5 de junho de 2026

Lava Jato: museu de grandes novidades, por Antonio Dornas

O que representa e o que pode vir a representar a operação lava-jato, em particular a figura do seu principal protagonista, o juiz federal Sérgio Moro.

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por Antonio Dornas

A trajetória política dos presidentes Jânio Quadro e Fernando Collor de Melo irá auxiliar na construção de cenário que sirva de referência para nossa reflexão.  Nestas, a primeira e importantíssima relação a se estabelecer é o fato deles ganharem destaque político em momentos de crise e construírem um discurso que cativa instantaneamente a justa revolta da população com a corrupção.

Iniciam sua carreira com pouco prestígio a nível nacional, mas têm um álibi: combater de uma forma “heroica” a corrupção sistêmica que contamina o ambiente político brasileiro. Aliando artifícios polêmicos e atitudes autoritárias conseguem fixar esta ideia no imaginário das pessoas e daí decorre a popularidade que adquirem. A tal ponto que, em certas circunstâncias, as pessoas se sentem intimidadas e incapazes de apontar publicamente as contradições que lhes são tão próprias. Somente o tempo revela que eles são como moedas falsas, sem valor, porque suas iniciativas não perenizam. Como na citação bíblica, são como sementes lançada ao chão seco, não criam raiz. Isto não significa que eles não o quisessem verdadeiramente, mas que, ainda que o quisessem, não poderiam.

Isto se explica pelas forças que sustentaram estes projetos políticos, das quais três pilares se destacam.

Primeiro, de uma forma explícita a imprensa cumpre o papel de ancorar a opinião pública, ressaltando feitos de certa relevância impetrados e impedindo ou amortecendo o afloramento dos fatos negativos relacionados às distintas figuras.

Segundo, de uma forma menos evidente, mas não menos importante, feudos dos quais estas figuras emergem e que, em seu entorno se aglutinam, amotinam, conluiam e conspiram. Aí eles iniciaram sua trajetória.  Como pares, se conhecem, sabem dos esquemas espúrios, dividem o quarto dos conchavos, e, na medida em que tais figuras alcançam sucesso, passam a identificar neles referência, orgulho e prestígio para seu orbe que assim se descobre ainda mais poderoso. No enredo de vaidade e descaso com o interesse público que as elites brasileiras se chafurdam, chegam a causar ranhuras em seus pares. É necessário então reunirem-se secretamente para acertar detalhes, aparar arestas, um processo típico de máfia que não tem nada a ver com política (que por natureza deveria ser pública).

Por fim, a direita, frustrada e derrotada em várias circunstâncias, a partir de um determinado momento passa a identificar na oportunidade a possibilidade de finalmente chegar ao poder.

A esta altura o leitor atento, e mesmo aquele que nem tanto o seja, já terá percebido onde quero chegar. A operação lava-jato, sob a batuta do juiz Sérgio Moro, segue basicamente o mesmo roteiro que levou estes dois à presidência da república. Hoje onipresentes, os operadores da lava-jato podem contestar tudo e todos, menos contrariar interesses daqueles a quem eles verdadeiramente servem (os donos do “esquema”). Eventualmente, sinalizam manobras para tentar se desvencilhar desta tutela, mas na sequência, tem que se conter.

Do alto, Sérgio Moro emite sentenças polêmicas, a tal ponto que o presidente Lula foi obrigado a buscar no exterior segurança jurídica, direito básico de todo cidadão. Mas sua excelência conta com dois trunfos. Primeiro, a opinião pública que se identifica com sua autoridade (ou autoritarismo) diante de crimes que ele aponta e pune de pronto o que, convenhamos, é raro no país. Segundo, pelo apoio, prestígio e principalmente pelo “espírito de corpo” que domina a magistratura brasileira.

No imaginário popular, além de ética, trata-se de pessoa supercompetente, pelo que gera edições e edições de biografias. Uma falácia na verdade, apesar de, incontestavelmente, contar com predicados em algumas atividades particulares de sua vida pública. Predicados estes que não sustentam, por outro lado, a condição de estadista que tentam lhe conferir. É este o motivo pelo qual, se por um lado, hoje ele promete ser imbatível e perene, na verdade, ele não se manterá como protagonista por longo período na história.

É esperar pra ver.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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2 Comentários
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  1. Cunha

    13 de agosto de 2016 12:13 pm

    Porque tanto ÓDIO do MORO à

    Porque tanto ÓDIO do MORO à ODEBRECHT? Por Francisco Costa

    http://www.ocafezinho.com/2016/08/11/porque-tanto-odio-do-moro-a-odebrecht-por-francisco-costa/

     

    Se observarmos a lista de empreiteiras doadoras de campanhas eleitorais, veremos que a Odebrecht aparece em sétimo lugar e assim mesmo doando fração do que doaram as demais (OAS, UTC, ECOVIX, QUEIROZ GALVÂO, TOYO SETAL e ANDRADE GUTIERREZ, pela ordem, sendo que a OAS sozinha doou mais que todas as demais, juntas, a partir do sétimo lugar).

