5 de junho de 2026

The Economist: fracasso na Coreia do Sul ameaça planos para livre-comércio dos EUA

The Economist

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Fracasso na Coreia do Sul ameaça planos para livre-comércio dos EUA 

O recente fracassso do governo Obama em concluir um pacto comercial com a Coreia do Sul coloca em dúvida as perspectivas para os acordos de livre-comércio com Panamá e Colômbia. Os três acertos, assionados durante a administração de George W. Bush, definharam desde 2007. Ainda que o livre-comércio tenha subido de posição nas prioridades de Barack Obama, seu capital político reduzido pode ser insuficiente para aprovar tais medidas no novo Congresso, eleito no dia 2 de novembro. 

O presidente americano Barack Obama precisava de um acordo com a Coreia do Sul para ter algo a mostrar após o fiasco da reunião do G-20 em Seul. Ele também precisava impulsionar sua agenda de comércio, alçada a uma posição de mais destaque nas prioridades do governo. Obama já indicou que o comércio exterior – incluindo a ressurreição da Rodada de Doha – e a expansão das exportações serão pontos-chave nos próximos dois anos de sua administração. Além disso, é uma das poucas áreas em que o presidente e os Republicanos podem chegar a um consenso. O livre-comércio também conta com um amplo apoio do setor de negócios nos EUA. Apesar de tudo, a prática teve uma queda nos últimos anos, graças à oposição de muitos parlamentares Democratas e também ao foco de Obama em outras prioridades.

Na eleição parlamentar de 2 de novembro, o Partido Republicano teve uma vitória expressiva, retomando a maioria da Câmara e reduzindo a vantagem Democrata no Senado. À primeira vista, pode parecer algo que facilite a aprovação de acordos comerciais no Congresso. Os Republicanos sempre demonstraram uma tendência mais favorável ao livre-comércio em relação aos parlamentares Democratas. Os acordos com Coreia do Sul, Colômbia e Panamá foram costurados por Republicanos, enquanto diversos Democratas se opuseram. Os argumentos usados pelos Democratas contra os acordos foram variados, desde a falta de regulação fiscal, no caso do Panamá, até dúvidas sobre o respeito aos Direitos Humanos, na situação colombiana.

Mesmo com o apoio demonstrado pelos Republicanos anteriormente, nada garante que a nova menina dos olhos de Obama terá tramitação fácil no Congresso “avermelhado”. Ainda não ficou claro, também, quanto de seu capital político o presidente pretende queimar para resolver esta questão. Na teoria, ele poderia forjar o acordo com os líderes Republicanos. Na prática, porém, ambos os lados precisariam também convencer alguns de seus próprios colegas. Do lado dos Democratas, a oposição aos acordos de livre-comércio inclui grupos trabalhistas organizados e membros mais liberais do partido, incluindo a líder da Câmara que está de saída, Nancy Pelosi.

Na trincheira Republicana, diversos líderes têm uma forte tendência pró-acordos, incluindo o provável novo líder da Câmara, John Boehner. Outros dois líderes favoráveis aos acordos devem assumir posições centrais na nova Câmara: Dave Camp e e Kevin Brady. No Senado, a eleição de Rob Portman – que foi representante dos EUA para comércio exterior na gestão de Bush – também deve ajudar.

Mas os reforços não devem causar euforia. A presença dos recém-eleitos deputados e senadores do movimento Tea Party é um obstáculo grande para Obama. Além deles, a opinião pública está contra os acordos comerciais, imersa em uma situação de alto desemprego e um forte sentimento protecionista.

O fracasso na negociação com a Coreia do Sul – o acordo que era um dos principais objetivos de Obama na ida a Seul para o G-20 – representa um grande retrocesso para os planos do governo também em relação à América Latina. A falta de consenso tira a força que a administração Americana pretendia usar para negociar os termos de comércio com os países mais próximos. Foi, ainda, uma oportunidade perdida para melhorar as relações com o mundo dos negócios.

As negociações continuarão nas próximas semanas para tentar resolver os impasses relativos à exportação de carne e de automóveis para o Mercado coreano, assim como as restrições ambientais impostas pela Coreia aos fabricantes de veículos. O governo americano declara que não há pressa para concluir o acordo, e é melhor negociar com calma para que o documento contemple os interesses dos EUA. É uma aposta alta, já que um acerto EUA-Coreia do Sul seria um dos maiores desde a criação do NAFTA, em 1994. A Comissão de Comércio Exterior dos Estados Unidos avalia que as exportações cresceriam entre 10 e 11 bilhões de dólares por ano, enquanto as importações aumentariam cerca de 6 bilhões de dólares por ano devido ao acordo.

O que está em jogo na relação com a América Latina é muito menor, dado o tamanho das economias envolvidas. Na teoria, isso tornaria mais fácil chegar a acordos. Mas os parlamentares mostram-se pouco empolgados para debater os acertos, e o presidente não os enviou, ainda, ao Congresso para uma aprovação formal.

É possível que o plano fosse usar o acordo com a Coreia do Sul para levar a reboque os acertos com Colômbia e Panamá. Em seguida, incluir nações do Pacífico, como Nova Zelândia e Chile. Sem o trato com os coreanos, no entanto, o esforço para crier uma rede de livre-comércio fica adiado. Atualmente, os acordos dos EUA com outros países neste sentido são 17, respondendo por cerca de 43% das exportações americanas.

Ainda haverá oportunidades para assegurar a base necessária para novos acordos de livre-comércio no novo Congresso, mas isso só ocorrerá se a Casa Branca pressionar de maneira firme e urgente. Sem um compromisso político de Obama, há o risco de que os acordos comecem a minguar, enquanto a eleição presidencial de 2012 se aproxima.

Um desafio ainda maior sera reativar a Rodada de Doha, que emperrou em julho de 2008, por impasses nas áreas de agricultura e subsídios. Alguns especialistas acreditam que seria melhor buscar acordos individuais sobre questões como propriedade intelectual e serviços financeiros. Com a falta de acordo na cúpula do G-20, parece pouco provável que a rodada de Doha tenha uma solução tão cedo.

http://www.cartacapital.com.br/internacional/the-economist-fracasso-na-coreia-do-sul-ameaca-planos-para-livre-comercio-dos-eua

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