
Do blog do Demodê
Carta aberta à comunidade acadêmica internacional
Pesquisadoras/es e professoras/es das universidades brasileiras estão preparando um documento para denunciar à comunidade acadêmica internacional o golpe em curso no País. A carta aberta, que está sendo traduzida para o inglês, o francês, o espanhol, o alemão, o italiano e o árabe, recebe adesões pelo e-mail [email protected].
Trata-se de um abaixo-assinado de professoras/es e pesquisadoras/es vinculadas/os às universidades; portanto, pedimos que apenas pessoas nesta condição encaminhem seu apoio – indicando nome, área disciplinar e instituição.
CARTA ABERTA À COMUNIDADE ACADÊMICA INTERNACIONAL
Nós, pesquisadores e professores universitários brasileiros, dirigimo-nos à comunidade acadêmica internacional para denunciar um grave processo de ruptura da legalidade atualmente em curso no Brasil.
Depois de um longo histórico de golpes e de uma violenta ditadura militar, o país tem vivido, até hoje, seu mais longo período de estabilidade democrática – sob a égide da Constituição de 1988, que consagrou um extenso rol de direitos individuais e sociais.
Apesar de importantes avanços sociais nos últimos anos, o Brasil permanece um país profundamente desigual, com um sistema político marcado por um elevado nível de clientelismo e de corrupção. A influência de grandes empresas nas eleições, por meio do financiamento privado de campanhas, provocou sucessivos escândalos de corrupção que vêm atingindo toda a classe política.
O combate à corrupção tornou-se um clamor nacional. Órgãos de controle do Estado têm respondido a esta exigência e, nos últimos anos, as ações anticorrupção se intensificaram, atingindo a elite política e grandes empresas.
No entanto, há uma instrumentalização política desse discurso para desestabilização de um governo democraticamente eleito, de modo a aprofundar a grave crise econômica e política atravessada pelo país.
Um dos epicentros que instrumentaliza e desestabiliza o governo vem de setores de um poder que deveria zelar pela integridade politica e legal do país.
A chamada “Operação Lava Jato”, dirigida pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, que há dois anos centraliza as principais investigações contra a corrupção, tem sido maculada pelo uso constante e injustificado de medidas que a legislação brasileira estabelece como excepcionais, tais como a prisão preventiva de acusados e a condução coercitiva de testemunhas. As prisões arbitrárias são abertamente justificadas como forma de pressionar os acusados e deles obter delações contra supostos cúmplices. Há um vazamento permanente e seletivo de informações dos processos para os meios de comunicação. Existem indícios de que operações policiais são combinadas com veículos de imprensa, a fim de ampliar a exposição de seus alvos. Até a Presidenta da República foi alvo de escuta telefônica ilegal. Trechos das escutas telefônicas, tanto legais quanto ilegais, foram apresentados à mídia para divulgação pública, ainda que tratassem apenas de assuntos pessoais sem qualquer relevância para a investigação, com o intuito exclusivo de constranger determinadas personalidades políticas.
As denúncias que emergem contra líderes dos partidos de oposição têm sido em grande medida desprezadas nas investigações e silenciadas nos veículos hegemônicos de mídia. Por outro lado, embora não pese qualquer denúncia contra a Presidenta Dilma Rousseff, a “Operação Lava Jato” tem sido usada para respaldar a tentativa de impeachment em curso na Câmara dos Deputados – que é conduzida pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e oposicionista, acusado de corrupção e investigado pelo Conselho de Ética dessa mesma casa legislativa.
Quando a forma de proceder das autoridades públicas esbarra nos direitos fundamentais dos cidadãos, atropelando regras liberais básicas de presunção de inocência, isonomia jurídica, devido processo legal, direito ao contraditório e à ampla defesa, é preciso ter cautela. A tentação de fins nobres é forte o suficiente para justificar atropelos procedimentais e aí é que reside um enorme perigo.
O juiz Sérgio Moro já não possui a isenção e a imparcialidade necessárias para continuar responsável pelas investigações em curso. O combate à corrupção precisa ser feito dentro dos estritos limites da legalidade, com respeito aos direitos fundamentais dos acusados.
O risco da ruptura da legalidade, por uma associação entre setores do Poder Judiciário e de meios de comunicação historicamente alinhados com a oligarquia política brasileira, em particular a Rede Globo de Televisão – apoiadora e principal veículo de sustentação da ditadura militar (1964-1985) -, pode comprometer a democracia brasileira, levando a uma situação de polarização e de embates sem precedentes.
