4 de junho de 2026

Acadêmicos preparam carta alertando comunidade internacional sobre o golpe

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Do blog do Demodê

Carta aberta à comunidade acadêmica internacional

Pesquisadoras/es e professoras/es das universidades brasileiras estão preparando um documento para denunciar à comunidade acadêmica internacional o golpe em curso no País. A carta aberta, que está sendo traduzida para o inglês, o francês, o espanhol, o alemão, o italiano e o árabe, recebe adesões pelo e-mail [email protected].

Trata-se de um abaixo-assinado de professoras/es e pesquisadoras/es vinculadas/os às universidades; portanto, pedimos que apenas pessoas nesta condição encaminhem seu apoio – indicando nome, área disciplinar e instituição.

CARTA ABERTA À COMUNIDADE ACADÊMICA INTERNACIONAL

Nós, pesquisadores e professores universitários brasileiros, dirigimo-nos à comunidade acadêmica internacional para denunciar um grave processo de ruptura da legalidade atualmente em curso no Brasil.

Depois de um longo histórico de golpes e de uma violenta ditadura militar, o país tem vivido, até hoje, seu mais longo período de estabilidade democrática – sob a égide da Constituição de 1988, que consagrou um extenso rol de direitos individuais e sociais.

Apesar de importantes avanços sociais nos últimos anos, o Brasil permanece um país profundamente desigual, com um sistema político marcado por um elevado nível de clientelismo e de corrupção. A influência de grandes empresas nas eleições, por meio do financiamento privado de campanhas, provocou sucessivos escândalos de corrupção que vêm atingindo toda a classe política.

O combate à corrupção tornou-se um clamor nacional. Órgãos de controle do Estado têm respondido a esta exigência e, nos últimos anos, as ações anticorrupção se intensificaram, atingindo a elite política e grandes empresas.

No entanto, há uma instrumentalização política desse discurso para desestabilização de um governo democraticamente eleito, de modo a aprofundar a grave crise econômica e política atravessada pelo país.

Um dos epicentros que instrumentaliza e desestabiliza o governo vem de setores de um poder que deveria zelar pela integridade politica e legal do país.

A chamada “Operação Lava Jato”, dirigida pelo juiz de primeira instância Sérgio Moro, que há dois anos centraliza as principais investigações contra a corrupção, tem sido maculada pelo uso constante e injustificado de medidas que a legislação brasileira estabelece como excepcionais, tais como a prisão preventiva de acusados e a condução coercitiva de testemunhas. As prisões arbitrárias são abertamente justificadas como forma de pressionar os acusados e deles obter delações contra supostos cúmplices. Há um vazamento permanente e seletivo de informações dos processos para os meios de comunicação. Existem indícios de que operações policiais são combinadas com veículos de imprensa, a fim de ampliar a exposição de seus alvos. Até a Presidenta da República foi alvo de escuta telefônica ilegal. Trechos das escutas telefônicas, tanto legais quanto ilegais, foram apresentados à mídia para divulgação pública, ainda que tratassem apenas de assuntos pessoais sem qualquer relevância para a investigação, com o intuito exclusivo de constranger determinadas personalidades políticas.

As denúncias que emergem contra líderes dos partidos de oposição têm sido em grande medida desprezadas nas investigações e silenciadas nos veículos hegemônicos de mídia. Por outro lado, embora não pese qualquer denúncia contra a Presidenta Dilma Rousseff, a “Operação Lava Jato” tem sido usada para respaldar a tentativa de impeachment em curso na Câmara dos Deputados – que é conduzida pelo deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e oposicionista, acusado de corrupção e investigado pelo Conselho de Ética dessa mesma casa legislativa.

Quando a forma de proceder das autoridades públicas esbarra nos direitos fundamentais dos cidadãos, atropelando regras liberais básicas de presunção de inocência, isonomia jurídica, devido processo legal, direito ao contraditório e à ampla defesa, é preciso ter cautela. A tentação de fins nobres é forte o suficiente para justificar atropelos procedimentais e aí é que reside um enorme perigo.

O juiz Sérgio Moro já não possui a isenção e a imparcialidade necessárias para continuar responsável pelas investigações em curso. O combate à corrupção precisa ser feito dentro dos estritos limites da legalidade, com respeito aos direitos fundamentais dos acusados.

O risco da ruptura da legalidade, por uma associação entre setores do Poder Judiciário e de meios de comunicação historicamente alinhados com a oligarquia política brasileira, em particular a Rede Globo de Televisão – apoiadora e principal veículo de sustentação da ditadura militar (1964-1985) -, pode comprometer a democracia brasileira, levando a uma situação de polarização e de embates sem precedentes.

