caia “.

           Ah ! Mas ela foi após dois dias procurar seu celular na comunidade, no local da agressão. Pergunta bocó, visando escandalizar a vitima, feita por “jornalistas”/ “delegados” que não conhecem o minimo sobre agressões sexuais coletivas a menores, pois : 

            A vitima procura em primeiro lugar negar o ocorrido – é normal – em um segundo momento busca compreender o que lhe ocorreu , momento importante pois ela pode se “culpar”, até justificar para ela a agressão sofrida, em terceiro lugar ela procura estabelecer alguma ligação fisica, concreta, com o ocorrido, como a visualização do local, sua presença fisica, seu contato com algo que lá ficou ( prova para ela que lá esteve, o fato ocorreu, o celular é prova ). Só a partir deste estágio, desde que a vitima não assuma a culpa, ela procura ajuda – volto a repetir : Normal.

             Exemplo: Nas guerras balcanicas dos anos ’90 foram comuns a instalação de “Campos de Estupro”, nos quais meninas muçulmanas eram constantemente violentadas coletivamente – os sérvios diziam que era para elas não saberem quem seria o pai de seus filhos semi cristãos – muitas se suicidaram após a liberação destes “Campos”, outras quando lá retornaram, após a fase de “negação”, meninas de 12 – 16 anos, ficavam procurando seus pertences : walkmans, bonecas, presilhas de cabelo, “chador”., fotos ………….

              P.S. : A midia choca, escandaliza, será um caso dificil de provar,  pois o exame de corpo de delito esta prejudicado, tanto em fluidos, como em abrasões, alem do que como ela estava desacordada, inerme, o exame de báscula ( verificação ossea que marca quando pernas são abertas com violência ), não é factivel, MAS :

              O que mais me choca são pessoas querendo, fazendo um esforço tremendo, para criminalizar a vitima, apenas para se diferenciarem da “maioria”, e outros ainda piores,alem da ignorancia, que montados em seus preconceitos a saem julgando – não sabem, nem querem entender : mesmo uma prostituta/garota de programa, maior e vacinada, se ela fala NÃO, significa NÃO.

    1. Ricardo Cesar

      2 de junho de 2016 12:54 am

      Muito bom teu comentário!

      Muito bom teu comentário! Alguém deixou a lógica cartesiana de lado e pensou de outra forma. Se muitos são capazes de estuprar crianças até bebes, porque não uma jovem de classe média querer seu celular de volta após ser violentada, se não por 30 mas por um ou dois, e além disso se ver exposta como foi? A alma humana tem suas razões que não são necessariamente racionais ou lógicas. De qualquer forma toda essa história tem o mérito de ter trazido o tema a tona, infelizmente, de novo.

    2. Júlio De Bem

      2 de junho de 2016 5:53 am

      O mimimi nazi-feminista é
      O mimimi nazi-feminista é estúpido o suficiente pra tentar crescer em cima de casos controversos. Tantos casos reais de estupro de menor ou zero repercussão poderiam ser usados, mas aí não teria câmeras apontadas pra si.
      Como você pode alegar que foi estupro por alguns segundos de video? Como vc tem certeza que aquilo não era combinado com ela? Como vc pode ter certeza que o video (estupidamente feito e divulgado) não é um fetiche sexual seguido de um arrependimento? Como vc pode saber o que aconteceu segundos antes do vídeo ser gravado?
      Enquanto isso, varias mulheres são estupradas em seus próprios lares e ruas da cidade, e se escondem de vergonha.
      Mas desses dados vc nunca irá atrás, pois nao vai ter câmera pra fotografar você com o cartaz “a buceta é minha e eu dou pra quem eu quiser”.

    3. Malu-RS

      2 de junho de 2016 6:23 am

      Obrigada pelo seu comentário,

      Obrigada pelo seu comentário, Junior. Perfeito. 

      Eu como mulher, de esquerda, fico extremamente triste em ver um blog dito progressista adotando o mesmo discurso reaça, procurando de todas a formas culpabilizar uma vítima de estupro.

      Apesar de acompanhar o Nassif à algum tempo, não esperava esse tipo de “análise” em um ambiente progressista. 

      Desta vez, lamento dizer que até o PIG está tendo uma postura mais digna.

       

  17. Brum_Aguilar

    2 de junho de 2016 1:14 am

    Estupro de vunerável

    No vídeo há inegavelmente um estupro ou melhor, a conduta se encaixa na figura tipicada no § 1º do Art. 217-A do CP:

    “Art. 217-A.  Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: 

    Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.

    § 1o  Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência”.

    Quanto ao que houve antes do vídeo ou depois vai ser muito difícil de ser chegar a fundo, seja porque a coleta de provas foi comprometida e a investigação também dada a pressão midiática e o impulso dado pelos movimentos sociais fazendo pressão sobre o caso.

    O estupro coletivo, apesar da aversão dos “criminosos profissionais” ao prática do estupro em si, nem sempre é visto como estupro.

