Na coluna da Sonia Racy de hoje, Fernando Figueiredo – um dos inúmeros analistas que passaram pelo Banco Central e se tornaram gestores financeiros – admite que “juros de equilíbrio são mais baixos do que se supunha”.
Diz ele: “Está ficando claro que a taxa de juros de equilíbrio no Brasil é mais baixa do que se supunha e os avanços positivos de nossa economia têm tido um efeito definitivo sobre isso. Estes são fatores permanentes, que estão nos tornando mais parecidos com países normais”.
Essa questão dos juros de equilíbrio, da “Teoria da Jabuticaba”, mostra como conceitos são criados, ganham vida própria, enquanto interessam ao mercado, depois são substituídos por outros quando não tem mais razão de ser.
Publico coluna minha de 28 de outubro de 2003, onde avalio essa “Teoria da Jabuticaba”. Lembro que durante anos colegas-papagaio e economistas de mercado recorriam a ela como fundamentalistas da fé, para justificar a manutenção dos juros elevados. Portanto, não se trata meramente de uma questão acadêmica, mas de algo que mexeu profundamente com recursos públicos, emprego e renda.
A lógica da jabuticaba
Um dos episódios mais significativos da lógica dos cabeças-de-planilha ocorreu recentemente, por ocasião da eleição de Pérsio Arida para “economista do ano”, pelo Conselho Regional de Economia de São Paulo.
Arida foi um economista brilhante. Seus escritos dos anos 80 são um primor de clareza, lógica e imaginação criadora.
Desde o Cruzado, no entanto, por opção pessoal, talvez desencanto com os desdobramentos do plano, Arida se desinteressou pela economia. O Plano Real, uma obra prima de engenharia monetária, foi rescaldo do conhecimento acumulado nos anos 80 em torno de um tema específico: a inflação inercial. Em que pese o conhecimento teórico sólido, ele e seu parceiro André Lara Rezende se especializaram, em toda sua vida acadêmica, no estudo da inflação inercial –ao contrário de outros estudiosos do tema, como Yoshiaki Nakano e Luiz Carlos Bresser Pereira que, a partir dos anos 90, evoluíram em outras frentes, com uma visão mais sistêmica da economia.
Indicado “economista do ano” -curiosamente não pelo conjunto da obra, o que seria meritório, mas pela produção do ano, que não houve Arida precisava justificar a honraria. Aí apresentou o repto ao país: os economistas precisam se esforçar para descobrir porque a taxa de juros de equilíbrio é de 8% ao ano. Essa “taxa de equilíbrio”, assim como a jabuticaba, só dá no Brasil, disse Arida.
A metáfora é fulminante para a opinião pública e transformou Arida em um verdadeiro Caramuru. No país inteiro as tabas econômicas tremeram e passaram a discutir o desafio da jabuticaba. O Ministro da Fazenda convidou-a a expor o enigma dos 8% em Brasília. Editoriais adotaram postura grave para falar da importância de se desvendar o segredo da jabuticaba.
Qual a lógica da jabuticaba? A economia brasileira oligopolizou-se nos anos 90, diz Arida. Todo dia a empresa olha a taxa futura de juros e compara com a inflação esperada. Se a taxa real for inferior a 8%, ela começa a reajustar preços.
A formação de preços de uma empresa obedece a condicionantes diretamente ligadas ao mundo real. As estratégias das empresas levam em conta o potencial do mercado de consumo, a renda, a estrutura de custos -onde o câmbio tem sido a variável mais volátil. Não há nada que fuja muito da velhíssima e intelectualmente pouco atraente lei da oferta e da procura. Tem demanda? Aumentam-se os preços. Não tem demanda? Derrubam-se. Quer aumentar market share? Derrubam-se os preços. Quer aumentar a rentabilidade? Aumentam-se os preços, desde que haja demanda. Tem exportação? Arbitram-se os preços entre mercado interno e externo.
