22 de junho de 2026

Golpe e fascismo, por Márcio Sotelo Felippe

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Golpe e fascismo

por Márcio Sotelo Felippe

Nos regimes fascistas, a violência do Estado e a violação de direitos tem apoio de massa. Rubens Casara lembrou isto neste espaço com preciso senso de oportunidade.

É um traço característico do fascismo. O fascismo não era apenas violência ou terrorismo de Estado, ou, como sustentavam nos anos 30 os soviéticos, uma ditadura terrorista aberta dos elementos mais reacionários do grande capital. Para além disso, buscava também um determinado “consenso”, dominar pela captura da consciência de uma parte do povo para dirigi-la contra outra parte. Para tanto era preciso desumanizar o diferente, visando transformar a sociedade em um organismo, de tal modo que o que estivesse fora de um determinado padrão, fosse social, econômico, político, étnico ou de conduta, deveria ser tratado como uma espécie de “doença” do meio social e portanto aniquilados ou completamente subjugados.

Esse domínio de novo tipo era uma reação ao bolchevismo. Pela primeira vez um Estado extinguia a propriedade privada dos meios de produção e conseguia manter essa estrutura, diferentemente da Comuna de Paris, que pouco durou. Os instrumentos clássicos de domínio político pelo uso da força quando a ordem burguesa era ameaçada podiam não ser suficientes. Era preciso mais, era preciso tornar a sociedade um todo “harmonioso”, era preciso dominar desde logo a partir da consciência.

Assim, na Alemanha nazista, o regime mais clássico e aperfeiçoado de fascismo, o mal, a “doença social”, eram os comunistas, os judeus, os homossexuais, os ciganos, as pessoas com deficiência, mas também qualquer indivíduo cujas convicções ou modo de ser representassem uma ameaça à ordem burguesa. Na sociedade ideal nazista só haveria um tipo étnico, uma convicção política, uma espécie de ser humano “purificado”, uma sexualidade e somente uma visão de mundo.

A forma de dominação fascista consistia, pois, além da violência do Estado, nisto de levar uma parte da sociedade a odiar a outra e vê-la como ameaça a si e ao bem-estar social. Além de ser uma forma absoluta de dominação porque ia diretamente à consciência, legitimava toda sorte de violência, arbitrariedade e violação de direitos para a exclusão social do diferente ou sua aniquilação. Para que um cenário desse tipo se consolide é preciso uma maciça propaganda e doutrinação em que a matéria-prima é o ódio social.

É isto que se vê na sociedade brasileira hoje. A tragédia do fascismo com seu componente necessário de ódio social. Em maio de 2013, um seminário realizado pela EMERJ (Escola da Magistratura do Rio de Janeiro) já debatia o processo de fascistização que despontava e que agora atinge patamares intoleráveis. Na mesma ordem de conceitos que desenvolvi acima, transcrevo aqui uma parte de minha intervenção naquela ocasião e remeto o leitor ao volume 67 da Revista da EMERJ:

“Sempre que de algum modo o diferente é tratado como inimigo, excluído do povo, desqualificado em sua humanidade, associado a desvalores, mau, falso, injusto por natureza, sujo, sempre que alguém procura uniformizar o meio social como um organismo por tal método, estamos diante de uma atitude fascista. A chave é essa: alguns são “o povo” e devem ser protegidos; outros não são o povo, não tem direitos e podem ser excluídos, seja pela violência, seja pelo Direito, seja pelo Estado” [1].

Para tudo isto é preciso a matéria-prima do ódio. O fascista é antes de mais nada um ser que odeia. Constrói-se um fascista fazendo com que o seu descontentamento econômico, o seu ressentimento social e a sua contrariedade transformem-se em ódio contra tudo que ele pensa ser uma ameaça à sua condição ou ao que o seu imaginário representa para si mesmo. É por isso que o fascismo grassa nas camadas médias, perdidas entre o pavor da proletarização e o anseio de ser burguês de verdade.