    Aqui em Salvador, havia e ainda há, a prática de “botar na geral”, ou seja, forçar uma mulher que tivesse cometido algum vacilo com a bandidagem local a fazer sexo com várias pessoas, geralmente a vitima era uma dependente de drogas ou alguém próxima ao crime por esconder armas, guardar dinheiro ou drogas, que caia em descrédito e assim era punida através da prática. 

    Assim algo normalmente abominável pelo crime, rendendo quase sempre um fim “pouco digno” ao estuprador, pode ser usado como meio sádico de punição a uma “associada” à quadrilha que estivesse em falta.

    Bem, não há com saber se o caso em questão foi um “estupro punitivo” mas fica a hipótese.  

    Essa Fatwa do tráfico a vitima ou aos suspeitos parece ser mais pelo fato da exposição estar atrapalhando o andamento da firma já que se tratava de uma localidade relativamente tranquila que havia escapado tanto da atividade predatória de outras facções e da milicias e do espetacularismo da invasões e instalações de UPPs…Ou seja, são apenas negócios. 

       

  18. João Bosco Costa

    2 de junho de 2016 2:41 am

    Sobre o estupro.

    Simples, o estupro se caracteriza pela violencia ou constragimento, pela tentativa do ato sexual sem consentimento ou o ato consumado contra a vontade da pessoa que o sofre, e fim…sem mais, não importa o que seja a vítima,quem seja,  o que faz , o que fez…o que tem e até o que pensa. E fim…sem mais, essa menina foi vitima de estupro, penso!

  19. pedro3

    2 de junho de 2016 3:31 am

    A palavra da moça vale sim,

    A palavra da moça vale sim, mas deve ser confirmada por outras provas, como o foi no caso dos rapazes que apareceram no vIdeo. No caso deles, o estupro està provado, como observou o Nassif, que apenas usou o antigo nome de atentado violento ao pudor, da lei anterior, que hoje se confunde com o estupro. Mas no caso de outros eventuais participantes, usar a mera palavra da moça como proval cabal do crime è contrário a qualquer sistema civilizado de justiça. Não devemos cair no irracionalismo por causa do sensacionalismo da mídia. 

  20. will

    2 de junho de 2016 3:43 am

    a reportagem de roberto

    a reportagem de roberto cabrini, empurra a tragédia para o problema das drogas.

    o cara que compartilhou faz um comentário reácionario de direitalha.

    considerando os fatos, não alivia o fato da cultura do machismo.

    consentindo ou não, fica claro que a cultura do machismo culminou nessa tragédia que envolve acima de tudo, uma adolescente. e 33 vagabundos sem noção. 
    A imposição para se fazer sexo, nada tem a ver com drogas. tem a ver com o poder do macho em oprimir, e submeter. Seja pela droga da força, da droga do dinheiro, ou da droga entorpecente que arrebenta com a moral da mulher.

    https://www.facebook.com/romullojtotti2/videos/789192064549441/?pnref=story

  21. Maria Silva

    2 de junho de 2016 3:52 am

    Que coisa estranha …

    Nós terminamos o mes de maio horrorizados com um estupro coletivo de uma menina de 17 anos. Foi um bafafa nas redes sociais: 10 entre 10 internautas lincharam os estupradores. Eu perdi o sono com o nivel de violencia existente no nosso  cotidiano.  O falatório e a indignação se espalhou rapidamente, sem que houvesse tempo de investigar, apurar, repletir. O assunto é explosivo, e ninguem quer ficar do lado “errado” da questão.  Agora, iniciamos o mes de junho, com todas as certezas sendo demolidas.  Mas antes que alguem pule na minha goela me acusando de culpabilizar a vitima, parece certo que houve abuso sexual de uma menina, menor de idade, desarcodada. Por si só isso já se configura crime. Abuso é abuso. Não importa se houve ou não penetração. Foi contra a vontade da vitima, visto que a vitima estava inconsciente. A exposição do video nas redes sociais é também um ato criminoso, uma violencia simbólica contra a menor.  Até ai eu concordo. Mas dai afirmar que houve a participação de 30 estupradores, que a moça foi penetrada por 30 marmanjos insandecidos,   vai uma certa distancia. É preciso cautela. A cautela não diminui a gravidade da questão, mas evita justiciamentos e penalizaçòes indiscriminadas.

  22. Roberto Goren

    2 de junho de 2016 2:37 pm

    Nao vou discutir acerca do fato de haver ou não haver estupro

    Mas contra uma coisa eu posso argumentar tranquilamente: o fato de uma moça estuprada nao ir imediatamente comunicar autoridades.

     

    Já é mais que sabido – e nos EUA eles estudam isso a sério – que nao importa a classe social ou o nível intelectual da vítima de estupro e que possa ter mais acesso as autoridades competentes: é comum que elas nao procurem as autoridades imediatamente após o estupro e percam até a possibilidade do corpo de delito que pode ser crucial para a condenação dos autores.

     

    Dentre as razões podem ser citados o medo da vítima, o trauma, o sentimento de ser exposta a sociedade, de vir a ser julgada moralmente por isso (como essa está sendo quando questionam o passado dela), e, pasmem, o sentimento de que de alguma forma teve culpa ou contribuiu para que o estupro ocorresse.

