20 de junho de 2026

Comunismo à moda da casa

Netinho de Paula se lança ao Senado para construir o “comunismo brasileiro”, um sistema, diz ele, mais inspirado em Lula do que em Marx 

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Numa época em que o comunismo anda em baixa no mundo, ele diz que se filiou ao PC do B, em 2006, para ajudar a construir “o comunismo brasileiro”.

“Não o comunismo de Lênin, de Marx, de séculos passados”. Mas o de Lula, por exemplo. “O que o presidente fez nesses oito anos pode se chamar, sim, de comunismo brasileiro. É o empresário feliz e o trabalhador também contente, sabe?”

Netinho acredita que é comunista desde criancinha. “O pobre já nasce comunista. Ele não vê a hora de poder ter acesso às coisas, de usufruir, de receber, de conhecer.” Órfão de mãe aos 11 anos, vendia doces na estação de trem de Carapicuíba, para ajudar o pai no sustento da casa.

“Pra quem não gosta de mim, tudo é motivo: se não é porque tô no Partido Comunista, é porque sou pagodeiro. Se não é porque sou pagodeiro, é porque sou comunista.” O povo, diz, está “mais maduro, entende um pouco que essa coisa de comer criancinha nunca existiu”. Já os comunistas…

Netinho diz que, quando chegou ao PC do B, pelas mãos do amigo e ministro Orlando Silva, do Esporte, viu narizes torcidos. “Tinha uma coisa assim: “Netinho comunista? Pagodeiro comunista?'”. Ele foi aprendendo. Frequentou o curso de teoria política do partido e leu sobre “Marx, Engels, Weber e Maquiavel”. Também se matriculou na faculdade de sociologia, que trancou para se dedicar à campanha.

“Lindo, tesão, bonito e gostosão!”, gritam sete meninas, cercando o Corolla preto que transporta Netinho pelas cidades da região que visita neste dia -Sorocaba, Votorantim e Salto. “É o Lula!”, grita uma delas. “Não, é o Netinho!”, diz outra. “Ai, meu Deus, é sério! É ele!”

Em poucos minutos, dezenas de pessoas, a maioria mulheres, se aglomera ao redor do candidato para uma caminhada. Ele tira fotos, ganha um pacote de granola, cartinhas. Dá autógrafos em santinhos e em jornais do PC do B, que os assessores distribuem dizendo que é “o jornalzinho do Netinho”.

“As pessoas não vão jogar o jornal fora, porque está assinado”, ensina. A confusão é grande. “Vai atrás dele pra bandeira sair nas fotos. O importante é aparecer o vermelhão [cor do partido]”, diz um assessor a outro que carrega a bandeira do PC do B. “Meu Deus, minha mão tá doendo. Levei até beliscão no pandeiro!”, diz Netinho.

Eleito vereador com 84 mil votos em 2008, Netinho sonha alto. “Não sei o que o destino me reserva. Mas, se eu conseguir ser eleito, desempenhar um bom papel no Senado, naturalmente você já é colocado num protagonismo político.” Até à Presidência da República ele admite que um dia pode concorrer. “O céu é o limite.”

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1107201006.htm (para assinantes UOL e Folha de S.Paulo).

 

 

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