Lula da Silva é “um lutador contra a miséria, a fome e a desigualdade” – Joaquim Gomes Canotilho (C/ VíDEO)
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Coimbra, 30 mar (Lusa) — Lula da Silva é “um ‘cidadão do mundo’, um ‘estadista global’, um lutador contra a miséria, a fome e a desigualdade”, sublinhou Joaquim Gomes Canotilho, hoje, em Coimbra, no doutoramento ‘honoris causa’ do ex-Presidente do Brasil.
O antigo chefe do Estado brasileiro “afirmou-se como um mensageiro da paz e da justiça”, acrescentou o catedrático da Faculdade de Direito, no discurso de elogio do doutorando ‘honoris causa’, durante a cerimónia, na Sala Grande dos Atos, na Universidade de Coimbra.
Lula da Silva deu sempre “ressonância mundial à língua portuguesa”, sustentou Joaquim Gomes Canotilho, comparando o homenageado ao Padre António Vieira, que “arrancou da injustiça pedras toscas, duras, brutas e informes”.
Nessas pedras, Lula da Silva desbastou “o destino que joga com a vida das pessoas, eliminou o grosso do desamparo e esculpiu alguns pedaços de humanismo político”.
Enquanto primeiro magistrado da “pátria irmã”, os atos de Lula foram marcados pelos “valores cimeiros” da nossa cultura: “a dignidade da pessoa e dos povos, a liberdade, a solidariedade, a igualdade e a justiça”, defendeu Canotilho.
A atribuição do grau de ‘doutor honoris causa’, pela Universidade de Coimbra, sob proposta da Faculdade de Direito, ao ex-presidente do Brasil, é afinal, concluiu o orador, a “expressão simbólica da sua imensa sabedoria”.
Uma sabedoria, a de Lula da Silva, regada com “azeite da alma e da luta”, salientou Gomes Canotilho, ao pedir, como manda a tradição, a “imposição de insígnias doutorais ao eminente humanista e homem de Estado”, que é o antigo Presidente brasileiro.
Embora tivesse sido incumbido, pela sua Faculdade, de fazer o discurso de elogio do apresentante ou padrinho do novo ‘doutor honoris causa’, Jorge Coutinho de Abreu também se referiu ao homenageado.
“O Presidente Lula da Silva sonhou e ousou realizar sonhos lindos” e convocou, por “gestos e prosa” a poesia para muitos foros, afirmou, parafraseando o poeta brasileiro Carlos Drumond de Andrade.
Lula da Silva não fez a revolução do sistema, mas promoveu “revoluções de mobilização e inclusão social”, disse o professor da Faculdade de Direito, sustentando que o ex-Presidente brasileiro possibilitou a “milhões de pessoas alcançar direitos básicos”.
Sobre o apresentante do doutorando — o anterior reitor da Universidade de Coimbra — o autor do elogio, Jorge Coutinho de Abreu, deteve-se particularmente sobre os “marcantes” oito anos (2003-2011) de reitorado de Fernando Seabra Santos.
Apesar dos “escolhos”, designadamente “escassez de recursos financeiros”, ideias e práticas de “autarcia exacerbada” e “preconceitos ideológicos”, Seabra Santos teve “engenho e arte para conduzir, de “modo admirável, o empreendimento universitário”, salientou.
Com estes e outros méritos do padrinho do ex-Presidente do Brasil, Jorge Coutinho de Abreu pediu atribuição do título de ‘doutor honoris causa’ para Lula da Silva, cumprindo assim a tradição coimbrã, na Sala Grande dos Atos, na manhã de hoje, perante os presidentes do Brasil, de Cabo Verde e de Portugal.
JEF
Lusa/Fim
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