19 de junho de 2026

PSDB: protagonista do golpe, coadjuvante no governo, por Cristina Fernandes

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Jornal GGN – Em artigo no Valor Econômico, Maria Cristina Fernandes comenta o esforço do PSDB para abrir o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e a pouca recompensa que o partido deve tirar da aventura. Para ela, é um sinal da falta de perspectiva da legenda de entrar no Planalto pelas vias democráticas.

“Às vésperas do impeachment, pesquisas indicaram que o PSDB, hoje, custaria a voltar ao Palácio do Planalto. Foi a senha para os tucanos, em raro voo conjunto, manifestarem apoio total ao impeachment”.

O oportunismo do partido vai lhe obrigar a referendar a Temer, pautas negadas ao governo Dilma. “A coabitação fará desta uma tarefa mais difícil do que aquela que cumpriu no governo Itamar. Adquirido a preço de ocasião, não parece lhe restar outra alternativa”.

Do Valor Econômico

As vivandeiras do Jaburu

Por Maria Cristina Fernandes

Abre­alas da deposição da presidente Dilma Rousseff, o PSDB corre o risco de virar empurrador do carro alegórico que o PMDB deve colocar na avenida em maio. Mais um pouco, vai ter que pagar para desfilar.

O PSDB abriu interlocução com os movimentos de rua pró­impeachment, colocou um ex­ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso para encabeçar a ação levada ao Congresso, operou alguns dos mais decisivos vazamentos da Lava­Jato e municiou aliados bem postos em todos os mercados para proclamar a inviabilidade deste governo.

Empenhou­se pela saída de Dilma quase tanto quanto a UDN pelo fim do varguismo ou do governo João Goulart. Os udenistas perderam a primeira parada para o PSD e a segunda, para a ditadura. Passaram à história como as ‘vivandeiras dos quartéis’.

O PSDB foi protagonista, em todas as suas divisões, num momento em que pemedebistas ainda tentavam tomar por dentro o governo Dilma. Quando o PMDB viu que só dava para ir por fora, colocou à mesa a possibilidade de Michel Temer, uma vez na Presidência, abrir mão do direito de se recandidatar. Estavam em jogo as ações tucanas para cassar a chapa inteira na justiça eleitoral. Às vésperas do impeachment, pesquisas indicaram que o PSDB, hoje, custaria a voltar ao Palácio do Planalto. Foi a senha para os tucanos, em raro voo conjunto, manifestarem apoio total ao impeachment.

Votada a autorização para o Senado julgar Dilma, com a totalidade dos votos do PSDB, o presidente do partido, Aécio Neves, achou por bem anunciar que qualquer participação tucana no governo pemedebista se daria em caráter pessoal. A ausência de aval inibiu o economista Arminio Fraga e enfraqueceu as postulações de José Serra, de longe, o posto tucano mais avançado no Palácio do Jaburu. As ambições do senador paulista, de mimetizar o papel de Fernando Henrique no governo Itamar Franco, começaram a ser bombardeadas dentro e fora do PMDB. “Ele só tem um voto no Congresso, o do Jutahy [Magalhães, deputado do PSDB baiano]”, é a senha, na barca cada vez mais larga de Temer, para rechaçar Serra.

Foi aí que o ex­presidente Fernando Henrique Cardoso entrou em campo para emplacar o PSDB na Fazenda. Fábio Zanini e Natuza Nery, da ‘Folha de S.Paulo’, lhe perguntaram o que achava da reeleição de Temer: “Se o povo quiser, não há o que fazer. É bom para o PSDB? Não, o PSDB quer ir direto para o governo, mas se Temer for bom e o Brasil quiser isso…”.

O ex­presidente foi franco sobre o DNA de um partido que faz política porque não arrumou outro jeito de mandar. Pareceu empenhado em conseguir, para Serra, um espaço que o senador não teve nem mesmo no seu governo. Mas Fernando Henrique não se restringiu a Serra. Naquela bacia das almas colocou ainda Arminio e Pedro Parente. Ficou claro que Henrique Meirelles (“É mais política monetária que fiscal. Não temos problema cambial neste momento”) é o mal a ser evitado.

O ex­presidente do Banco Central não incomoda o PSDB apenas por ter seus próprios projetos políticos, mas porque é capaz de, sem abrir mão deles, angariar a confiança do mercado. Serra é um dos poucos a verbalizar seu desconforto com a decisão do BC de subir os juros em plena crise financeira de 2008. Mas foi no seu último ano à frente do banco que Meirelles deixou clara sua compreensão das injunções políticas de uma autoridade monetária. Naquele 2010 o Brasil cresceria 7,5%, tornando o ex­presidente Luiz Inácio Lula da Silva um cabo eleitoral invencível. Críticos de outro naipe se voltaram contra uma política monetária permissiva com o espetáculo do crescimento às custas da inflação que, a partir daquele ano, não mais deixaria mais de subir.

A opção por Meirelles não levará Temer a desistir de ter Serra no governo. Mais do que os votos do partido que hoje é a quarta bancada da Câmara, a presença do PSDB empresta um verniz modernizante a um governo que ameaça ser tomado pelo velho PMDB e pelo ‘novo centrão’.

O vento já soprava para Meirelles na Fazenda quando Serra opinou publicamente sobre a necessidade de acelerar concessões de serviços públicos numa conjuntura em que o Estado não tem capacidade de investir. Uma pasta reforçada de infraestrutura pode ser o oásis de agenda positiva de uma conjuntura em que os investimentos parecem represados pelo dique das expectativas. Parece improvável, no entanto, que o PMDB vá ceder a tucanos o controle de setor que está no DNA da legenda.

