4 de junho de 2026

O papel da pauta na velha mídia

“Ministros do TSE”, nenhum dos quais tem nome, “avaliam” fala de Lula no programa de Dilma como “inadequada”.

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Se Lula foi “inadequado” porque cargas dagua os ministros nao tem nome? So porque a historia eh inventada?

Unicas aspas atribuidas da historia: Cureau.

Marquem essas palavras: ela vai ser queimada cedo cedo pela media. 

Comentário

Típico do subjornalismo nacional. A repórter sai com a incumbência expressa de levantar declarações contra a aparição de Lula no programa eleitoral. Não é para apurar fatos, ouvir argumentos contra e a favor: é expressamente para levantar respostas já previamente definidas pelo aquário.

Não consegue nenhuma de Ministro do TSE. Recorre, então, a um genérico “ministros e ex-ministros”. Depois, diz que “nos meios juridicos” não há dúvida de que Lula pode. O problema é o “ar institucional”. O que é isso? Lula de gravata, usando linguagem sóbria é “ar institucional”? Os mesmos especialistas “não-sei-quem-nem-me-pergunte-qual” dizem que Lula não deveria se pronunciar sobre fatos sob investigação. Ele falou sobre a exploração política. E porque a necessidade de um “off” para comentário tão inexpressivo de “especialistas”?

Sou capaz de adivinhar a pauta. Foi mais ou menos assim:

1. Vamos conversar com Ministros e ex-Ministros do STE que condenam a participação do Lula no horário gratuito, falando sobre o escândalo da Receita.

2. Vamos ouvir especialistas que digam que, apesar da legislação não vedar a participação de Lula, ele deu um ar institucional ao seu pronunciamento.

3. Encontre especialistas que mostrem que Lula não deveria falar sobre episódios que estão sob investigação.

4. Ouvir a Sandra Cureau para que ela condene a participação de Lula no horário eleitoral.

Aí a repórter sai a campo e resulta a matéria apontada pelo Ivan.

Para ministros, aparição na TV foi ”inadequada”

Avaliação é de que Lula transmitiu a impressão equivocada de que fazia pronunciamento oficial como chefe da Nação

Mariângela Gallucci – O Estado de S.Paulo

Ministros e ex-ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliariam ontem que a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no horário eleitoral gratuito para defender a sua candidata, Dilma Rousseff, e atacar o tucano José Serra foi “inadequada” porque transmitiu aos eleitores a impressão equivocada de que ele fazia um pronunciamento oficial como chefe da Nação.

Lula ocupou mais de 20% do programa de Dilma veiculado na terça-feira.

Num ambiente sóbrio, mimetizando um espaço oficial, o presidente fez uma espécie de pronunciamento, no qual acusou a oposição de partir para o ataque pessoal e cometer baixaria.

“Nossa candidata Dilma tem feito uma campanha elevada, discutindo propostas, mostrando o que fizemos e o que ainda vamos fazer pelo Brasil”, afirmou Lula no programa do PT. “Infelizmente, nosso adversário, candidato da turma do contra, que torce o nariz contra tudo o que o povo brasileiro conquistou nos últimos anos, resolveu partir para ataques pessoais e para a baixaria.”

Ar institucional. Nos meios jurídicos, não há dúvidas de que Lula tem o direito de participar dos programas eleitorais de Dilma, que é a sua candidata e está no mesmo partido. O problema, na avaliação de especialistas, é quando ele tenta dar um ar institucional, de pronunciamento oficial, para atacar o principal adversário da petista. Outro detalhe mencionado pelos especialistas é que, como chefe do Executivo, Lula não deveria falar sobre episódios de quebra de sigilo que estariam sendo investigados no governo.

A vice-procuradora-geral eleitoral, Sandra Cureau, disse ontem que vai avaliar a participação de Lula no horário eleitoral. Segundo ela, no episódio da quebra de sigilo fiscal de tucanos, ainda é difícil comprovar intuito eleitoral no vazamento dos dados, “uma vez que essas informações ainda não foram devidamente usadas por nenhum partido na propaganda eleitoral”.

“Toda a dificuldade neste momento é demonstrar a conotação eleitoral”, explicou a vice-procuradora, argumentando que não há prova até o momento de que foi pedido pelo PT. “A única prova que tem é que o cidadão é filiado ao PT. As pessoas têm filiação com o partido da candidata, mas já que não foi usado, como é que a gente vai demonstrar que essas pessoas agiram a mando da candidata ou a mando do comando de campanha? A menos que apareça alguém dizendo isso, o que não aconteceu até agora.” 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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