28 de junho de 2026

Default da dívida deve acabar com agonia da Grécia

Chance de calote da Grécia cresce após suspensão de negociações País não conseguiu cumprir as condições do programa de auxílio de € 110 bilhões da UE e do FMI 02 de setembro de 2011 | 19h 26Renato Martins, da Agência Estado

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WASHINGTON – A suspensão das negociações sobre a dívida da Grécia eleva a probabilidade de que a dívida do país seja reestruturada nos próximos meses. O fato indica também que um segundo programa internacional de socorro financeiro a Atenas não vai se materializar, disseram fontes próximas ao assunto.

A Grécia não conseguiu cumprir as condições do programa de auxílio de € 110 bilhões da União Europeia e do FMI. Representantes da UE e do Fundo que faziam uma revisão do programa interromperam o processo e deixaram Atenas inesperadamente nesta sexta-feira, anunciando que as conversações com o governo grego serão retomadas mais tarde neste mês.

O fracasso dá peso às dúvidas sobre a capacidade da Grécia para cumprir as condições previstas no programa de auxílio financeiro, e até mesmo sobre seu comprometimento com as medidas necessárias para isso.

“Eu espero um default, sem dúvida antes de março de 2012 e talvez neste ano, e ele poderá vir com essa revisão do programa. As chances de um segundo programa são pequenas”, disse um economista do FMI que não está participando das negociações, mas tem acompanhado a situação.

Segundo esse economista, os principais fatores para um default são o fato de a Grécia não ter conseguido cumprir as metas, a relutância crescente de alguns países da zona do euro a continuar a emprestar ao país e o fato de a participação do setor privado em um segundo programa de ajuda provavelmente não mudará o perfil da dívida grega.

O pesquisador Jacob Kierkegaard, do Instituto Peterson de Economia Internacional e especialista em dívida soberana da zona do euro, disse acreditar que o FMI e a União Europeia vão liberar neste mês a próxima tranche do programa de crédito existente para a Grécia. Isso dará tempo para que os Parlamentos dos países membros aprovem o acordo concluído em 21 de julho para que o Programa Europeu de Estabilidade Financeira receba mais € 500 bilhões.

Kierkegaard ressalvou que é muito improvável que o FMI aprove um segundo programa de socorro à Grécia, tendo em vista a situação do país e especialmente se não houver a participação de 90% do setor privado na qual se basearam as conversações para um segundo programa de crédito.

Para o pesquisador, poderá ser mais interessante para a Grécia, no longo prazo, forçar um default. Ele destacou que uma reestruturação que pague 60 centavos por euro do valor de face da dívida poderá fazer mais sentido para Atenas do que a proposta existente de participação voluntária do setor privado. “Os argumentos econômicos para a Grécia fazer uma reestruturação ‘dura’ são fortes”, disse Kierkegaard.

Esse agravamento da crise da dívida grega acontece num momento em que a nova diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, está pressionando os bancos europeus a aumentarem seu capital. Há divergências entre funcionários do FMI e do sistema financeiro europeu sobre o grau de exposição dos bancos a perdas com dívida soberana. Caso a Grécia (ou qualquer outro país) reestruture sua dívida, alguns bancos poderão ficar insolventes, se tiverem deixado de aumentar seu capital para proteger-se desse risco. As informações são da Dow Jones.

http://economia.estadao.com.br/noticias/economia%20internacional,chance-de-calote-da-grecia-cresce-

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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