Nos últimos anos, todos os suspiros inflacionários ocorreram por problemas com o câmbio e, no seu rastro, com tarifas. Não existe uma observação empírica sequer de que preços foram reajustados por conta da redução da taxa real futura de juros.
Na verdade, a lógica da jabuticaba -que só dá no Brasil e arredoresé tentar converter todos os fenômenos reais da economia, todos os princípios básicos de funcionamento de mercado em formulações monetárias.
Só a superficialidade dos cabeças-de-planilha para transformar essa “boutade” em moda.
Luis Nassif
10 de junho de 2007 2:57 pmA imprensa repercutiu o
A imprensa repercutiu o mercado, e tratou como matéria sagrada.
Luis Nassif
10 de junho de 2007 2:57 pmComentei aí embaixo um pouco.
Comentei aí embaixo um pouco. Amanhã trarei mais informações.
Romanelli
10 de junho de 2007 2:58 pmNassif, a taxa de juros
Nassif, a taxa de juros jabuticaba pautou mesmo a política econômica no Brasil? …ela era prática ou mais político-acadêmica?
Afinal, quando chegamos em 8% a.a.? e mais, do que falas? da taxa real, da nominal, da bruta ou da líquida, de curto ou de longo prazo?
Não esta havendo também um certo exagero em dizer da existência de paradigmas perpétuos …antes era antes, hoje é hoje
… manter a economia em equilíbrio, entenda aqui também, sem surtos inflacionários, não requer uma dose de tentativa e erro e a cada tempo de seu remédio e dose diferenciadas
…convenhamos, 8% em 1989 era uma coisa, já hoje …bem…
Nossa história contemporânea, sem inflação, já é vasta o suficiente pra cantarmos vitória sobre patamares sequer experimentados?
…quem garante que assim que se baixar mais as taxas, quem garante que a inflação não vai voltar?
Afinal, com as principais economias já visualizando o fim do ciclo deflacionário mundial, já visualizando aquecimentos e desequilíbrios localizados e tendo, como na Europa, EUA e China, tendo que aumentar juros
…com base nesse cenário, e por não termos testado ainda o efeito na nossa economia de taxas tão baixas
…você também não estaria apostando no achometro da jabuticaba?
Luis Nassif
10 de junho de 2007 2:59 pmNão havia nenhuma conta,
Não havia nenhuma conta, modelo ou simulação embasando sua estimativa.
Economista
10 de junho de 2007 2:59 pmEssa teoria da jabuticaba foi
Essa teoria da jabuticaba foi um momento infeliz do Arida mesmo. Para a taxa real de juros no Brasil ser significativamente mais alta que em outros paises, seria esperado que o Brasil fosse significativamente diferente de outros paises em outras dimensoes, e o Brasil nao ee.
Raí
10 de junho de 2007 3:11 pmNassif,somente hoje,lí a sua
Nassif,somente hoje,lí a sua resposta às minhas considerações sobre a isenção e a capacidade técnica,deste funcionário do FMI,sr Ratto,que aqui no Brasil,admitiu em palavras claras e sem medo de melindrar,a quem quer que fosse,o rumo correto,pelo qual segue a nossa política economica,como um todo,e não somente no que concerne à política cambial.Eu,que tambem não morro de amores pelos cabeções do BC,nem acho que o Pres.LULA,sempre agiu correto,nesta sua morosidade de exigir mais arrôjo,na condução do cambio,entretanto,se voltarmos a pouco tempo atraz,quando governar,era gerir com “canetadas”a prudencia do BC,é aceitável,até quando parecemos estar no caminho errado,porem se um organismo independente como o FMI,elogia nossos esforços,para não tropeçarmos como antigamente,temos que ter coerencia,e esperar pelo dia seguinte,e que este dia,não demore a chegar.E até parece,que você está saudoso,do tempo em que éramos “cordeirinhos”obedientes àquele organismo,e vivíamos de “pires nas mãos,e de joelhos”na porta deste banco,à procura de saídas,para a s situações criadas,pelos “sabichões”da nossa política economica.
marco aurélio garcia
10 de junho de 2007 5:39 pm1) Inegavelemnte o Luis
1) Inegavelemnte o Luis Fernando Figueiredo é do primeiro time dos economistas brasileiros e expert do mercado financeiro (primeira linha também).