Por força do ódio multiplicam-se as manifestações de intolerância contra o excluído que ascende socialmente, contra quem expressa sua sexualidade de forma diferente de certo padrão que se supõe “normal”, contra quem milita em favor de outra estrutura social e é identificado como a esquerda. Multiplicam-se as manifestações de ódio contra tudo que é diferente da ordem social burguesa branca.

Mas neste específico momento chega ao ápice a intolerância contra a esquerda, que a doutrinação genericamente denomina como “petismo”.

Uma mirada nas manifestações de 13 de março permite ver claramente esse processo de fascistização: o inimigo, a doença que precisa ser exterminada para que o organismo social seja saudável tem o nome de petismo. Como o ódio suspende os juízos racionais, pode-se criar no imaginário das camadas médias um ser irreal, capaz de todas as perfídias, completamente mau e detentor do monopólio da corrupção, portador de uma natureza humana degenerada. Esse ser irreal, essa abstração desprovida de qualquer racionalidade, tornou-se concreto representado na figura do ex-presidente Lula. Ele não é como todos os seres humanos, dotado de algumas virtudes e alguns defeitos. Não é como todos os outros políticos, que se pode ver com desconfiança mas tolerar. Lula é diferente. É mostrado como a encarnação absoluta do mal.

A racionalidade instrumental do fascismo precisa do irracional da massa. A massa branca da avenida Paulista votou por décadas em Maluf sabendo que era corrupto, assistiu passivamente a compra de votos para a reeleição de Fernando Henrique e não bate panelas para Cunha ou para ladrões de merendas. Nunca se indignou diante da miséria de parte da população. A corrupção somente movimenta essa massa branca quando contingências permitem associá-la à esquerda; e aí se reproduz o clássico esquema fascista de dominação pela captura da consciência, manipulação e propaganda maciça que permitem legitimar a violência e os mecanismos repressivos. Porque contra o mal tudo é permitido e tudo convém.

O que isto tudo significa, na verdade, é mais um capítulo da velha luta de classes. O fascismo não é um fenômeno cultural ou singelamente político, mesmo que contenha necessariamente tais aspectos. A sua causa reside na luta pela apropriação da riqueza e manutenção de privilégios. O que ora está em jogo é quem perde e quem ganha na apropriação de patrimônio e renda. Se tiver golpe, haverá o assalto definitivo ao pré-sal, a perda da Petrobrás, a destruição da CLT, o aniquilamento de direitos e políticas públicas de interesse das camadas populares porque a crise diminuiu a possibilidade de acumulação.

Nessa perspectiva, o mandato da presidenta importa pela defesa da legalidade democrática e pela sua eficácia estratégica, nunca pelo que modo como ela governa. Quem ganhar acumula força. E o que eles querem é dar o passo decisivo para o domínio político e social completo, para reduzir a esquerda à insignificância, porque é ela o obstáculo efetivo como força social. Vai ter golpe ou não vai ter golpe significa isto: quem vai ser a força social hegemônica nas próximas décadas.

Para a parcela lúcida e racional da sociedade é o momento de combater o bom combate, pela justiça, igualdade e solidariedade social. No mais, lembrando o que disse Unamuno aos fascistas, se vencerem, não convencerão. Porque para convencer é preciso a razão. Se vencerem, em algum momento resgataremos a razão.

REFERÊNCIAS

[1] [1]http://www.emerj.tjrj.jus.br/revistaemerj_online/edicoes/revista67/revista67_453.pdf (Revista da Emerj, no. 67)

Marcio Sotelo Felippe é pós-graduado em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo. Procurador do Estado, exerceu o cargo de Procurador-Geral do Estado de 1995 a 2000. Membro da Comissão da Verdade da OAB Federal.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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  1. Jos

    19 de março de 2016 4:13 pm

    Financiando o golpe nas palavras de um canalha

    Matéria com denúncia e áudio de um réu canalha:

