o fato é que está se delineando um novo quadro político no país, uma espécie de ‘luz ao final do túnel’ como há muito não se via.
Francisco Fonseca – Prof. da FGV/Eaesp e PUC/SP
Embora a conjuntura política brasileira permaneça extremamente fluida desde o início do ano, com lances e contralances diversos em distintas direções, os acontecimentos da última semana aparentemente são promissores ao Governo Dilma, uma vez que ganhou musculatura para virar a página das crises intermináveis que estamos vivenciando dramaticamente.
Mesmo correndo-se o risco de a análise abaixo ser abalroada pela multiplicidade de atores, pontos de veto e novos lances, o fato é que está se delineando um novo quadro político no país, uma espécie de “luz ao final do túnel” como há muito não se via.
O conjunto de fatos – conjugados – a seguir apontam nessa direção, embora não sem contradições:
1) Do ponto de vista institucional: a decisão do STF de revogar essencialmente as deliberações dos golpistas no Congresso, lideradas por Eduardo Cunha, com toda sorte de manobras, atentados ao regimento e sobretudo à Constituição traz, sem dúvida, alento para se barrar o “golpe parlamentar” em andamento desde a divulgação do resultado eleitoral que proclamou Dilma presidente da República. Embora algumas decisões do STF, caso do modus operandi de todo e qualquer processo de impeachment, sejam questionáveis, notadamente quanto ao quórum da Câmara e do Senado à admissibilidade e julgamento do chefe do Executivo, assim como o fato de manter na presidência da Câmara um parlamentar (Cunha) cujas provas materiais – apontadas o procurador-geral Rodrigo Janot – são inquestionáveis a ponto de intitulá-lo como “chefe de quadrilha”: apesar dessas, e outras contradições, o fato é que a manobra golpista de Cunha, Temer e parte do PMDB, do PSDB/DEM e outros, foi derrotada nesse momento. Não bastasse isso, espera-se que as Operações Lava Jato e Zelotes, entre outras, em algum momento cheguem ao PSDB/DEM/Mídia, uma vez que profundamente enlameados, em distintas situações, com mecanismos ilegais, conforme diversas evidências vêm apontando, embora sem ações institucionais efetivas até o momento.
2) Do ponto de vista das forças políticas partidárias, a clareza do golpismo de Temer, que borrou sua história de maneira inexorável, condenando-o definitivamente ao esquecimento; a agonia de Cunha, cujo processo de cassação de seu mandato finalmente avançou no Conselho de Ética, e cuja perda do mandato e quiçá prisão está por poucos meses (embora sua liberdade e poder no Parlamento jamais possam ser desconsiderados); a potencial fragilização de Renan, em razão da quebra do sigilo fiscal e bancário pelo STF, cujas consequências políticas ainda são desconhecidas; e a obtusa atuação do PSDB, do DEM, e de figuras patéticas como Paulinho da Força e tantos outros cuja estatura política nunca houve ou vem derretendo inexoravelmente. Todos esses aspectos são de extrema importância no sentido de compreender que o golpismo parlamentar não tem votos suficientes para o impeachment – o que não significa que não poderá ter –, assim como ancora-se na representação minoritária, expressa nas ruas, dos grupos conservadores e reacionários. Deve-se ressaltar que tal pensamento é, em termos de organização política, minoritário no país, mas que fora amplificado pelo golpismo midiático.
3) Do ponto de vista dos aparelhos ideológicos midiáticos, há claro esgotamento das pautas e do modus operandi dos grandes jornais, revistas e mesmo das emissoras de canal aberto, que perdem audiência a olhos nus. O mau caratismo golpista explícito tem como síntese a tentativa obtusa de colar a imagem do empresário Bumlai como “amigo de Lula”. Em outras palavras, se não se consegue incriminar o ex-presidente, tenta-se fazê-lo por pessoas próximas ou supostamente próximas: o “filho de Lula”, a “neta de Lula” e, agora, o “amigo de Lula”. Aparentemente essa estratégia está chegando ao seu limite, embora um sem-número de “inocentes úteis”, mesmo que decrescentes, acreditem piamente na grande mídia. Deve-se lembra que alguns de seus títulos, notadamente o principal deles em termos de panfleto político, a “revista” Veja, é pré-falimentar.
4) Do ponto de vista social, fundamentalmente a mobilização de diversos segmentos importantes da sociedade brasileira politicamente organizada, tais como juristas, professores, sindicatos, entidades de classes e outras, mas sobretudo as manifestações populares, é crucial na atual conjuntura. Nesse sentido, não apenas o maior número de manifestantes pró-legalidade – cujos atos ocorreram no dia 16/12 –, mas sua representatividade e diversidade, demonstraram a força da sociedade brasileira cuja democracia política e social são valores essenciais. Não bastasse isso, as manifestações dos grupos de classe média tradicional – a chamada “classe média burguesa” – vêm diminuindo de maneira vigorosa, no limiar da desidratação, como pode ser observado no ato do dia 13/12, data funesta à democracia brasileira por coincidir com o famigerado AI-5. A simbologia desta data não poderia ser mais significativa, mas fundamentalmente demonstra o “tiro curto” de lideranças de movimentos como MBL, Vem Pra Rua e outros, cada vez mais reduzidos à insignificância política da qual são portadores, pois, além do mais, tinham em Cunha (!) seu esteio anticorrupção! A ascensão de movimentos partidários, sociais e populares, legalistas e de esquerda, que passaram a superar suas divergências em nome da manutenção do mandato legal de Dilma, e compreenderam que muito além do impeachment da presidente o que está em jogo é a democracia política – o que inclui direitos civis –, social e trabalhista, e a própria agenda de esquerda no país: tal ascensão torna-se sustentáculo da democracia e, nesse momento, do mandato de Dilma.