2) Para facilitar o entendimento de jovens com ainda 17 anos até, nas escolas de economia, estudam-se (inicialmemnte) modelos estáticos com economia fechada (facilitam o entendimento e permitem analogias lógicas). Os modelos dinâmicos e com economia aberta são evoluções dos estáticos.
3) O conceito de taxa de juro natural (neutra ou de equilíbrio), como todos os conceitos em economia para o mundo real, são dinâmicos e com economias abertas (globalizadas, fazendo parte do mundo). É difícil de acreditar que um economista do primeiro time como o Luis Fernando Figueiredo tenha afirmado que a taxa de juro natural é um conceito fixo (um número mágico como 8%). Logo ele que é merecedor dos méritos de ter feito parte da equipe do Bacen que iniciou esta política monetária, processo continuado pela turma do Lula, vitoriosa a olhos vistos (inflação contida, moeda valorizada, taxas de juros nominais e reais descendentes, economia iniciando uma fase de crescimento, etc.). É claro que a taxa de juro natural (a de longo prazo) caiu com a vitoriosa política monetária (afinal ela é dinâmica e resultado da credibilidade da política). Foi a correta política monetária que fez cairem as taxas de juros de longo prazo (a curva descendente). SELIC CORRETA FAZ CAIR A PERCEPÇÃO DE INFLAÇÃO E POR CONSEQUÊNCIA A TAXA DE JURO DE LONGO PRAZO (
4) Aceita-se (apesar de ser uma agressão à teoria) a discussão sobre se a melhor medida da taxa de juro natural seria a taxa de longo prazo da economia ou a taxa america mais o risco Brasil (os anos de hiperinflação embotaram raciocínios, até de brilhantes economistas, afinal não tínhamos um mercado de taxas de juros de longo prazo, o que hoje temos.). As curvas de taxa de juro são publicadas diariamente até por jornais (os bancos sempre informaram para os clientes private).
Pedro Angelo
10 de junho de 2007 10:50 pmAcho muito interessante que a
Acho muito interessante que a imprensa comece a divulgar um modismo qq sem antes se dar ao trabalho de verificar se ha ou nao fundamentos.
José Geraldo da Silv
10 de junho de 2007 10:50 pmTenho nos meus arquivos A
Tenho nos meus arquivos A LÓGICA DA JABOTICABA, sei que vc está certo.
Assim como Delfim Neto quando dise que exportar é o que impota.
Juros altos atraem especuladores internacionais que derramam dólares que fazem a cotação do real subir e ganham com esta especulação, enquanto os pobres contribuintes cada vez mais espoliados para pagar esses juros estratosféricos.
E os senhores do Banco Central continuam obedecendo seus patrões.
Elwood
11 de junho de 2007 1:53 amNao existe alguma taxa de
Nao existe alguma taxa de juro de equilibrio. Trivialmente e` d’equilibrio quando nao existe inflacao no sistema.
O Alan Greenspan evocando essa expressao do Wicksell a transformou num conceito a moda. Mas ele a usava pra giustificar a posteriori o q andava fazendo (q era o oposto de o q dizia).
A estrutura de juros no Brasil reflecte mais o conflito de poder e o conflito na apropriacao e distribuicao do surplus economico.
Um fato bastante politico.
E
Luis Nassif
11 de junho de 2007 3:32 amTambém ouvi esse absurdo,
Também ouvi esse absurdo, Ruben.