     

    http://www.brasil247.com/pt/247/sp247/221855/Paulinho-tem-muita-gente-pra-financiar-impeachment.htm

     

     

    1. altamiro souza

      19 de março de 2016 8:35 pm

      é claro que o paulinho

      é claro que o paulinho confessa o golpe e ainda dá dicas, parece a fiespo,

      pela ajuda nas maniofestaçoes de  domingo…

      além dos esquemas internacionais, que participam do goipé,

      ajuda do pentsgono, coisas assim….

      abominável mesmo é admitir que  um golpista corrupto como

      cunha possa, com o impeachment virar presidente .;.;.;.

      é o fim da picada…..

  2. altamiro souza

    19 de março de 2016 4:21 pm

    perfeito o artigo, melhor

    perfeito o artigo, melhor ainda o final do texto….

  3. Marcos Inácio Fernandes

    19 de março de 2016 4:41 pm

    Que artigo esclarecedor!!!

    Que artigo esclarecedor!!! Algum parlamentar do PT devia lê-lo no Plenário da Câmara para ficar registrado nos anais da casa.

  4. nilo walter

    19 de março de 2016 4:45 pm

     
      Hitler chegou ao poder

     

      Hitler chegou ao poder porque a Europa  não douviu os soviéticos .

    A história registra .

    Belo texto

  5. Lucienne

    19 de março de 2016 5:01 pm

    É isso. A mídia não presta,

    É isso. A mídia não presta, mas os jornalistas, técnicos e cinegrafistas que a fazem não são melhores que ela.

  6. Ermame

    19 de março de 2016 5:43 pm

    O que está em jogo

    O momento político não poderia ser mais complexo, mais interessante e mais engraçado. A identificação de elementos do nazista no Brasil sempre permaneceu como parâmetros oculto. A história do poder se confunde com a história da propriedade sem sujeito, o momento em que a propriedade deixa de se identificar com o trabalho e se torna controle. O controle dos meios de produção nunca esteve segregado ao conflito burguesia e proletariado. O contexto liberalista de um estado instrumentalizado para o controle fomenta – na atividade oculta do soberano – o nazismo. O conflito envolvendo “liberalismo” e “quase liberalismo” provocou um rompimento anacrônico na nossa sociedade que coloca em xeque (jogo de xadrez) a integridade de toda estrutura do poder judiciário. Por mais que parte das interceptações tenha se realizado dentro da legalidade, o vazamento provocou o efeito mais perverso da criminologia crítica, uma espécia de controle normativo denominado entiquetamento. Você trata o envolvido em um suposto esquema de corrupção como objeto, e o priva de sua dignidade, afinal, combate-se o corrupção, usando como argumento a publicidade – um princípio importante, afinal. Sem embargos, o corrupto tem tratamento, segundo Parsons, AGIL. Já a falta de integridade é uma doença falciforme, que leva a morte e que exige auto-sacrifício, para a falta de integridade só há um remédio japonês chamado Bushido. Justificaram as investigaçõs sob argumento de corrupção, sem o real conhecimento da extensão do problema, colocando em risco a integridade do poder judiciário. E de repente a falta de integridade se apresenta como elemento de gravidade muito superior à corrupção. Não se pode olvidar que desde milhões de anos, no passado remeto, Cadosh Baruchu instituiu a Torah (embora outorgada ao povo Judeu há 3 mil anos), com a previsão de pena de morte para a falta de integridade. Sob argumento de corrupção tratam uma pessoa nomeada para Ministro de Estado como objeto e colocam em risco a construção de uma soberania nacional, e do ideal de prerrogativa do Chefe de Estado. Agora estamos em um momento histórico, em que o judiciário deverá decidir qual a sua natureza jurídica: “Fürher”, soberano, que resolve as questões de Estado, a partir de um permanente estado de exceção oculto, parcialmente revelado, na identifição do nazismo da República das Bananas; ou estabilizador da democracia. 