5) Por fim, do ponto de vista econômico a celebrada saída do ministro Levy e sua substituição pelo então ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, aponta finalmente para a virada macroeconômica, isto é, mesmo que paulatina, a mudança de rumo quanto ao desenvolvimento do país poderá finalmente se fazer, suplantando parcialmente o rentismo em prol dos mais pobres e dos que vivem do trabalho.
É claro que não se pode desprezar a “República de Curitiba” do juiz Moro, com suas infindáveis “delações” premiadas seletivas, igualmente vazadas de forma seletiva pela mídia golpista, assim como surpresas antigovernistas da Procuradoria Geral da República (Janot) e do próprio STF, TSE e TCU, entre outros. Da mesma forma, a unidade em torno do golpe do PSDB e da Fiesp. Também o PIG, embora já se saiba como se dá sua atuação, sempre poderá, em parceria escusa com membros de instituições judiciárias, produzir novas “bombas” acusatórias e persecutórias que, embora destituídas de comprovação, dominam o “noticiário” político: eufemismo e nome fantasia de manipulação grosseira e grotesca.
Contudo, como procurou-se argumentar, o conjunto de fatores conjugados – reitere-se –, e, no interior deles, a mobilização social de legalistas, democratas e da esquerda, é aspecto-chave, e que precisa perdurar, para a derrubada do golpe, reordenação das forças políticas e nova política macroeconômica de desenvolvimento, derrubando-se consequentemente a “agenda retrógrada” que prospera no Congresso. A partir daí um outro governo Dilma pode emergir, virando paulatinamente à esquerda, o que implica enfrentar os grandes poderes, radicalizar a democracia e sustentar/ampliar direitos políticos, civis, sociais e trabalhistas.
Não se trata de otimismo, e sim de tentativa de compreensão da realidade por meio de fenômenos que se articulam. Afinal, como nos ensinou Maquiavel, para “mudar a realidade deve-se compreendê-la realisticamente e agir igualmente de forma realista”! Isso não significa excesso de pragmatismo, tal como desenvolvido desde o Governo Lula, e sim compreensão da realidade para alterá-la, o que implica colocar os sonhos, transformados em projetos políticos, em ação! Para tanto, novas correlações de força hão de se desenvolver, notadamente as que têm como base os pobres e os trabalhadores, tal como demonstrado pelas manifestações do dia 16/12.
A mídia oposicionista é outro ator importante do golpe, ela recorta a realidade sem mostrar que a gênese da corrupção na Petrobras está no governo FHC.
Jeferson Miola
Nesta conjuntura vertiginosa, os acontecimentos se sucedem freneticamente. A dinâmica política confirma o lema de uma emissora nacional de rádio e televisão – “em 20 minutos, tudo pode mudar”.
As certezas e vitórias cantadas por cada lado do espectro político ao fim de cada dia – pela oposição golpista ou pelo campo democrático-constitucional de resistência ao golpe –, se evaporam durante as madrugadas. E assim os dias amanhecem com novas incertezas e com os cenários de disputa em aberto.
Não há evidências de que essa conjuntura instável, imprevisível e cheia de lances dramáticos, se altere nos próximos meses.
Neste cenário de “instabilidade constante”, o aspecto de maior previsibilidade é o comportamento dos atores golpistas mais proeminentes: movidos por um ódio irascível e obsessivo contra o PT, eles são dotados de uma capacidade impressionante de armar traquinagens e vigarices.
A lista desses atores começa, naturalmente, por Eduardo Cunha. O Presidente da Câmara dos Deputados tem uma conduta que dificulta a precisão diagnóstica, embora apresente uma sintomatologia compatível com a de um gângster psicopata. Ele nega com um descaramento assombroso a existência de contas bancárias na Suíça, abastecidas com dinheiro sujo da corrupção na Petrobrás. A Polícia Federal descobriu que este malandro, pródigo em truques regimentais, curiosamente usa um táxi como disfarce para transportar a si mesmo – e sabe-se lá para carregar quais ilicitudes mais.
O Mimi-Michel Temer é outro personagem especial. Vice-presidente “Decorativo” da República, na hora decisiva demonstrou que aquela fama de constitucionalista, ostentada numa postura nobiliárquica, não passa de pura empáfia: calou ante a manobra inconstitucional de Cunha, que admitiu a denúncia de impeachment sem causa determinada – ou melhor, sem nenhuma causa. Invocando uma falsa neutralidade, Temer adota atitude olímpica frente às seguidas estripulias golpistas e ilegais de Eduardo Cunha. Como presidente do PMDB, arquitetou as tramóias partidárias na Câmara dos Deputados para conspirar e derrubar a presidente Dilma, articulando a substituição do líder da bancada partidária e indicando peemedebistas de oposição para a Comissão Especial do Impeachment. Mimi-Michel quer ocupar a cadeira presidencial de Dilma a qualquer preço, nem que para isso tenha de sacar a máscara de democrata e constitucionalista.
Gilmar Mendes, outro ator importante do golpismo, só é ministro da Suprema Corte por uma questão acidental. Fosse outro o país, menos tolerante com canalhices escondidas numa toga, ele já teria sofrido um processo de impeachment, porque não reúne as condições de serenidade, razoabilidade e isenção indispensáveis para o cargo. Em lugar do embasamento jurídico, apela ao proselitismo tucano-reacionário. Na sessão do STF que anulou o rito do impeachment manipulado por Cunha, Gilmar abandonou a hermenêutica e partiu para ataques ao governo, citando inclusive um artigo do seu líder no Senado, o Senador José Serra! Certa feita, seu então colega de STF, Joaquim Barbosa, acusou Gilmar de ter capangas. Verdade ou não, o fato é que, pelas posições assumidas, o ministro Dias Toffoli se candidata a este título tão vergonhoso.