Luis Nassif
11 de junho de 2007 12:46 pmEconomista, a questão não é
Economista, a questão não é considerar a posteriori o repasse cambial. Se o repasse era apresentado como o grande obstáculo à mudança cambial ou à redução dos juros, ele teria que ter sido contemplado no modelo. Até para que constatassem que seu peso era super-estimado.
Luis Nassif
11 de junho de 2007 4:09 pmEntendi. Vou falar com ele,
Entendi. Vou falar com ele, então.
Ruben
11 de junho de 2007 4:09 pmEconomista, como assim
Economista, como assim pequena? 20% é pequena? um movimento de 10% no cambio te daria 2% a mais de inflação, ou seja, toda a banda da meta… 20% de desvalorização, perdia-se a meta com certeza… lembre-se que nos idos de 2001, sem falar de 2002, o cambio chegou a andar 50% no ano: como vc faz inflation targeting num ambiente destes? Qdo perceberam isso, qdo perceberam que inflation targeting nada mais era do que uma nova âncora câmbial disfarçada, bem, aí começaram as intervenções no mercado de câmbio: BC/tesouro dando saída para todo mundo em nome de uma meta de inflação sem credibilidade alguma. Pior, a cada uma destas, todo o esforço fiscal de anos era jogado no lixo em questão de semanas… Se isto não é falta de foco….
Ruben
mario
12 de junho de 2007 1:11 amqUANDO um altíssimo e
qUANDO um altíssimo e renomado jurista( e bota renomado nisSSO), FOI REQUISITADO pra dar um parecer e respondeu: ” a favor ou contra”? E antes que argumentassemos, disse: ”tenho argumentos factíveis pros dois lados” meu preço é x. NASSIF, ninguém me contou, presenciei na maior cara dura essa argumentação. E….nós ficamos quixotescamente querendo o que?
O S T F nunca condenou ninguém. JÁ é um pleonasmo. Os políticos não vão presos, nem que roubarem o MUNDO. É redundância. O que nos resta? tocarmos a vida, como piada, rirmos,sobrevivermos,e ir ”levando”. Ser idealista no BRASIL? nem como piada serve.
O sábio ZÉ SIMÃO quando diz, que o BRASIL É O PAÍS DA PIADA PRONTA, tornou-se o maior cientista político de todos os tempos.
Por isso, admiro MILLÔR. Consegue nos divertir, mesmo falando dos descalabros, das estúpidas , desconexas, transcendentais argumentações dos políticos.
E com leveza, suavidade e frases memoráveis.
Abraços!!
A notíCIA de hoje: 4 Cafetões brasileiros são presos na ITALIA.
pOLÍCIA FEDERAL PRENDE não sei quantos em mais uma operação. E todos serão soltos e esquecidos( diriamos nós)
Na BELGICA , candidata promete fazer sexo oral em troca de votos.Já pensou NASSIF, o que isso vai ”render” de piada aqui no BRASIL?
qUANDO O FAMOSO( ESQUECI O NOME) DISSE: NÃO FREQUENTARIA UM CLUBE QUE ME ACEITASSE COMO SÓCIO, SABIA DO QUE FALAVA.
Economista
12 de junho de 2007 2:03 amImportante referencia
Importante referencia academica para a queda no repasse cambial em mercados emergentes:
http://wwww.nber.org/papers/w11199
(Infelizmente tem que pagar, a nao ser que carregando de alguma instituicao academica credenciada)
Economista
12 de junho de 2007 2:07 amO artigo do Ilan e o
O artigo do Ilan e o Werlang:
The pass-through from depreciation to inflation : a panel study
http://ideas.repec.org/p/rio/texdis/423.html
Economista
12 de junho de 2007 2:07 amRuben escreveu:
“Economista,
Ruben escreveu:
“Economista, como assim pequena? 20% é pequena?”
