5 de junho de 2026

Bolsa de valores dispara 5,12% em dia de turbulência política

Delcídio e Lava Jato impulsionam negócios; Petrobras e Vale disparam

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Jornal GGN – Em dia de grande movimentação no noticiário político, o mercado financeiro teve um dia de forte euforia e ultrapassou o patamar dos 47 mil pontos. O Ibovespa (índice da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo) disparou 5,12%, aos 47.193 pontos e com um volume negociado de R$ 13,008 bilhões. O índice registrou sua maior alta percentual diária desde 29 de outubro de 2009, quando a Bolsa avançou 5,91%, e o maior valor de fechamento desde 24 de novembro do ano passado, quando fechou em 48.284,19 pontos.

Segundo informações da Agência Brasil, o cenário político foi o destaque do dia no Brasil, após a divulgação, pela revista IstoÉ, de uma reportagem sobre acordo de delação premiada que teria sido feito pelo senador Delcídio do Amaral (PT-MS). As informações da revista não foram confirmadas pelo senador, nem pelos advogados dele.

O mercado também acompanhou a votação da maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo recebimento de denúncia contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Caso a decisão se confirme, Cunha se tornará réu em ação ligada à Lava Jato. Também existem expectativas de que se inicie na sexta-feira uma nova fase da operação Lava Jato.

Em termos acionários, o destaque foram as ações da Petrobras, que registraram forte alta repercutindo o cenário político. As ações ordinárias da estatal (PETR3) subiram 12,47% e fecharam a R$ 9,11. As preferenciais (PETR4) tiveram alta de 16,28%, passando para R$ 6,57. Os papéis preferenciais estão no maior valor desde o início de janeiro. As ações ordinárias voltaram para o maior valor desde julho do ano passado. Segundo informações da agência de notícias Reuters, a movimentação de alta apurada ao longo do dia refletiu o desmonte e cobertura de posições vendidas, em especial de papéis com participação estatal.

As ações da mineradora Vale tiveram o quarto dia seguido de forte alta. Os papéis ordinários da Vale (VALE3) saltaram 9,85%, a R$ 15,62, e os preferenciais (VALE5) ganharam 9,71%, a R$ 10,96.

No câmbio, a cotação do dólar comercial caiu pelo terceiro dia consecutivo: a moeda norte-americana terminou em queda de 2,2%, a R$ 3,802 na venda – o menor valor de fechamento desde 10 de dezembro, quando o dólar havia encerrado a R$ 3,801, além da maior queda percentual diária desde 3 de dezembro (-2,26%). A divisa acumula queda de 5,02% em março e de 3,7% em 2016. Segundo informações da Agência Brasil, a moeda norte-americana operou em queda durante toda a sessão, mas o recuo intensificou-se durante a tarde.

Além da repercussão queda do dólar também foi influenciada pela percepção de que o Banco Central não deve cortar os juros tão cedo, após o Comitê de Política Monetária (Copom) manter a taxa Selic em 14,25% por seis votos a dois. Na mínima do dia, por volta das 15h30, o dólar chegou a ser vendido a R$ 3,788.

Para sexta-feira, os agentes aguardam a publicação da pesquisa industrial mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e os números de produção e venda de veículos da Anfavea. No exterior, destaque para o índice PMI (índice dos gerentes de compras, na sigla em inglês) do varejo na Alemanha e na zona do euro, além da balança comercial e dados de mercado de trabalho (payroll) nos Estados Unidos.

 

(com Reuters e Agência Brasil)

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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