  7. Rachel Reis

    19 de março de 2016 7:08 pm

    golpe e facismo

    Sabe o que que vou fazer? Imprimir este texto e colocar nas caixas de correspondência da vizinhança.

  8. DUDE

    19 de março de 2016 7:10 pm

    POLÍTICOS “ESPERTOS”, lembrem-se de Carlos Lacerda

    No caso dos regimes fortes – nazismo e fascimo, v. gratia – havia Hitler e Mussolini, dois líderes.

    Conseguiram o apoio do “povo” com o auxílio das ideais de Joseph Paul  Goebbels, manipulando-as e, como hoje aqui acontece, colocando o Judiciário em posição difícil. Quem iria se atrever ao julgamento midiático, este com total apoio do “povo”, este totalmente transformado em postes humanos, que não ouvem, não debatem, buscam impor seus julgamentos, através do ódio e da intolerânia, tal como aqui. Daí que estamos começando a ver cair totalmente os direitos da cidadania, previstos no art. 5º da CF, hoje totalmente rasgada. Assim,  parece a história se repete, com judiciário aparentemente amedrontado. 

    Agora, neste País,  há diversos líderes, principalmente, todos com uma força de pouca expressão. Talvez, com andar da carruagem, venham a se tornar lideranças fortes, dentro do contexto nazista ou fascista, é claro um nazismo que não tem a expressão daqueles que levaram o mundo à segunda guerra mundial. Porém, irá, como já está ocorrendo, graves violações aos direitos das minorias e, ainda, mesmo à maioria da população brasileira que passam dificuldades para manter a família, diante de um sistema tributário que lhe legam aos maios pobres e a classe média de baixa renda a sustentação de mais de 80%da carga tributária.

    Lula é ainda o maior líder existente em nosso País, mesmo com todos os ataques e tentativas de desmoralizãção,  Seu prestígio internamente caiu diante da manipulação do PIG que tornou pessoas – mesmo as que se entendem como esclarecidas- em manada de marionetes, que desempenho um protagonismo nazista.

    Hoje, ao que vemos, já estamos, infelizmente, em um estado com as características de estado forte, dominado pela Casa Grande, com um desequilíbrio social ainda mais violento que nos colocam na 13ª colocação dos países com maiores diferenças sociais em todo o mundo. A senzala existe e parece que ninguém se importa.

    Para mim, ainda acho que Lula é a única esperança de reverter, parcialmente, como já o fez, este quadro tenebroso. E é por isto mesmo que se esquecem de todos para atacar tão somente ainda este maior líder de nosso País.

    Um lembrete aos “políticos espertos”: Com a ditadura, muitos líderes estaduais e até conacional, cairam em desgraça. Um nome pode  representar tudo o que estou querendo exemplificar: Carlos Lacerda, chamado à época de o Corvo, que foi o maior algoz de Getúlio e que apoiou a ditadura, com mira na candidatura à presidente do Brasil, porém foi banido de vida política. Poderia ser um grande homem. Tinha lá seus ideais políticos. Mas se enredou pelos caminhos equivocados, buscando a queda de governo, de todas as maneiras, quando percebeu a democracia havia lhe escapado em sua caminhada. Faleceu em 1977, sem glória que ambicionava.

    É importante lembrar-se, neste momento, de Carlos Lacerda, que poderia, sim, ter sido lembrado como um grande democrata, mas preferiu jogar suas fichas em golpes, como que levou Getúlio à morte e a ditadura militar ( comandada pela Cia). Caíram os governos e com eles, infelizmente, a democracia. Nos dois casos, foi algoz. Embora tenha sido um governador competente, em 1960, no recém criado estado da Guanaba,  unversalidando o ensino primário, modernizou a gestão pública, inclusive tornando obrigatório o concurso público, procedeu grande investimentos em saneamento básico e obras estratégicas, etc. Acabou sua vida como alguém que traiu a democracia. Sem glórias, como poderia ter merecido.