O PSDB, que há muitos anos se juntou à velhacaria política do Brasil, ataca em todos os flancos. FHC, o conspirador-chefe, rege a orquestra de interesses heterogêneos onde se movem Alckmin, Aécio e Serra – todos unidos na estratégia golpista, porém separados quanto à tática e ao timing do golpe. É uma trajetória lastimável do PSDB; um partido que abandonou tristemente sua tradição de defensor da democracia, lapidada na luta contra a ditadura.
A mídia oposicionista é outro ator importante da dinâmica do golpe, senão o mais importante. É ela que cimenta a narrativa dos acontecimentos a partir da estratégia inteligentemente formulada pelo condomínio jurídico-policial-midiático de oposição. Esta mídia hegemônica recorta e seleciona a realidade, tornando palavra proibida qualquer menção à gênese da corrupção na Petrobrás, que data do período do governo FHC. No vale-tudo do golpe, assassina a verdade e a imparcialidade, em nome da sanha odiosa contra o PT, Lula, Dilma e o povo pobre.
No crepúsculo de 2015, o governo conquistou a chance preciosa de recomeçar. Presidenta Dilma, lute para que possamos lutar ao seu lado.
por: Joaquim Palhares – Diretor de Redação da Carta Maior
Foi tão intensa a saraivada de revezes sofridos pela aliança entre o golpismo e a vigarice no final de 2015, que seus protagonistas e a mídia embarcada ainda se agarram à batalha do dia anterior, sem perceber que a roda da história girou.
A barragem humana que se ergueu em São Paulo na quarta-feira, 16/12, na longamente esperada união da esquerda, redefiniu os termos da correlação de forças no país.
Algo que a mídia antes manipulava à sua exclusiva conveniência ganhou um sujeito autônomo formado ali por 60 mil pessoas.
Erra desastrosamente quem acreditar que os fatos subsequentes seriam os mesmos sem a manifestação unitária que afrontou o golpe no coração da insurgência paulista.
Nas 48 horas seguintes, o Supremo desautorizou o impeachment, Levy caiu, o governo esboçou um recomeço –com a nomeação de Nelson Barbosa para a Fazenda, a pesquisa do Datafolha levada a campo então mostrou uma inflexão positiva na popularidade da Presidenta Dilma e, o mais encorajador, nela a vasta maioria afrontou o jogral do Brasil aos cacos: para 87% o Brasil tem jeito.
Coincidência?
Certamente não: um cordão de vozes interligando a avenida Paulista à Praça da República em defesa da democracia e do país, compõe uma imagem suficientemente forte para impor cautela a qualquer sedição golpista e arguir a credibilidade no terrorismo midiático .
Ausente em quase todo o ano de 2015, essa percepção deve ser desfrutada a partir das suas lições.
Reverter o golpismo em marcha envolve inúmeras tarefas.
Uma, porém, resume todas as demais.
Sem devolver a esperança no Brasil seremos derrotados.
Ainda que o governo persista até 2018, teremos sido derrotados, senhora Presidenta Dilma Rousseff.
Uma nação sem esperança é presa fácil do conservadorismo, da cobiça geopolítica, da ganância rentista, da manipulação midiática.
Para dar uma chance à esperança, a democracia deve provar que é capaz de ordenar o passo seguinte da sociedade.
Hoje no Brasil, os desafios do desenvolvimento são apresentados pela mídia como uma disputa entre quadrilhas rivais.
Daí para terceirizar as grandes questões a um Bonaparte fardado ou ungido pelo dinheiro é um passo.
Assim se legitimam os grandes ciclos de arrocho e repressão, que a Presidenta da República conhece melhor que ninguém.
A esperança no desenvolvimento de uma nação não é matéria retórica.
Ela existe ancorada em fatos e iniciativas sonegados à sociedade desde outubro de 2014.
A principal crise do mundo hoje — a Presidenta Dilma sabe disso, é a crise de demanda.
A mais longa e hesitante recuperação de todas as grandes crises do capitalismo desde o século 20, esbarra nessa atrofia estrutural criada pela ganância rentista.
Demanda de consumo, demanda de empregos de qualidade, demanda de investimentos produtivos: a supremacia do capital celibatário obstruiu todos os canais clássicos de uma retomada econômica consistente.
O principal trunfo do Brasil nessa encruzilhada é justamente a determinação política –que o atual governo representa– de acabar com a fome, com o desemprego, com a pobreza, a insalubridade, as periferias conflagradas, a fila do SUS, a escola sem banheiro, o ensino sem qualidade.
Sem essa muralha, uma nação em desenvolvimento torna-se ingovernável.
É obsceno dizer que não há dinheiro quando somos a 14ª pior distribuição de renda do planeta.
A fortuna de brasileiros em paraísos fiscais passa de US$ 400 bilhões.
R$ 500 bilhões compõem a lista de pendências (sonegações) no Carf, o órgão de arbitragem tributária sob investigação da Zelotes.
Cerca de 8% do PIB são drenados anualmente do caixa do Estado para alimentar a acumulação do capital fictício.
O único vínculo de um pedaço da elite brasileira com a nação é a taxa de juro real.
Por ela se derruba um Presidente, abastarda-se a democracia, degrada-se o Parlamento, avilta-se o crescimento na asfixia do povo.
Um pedaço da crise brasileira é justamente a resistência da riqueza que existe às reformas que precisam ser feitas para romper esse maquinismo.
Um país não se transforma em uma verdadeira nação sem enfrentar suas provas cruciais.
Aquelas que funcionam como um clarão no discernimento coletivo.
Essa mutação é a mãe de todos os desafios do governo em 2016.
A margem de manobra do Estado estreitou-se com a crise internacional. Um ciclo de crescimento se esgotou, outro precisa ser construído.
O novo espaço de acomodação dos conflitos impõe escolhas.
São elas que podem destravar as forças da nação.
Nenhuma dessas questões essenciais encontra resposta satisfatória no moedor de carne neoliberal.
Levy caiu não por ter sua ação tolhida.
