5 de junho de 2026

Juros do cartão de crédito chegam a 431% ao ano

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Jornal GGN – As taxas de juros do rotativo do cartão de crédito e do cheque especial (crédito tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura) encerraram 2015 em alta, de acordo com dados do Banco Central (BC). A taxa de juros do rotativo do cartão de crédito subiu 16,1 pontos percentuais de novembro para dezembro, quando atingiu 431,4% ao ano. Em relação a dezembro de 2014, a alta é de 99,8 pontos percentuais. Essa é a maior taxa já registrada na série histórica do BC, iniciada em março de 2011.

A taxa média das compras parceladas com juros, do parcelamento da fatura do cartão de crédito e dos saques parcelados subiu 1,4 ponto percentual, de novembro para dezembro, quando ficou em 136,2% ao ano.

A taxa do cheque especial chegou a 287% ao ano em dezembro, com alta de 2,1 pontos percentuais em relação a novembro. O valor é o mais alto desde abril de 1995, quando estava em 288% ao ano. Na comparação com dezembro de 2014, a alta chegou a 86 pontos percentuais. A taxa do crédito consignado (com desconto em folha de pagamento) subiu 0,4 ponto percentual para 28,8% ao ano, de novembro para dezembro. Já a taxa do crédito pessoal caiu 2,8 pontos percentuais para 117,6% ao ano.

Nas contratações com pessoas físicas, a taxa média decresceu 0,8 ponto no mês e aumentou 7,2 pontos em doze meses (+1,6 pontoem 2014), situando-se em 37,9% ao ano. No crédito livre, a taxa alcançou 63,7% ao ano, com declínio de 1,1 ponto percentual no mês, refletindo a redução de 2,8 pontos no crédito pessoal não consignado. No crédito direcionado, a taxa média situou-se em 9,7% ao ano (-0,3 ponto), ressaltando-se a redução de 0,5 ponto na taxa média dos financiamentos imobiliários.

Nos empréstimos às empresas, a taxa média situou-se em 20,9% ao ano, com redução de 0,3 ponto no mês e alta de 4,4 pontos no ano (+0,8 ponto percentual em 2014). No crédito livre, a taxa declinou 0,2 ponto no mês, para 30% ao ano (desconto de duplicatas: -1,8 ponto), enquanto, no direcionado, recuou 0,5 ponto para 10,1% a.a. (financiamentos para investimentos do BNDES: -0,6 p.p.).

O spread bancário referente às operações com recursos livres e direcionados diminuiu 0,7 ponto no mês, mas aumentou 3,8 pontos no ano (+1,1 ponto em 2014), alcançando 18,7 pontos percentuais. Os indicadores relativos aos segmentos de pessoas físicas e jurídicas situaram-se em 26,6 pontos percentuais (-0,8 ponto) e 9,9 pontos percentuais (-0,6 ponto), respectivamente. O spread alcançou 32,1 pontos percentuais (-1,2 ponto no mês) no crédito livre e 3,4 p.p. (-0,1 p.p.) no direcionado.

Essa redução na taxa média em dezembro ocorreu porque menos consumidores usaram o cheque especial. O cheque especial tem as maiores taxas entre as pesquisadas pelo Banco Central. Segundo informações da Agência Brasil, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, disse que em dezembro é comum haver redução no uso do cheque especial porque os trabalhadores recebem o décimo terceiro salário. “Isso ocorre todo ano. Infelizmente ao longo do ano acaba subindo novamente [o uso do cheque especial]. Aconteceu no rotativo do cartão de crédito também, mas em menor intensidade. Isso acaba impactando a taxa média de juros”, explicou Maciel.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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4 Comentários
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  1. JB Costa

    27 de janeiro de 2016 11:30 pm

    Inexiste em todo o arcabouço

    Inexiste em todo o arcabouço do Conhecimento humano nada, absolutamente nada, que explique taxas de juros no nível de 431% a.a numa inflação de 10% a.a,  bem como qualquer tipo de Moral, mesmo a de reles e abjetos meliantes, que JUSTIFIQUE tamanho despautério. 

    Pessoas que se submetem a isso, com todo o respeito e compreensão que merecem, deveriam se submeter a tratamento psiquiátrico porque acometidos pela doença da prodigalidade. Já os do lado de lá do balcão, presos.

    Com que cara esses financistas se apresentam para seus próprios filhos e filhas? Por que o “nosso belo quadro social” não se escandaliza com isso? Por acaso não seria mais imoral que um beijo gay na TV? Não equivaleria a uma corrupção? 

  2. robertopivante

    28 de janeiro de 2016 10:48 am

    A culpa é de quem?

    E para o cidadão médio que se morre pagando juros a culpa da vida dificil é do governo. Assim fica impossível ser feliz.

  3. altamiro souza

    28 de janeiro de 2016 12:12 pm

    como disse un humorista

    como disse un humorista morte-americano, se não me engano,

    h.l.mencken,

    no inicio do seculo passado,

    melhor que roubar um, é fundar um banco….

    melhor mesmo é poupar cada mes durante toda a vida

    e passar a comprar só a vista…

    é o que fiz e o que faço…

  4. leonidas

    28 de janeiro de 2016 5:28 pm

    Crime contra economia popular

    Quem pratica esse tipo de taxa ( todo o mundo financeiro e poder publico com seus bancos ) são tão ladrões como os traficantes de cocaina…

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