4 de junho de 2026

Sobre Lula, Elis e Cássia Eller, por Patrick Mariano

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Sobre Lula, Elis e Cássia Eller

por Patrick Mariano, especial para o Viomundo

Em 27 de janeiro de 1982, a revista Veja estampava na capa a morte de Elis Regina. Como título, em letras quase do mesmo tamanho da sua própria foto, o seguinte texto “A tragédia da cocaína”. E nada mais.

Vinte anos depois, a mesma revista ilustrava a morte da cantora Cássia Eller.

Da mesma forma com que tratou Elis Regina, a revista disse em letras garrafais “Drogas mais uma vítima – A polícia suspeita que um coquetel de drogas, álcool e remédio matou a cantora que havia dois anos lutava para se livrar da dependência de cocaína”

Era somente isso que a revista tinha a dizer sobre essas duas monumentais artistas? Pior, irresponsavelmente, cravava, sem qualquer amparo fático ou laudo médico, a causa da morte dias após sua ocorrência.

Ainda que fosse a causa, o que depois não se comprovou – Cássia teve um infarto do miocárdio em decorrência de estresse e sobre Elis vale ler o texto de Cynara Menezes, mencionado nas notas – a forma como a revista as tratou revela o tamanho da sua cretinice.

Revela, porém, um pouco mais. Uma tentativa clara da revista em tentar destruir ídolos nacionais, seja por atuar como abutre sobre a tragédia para vender o sórdido, seja por que ideologicamente interessa que o País não tenha ídolos ou que estes sejam aqueles mais adequados ao seu pensamento político.

É o que se passa agora com o ex-presidente Lula. Incontáveis capas da revista pedem sua prisão de forma desvelada. Inclusive se valendo de montagens com roupa de presidiário ou algemas sem o mínimo respeito à ética profissional.

Tentam destruir a imagem de uma referência nacional com ilações, conjecturas e mentiras, assim como açodadamente fizeram com Elis e Cássia.

Aliás, a mesma revista mantém “colunistas” que se esmeram em tentar destruir a obra de Chico Buarque. Há uma evidente negação ou deliberada ação de atingir símbolos da arte e da política que não guardam afinidade com o seu pensamento ideológico.

Uma revista que a única coisa que tem a dizer sobre Elis Regina no dia da sua morte é “drogas mais uma vítima”, tem a deletéria função de espalhar mentiras, viver de boatos e tentar apagar a história que não lhe interessa, como se fosse um integrante do estado islâmico dinamitando monumentos históricos.

Quanto a Lula, por óbvio, deve ter ficado claro os limites da sua política de conciliação de classes e o erro de não ter pautado o debate sobre a regulação da mídia, mas isso é outra questão.

Vivemos sob o império da mentira. Basta, portanto, que ela integre uma delação premiada. Nada é conferido, não há o benefício da dúvida, inexiste apuração jornalística minimamente séria. Basta que alguém mencione algo e isso vai para a capa.

O instituto da delação premiada se tornou para o direito processual penal, na prática, a institucionalização do jornalismo da VEJA nos autos. Esse tipo de jornalismo preguiçoso, maledicente e irresponsável agora rege os atos processuais de juízes celebridades.

E o direito constitucional à defesa e ao contraditório é relegado e sufocado com capas e mais capas de revistas que nunca tiveram, nem nunca terão, qualquer apreço pela ética profissional.

De Lula já se disse tudo. Que era comunista, tinha um aparelho de som 3 em 1 em casa, que era um bêbado e analfabeto. O filho do dono de um grande jornal chegou a lhe perguntar como queria ser presidente do Brasil se não sabia falar inglês.

São esses preconceitos e ódios que estão no cerne do ataque ao ex-presidente que agora paga um preço pela ingenuidade política de acreditar ser possível romper abissais fossos estruturais da sociedade brasileira agradando a todos. Mas, até onde se saiba, ingenuidade não é crime algum.

O que a revista Veja não consegue entender é que Lula não é um produto artificial. Foi construído sobre caminhões, comícios improvisados e caravanas pelo sertão do Brasil. Representa o que o brasileiro tem de mais autêntico. A capacidade de improvisar, a sensibilidade de chorar em público e o carisma quase messiânico de quem sabe o que é passar fome. É um ícone para muitas gerações e continuará sendo, independente de suas malfadadas capas.

Com erros e acertos, Lula foi capaz de reduzir a distância entre o brasileiro mais simples e a liturgia do poder, por isso incomoda tanto.