Caiu porque seu ajuste fracassou e jogaria o país numa recessão devastadora se fosse aprofundado.
A mídia simulou, mas nem o mercado lamentou o epílogo do fiasco.
O equilíbrio fiscal não é um apanágio dessa receita.
Trata-se de um requisito de soberania.
Um Estado quebrado transfere a sua insolvência ao povo e franqueia a nação aos espoliadores.
A repartição da riqueza e dos sacrifícios que condensa a equação fiscal, porém, está longe de ser prerrogativa do arrocho contra o povo.
Trata-se de uma disputa política.
É ela que escorreu para as ruas, conflagrou o Congresso, ecoa nas manchetes e move o martelete diuturno do fatalismo entreguista de tipos como Serra e assemelhados.
Não é uma questão de gestão –como queria Joaquim Levy e suas metas transcendentais.
É um imperativo de repactuação do país.
A fase alegre dos consensos ficou para trás.
Há custos a serem compartilhados.
Metas e salvaguardas a serem definidas. Concessões a serem contabilizadas. Conquistas a serem preservadas, outras a serem estendidas no tempo.
Vozes afirmativas da nação precisam assumir o comando dessa empreitada para liberta-la dos coveiros da esperança.
Ou vencerá o arrocho e a dilapidação do patrimônio nacional.
Não é tarefa para um partido, um messias, uma agência de risco, ou um diretório midiático de sabidas fidelidades.
No crepúsculo de 2015, o governo da Presidenta Dilma conquistou a chance preciosa de fazer dessa encruzilhada um recomeço.
Uma frente democrática franqueou-lhe o espaço antes exclusivo do conservadorismo no agendamento político do país.
Cabe-lhe agora abrir uma janela de ar fresco em uma rotina sabidamente saturada por negociações corrosivas e imobilizantes.
Por exemplo?
Convoque-se uma Conferência Nacional do Desenvolvimento, antecedida de fóruns setoriais e locais espalhados por todo o Brasil.
Democratize-se o que hoje é um debate raptado pelo ambiente soturno da conspiração antidemocrática e antinacional.
Informe-se a sociedade. Convoque-se a nação.
Não para um colóquio. Não para uma crispação panfletária.
Mas para uma capacitação das alternativas e das forças verdadeiramente interessadas em construir o passo seguinte de nossa história.
A roda girou no final de 2015: 2016 está em aberto.
Presidenta Dilma, lute para que possamos lutar ao seu lado.
Quem passar hoje no final da Ponte Rio-Niterói talvez não note a diferença, pois têm o mesmo tamanho, as mesmas cores e o mesmo emaranhado de estruturas sobre o convés.
Mas o gigantesco navio-plataforma, com quase 350 metros de comprimento e 60 de largura, atracado no cais do Estaleiro Brasa, na entrada de Niterói não é o mesmo que estava ali até hoje de manhã.
A nave que estava ali era o Cidade de Maricá, que ficou pronto depois de seis meses de instalação e testes de funcionamento dos módulos de processamento de óleo bruto, partiu para o campo de Lula Alto, na Bacia de Santos, onde será ligado, progressivamente, a oito poços de extração de petróleo, produzindo 150 mil barris diários de petróleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás. A cada dez dias, um petroleiro irá encontrá-lo, em alto mar, para retirar até 1,6 milhão de barris de petróleo.
Agora, iluminado como uma cidade, é o Cidade de Saquarema, quase igual – há uma pequena diferença na estrutura dos módulos, por conta do tipo de petróleo que será extraído – que vai receber os mesmo serviços. E parte, lá por maio, para o campo de Lula Central,
Houve atraso em relação ao cronograma, um retardo de cerca de um mês. Mas aconteceu. Os dois navios, somados, são capazes, quando terminada a interligação dos poços produtores, se aumentar em 10% a produção brasileira de petróleo, com seus 300 mil barris por dia.
E quem torce pelo desenvolvimento do Brasil torce agora para que se equacionem os problemas financeiros que atrasam a conclusão da P-74, que está quase pronta para navegar ao Rio Grande do Sul e receber suas estruturas de convés e abrir espaço para que a P-77, atracada a seu lado, possa entrar em processo de terminação. Cada uma deles é ainda maior em tamanho e capacidade que Maricá e Saquarema, processando até 180 mil barris diários de petróleo da área do campo de Búzios, antes conhecido como Franco e que tem potencial igual ou até maior que o megacampo de Libra.
Só os tolos ou os venais não entendem que os preços baixos do petróleo não vão subsistir eternamente, pois o que há não é excesso de petróleo, mas uma guerra entre a Opep e os EUA, que nenhum dos dois pode sustentar indefinidamente.
Um pouco mais devagar, sim, mas parar o esforço para que a nossa petroleira possa ser a líder da exploração desta imensa riqueza do pré-sal, nunca. E nem tão devagar assim, pois uma obra é tão mais cara quanto a gente a faz arrastar-se.
O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, sofreu uma grave derrota nas eleições legislativas deste domingo (20), com seu Partido Popular (PP) perdendo um terço das cadeiras que tinha no Parlamento. A grave crise espanhola se traduziu nas urnas em redução do PP de 186 cadeiras para 123.
Com a derrota do PSOE, que obteve apenas 92, os eleitores espanhois (foram 36 milhões de convocados às urnas neste domingo) decretaram o fim do bipartidarismo no país.
Podemos e Ciudadanos, siglas novas no cenário eleitoral, cresceram e obtiveram, respectivamente, 69 e 40 vagas. O Podemos é o partido à esquerda do PSOE, enquanto Ciudadanos é a nova legenda de centro, que ficou em quarto lugar.
Para governar com maioria, o mínimo teria sido a obtenção de 176 cadeiras, o que nem mesmo o PP conseguiu. O resultado, dramático, mostra que ninguém terá maioria clara para governar a Espanha nos próximos anos, diante da força dos novos partidos.