    Por isto, lembrem-se, “políticos espertos” da Carlos Lacerda. 

     

    1. rdmaestri

      19 de março de 2016 11:25 pm

      Dude, só um pequeno erro na sua introdução que não …

      invalidam a tua tese geral, mas pelo contrário a confirmam.

      É um erro atribuir a Goebbels a ascenção do nazismo, Goebbels simplesmente pavimentou o que outro membro da história nazista o fez e é pouco lembrado por todos, Ernest Röhm.

      Todos esquecem este criador da Sturmabteilung  (SA) e foi esta organização que chegou a ter mais de 3 milhões de milicianos que levou Hitler ao poder. A máquina de propaganda de Goebbles substitui a partir da execução de Röhm em 1934 a ação da truculenta e odiável Sturmabteilung  (SA), e a substituiu esta organização pela mais truulenta e odiável Schutzstaffel (SS).

      Quando em 1933 a SA possuía seus três milhões de milicianos a SS era uma organização elitizada com “apenas” 100.000 milicianos. Acho importante esta ressalva porque tens-se que estudar com cuidado a ascessão de movimentos fascistas para a previsão e evitar problemas.

      Röhm, diferentemente de outro criminosos nazistas tinha vida própria, e aderiu ao nazismo porque via em Hitler alguém com uma boa oratória.

      É importante esta ênfase a importância de Röhm, porque ele na realidade foi o verdadeiro fascista da Alemanha, ele até o fim não desejava o acordo que Hitler fez com a aristocracia alemã, e pretendia a na época denominada Segunda Revolução, por ele seguir os seus princípios fascistas de intermediação de Estado entre capital e classe operária ele foi devidamente assassinado quando Hitler assume o poder. Aqui se encaixa a visão que traças de Carlos Lacerda, de alguém que tinha ideias próprias, porém esqueceu que o que vale mais é a força.

      1. DUDE

        20 de março de 2016 1:38 am

        Obrigado pela informação

        Obrigado pela excelência de sua resposta e exposição de fatos, que ainda não conhecia.

        O fato, Rdemaestri, é que vivi esta época toda, embora no caso de Getúlio, ainda fosse um menino de onze anos, mas percebi o trauma em toda a população. Depois, ao tempo de Jango Goulart, ouvia Brizola conclamar a luta, por uma rede de emissoras de rádio, chamada na época, a Rede da Legalidade.

        Tive uma educação crítica, ainda no ginasial, com um excelente professor de História, José Chalita, já falecido ( história geral, história das americas e história do Brasil  e em outras matérias também) que me proporcinou conhecer, naquele tempo, que o estado novo nasceu sobremaneira pela vertiginosa da queda do neoliberalismo e ascensão comunista. Foi um movimento em busca de um estado forte, que evitasse a ascensão comunista em todo o mundo, máxime durante a crise de Cuba e da guerra fria.

        Aqui no Brasil, com Getúlio, este tomou rumo mais correto, com leis sociais, como a CLT e a previdência social, que amenizaram a diferença social, esta que, infelizmente, ainda perdura.

        A posição do governo Lula ( não digo Dilma) conciliou, talvez como queria Rohm, de forma a legar mais paz e harmonia entre empresários e trabalhadores. Porém, a direita neoliberal – a mesma que fracassou antes de Lula – não permite avanços, máxime nas diferencas sociais, pois somos um País que se encontra, ainda, mesmo com as políticas públicas de Lula/Dilma, ainda como lugar, em todo o mundo, como um dos mais desequilibrados socialmente, embora sejamos a sexta economia do mundo.