    O que justificaria então essa fome de destruir a Odebrecht, de Washington e Moro?

    A Odebrecht é hoje uma das maiores e mais importantes empreiteiras do mundo, tocando obras em todos os continentes, em concorrência direta com as empreiteiras norte-americanas e européias.
    Quando os Estados Unidos covardemente invadiram o Iraque, matando mais de 100 000 civis e destruindo o país, justificando-se nas calúnias de que Saddam Hussein estava fabricando armas atômicas, químicas e biológicas (não encontraram sequer indícios disso) a Odebrecht era praticamente empreiteira única no Iraque, construindo gasodutos, refinarias de petróleo, estradas, conjuntos habitacionais… Dando emprego à mão de obra brasileira, levada para lá, para ter salários em petrodólares, e trazendo divisas para cá.

    Destruído o país, com a Odebrecht fora, todas as obras da empreiteira brasileira foram herdadas pela empreiteira da família Bush, que está “reconstruindo o país”, recebendo em petróleo.
    Se este é um bom motivo para os norte-americanos desejarem o fim da Odebrecht, há outro, muito maior, o know how da empresa, o seu acervo de conhecimentos científicos e tecnológicos.

    Em qualquer país do mundo em que se fale na construção de refinarias de petróleo a Odebrecht é imediatamente lembrada, não só como empreiteira, executora das obras, mas como planejadora.
    Grande parte dos conhecimentos de prospecção e extração de petróleo em águas profundas, além da Petrobrás, está nas mãos da Odebrecht.

    A Odebrecht é praticamente a única empresa não estatal, no mundo, que tem o domínio do ciclo completo do Urânio, desde a sua mineração, no subsolo, purificação, enriquecimento e uso, seja para fins pacíficos ou bélicos (é a Odebrecht que está construindo a Usina Nuclear de Angra III, é a Odebrecht que está construindo, junto com os franceses, o nosso primeiro submarino atômico, estando em condições de construir a bomba atômica, bastando o governo dar o sinal verde).

    Destruir a Odebrecht é questão estratégica para os Estados Unidos.

    O Juiz Sérgio Fernando Moro, da primeira instância, em Curitiba, o responsável pela chamada Operação Lava Jato, esteve na Câmara dos Deputados, ocasião em que repetiu Estados Unidos 38 vezes, colocando este país como modelo político, jurídico e constitucional para o Brasil.

    Do outro lado, em delação premiada, Marcelo Odebrecht afirmou que deu vinte e três milhões de reais ao Ministro do Exterior, José Serra, dez milhões de reais ao Presidente interino, Michel Temer, e cinco milhões ao Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, em espécie, dinheiro vivo.

    Mais disse, que José Serra lidera uma quadrilha internacional que age contra os interesses brasileiros, o que era desnecessário dizer, basta ler o livro “A Privataria Tucana”, do jornalista Amaury Júnior, contendo reprodução de documentos capazes de colocar Serra na cadeia por algumas décadas, por alta traição ao país.

    A acusação de Marcelo bate com outras, principalmente a feita por Fernando Baiano, lobista do PMDB, de que todo o dinheiro saído da Petrobras passou por Madrid, sob a coordenação do marido de uma cunhada de Serra, segundo Baiano, um testa de Ferro de Serra.

    Aliás, este é o país dos Fernandos: Collor, Henrique Cardoso, Baiano, Beira Mar e Moro.
    É sintomático que a Lava Jato não se debruce sobre o mercado financeiro, fonte de corrupção maior que a da Petrobras; sobre a mídia, corrupta, corruptora e sonegadora, ficando na Petrobras e nas Usinas Atômicas, anunciando que avançará sobre o setor elétrico, limitada ao setor energético, a espinha dorsal de qualquer país.

    Na Câmara dos Deputados, recebido de pé e sob aplausos, pelos corruptos que tem isentado na Lava Jato, Moro, depois de cantar loas aos Estados Unidos, diante da pergunta do deputado Paulo Pimenta, do que aconteceria nos Estados Unidos se um juiz de primeira instância, sem ordem judicial, gravasse conversa telefônica entre o ex presidente Bill Clinton e o presidente Barak Obama, como aqui foi feito em telefonema entre o ex presidente Lula e a presidente Dilma, o farsante pediu licença, avisou que o tempo estava esgotado, e como rato diante de gato, fugiu, abandonando o recinto.

    Isto explica o poder que ele, junto com Gilmar Mendes, têm sobre o STF.

    A Lava Jato é um posto avançado dos Estados Unidos e Moro o seu comandante, fiel aos princípios e interesses dos seus chefes.

    Quanto às propinas pagas a Serra, Temer e Padilha, entre outros, isso não vem ao caso, não considerar faz parte da doutrina jurídica praticada por Moro, e que será o mote do próximo artigo.

  2. Maria Rita

    13 de agosto de 2016 2:10 pm

    Para acabar com a terra em

    Para acabar com a terra em que nasceram, com as riquezas que foram construídas com o suor do povo brasileiro, esse povinho curitibano não lava nem as mãos como o fez Pôncio Pilates. É a legítima operação mãos sujas.

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