Destruir símbolos e monumentos da história política e cultural de um país tem um preço muito alto que é o de dinamitar referenciais e o próprio sentido de um povo. É como deixar um país sem luz ou norte, ambiente propício para o ressurgimento de fantasmas autoritários adormecidos.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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20 Comentários
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  1. Manubhz

    13 de fevereiro de 2016 4:39 pm

    Faltou Cazuza e as fotos no interior da revista, deve ter outros

     

    A Veja matou Cazuza en vida em 1989

  2. Thal Caló

    13 de fevereiro de 2016 4:51 pm

    Veja foi e sempre será um lixo

    Veja foi e sempre será  um lixo tal como a Globo. E fétido !

    1. Carlos P.

      13 de fevereiro de 2016 6:46 pm

      Seja Justo com as outras mídias

      Não é só a Veja e a Glono não. Estão juntos, Estadão, Folha de SP, UOL, todos jornais de grande circulação, revistas como Visão, Época, Isto é, além da TV aberta toda SBT, Bandeirantes, Record, Cultura e até TVs  religiosas católicas estão com jornalismo parcializado, politico partidário e, pior, descaradamente no mais baixo nivel de bandidagem. Tenho vergonha da grande maioria dos nosso jornalistas que se submetem a essas normas mesmo que seja para sobreviver, pois equiparam-se a criminosos e lugar de bandido que espalha mentiras em nível poilitico partidário é na cadeia. Que absurdo!! 

  3. BetoPettinato

    13 de fevereiro de 2016 4:53 pm

    Não bastasse já a Globo

    Destruir simbolos nacionais, minar o patriotismo, semear a desesperança e estabelecer como padrão, o desprezo pela cultura e costumes nacionais…

    Enfim, essa é a missão desse panfleto neoliberal financiado pelos interesses do rentismo internacional e cuja socia-proprietária é uma corporação afrikaner defensora ativa do Apartheid. Só isso… E ficam irados quando chamados de fascistas.

    Por isto creio indispensável a defesa permanente de uma politica nacionalista de conteúdo, antes de que Hollywood, tome o controle total.

  4. anarquista sério

    13 de fevereiro de 2016 5:18 pm

    Pra mim, Elis e Angela Maria

    Pra mim, Elis e Angela Maria foram as melhores cantoras brasileiras–com Claudia muito perto delas: a que canta Evita e não a Barroso.

        Li por aí que foi sua última gravação antes de falecer. Será verdade ?

           A BAM BAM BAM 

                 https://www.youtube.com/watch?v=t08AusBApQA

  5. Armando Falo

    13 de fevereiro de 2016 6:04 pm

    E porque o governo não cortou
    E porque o governo não cortou as bilionárias verbas de publicidade e os contratos com estatais dessa fábrica de fascistas da Veja/Abril, da Globo, da Folha, do Estadão,da Globo, da Band, das rádios e emissoras do PIG em geral?
    Continuaram alimentando o monstro até quando?

    1. Jose de Almeida Bispo

      14 de fevereiro de 2016 1:12 am

      Agora… agora você meteu o

      Agora… agora você meteu o dedo bem no meio da ferida.

      Você ser obrigado – só assisto assim – a assistir a vinheta de entrada do Bom(?) Dia Brasil da Rede Globo de Televisão, ancorada numa propaganda de patrocínio (as mais caras que existem) do Banco do Brasil, sabendo – e tendo a comprovação logo a seguir – que, na melhor das hipóteses eles vão mais uma vez tentar jogar a economia do país no poço, e de quebra, chamar o governo e o PT, que é o governo, de ladrão… é f…! Dá vontade de pegar alguns ramos de cansanção e sair dando lapoadas em tudo que é petista que se encontrar pela frente,  que tenham cargos no governo! E não me venham com cantilenas de “republicanismo”, porque eu cuspo-lhe na cara; nem mesmo com alegações de que o Banco do Brasil é uma empresa mista, porque, no dia que o Governo tirar a folha de pagamento (parte) do funcionalismo do banco, ele quebra. Basta isso!

      (Pros que não conhecem, cansanção é uma planta de folhas urticantes, altamente venenosa, que ao simples toque logo se formam terríveis bolhas, numa coceira dos diabos)

    2. Ana Bednarski

      14 de fevereiro de 2016 3:01 am

      Porque as leis da comunicação são feitas pelo legislativo

      para ser mais precisa pelo Senado, me diga, quantos senadores possuem TV e transmitem o sinal da #GloboGolpista? A regulamentação da midia só sai com MUITA pressão popular ou se esses senadores donos de radio e TV não se elegerem . A unica mudança que o executivo fez foi aumentar a fatia de outros meios mais alternativos ( na epoca que o Zé Dirceu era da casa cívil), mas ai deu no mensalão, cujo enredo provavelmente foi montado dentro dos escritórios da #GloboGolpista.