Por isso gostaríamos de pedir a solidariedade e o apoio da comunidade acadêmica internacional, em defesa da legalidade e das instituições democráticas no Brasil.
Assinam:
A carta aberta já conta com mais de mil adesões (no dia 22 de março, às 13:10), que ainda estão sendo organizadas. Colocamos aqui apenas alguns dos primeiros nomes que se somaram à iniciativa.
Adalberto Moreira Cardoso, pesquisador e professor de Sociologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
André Vitor Singer, pesquisador e professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo – USP
Benedito Medrado, pesquisador e professor de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco
Cecília Sardenberg, pesquisadora e professora de Antropologia da Universidade Federal da Bahia – UFBA
Cilaine Alves Cunha, pesquisadora e professora de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo – USP
Cláudio Gonçalves Couto, pesquisador e professor de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas
Eduardo Viveiros de Castro, pesquisador e professor do Museu Nacional – UERJ
Elisabetta Santoro, pesquisadora e professora de Língua Italiana da Univesidade de São Paulo – USP
Fábio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito da USP e professor Honoris Causa da Universidade de Coimbra
Flávia Biroli, pesquisadora e professora de Ciência Política da Universidade de Brasília – UnB
Flávia Schilling, pesquisadora e professora da Faculdade de Educação da USP
Francisco Alambert, pesquisador e professor de História da Universidade de São Paulo – USP
Gonzalo Aguilar, professor de Literatura Brasileira da Universidad de Buenos Aires (Argentina)
Ilse Scherer-Warren, pesquisadora e professora de Sociologia da Universidade Federal de Santa Catarina
João Adolfo Hansen, pesquisador e professor de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo – USP
Jorge Lyra, pesquisador e professor de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco
José Sérgio Fonseca, pesquisador e professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP
Laymert Garcia dos Santos, pesquisador e professor de Sociologia da Universidade de Campinas – Unicamp
Leon Kossovitch, pesquisador e professor de Filosofia da Universidade de São Paulo
Leonardo Avritzer, pesquisador e professor de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, presidente da Associação Brasileira de Ciência Política
Lincoln Secco, pesquisador e professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo – USP
Liziane Guazina, pesquisadora e professora de Comunicação da Universidade de Brasília – UnB
Luis Felipe Miguel, pesquisador e professor de Ciência Política da Universidade de Brasília – UnB
Marcelo Henrique Romano Tragtenberg, pesquisador e professor de Física da Universidade Federal de Santa Catarina
Marcia Tiburi, pesquisadora e ex-professora de Filosofia da Universidade Mackenzie
Marta Maria Chagas de Carvalho, pesquisadora e professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP
Miguel Nicolelis, professor titular do Departamento de Neurobiologia e Codiretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University (EUA)
Paulo Endo, pesquisador e professor do Instituto de Psicologia da USP
Regina Dalcastagnè, pesquisadora e professora de Literatura Brasileira da Universidade de Brasília – UnB
Ricardo Rodrigues Teixeira, médico, pesquisador e professor da Faculdade de Medicina da USP
Ruy Fausto, professor Emérito de Filosofia da Universidade de São Paulo – USP; ex-maître-de-conférences da Universidade Paris 8
Sérgio Cardoso, pesquisador e professor de Filosofia da Universidade de São Paulo – USP
Sylvia Moretzsohn, pesquisadora e professora de Comunicação da Universidade Federal Fluminense – UFF
Vladimir Pinheiro Safatle, pesquisador e professor de Filosofia da Universidade de São Paulo
Walnice Nogueira Galvão, pesquisadora e professora da Universidade de São Paulo – USP
Wanderley Guilherme dos Santos, pesquisador e professor de Ciência Política da Universidade Cândido Mendes
Ninguém
24 de março de 2016 12:07 pmDeviam enviar essa carta…
IMEDIATAMENTE para a Universidade de Lisboa, que está servindo de pano de fundo para uma reunião da conspirata golpista. Pior: patrocinada pelo próprio governo! (Não me conformo com isso. Não há nem a desculpa de divulgar informações sobre o governo, como é caso da publicidade institucional. O responsável por aprovar esse patrocínio deveria ser EXPULSO do governo ontem.)
anac
24 de março de 2016 12:44 pmQUEM SE OMITIR SERÁ
QUEM SE OMITIR SERÁ PILATOS.