     

    Acho até compreensível que muitas demorem a tomar uma atitude. Quem não deixou, em diversas situações da vida e em casos menos importantes, de tomar atitudes por razões subjetivas que para alguem de fora é incompreensível?

     

     

  23. Maurício José Lima

    2 de junho de 2016 7:15 pm

    SERÁ A ACUSAÇÃO INJUSTA?

    Caro Nassif, sou fã de seu blog, mas não há como concordar com você nesse caso. Sua escrita beira o machismo.

     

    Não sei a exata condição social da menina, sei que não é favelada e mora num apartamento que a mídia consideraria como de classe média (exista diversas classes médias na mídia), pelo que sei a condição social da menina não atenua a violência sofrida, assim como não facilita o acesso a justiça.

    Se os favelados não tem acesso a justiça, é sabido que as mulheres vítima de violência, mesmo as da classe alta, também tem grandes dificuldades no acesso a justiça. É fato Nassif a sociedade é machista, e expõe as vítimas de violência sexual que procuram o Estado, fora as questões culturais desse tipo de violência.

     

    Sinceramente, não dá pra usar o fato dela ter procurado seu celular para negar o ocorrido, as pessoas reagem diferente aos fatos, ela reagiu assim, não tenho tanta certeza que outras não procurariam dias depois o aparelho, que inclusive podia ter mais provas do fato.

    Pelo que sei ela frequentava a comunidade, então esta fazia parte de seu cotidiano, ao contrário do que você tenta dar a entender, mesmo sem morar lá, aquele ambiente era natural para ela.

    Também não concordo em glorificar a justiça do tráfico, ela não era da favela, assim a reação da comunidade por ser uma auto-defesa de uma popúlação que convive com a violência, e o fato do tráfico jurá-la de morte, como você já disse, se deve ao fato de ao quebara o silêncio ela pois a polícia dentro da comunidade.

     

    Quanto ao crime, sim houve estupro, atentado violento ao pudor, hoje é classificado e penalizado no código penal como estupro, então houve o crime, a própria delegada falou que falta verificara extenção e os envolvidos.

    Boa parte das trapalhadas se deve ao primeiro delegado que não viu o óbvio crime de estupro no vídeo, quis verificar se houve consentimento, consentimento de uma adolecente desacordada!?!?!?

     

    Entendo que a menina estivesse confusa, e sob grande impacto emocional, ao acordar de uma violência em lugar estranho com pessoas estranhas, sim o crime que ela sofreu mesmo que tenha sido praticado apenas pelo cara do vídeo e presenciado apenas pelos outras causa impacto emocional.

    A própria delegada reconhece que contradição nos argumentos dela, por isso a investigação deve continuar.

     

    Quanto as prisões:

    Primeiramente o rapaz que a estuprou no vídeo: (ou a atentou violentamente segundo sua interpretação, o que dá no mesmo para a lei), tinha que ser preso em flagrante (acho que não o pegaram ainda).

     

    O namorado, foi o último a vê-la, a prórpia garota não o acusa de estupro (conforem a imprensa e a delegada), mas ele precisa esclarecer o que houve, porque ela drmiu, desmaiou, qual a última vez que a viu. A polícia pretende fazer acareação para esclarecer o fato e pelo que li dependendo da acareação ele pode ser liberado.

     

    O dono da câmera: sinceramente você acha que ele não devia estar preso? Você desacredita a menina por ter ido buscar o ceclular e acredita na versão dele:

    -Ele estava só passando por lá, pediram o aparelho dele emprestado para poder filmar a menina nua e desacordada e ele ingenuamente emprestou e aproveitou para tirar uma selfie dele com as partes íntimas da menina, qual o problema?

    Nassif você acha a vesão dele consistente. Passo pela rua, um conehcido pede meu celular para filmar uma menina desacordada sendo estuprada (ou sofrendo atentado violento ao pudor) e eu, empresto: “beleza mano filma aí!!!!”

    Esse cara tem muito o que explicar.

     

    Os outros que estão no vídeo: não entendo como o cara vê uma cena dessa e não fala nada, não reage, nem se retira, pra mim todos que aparecem no vídeo participaram, não sei se 30 participaram, mas os do vídeo não tenho dúvida. Isso é a naturalização da violência a objetificaão da mulher.

    Por muito menos já briguei na balada, por uma desconhecida, que um carinha ficava bolinando, mesmo ela tentando se esquivar..

     

    Nassif, reflita porfavor.

    Nossa mídia é ruim, cobre a violência com preconceito contra a periferia e com sensasionalismo, mas esse caso não dá para defender os acusados, claro que há sensacionalismo na cobertura, como em quase toda cobertura da imprensa, mas para mostrar como ela é ruim não podemos brigar com os fatos.

     

     

     

     

  24. Jandui Tupinambás

    2 de junho de 2016 7:59 pm

    Nassif é um herói

    Sempre tentando lutar contra o efeito manada. Não é nada fácil…

  25. Gustavo Garcia

    3 de junho de 2016 4:57 pm

    Nassif, creio que o crime de

    Nassif, creio que o crime de atentado violento ao pudor foi extinto em 2009.

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