20 por cento eh o mais ou menos o limite superior das estimativas de repasse, a media das estimativas e perto dos 10 por cento — se isso ee pouco ou muito, depende da referencia. A sabedoria convencional dos anos 80-90 era que o repasse era algo entre 50 e 100 por cento, para paises emergentes.
Ruben
12 de junho de 2007 1:23 pmEconomista, se o repasse é
Economista, se o repasse é qualquer coisa acima de 20% seria piada fazer inflation targeting: não haveria outra âncora inflacionária que não fosse a própria taxa de câmbio. A sabedoria comum coloca algo entre 10% e 20%: quere alguma precisão dentro disso é totalmente vão. Os exemplos recentes, islândia, áfrica do sul, turquia, indonésia continuam corroborando a regra de bolso, para economias menores e/ou emergentes… Se a regra vale é óbvio a credibilidade da meta de inflação é diretamente proporcional à volatilidade da taxa de câmbio…. que curiosamente é profundamente correlacionada ao risco país: no período de 1999-2002, com uma volatilidade básica de 15%-20%, altamente assimétrica pela aversão ao risco, é ridículo dar outra interpretação à meta de inflação do que uma âncora câmbial. Havia o lindo discurso do câmbio flutuante, mas na hora H sempre tentou-se preservar a meta com pesadas intervenções no mercado cambial. Só que agora, no alto do ego-centrismo, Gustavo Franco era espinafrado e o Armínio Aplaudido… Dentre os dois, fico com Nassif: o primeiro podia ser um doido varrido de primeira, mas era bem intencionado: tinha um propósito, insano, mas um propósito… o segundo não tinha nada!
Ruben
Economista
13 de junho de 2007 4:29 am“Só que agora, no alto do
“Só que agora, no alto do ego-centrismo, Gustavo Franco era espinafrado e o Armínio Aplaudido… Dentre os dois, fico com Nassif: o primeiro podia ser um doido varrido de primeira, mas era bem intencionado: tinha um propósito, insano, mas um propósito… o segundo não tinha nada! ”
Nao entendi o que vc quis dizer.
Na minha opiniao, Gustavo e Arminio sao dois personagens do mesmo processo. Depois de decadas de inflacao alta, a sociedade brasileira passou a abominar a inflacao e a entender a importancia do Banco Central ter um mandato para manter a estabilidade de precos. Para trazer a inflacao da estratosfera para niveis baixos, primeiro tentou-se uma ancora cambial (Gustavo). Tal programa desandou, entre outros motivos, porque as autoridades fiscais nao colaboraram. Com o aprendizado da decepcao do final dos anos 90, o FHC passou a Lei de Responsabilidade Fiscal e institucionalizou limites as autoridades fiscais. Dentro de uma onda que tomou varios outros paises, o BC do Arminio, Sergio e Ilan adotou o programa de metas de inflacao. Tal programa de restricao orcamentaria e inflacao de metas teve um sucesso alem de qualquer expectativa, o Brasil assim fugindo de derreter como a Argentina, Colombia, Mexico em 94 fizeram. O q
Economista
13 de junho de 2007 7:17 pmContinuando…
E importante
Continuando…
E importante colocar em perspectiva onde o legado que o Brasil tem dos anos 70-80… Por duas decadas foi feita muita maluquice nesse pais. Exatamente porque nossas politicas publicas eram desastrosas, tinhamos inflacao estratosferica, e como todo pais tentando desinflacionar, tivemos que pagar um preco no final dos anos 90, e somente agora mais de 10 anos depois estamos comecando a receber os beneficios que sao a reducao da taxa de juros de equilibrio, que vai causar um verdadeiro boom de investimento, a possibilidade de financiar politicas publicas favorecendo os mais pobres, o salario minimo de 200 dolares, e um setor exportador mais competitivo que tem conseguido aumentar valores e volumes de exportacoes mesmo com um real supostamente supervalorizado e o salario minimo vitaminado.