        É uma pena que o povo brasileiro não tenha tido uma educação crítica, que nos forneceu condições de enxergar um pouco mais a frente. A Ditadura legou-nos uma educação totalmente divorciada da excelência e o neoliberalimo continuou navegando neste rumo. Com Lula/Dilma melhoramos, mas estamos muito longe daquele ensino ginasial ( correspondente a 6ª a 9ª séries do fundamental de hoje. Lembro-me que tive aulas de português, Francês, Inglês e Latim. Tínhamos matemárica avançada e Ciências excelente, além de música, trabalhos manuais, desenho, tudo que buscava além da cultura e arte, também o conhecimento crítico, diferenciativo que tornou a nossa geração com olhos muito mais abertos. Tínhamos além do mais o Científico e o Clássico, o primeiro dedico as áreas, que proporcionavam a abertura do acesso aos cursos cientíticos, como v. gratia, a biologia, e o segundo estudo das linguas mais profundamente e  matérias ligadas à sociologia, filosofia e outras.

        A educação critica é a grande diferença.

  9. luizmattos

    20 de março de 2016 2:06 am

    Caramba, é tudo o que está

    Caramba, é tudo o que está acontecendo. Juntando-se isso à reportagem do general americano reformado, monta-se o quebra cabeça. A coisa vem de fora, como em 64.

  10. Jáder Barroso Neto

    20 de março de 2016 4:12 am

    E se for ilegalidade?

    Proponho aplicar a Teoria do Domínio do Fato para julgarmos (hipoteticamente) as ações do Moro, do Gilmar e do Janot nas seguintes acusações: estes réus são responsáveis por ações de desestabilização da ordem democrática do Brasil, tendo abusado das prerrogativas e poderes inerentes a seus cargos?

    Como estamos vivemos num Estado Democrático de Direito, este julgamento é subjetivo, assim como nossos veredictos. Aplicação de pena é irrealizável.

    A Teoria do Domínio do Fato é uma teoria de Direito Penal criada pelo jurista alemão Hans Welzel na década de 1930. O Nazismo a adotou com eficiência em seus processos penais.

    Há jurisprudência no STF para seu uso: o ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, a usou para julgar e condenar membros do PT no Mensalão do PT, tanto os que tinham foro privilegiado quanto os que não tinham.

    Não importa que, no julgamento do Mensalão Tucano, o nobre Min. Joaquim tenha permitido desdobramento da ação: remetendo à primeira instância os réus que não gozavam de foro privilegiado. São detalhes irrelevantes.

    Bem, enquanto vivemos sob um Estado Democrático de Direito, nossos veredictos são subjetivos e não podemos nem imaginar penalizações a serem aplicadas.

    Mas, e se o Estado Democrático de Direito for abolido?

  11. Marco Antonio Neves de Azambuja

    20 de março de 2016 2:00 pm

    Máquinas Fascistas

    Pior que transformar a sociedade em um organismo, as ideologias totalitárias em geral, e o fascimo em específico, transparecem o ideal de reduzir as pessoas à máquinas e a sociedade a um grande sistema onde o outro (que não corresponde ao molde pretendido) é visto como uma peça defeituosa, que deve ser removida para ser ‘reciclada’ em casos de pequenos defeitos ou simplesmente destruida, na maioria dos casos.

    A criatura ideal dessas ideologias, é o ser despido de humanidade, sentimentos e escolhas (sempre vistas como fraquesas e subversões) que deve responder da forma programada e previsível aos comandos dados. Somente essas criaturas são dignas de usar as máquinas perfeitas e infaliveis criadas, principalmente as de destruição.
    E sempre que o uso dessas máquinas perfeitas falhou, não foi por erro de análise ou estratégia dos comandantes (que são por definição infalíveis) mas sim porque essas criaturas transformadas em máquinas ainda tinham algum resquício humano que os levou ao erro…

  12. Advogada

    24 de março de 2016 1:31 pm

    Obrigada, dr. Márcio.

    Seu primoroso artigo é daqueles que a gente guarda para reler e enviar aos amigos, aos que deixam suas convicções quando a dor é forte e visita a todos, num rastro de desesperança, mas que, quando a razão novamente se impõe, precisa de novo acreditar que é possível sim, construir uma sociedade mais livre, mais plural, mais solidária, mais amorosa, sem ódio.

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