4 de junho de 2026

Andréa Matarazzo abre o jogo sobre TV Cultura

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 “A TV Cultura é uma ficção”

Andrea Matarazzo (Foto: AE)

O secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, até agora estava calado sobre o choque de gestão anunciado pelo novo presidente da TV Cultura, João Sayad. Mas decidiu falar ao Poder Online. Matarazzo concorda com todo o plano de reestruturação de Sayad e explicou os motivos:

– A TV Cultura é uma ficção. É cool gostar da TV Cultura, mas ninguém assiste. A programação não está na grade de ninguém.

E mais:

– Vai manter a TV Cultura desse jeito para ser marcada pelo Cocoricó (programa infantil de maior sucesso da emissora)?

E continuou:

– São 80 milhões de reais para quê? Pagar salários de conselheiros? Aqueles conselheiros nem assitem à TV Cultura.

Matarazzo atacou o vice-presidente do Conselho, Jorge Cunha Lima, que disse que o perigo das mudanças anunciadas por Sayad era colocar a emissora pública não no século XXI, como prevê Sayad, mas “de volta ao século XIX”:

– Quem colocou a TV Cultura no século XIX foi ele que é vice-presidente do conselho e membro vitalício. As ideias do Sayad são boas porque abriu este debate.

Cunha Lima disse ao Poder Online que responderá Matarazzo em seu blog. 

Comentário

Todos os presidentes da TV Cultura nos últimos 16 anos foram indicados pelo governador do Estado. É curiosa essa confissão do Andréa sobre o fracasso de uma emissora que, antes desse desastre continuado, era um dos orgulhos de São Paulo. Antes da gestão Jorginho-Mendonça-Markun, era a emissora de maior respeitabilidade em todas as pesquisas realizadas em São Paulo.

Andréa parece ter seguido seu tutor: eliminou o superego de sua vida. Suas declarações são desastrosas.

Por Edson Joanni

Jorge Cunha Lima contesta Sayad: A TV CULTURA NÃO É UMA FICÇÃO

Do Blog de Jorge Cunha Lima

Quero esclarecer que elogiei ao presidente Sayad a nomeação de Marília Gabriela e que indiquei três vezes o nome do Alexandre Machado, meu colaborador no TV Mix, que já estava no Século XXI em 1997. O Conselho também elogiou a nomeação, apenas considerando que a excelente profissional faria melhor um programa ao vivo do que gravado. Eu, representando o Comitê de Programação, fiz ressalvas quanto a idéia de eliminar as gravações e transmissões ao vivo dos concertos da OSESP, a melhor orquestra sinfônica do Brasil, em favor da divulgação de concertos da Filarmônica de Berlim, cujos direitos de transmissão podem ser comprados a dois mil dólares. Da mesma forma, embora elogiando o acerto de transmitir os documentários do “É sempre verdade”, não aceitávamos a eliminação da transmissão dos documentários do DOC TV, o melhor projeto cultural do MINC. Consideramos ainda que o Metrópolis é o melhor programa de informação cultural da emissora e que nós víamos com apreensão a perspectiva de mudanças. Ao que fui informado, na hora que redigia este BLOG, o responsável pelo Metrópolis, Helio Goldstein já havia sido informado de sua transferência para outra posição na emissora.

De fato, consideramos que a veneração de grandes orquestras e filmes internacionais consagrados, em detrimento de produtos da cultura nacional, ainda que de produção mais modesta, é uma volta ao conceito da grande cultura erudita, praticada no fim do século XIX.

Essa observação de caráter puramente crítico levou o secretário Andréa Matarazzo a deslocar-me para o mesmo século XIX e afirmar que a TV Cultura é uma ficção, leia-se: uma mentira. Levou-o a desqualificar o Cocoricó, o melhor programa infantil produzido depois do Castelo Ra Tim Bum, . Desconsiderar o Conselho, dizendo que os membros que não assistem nada e ganham salários. Ninguém ganha salário no Conselho, além do presidente e isso por decisão do representante do Ministério Público. Quando fui Presidente do Conselho também ganhei salário e trabalhava em tempo integral na TV, na cruzada em prol de uma TV pública independente, no Brasil e no exterior. Ganhei salário, da mesma forma que Andréa Matarazzo recebe salários em seus cargos desde que foi presidente da CESP. Os comites trabalham com desprendimento e pro bono e os pareceres produzidos pelo Comitê Jurídico custariam uma fortuna para a Fundaçao, se feitos por escritórios de advocacia.

A TV Cultura não é o caos que se deseja vender. Ainda é a melhor televisão pública do Brasil. A que mais se aproxima dos ideais proclamados no primeiro fórum de televisões publicas, realizado em Brasília. E ainda será melhor e mais respeitada, quando os políticos respeitarem a lei que criou a Fundação Padre Anchieta que afirma que ela tem um Conselho política, intelectual e administrativamente autônomo.

A Folha de São Paulo publicou matéria “O Furação Sayad” no jornal de segunda feira. Em desacordo com o que foi publicado a respeito de declarações minhas e das ausências imperdoáveis numa entrevista de duas horas, enviei carta ao jornal, que até agora não foi publicada. De qualquer forma, publicarei copia da mesma neste BLOG, ainda esta semana. 

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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