PP de Rajoy já havia amargado resultado ruim nas urnas nas eleições regionais e municipais de maio
Rajoy esperava pelo resultado, já que as pesquisas nas últimas semanas vinham apontando que pela primeira vez na história da democracia espanhola a disputa pelo Parlamento não estaria concentrada nos dois partidos de mais tradição: o Popular (PP), do atual primeiro-ministro, e o Partido Socialista (PSOE), que esteve à frente do governo anterior e, agora, tem o economista Pedro Sanchez como candidato.
Na última pesquisa oficial, feita pelo Centro de Pesquisa Sociológica, o PP estava à frente, com 28,6% dos votos, seguido dos Socialistas, com 20,8%, seguidos de 19% das intenções de voto para a legenda liberal, de centro-direita, Ciudadanos, liderada pelo advogado Albert Rivera, e 15,7% para o jovem Podemos, com tendência à esquerda e postura anti-austeridade. O partido, criado há menos de dois anos, tem no comando o professor universitário Pablo Iglesias.
Novos atores do parlamento espanhol
Logo após o anúncio, Pablo Iglesias reafirmou que os resultados das eleições gerais na Espanha indicam “o fim do bipartidismo” e considerou como prioridade do seu partido uma reforma constitucional ampla.
“Hoje nasceu uma nova Espanha. Inaugura-se uma nova etapa política no país. As forças da mudança obtiveram mais de 20% dos votos, mais de 5 milhões de votos em todo o país”, afirmou Iglesias, numa referência ao seu partido e às formações “irmãs” que apoiou, o En Comú Podem, da Catalunha, o Compromís, da Comunidade Valenciana e o En Mareas, da Galiza.
Iglesias recordou que o Podemos foi a força mais votada na Catalunha e no País Basco e a segunda mais votada em comunidades como Madrid e Galiza – em ambos os casos atrás do PP. Com 97% dos votos escrutinados, o PP registra 123 deputados, seguido do PSOE – com 92 -, do Podemos, que estreia no parlamento com 69 deputados, e do Ciudadanos, com 40 assentos.
O líder do Podemos destacou que o PP, de Mariano Rajoy, obteve o seu pior resultado desde 1989 e o PSOE, de Pedro Sánchez, o seu pior resultado desde que há democracia na Espanha (1977). “Acabou-se o sistema da rotação [de poder] na Espanha, acabou-se o bipartidismo. Somos a única força política de âmbito estatal capaz de liderar um acordo plurinacional que respeite as forças da mudança que os espanhóis pedem”, disse Iglesias.
Ele enumerou suas prioridades: “em primeiro lugar a blindagem dos direitos sociais na constituição”, defendendo o direito à habitação contra os despejos, a saúde pública e a educação.
Também recordou como prioridade do seu programa uma reforma do sistema eleitoral, “imprescindível e inadiável”, que permita o desenvolvimento “plurinacional de Espanha” e uma moção de confiança ao governo em caso de não cumprimento do seu programa.
“Estamos começando uma nova era política no nosso país e a nossa agenda, antes de mais nada, é a reforma constitucional”, disse Iglesias, ao ser questionado sobre possíveis acordos para formar o governo ou para a votação de investidura do presidente do Governo.
Eleições de maio anteciparam crise do PP nas urnas
Em maio deste ano, as eleições municipais e regionais já haviam colocado em xeque o bipartidarismo no país, com a ascensão do Ciudadanos e do Podemos. Os escândalos de corrupção envolvendo o partido do governo, a economia em crise, que não mostrou sinais consistentes de recuperação após as medidas de austeridade e a alta taxa de desemprego, de 21%, a segunda maior da Europa, atrás apenas da Grécia, fizeram com que os espanhóis olhassem para alternativas.
Criar empregos e apresentar soluções para a economia sem perda de direitos e benefícios sociais para a população serão os principais desafios do próximo governo, que ainda precisará lidar com o movimento pela independência da Catalunha, cada vez mais forte.
O ex Primeiro Ministro de Portugal, Pedro Santana Lopes, estava dando uma entrevista ao vivo na televisão para o programa português SIC Notícias sobre a situação política/econômica de Portugal quando foi interrompido pela entrevistadora para anunciar a chegada do técnico de futebol José Mourinho (Mourinho já treinou e foi campeão com Chelsea, Porto, Real Madrid, etc.).
Ao retornar para a entrevista, visivelmente chocado, disparou: “Eu vim com sacrifício pessoal e sou interrompido por causa da chegada de um treinador de futebol…acho que o país está doido.”
Após o esculacho ao vivo (com muita classe, diga-se), se retirou da entrevista
Fico me perguntando quem aqui no Brasil teria coragem para fazer o mesmo e depois aguentar as consequências de tamanha “ousadia” (lembram do Dunga não deixando a Fátima Bernardes interromper um treino da Seleção, mesmo ela sendo da Globo? Deu no que deu para ele…)
A cobiça de Wall Street está destruindo economia dos EUA, diz democrata Bernie Sanders
Opera Mundi
No terceiro debate dos democratas, o pré-candidato de Vermont acusou a adversária, Hillary Clinton, de obter respaldo empresarial em campanha
Os pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos participaram de um debate na noite de sábado (19/11) em que se uniram para criticar o republicano Donald Trump, mas também trocaram algumas farpas entre si.
EFE Bernie Sanders está em segundo lugar nas pesquisas de opinião; Hillary lidera com mais de 50% das intenções de voto
Um dos temas que gerou polêmica foi quando o pré-candidato e senador pelo estado de Vermont, Bernie Sanders, acusou sua adversária, Hillary Clinton, de obter respaldo empresarial em sua campanha política.
“A cobiça de Wall Street está destruindo nossa economia”, afirmou Sanders. “É uma ameaça para a economia norte-americana e tem muito poder político”, acrescentou, dirigindo-se à rival.