  6. leandro oliveira

    13 de fevereiro de 2016 6:29 pm

    Militares

    Os heróis são os militares … eu li na veja … 

  7. altamiro souza

    13 de fevereiro de 2016 7:23 pm

    artigo irretocável….

    artigo irretocável….

  8. Jair Fonseca

    13 de fevereiro de 2016 7:43 pm

    Primeiramente, trata-se de

    Primeiramente, trata-se de desrespeito total às pessoas mortas e a seus familiares, e a alguém que estava muito doente, no caso de Cazuza. Esse tipo de exploração da desgraça alheia revela bem que a falta de escrúpulos dessa merda de revista vem de longe.

  9. revenger

    13 de fevereiro de 2016 8:21 pm

    Até hoje em publicações

    Até hoje em publicações sérias se afirma que Jimi Hendrix morreu de overdose. Mas, pesquisando um pouquinho, se nota que morreu em circunstâncias muito estranhas, mas sem cocaína!

    E assim caminha a humanidade…

  10. Marcos K

    13 de fevereiro de 2016 10:59 pm

    E qual a novidade? A Abril é

    E qual a novidade? A Abril é cria dos norte-americanos que tem o claro objetivo de defender os interesses dos norte-americanos. Só não vê quem não quer.

  11. Carlos Souza

    13 de fevereiro de 2016 11:38 pm

    Eu segui o conselho do Caetano Veloso

    Eu nem me lembrava mais porque não lia  a revista veja. Esse post, com a capa da morte da Elis me trouxe a imagem de imediato.

    Logo após o falecimento de Elis e a capa safada da veja, que me deu engulhos, vi o Caetano dando uma entrevista na televisão  primeiro mencionando vários grandes artistas do mundo que usaram drogas, mostrando que não era isso que os definia, em seguida mencionava os filhos de Elis dizendo que eles deveriam se orgulhar da mãe e sua arte. Terminava com uma frase simples “feche a revista”. Foi o que fiz. Nunca mais abri uma revista veja. 

  12. Marciano

    14 de fevereiro de 2016 12:40 am

    As comparações são absurdas.
    As comparações são absurdas. Um presidente é eleito pelo povo e deve governar pelo povo. Pelos reais interesses da nação, o que lula ou Dilma já fizeram em 12 anos????? VC responde. Ao invés de dar cultura e educação, trabalho com dignidade criação cartaozinho plastificado e criaram vagabundos. Ninguém quer esmola, nenhum país cresce tirando de um pra dar para outro. E onde fica ou quem responde pela má gestão e incompetência generalizada???? Nada tem com as duas grandes cantoras. Nos pagamos salários e mordomias para o governo e a quem ele está servindo? Basta olhar a indecência que está a nação. Chega de se fazer de vítimas, lula e Dilma.

    1. Marlene Alves Pinheiro

      14 de fevereiro de 2016 5:56 pm

      Revista Veja

      Nada há dee absurdo nas comparações, entenda que o jornalista diz  que a VEJA torce pela destruição de símbolos positivos para  o  povo brasileiro. Fazem reportagens sem provas, difamam e caluniam.

  13. Jose de Almeida Bispo

    14 de fevereiro de 2016 1:04 am

    Como diz o Leandro Karnal,

    Como diz o Leandro Karnal, não existem dúvidas sobre quem lê a Veja: é nazi-fascista mesmo! Ou tapado!

  14. altamiro souza

    14 de fevereiro de 2016 3:47 pm

    a veja é farscisa ha

    a veja é farscisa ha tempos…

  15. Joao Maria

    15 de fevereiro de 2016 1:54 pm

    … e sobre o helipoptero,

    … e sobre o helipoptero, com 450 kg de pasta basica de cocaina, a veja mostrou na capa?

  16. Elias Salé

    16 de fevereiro de 2016 12:19 am

    Capas de Veja

    Teve outra ocasião sórdida de reportagem da Veja com maledicências sobre grande nome da cultura brasileira: Milton Nascimento. Estava muito magro uma época e veio uma reportagem de miolo insinuando mil e uma coisas sórdidas, sem nenhuma prova, coisa chula mesmo. O talentosíssimo cantor declarou depois que passou a ter repugnância da publicação, posi sequer foi procurado para comentar o assunto de sua intimaidade, em mero exercício de fofoca rasteira.

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