Não temos o direito de nos omitirmos diante da tortura e iminente crucificação da DEMOCRACIA. Seremos cobrados na Historia pelos nossos atos e omissões.
Fernandoc
24 de março de 2016 12:54 pmda redaçãoAcompanhe agora as
da redação
Acompanhe agora as últimas notícias da crise política
EconomiaDesemprego avança e atinge 9,5% entre novembro de 2015 e janeiro de 2016
Renda cai e desigualdade aumenta no país pela 1ª vez desde 1992
Olhem as manchetes do acima, são do Uol; a escalada do golpe não para nem um segundo. A mídia realmente está criando esta violência e ódio. A taxa de desemprego aumenta a cada dia, daqui a pouco teremos 100% da população desempregada ou -100%, de acordo com eles. Já estão dizendo que a desigualdade está pior do que na era FHC! kkkk Pois é… a mídia está querendo derrubar o governo a todo custo, mesmo que isto signifique colocar o país no inferno.
David Pereira
24 de março de 2016 1:02 pmParabéns
Estou orgulhoso de ser professor, parabéns meus amigos pela iniciativa.
anac
24 de março de 2016 1:04 pmNÃO SEJAMOS PILATOS.
Vamos
NÃO SEJAMOS PILATOS.
Vamos ser cobrados pelas nossas ações e omissões. Lembrem PILATOS. O momento é agora no frigir dos ovos se posicionar de que lado está do GOLPE ou da DEMOCRACIA. A historia será dura com os GOLPISTAS como foi com os miltares jagunços do GOLPE de 1964. Como foi com os que trairam e condenaram Jesus a morte por crucificação e com os que trairam e condenaram a forca Tiradentes. É esse o momento.
Lucinei
24 de março de 2016 1:11 pmPffff!!
“Cartinha”, eh?!
Aa
Pffff!!
“Cartinha”, eh?!
Aa essa hora?!
altamiro souza
24 de março de 2016 1:15 pmimpressionanrte a mobilização
impressionanrte a mobilização do meio acacademico…
explodiram manifestações, principalmente ontem, em reuniões
de professores e alunos em todo o país…
resisitir é necessário…
Franbeze
24 de março de 2016 1:34 pmEssa atitude me deixa animado
Agora fica a pergunta: por que essa atitude não foi tomada bem antes?
Wagner F.S.
24 de março de 2016 1:40 pmAderi!
Como docente de uma das federais criadas pelo Lula, já assinei!
joao cesar moura mota
24 de março de 2016 3:21 pmgolpe nunca mais
Golpe nunca mais!
maria cecilia vieira de godoy
24 de março de 2016 3:44 pmFico feliz de ver a
Fico feliz de ver a intelectualidade brasileira posicionando contra o golpe à democracia que essa corja direitona brasileira está querendo dar. Mas temo que essas mobilizações dos intelectuais tenham chegado tardiamente. Tomara eu esteja enganada e esses golpistas recolham-se à insignificância deles e finalmente compreendam que o brasileiro não aceita mais golpe contra a democracia e…. Deixem a Mulher Governar!
Anarquista Lúcida
24 de março de 2016 8:51 pmAderi e enviei link deste tópico p/ os professores do meu Depto
Convido todos os outros professores daqui do Blog para aderir também.
Ricardo Gacki
5 de abril de 2016 5:53 pmQuero assinar! Como procedo?
Quero assinar! Como procedo? Gracias!
Maria Inês Amarante
26 de março de 2016 7:13 pmcarta manifesto de acadêmicos
Quero assinar esta carta e não sei como. Sou pesquisadora e professora adjunta da UNILA – Foz do Iguaçu
Grata
Wagner F. S.
29 de março de 2016 12:14 amEmail
Professora, tem que enviar solicitação pro endereço de e-mail que consta no texto acima.
Maria Inês Amarante
26 de março de 2016 7:16 pmQuero assinar a carta
sou professora adjunta e pesquisadora da Unila. Não achei onde assinar esta carta.
Inês
27 de março de 2016 12:27 pmcontra o Golpe !!
Se a Academia, responsável pela formação dos brasileiros, não se posiciona CONTRA O GOLPE, quem o fará?