Durante o debate, Hillary foi questionado pelo moderador David Muir, da emissora ABC News, por sua relações com diretores das grandes empresas em com as quais mantinha contato há anos.
“As corporações dos Estados Unidos devem amar Hillary Clinton?”, questionou o moderador. A ex-secretária de Estado (2009-2013) respondeu, em tom de ironia: “todo mundo deveria”.
Reprodução Bernie e Hillary no último debate: mostraram ruptura entre democratas em relação às políticas militares dos EUA no Oriente Médio
Em seguida, Sanders aproveitou a resposta da adversária e afirmou que se for presidente não obteria o afeto das grandes empresas e muito menos de Wall Street — uma crítica que arrancou aplausos do público.
“Recebo muito mais doações de estudantes e professores que de Wall Street”, defendeu-se a candidata para reivindicar suas políticas sociais.
Esta não é a primeira vez que Sanders e Hillary entram em uma discussão acalorada. No debate dos democratas de 14 de novembro, o senador de Vermont afirmou que a “desastrosa” invasão dos EUA ao Iraque em 2002 — sustentada à época por Hillary — levou a um vácuo de poder no Oriente Médio que favoreceu a criação de grupos como Estado Islâmico.
O terceiro debate democrata também contou com a presença do ex-governador de Maryland, Martin O’Malley. Entretanto, Hillary e Sanders centralizam as discussões e concentram a esmagadora maioria das intenções de votos para as primárias: segundo uma pesquisa encomendada pela Fox News de 16/12, 56% dos norte-americanos dizem que pretendem votar nela, ao passo que 34% afirmam que Sanders é o seu candidato.
Após o fracasso do impeachment, senador Aécio Neves (PSDB) agora rechaça aliança com eventual governo de Michel Temer (PMDB); segundo ele, tucanos não devem “nem sequer pensar em cargos” em uma gestão que não sabe “de que forma se colocará”; ‘Temer foi um parceiro permanente e ativo da gestão que fez o Brasil retroceder 20 anos. Só enxergo o Brasil resgatando sua credibilidade e esperança no momento em que um novo governo for eleito. E, obviamente, essa legitimidade do voto faltará ao presidente Michel’, acrescenta; ele diz que só fala definir como Dilma sairá: “Não se pode dizer qual será o caminho, se impeachment, cassação da chapa eleitoral ou renúncia, mas acho que a presidente não governará o país por muito mais tempo”; e também reconhece que Eduardo Cunha é uma pedra no caminho do impeachment
21 DE DEZEMBRO DE 2015 ÀS 04:34
247 – Após declarações de apoio a um eventual governo de Michel Temer (PMDB), senador Aécio Neves (PSDB) muda de campo e agora afirma que tucanos não devem “nem sequer pensar em cargos” em uma gestão que não sabe “de que forma se colocará”: “O método será o que vigorou na última década, do qual o PMDB foi parceiro?”, questionou.
Em entrevista à ‘Folha de S. Paulo’, ele coloca o peemedebista como ‘um parceiro permanente e ativo da gestão que fez o Brasil retroceder 20 anos’. “Só enxergo o Brasil resgatando sua credibilidade e esperança no momento em que um novo governo for eleito. E, obviamente, essa legitimidade do voto faltará ao presidente Michel”, acrescentou.
O tucano afirma ainda que o mandato de Dilma esta perto do fim: “Não se pode dizer qual será o caminho, se impeachment, cassação da chapa eleitoral ou renúncia, mas acho que a presidente não governará o país por muito mais tempo.”
Reconhece também que ‘Eduardo Cunha é uma pedra no caminho do impeachment’: “Acho que a situação dele chegou a um ponto insustentável. As denúncias se avolumam, as respostas são muito pouco consistentes e o processo do Eduardo Cunha, de alguma forma, se coloca como diria o poeta da minha terra: ‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’. Tem o Eduardo Cunha no meio do caminho e essa questão terá que ser resolvida”.
Aécio criticou ainda a troca de Joaquim Levy por Nelson Barbosa na Fazenda: “A saída de Levy e a nomeação do ‘arquiteto da nova matriz econômica’ sinalizam perigosamente na direção oposta ao necessário equilíbrio das contas públicas. Foi, sem dúvida, uma vitória do PT, e como sempre acontece quando o PT vence, quem perde é o Brasil” (leia mais).
BARBOSA CHEGA COM PROMESSA DE REFORMAS ESTRUTURAIS
Além de defender a redução dos gastos obrigatórios, novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, acena com mudanças profundas, como a reforma de Previdência e a criação de um limite para crescimento do gasto público; “Sabemos que a situação da economia brasileira requer ações imediatas, sinalizações imediatas e estamos trabalhando nisso. Sabemos que temos de avançar rapidamente e apresentar medidas no primeiro trimestre de 2016”, disse
Além de defender a redução dos gastos obrigatórios, acena com mudanças profundas, como a reforma de Previdência
21 DE DEZEMBRO DE 2015 ÀS 05:45
247 – O ministro Nelson Barbosa, que assume hoje a Fazenda, acena com promessa de reformas estruturais e diz que é hora de reduzir os gastos obrigatórios. Ele também se comprometeu com a meta de superávit primário de 0,5% do PIB para 2016, tal como aprovada pelo Congresso.
“Sabemos que a situação da economia brasileira requer ações imediatas, sinalizações imediatas e estamos trabalhando nisso. Sabemos que temos de avançar rapidamente e apresentar medidas no primeiro trimestre de 2016”, em entrevista ao Valor. “Temos que avançar nas reformas estruturais”, completou.
Segundo ele, a primeira reforma será a da previdência social, com a introdução da idade mínima para aposentadoria, que será apresentada no primeiro trimestre do próximo ano; outra é a criação de um limite para crescimento do gasto público (leia mais).