Sobra a área social, mas a saúde e a educação de um governo que pretende desindexar as rubricas das duas pastas serão a antessala do inferno. Com o terreno minado que hoje lhe oferece o PSDB, talvez o senador paulista não tenha outra alternativa senão apostar em Temer como último trampolim para o Planalto.

O vice nem posse tomou e tem entre seus quase ministros, dois presidenciáveis. Para um partido que, nos salões acarpetados onde se fermentou o impeachment, se apresentava como porta­voz de uma agenda que só poderia ser implementada por governo não­eleito, a ambição de futuros integrantes parece surpreendente.

Com a rota declinante da inflação e a montanha de dinheiro que entrará em outubro com as multas da repatriação, Michel Temer talvez já consiga fechar aquele alçapão que insistia em se manter aberto no fundo do poço.

O enrosco continuará na política. Como o impeachment fez de Eduardo Cunha um vencedor, a chantagem se tornou um método premiado que ganha adeptos e terreno. Em busca de repactuação com o PMDB, o presidente da Câmara se juntou aos partidos do ‘novo centrão’ para embaçar a pauta de votações. O alvo é o governo que ainda não começou.

Ao contrário de Itamar Franco, Temer arrancou o impeachment de um Congresso que lhe ofereceu resistências. Por isso, terá menos liberdade de formar governo que o outro precedente histórico. Ao PSDB não restará outra alternativa senão referendar, na agenda pemedebista, pautas negadas ao governo Dilma. A coabitação fará desta uma tarefa mais difícil do que aquela que cumpriu no governo Itamar. Adquirido a preço de ocasião, não parece lhe restar outra alternativa. 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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11 Comentários
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  1. Almeid

    28 de abril de 2016 3:01 pm

    Ações Tucanas no TSE e no

    Ações Tucanas no TSE e no Pedido de impeachement feito na Camara.

    4 subscritores assinaram o pedido feito na Camara!

    O PSDB assina conjuntamente a peça junto com Janaina, Miguel Reale e Bicudo através de Flavio Henrique Costa Pereira.

    Então não houve isto “de senha” para apoiar. O PSDB es´ta junto desde o início na tentativa de derrubar Dilma.

  2. MarFig

    28 de abril de 2016 3:21 pm

    Pro pig, pósdb e pmdb não faz

    Pro pig, pósdb e pmdb não faz diferença. Vão mamar do mesmo jeito. E esse valor econômico não sei porque tem esse nome, parece mais uma revista de fofocas e boatos.

  3. Alexandre Weber - Santos -SP

    28 de abril de 2016 3:25 pm

    PSDB é tarefeiro que recebe por empreita

    Fora isto, buscam fugir da polícia também.

  4. peregrino

    28 de abril de 2016 4:02 pm

    PSDB só quer uma coisa do Temer…

    que ele documente a ordem de pagamento das petroleiras

    1. peregrino

      28 de abril de 2016 4:04 pm

      em tempos de golpes sem crime…

      qualquer traidor é Banco

  5. Juliano Santos

    28 de abril de 2016 4:19 pm

    Essa analise peca por ter o

    Essa analise peca por ter o foco apenas no mundo palaciano. No país real o bicho vai pegar e tudo isso descrito acima pode não servir para nada

    1. Antonio C.

      28 de abril de 2016 7:13 pm

      Mundo palaciano…

      … mas o golpe está acontecendo assim…

      Por mais toscos que sejam os parlamentares, eles estão no poder e mandando ver. Não se trata de apoio, apenas constatação.

  6. Fernandoc

    28 de abril de 2016 4:35 pm

    Se uma presidente que não

    Se uma presidente que não conseguiu apoio de 172 deputados não conseguir aprovar uma medida importante, ou a medida não é realmente importante; ou a medida é importante, mas os deputados não são importantes para o país.

  7. CB

    28 de abril de 2016 4:42 pm

    Sabe aquele bocó que se acha

    Sabe aquele bocó que se acha muito esperto e despreza o famoso dito popular “malandro é malandro e mané é mané”? Vale pros tucanídeos. Se eles se revoltarem com a situação de coadjuvantes, o cunha enquadra todos eles por que sabe tudo que rolou neste país desde os tempos em que era “assim” com o PC Farias.

  8. Athos

    28 de abril de 2016 5:07 pm

    -Independência do banco
    -Independência do banco central.
    -Abertura do Pré Sal
    -Plantar a semente para o fim do MEC, ainda não tomado por forças ocultas
    -Plantar a sente para o fim do SUS

    Farão tudo isso mas….Vão manter o bolsa família.

    E tem mais, quando acontecer, não é porque eles queriam fazer isso. A questao é que a administração do PT foi muito ruim então tiveram que fazer Isso. A culpa é do Lula, kkkkkk.
    Mas é mesmo!

  9. Manubhz

    28 de abril de 2016 5:54 pm

    PSDB podia ter apoiado o

    PSDB podia ter apoiado o governo Dilma com um pauta positiva,  manteria seu ar de democrático, poderia reivindicar que ajudou o país a sair da crise sem a pecha de golpista. Fez o caminho mais longo, se desgastou e chegaria ao mesmo lugar sem tanto desgaste.

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