Por isso gostaríamos de pedir a solidariedade e o apoio da comunidade acadêmica internacional, em defesa da legalidade e das instituições democráticas no Brasil.

Assinam:

A carta aberta já conta com mais de mil adesões (no dia 22 de março, às 13:10), que ainda estão sendo organizadas. Colocamos aqui apenas alguns dos primeiros nomes que se somaram à iniciativa.

Adalberto Moreira Cardoso, pesquisador e professor de Sociologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ

André Vitor Singer, pesquisador e professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo – USP
Benedito Medrado, pesquisador e professor de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco
Cecília Sardenberg, pesquisadora e professora de Antropologia da Universidade Federal da Bahia – UFBA
Cilaine Alves Cunha, pesquisadora e professora de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo – USP
Cláudio Gonçalves Couto, pesquisador e professor de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas
Eduardo Viveiros de Castro, pesquisador e professor do Museu Nacional – UERJ
Elisabetta Santoro, pesquisadora e professora de Língua Italiana da Univesidade de São Paulo – USP
Fábio Konder Comparato, professor emérito da Faculdade de Direito da USP e professor Honoris Causa da Universidade de Coimbra
Flávia Biroli, pesquisadora e professora de Ciência Política da Universidade de Brasília – UnB
Flávia Schilling, pesquisadora e professora da Faculdade de Educação da USP
Francisco Alambert, pesquisador e professor de História da Universidade de São Paulo – USP
Gonzalo Aguilar, professor de Literatura Brasileira da Universidad de Buenos Aires (Argentina)
Ilse Scherer-Warren, pesquisadora e professora de Sociologia da Universidade Federal de Santa Catarina
João Adolfo Hansen, pesquisador e professor de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo – USP
Jorge Lyra, pesquisador e professor de Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco
José Sérgio Fonseca, pesquisador e professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP
Laymert Garcia dos Santos, pesquisador e professor de Sociologia da Universidade de Campinas – Unicamp
Leon Kossovitch, pesquisador e professor de Filosofia da Universidade de São Paulo
Leonardo Avritzer, pesquisador e professor de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais, presidente da Associação Brasileira de Ciência Política
Lincoln Secco, pesquisador e professor de História Contemporânea da Universidade de São Paulo – USP
Liziane Guazina, pesquisadora e professora de Comunicação da Universidade de Brasília – UnB
Luis Felipe Miguel, pesquisador e professor de Ciência Política da Universidade de Brasília – UnB
Marcelo Henrique Romano Tragtenberg, pesquisador e professor de Física da Universidade Federal de Santa Catarina
Marcia Tiburi, pesquisadora e ex-professora de Filosofia da Universidade Mackenzie
Marta Maria Chagas de Carvalho, pesquisadora e professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo – USP
Miguel Nicolelis, professor titular do Departamento de Neurobiologia e Codiretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University (EUA)
Paulo Endo, pesquisador e professor do Instituto de Psicologia da USP
Regina Dalcastagnè, pesquisadora e professora de Literatura Brasileira da Universidade de Brasília – UnB
Ricardo Rodrigues Teixeira, médico, pesquisador e professor da Faculdade de Medicina da USP
Ruy Fausto, professor Emérito de Filosofia da Universidade de São Paulo – USP; ex-maître-de-conférences da Universidade Paris 8
Sérgio Cardoso, pesquisador e professor de Filosofia da Universidade de São Paulo – USP
Sylvia Moretzsohn, pesquisadora e professora de Comunicação da Universidade Federal Fluminense – UFF
Vladimir Pinheiro Safatle, pesquisador e professor de Filosofia da Universidade de São Paulo
Walnice Nogueira Galvão, pesquisadora e professora da Universidade de São Paulo – USP
Wanderley Guilherme dos Santos, pesquisador e professor de Ciência Política da Universidade Cândido Mendes

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17 Comentários
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  1. Ninguém

    24 de março de 2016 12:07 pm

    Deviam enviar essa carta…

    IMEDIATAMENTE para a Universidade de Lisboa, que está servindo de pano de fundo para uma reunião da conspirata golpista. Pior: patrocinada pelo próprio governo! (Não me conformo com isso. Não há nem a desculpa de divulgar informações sobre o governo, como é caso da publicidade institucional. O responsável por aprovar esse patrocínio deveria ser EXPULSO do governo ontem.)

  2. anac

    24 de março de 2016 12:44 pm

    QUEM SE OMITIR SERÁ

    QUEM SE OMITIR SERÁ PILATOS.