Em 27/11/2015 a repórter Fabiana Pulcinelli publicou o seguinte, em seu blog:
O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) decidiu pagar auxílio-moradia retroativo aos conselheiros, a exemplo do Tribunal de Justiça (TJ-GO) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO). Resolução administrativa que estabelece o pagamento foi publicada no Diário Oficial de Contas na sexta-feira (20), mas não há detalhes sobre valores e nem se será integral ou parcelado.
Webster Franklin
21 de dezembro de 2015 3:56 amA virada de Dilma
Carta Maior
20/12/2015
A virada de Dilma
o fato é que está se delineando um novo quadro político no país, uma espécie de ‘luz ao final do túnel’ como há muito não se via.
Francisco Fonseca – Prof. da FGV/Eaesp e PUC/SP
Embora a conjuntura política brasileira permaneça extremamente fluida desde o início do ano, com lances e contralances diversos em distintas direções, os acontecimentos da última semana aparentemente são promissores ao Governo Dilma, uma vez que ganhou musculatura para virar a página das crises intermináveis que estamos vivenciando dramaticamente.
Mesmo correndo-se o risco de a análise abaixo ser abalroada pela multiplicidade de atores, pontos de veto e novos lances, o fato é que está se delineando um novo quadro político no país, uma espécie de “luz ao final do túnel” como há muito não se via.
O conjunto de fatos – conjugados – a seguir apontam nessa direção, embora não sem contradições:
1) Do ponto de vista institucional: a decisão do STF de revogar essencialmente as deliberações dos golpistas no Congresso, lideradas por Eduardo Cunha, com toda sorte de manobras, atentados ao regimento e sobretudo à Constituição traz, sem dúvida, alento para se barrar o “golpe parlamentar” em andamento desde a divulgação do resultado eleitoral que proclamou Dilma presidente da República. Embora algumas decisões do STF, caso do modus operandi de todo e qualquer processo de impeachment, sejam questionáveis, notadamente quanto ao quórum da Câmara e do Senado à admissibilidade e julgamento do chefe do Executivo, assim como o fato de manter na presidência da Câmara um parlamentar (Cunha) cujas provas materiais – apontadas o procurador-geral Rodrigo Janot – são inquestionáveis a ponto de intitulá-lo como “chefe de quadrilha”: apesar dessas, e outras contradições, o fato é que a manobra golpista de Cunha, Temer e parte do PMDB, do PSDB/DEM e outros, foi derrotada nesse momento. Não bastasse isso, espera-se que as Operações Lava Jato e Zelotes, entre outras, em algum momento cheguem ao PSDB/DEM/Mídia, uma vez que profundamente enlameados, em distintas situações, com mecanismos ilegais, conforme diversas evidências vêm apontando, embora sem ações institucionais efetivas até o momento.
2) Do ponto de vista das forças políticas partidárias, a clareza do golpismo de Temer, que borrou sua história de maneira inexorável, condenando-o definitivamente ao esquecimento; a agonia de Cunha, cujo processo de cassação de seu mandato finalmente avançou no Conselho de Ética, e cuja perda do mandato e quiçá prisão está por poucos meses (embora sua liberdade e poder no Parlamento jamais possam ser desconsiderados); a potencial fragilização de Renan, em razão da quebra do sigilo fiscal e bancário pelo STF, cujas consequências políticas ainda são desconhecidas; e a obtusa atuação do PSDB, do DEM, e de figuras patéticas como Paulinho da Força e tantos outros cuja estatura política nunca houve ou vem derretendo inexoravelmente. Todos esses aspectos são de extrema importância no sentido de compreender que o golpismo parlamentar não tem votos suficientes para o impeachment – o que não significa que não poderá ter –, assim como ancora-se na representação minoritária, expressa nas ruas, dos grupos conservadores e reacionários. Deve-se ressaltar que tal pensamento é, em termos de organização política, minoritário no país, mas que fora amplificado pelo golpismo midiático.
3) Do ponto de vista dos aparelhos ideológicos midiáticos, há claro esgotamento das pautas e do modus operandi dos grandes jornais, revistas e mesmo das emissoras de canal aberto, que perdem audiência a olhos nus. O mau caratismo golpista explícito tem como síntese a tentativa obtusa de colar a imagem do empresário Bumlai como “amigo de Lula”. Em outras palavras, se não se consegue incriminar o ex-presidente, tenta-se fazê-lo por pessoas próximas ou supostamente próximas: o “filho de Lula”, a “neta de Lula” e, agora, o “amigo de Lula”. Aparentemente essa estratégia está chegando ao seu limite, embora um sem-número de “inocentes úteis”, mesmo que decrescentes, acreditem piamente na grande mídia. Deve-se lembra que alguns de seus títulos, notadamente o principal deles em termos de panfleto político, a “revista” Veja, é pré-falimentar.
4) Do ponto de vista social, fundamentalmente a mobilização de diversos segmentos importantes da sociedade brasileira politicamente organizada, tais como juristas, professores, sindicatos, entidades de classes e outras, mas sobretudo as manifestações populares, é crucial na atual conjuntura. Nesse sentido, não apenas o maior número de manifestantes pró-legalidade – cujos atos ocorreram no dia 16/12 –, mas sua representatividade e diversidade, demonstraram a força da sociedade brasileira cuja democracia política e social são valores essenciais. Não bastasse isso, as manifestações dos grupos de classe média tradicional – a chamada “classe média burguesa” – vêm diminuindo de maneira vigorosa, no limiar da desidratação, como pode ser observado no ato do dia 13/12, data funesta à democracia brasileira por coincidir com o famigerado AI-5. A simbologia desta data não poderia ser mais significativa, mas fundamentalmente demonstra o “tiro curto” de lideranças de movimentos como MBL, Vem Pra Rua e outros, cada vez mais reduzidos à insignificância política da qual são portadores, pois, além do mais, tinham em Cunha (!) seu esteio anticorrupção! A ascensão de movimentos partidários, sociais e populares, legalistas e de esquerda, que passaram a superar suas divergências em nome da manutenção do mandato legal de Dilma, e compreenderam que muito além do impeachment da presidente o que está em jogo é a democracia política – o que inclui direitos civis –, social e trabalhista, e a própria agenda de esquerda no país: tal ascensão torna-se sustentáculo da democracia e, nesse momento, do mandato de Dilma.