    Não temos o direito de nos omitirmos diante da tortura e iminente crucificação da DEMOCRACIA. Seremos cobrados na Historia pelos nossos atos e omissões. 

  3. Fernandoc

    24 de março de 2016 12:54 pm

    da redaçãoAcompanhe agora as
    da redação

    Acompanhe agora as últimas notícias da crise política

    EconomiaDesemprego avança e atinge 9,5% entre novembro de 2015 e janeiro de 2016

    Renda cai e desigualdade aumenta no país pela 1ª vez desde 1992

    Olhem as manchetes do acima, são do Uol; a escalada do golpe não para nem um segundo. A mídia realmente está criando esta violência e ódio. A taxa de desemprego aumenta a cada dia, daqui a pouco teremos 100% da população desempregada ou -100%, de acordo com eles. Já estão dizendo que a desigualdade está pior do que na era FHC! kkkk Pois é… a mídia está querendo derrubar o governo a todo custo, mesmo que isto signifique colocar o país no inferno.

  4. David Pereira

    24 de março de 2016 1:02 pm

    Parabéns

    Estou orgulhoso de ser professor, parabéns meus amigos pela iniciativa.

  5. anac

    24 de março de 2016 1:04 pm

    NÃO SEJAMOS PILATOS.
    Vamos

    NÃO SEJAMOS PILATOS.

    Vamos ser cobrados pelas nossas ações e omissões. Lembrem PILATOS. O momento é agora no frigir dos ovos se posicionar de que lado está do GOLPE ou da DEMOCRACIA. A historia será dura com os GOLPISTAS como foi com os miltares jagunços do GOLPE de 1964. Como foi com os que trairam e condenaram Jesus a morte por   crucificação e  com os que trairam e condenaram a forca Tiradentes. É esse o momento.

  6. Lucinei

    24 de março de 2016 1:11 pm

    Pffff!!
    “Cartinha”, eh?!
    Aa
    Pffff!!
    “Cartinha”, eh?!
    Aa essa hora?!

  7. altamiro souza

    24 de março de 2016 1:15 pm

    impressionanrte a mobilização

    impressionanrte a mobilização do meio acacademico…

    explodiram manifestações, principalmente ontem, em reuniões

    de professores e alunos em todo o país…

    resisitir é necessário…

  8. Franbeze

    24 de março de 2016 1:34 pm

    Essa atitude me deixa animado

    Agora fica a pergunta: por que essa atitude não foi tomada bem antes?

     

  9. Wagner F.S.

    24 de março de 2016 1:40 pm

    Aderi!

    Como docente de uma das federais criadas pelo Lula, já assinei!

  10. joao cesar moura mota

    24 de março de 2016 3:21 pm

    golpe nunca mais
    Golpe nunca mais!

  11. maria cecilia vieira de godoy

    24 de março de 2016 3:44 pm

    Fico feliz de ver a

    Fico feliz de ver a intelectualidade brasileira posicionando contra  o golpe à democracia que essa corja direitona brasileira está querendo dar. Mas temo que essas mobilizações dos intelectuais  tenham chegado tardiamente. Tomara eu esteja enganada  e esses golpistas recolham-se à insignificância  deles e finalmente compreendam que o brasileiro não aceita mais golpe contra a democracia e…. Deixem a Mulher Governar!

     

     

  12. Anarquista Lúcida

    24 de março de 2016 8:51 pm

    Aderi e enviei link deste tópico p/ os professores do meu Depto

    Convido todos os outros professores daqui do Blog para aderir também.

    1. Ricardo Gacki

      5 de abril de 2016 5:53 pm

      Quero assinar! Como procedo?

      Quero assinar! Como procedo? Gracias!

  13. Maria Inês Amarante

    26 de março de 2016 7:13 pm

    carta manifesto de acadêmicos

    Quero assinar esta carta e não sei como. Sou pesquisadora e professora adjunta da UNILA – Foz do Iguaçu

    Grata

    1. Wagner F. S.

      29 de março de 2016 12:14 am

      Email

      Professora, tem que enviar solicitação pro endereço de e-mail que consta no texto acima. 

  14. Maria Inês Amarante

    26 de março de 2016 7:16 pm

    Quero assinar a carta

    sou professora adjunta e pesquisadora da Unila. Não achei onde assinar esta carta.

  15. Inês

    27 de março de 2016 12:27 pm

    contra o Golpe !!

    Se a Academia, responsável pela formação dos brasileiros, não se posiciona CONTRA O GOLPE, quem o fará?

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