5) Por fim, do ponto de vista econômico a celebrada saída do ministro Levy e sua substituição pelo então ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, aponta finalmente para a virada macroeconômica, isto é, mesmo que paulatina, a mudança de rumo quanto ao desenvolvimento do país poderá finalmente se fazer, suplantando parcialmente o rentismo em prol dos mais pobres e dos que vivem do trabalho.
É claro que não se pode desprezar a “República de Curitiba” do juiz Moro, com suas infindáveis “delações” premiadas seletivas, igualmente vazadas de forma seletiva pela mídia golpista, assim como surpresas antigovernistas da Procuradoria Geral da República (Janot) e do próprio STF, TSE e TCU, entre outros. Da mesma forma, a unidade em torno do golpe do PSDB e da Fiesp. Também o PIG, embora já se saiba como se dá sua atuação, sempre poderá, em parceria escusa com membros de instituições judiciárias, produzir novas “bombas” acusatórias e persecutórias que, embora destituídas de comprovação, dominam o “noticiário” político: eufemismo e nome fantasia de manipulação grosseira e grotesca.
Contudo, como procurou-se argumentar, o conjunto de fatores conjugados – reitere-se –, e, no interior deles, a mobilização social de legalistas, democratas e da esquerda, é aspecto-chave, e que precisa perdurar, para a derrubada do golpe, reordenação das forças políticas e nova política macroeconômica de desenvolvimento, derrubando-se consequentemente a “agenda retrógrada” que prospera no Congresso. A partir daí um outro governo Dilma pode emergir, virando paulatinamente à esquerda, o que implica enfrentar os grandes poderes, radicalizar a democracia e sustentar/ampliar direitos políticos, civis, sociais e trabalhistas.
Não se trata de otimismo, e sim de tentativa de compreensão da realidade por meio de fenômenos que se articulam. Afinal, como nos ensinou Maquiavel, para “mudar a realidade deve-se compreendê-la realisticamente e agir igualmente de forma realista”! Isso não significa excesso de pragmatismo, tal como desenvolvido desde o Governo Lula, e sim compreensão da realidade para alterá-la, o que implica colocar os sonhos, transformados em projetos políticos, em ação! Para tanto, novas correlações de força hão de se desenvolver, notadamente as que têm como base os pobres e os trabalhadores, tal como demonstrado pelas manifestações do dia 16/12.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/A-virada-de-Dilma/4/35209
Webster Franklin
21 de dezembro de 2015 4:05 amAtores do golpismo
Carta Maior
20/12/2015
Atores do golpismo
A mídia oposicionista é outro ator importante do golpe, ela recorta a realidade sem mostrar que a gênese da corrupção na Petrobras está no governo FHC.
Jeferson Miola
Nesta conjuntura vertiginosa, os acontecimentos se sucedem freneticamente. A dinâmica política confirma o lema de uma emissora nacional de rádio e televisão – “em 20 minutos, tudo pode mudar”.
As certezas e vitórias cantadas por cada lado do espectro político ao fim de cada dia – pela oposição golpista ou pelo campo democrático-constitucional de resistência ao golpe –, se evaporam durante as madrugadas. E assim os dias amanhecem com novas incertezas e com os cenários de disputa em aberto.
Não há evidências de que essa conjuntura instável, imprevisível e cheia de lances dramáticos, se altere nos próximos meses.
Neste cenário de “instabilidade constante”, o aspecto de maior previsibilidade é o comportamento dos atores golpistas mais proeminentes: movidos por um ódio irascível e obsessivo contra o PT, eles são dotados de uma capacidade impressionante de armar traquinagens e vigarices.
A lista desses atores começa, naturalmente, por Eduardo Cunha. O Presidente da Câmara dos Deputados tem uma conduta que dificulta a precisão diagnóstica, embora apresente uma sintomatologia compatível com a de um gângster psicopata. Ele nega com um descaramento assombroso a existência de contas bancárias na Suíça, abastecidas com dinheiro sujo da corrupção na Petrobrás. A Polícia Federal descobriu que este malandro, pródigo em truques regimentais, curiosamente usa um táxi como disfarce para transportar a si mesmo – e sabe-se lá para carregar quais ilicitudes mais.
O Mimi-Michel Temer é outro personagem especial. Vice-presidente “Decorativo” da República, na hora decisiva demonstrou que aquela fama de constitucionalista, ostentada numa postura nobiliárquica, não passa de pura empáfia: calou ante a manobra inconstitucional de Cunha, que admitiu a denúncia de impeachment sem causa determinada – ou melhor, sem nenhuma causa. Invocando uma falsa neutralidade, Temer adota atitude olímpica frente às seguidas estripulias golpistas e ilegais de Eduardo Cunha. Como presidente do PMDB, arquitetou as tramóias partidárias na Câmara dos Deputados para conspirar e derrubar a presidente Dilma, articulando a substituição do líder da bancada partidária e indicando peemedebistas de oposição para a Comissão Especial do Impeachment. Mimi-Michel quer ocupar a cadeira presidencial de Dilma a qualquer preço, nem que para isso tenha de sacar a máscara de democrata e constitucionalista.
Gilmar Mendes, outro ator importante do golpismo, só é ministro da Suprema Corte por uma questão acidental. Fosse outro o país, menos tolerante com canalhices escondidas numa toga, ele já teria sofrido um processo de impeachment, porque não reúne as condições de serenidade, razoabilidade e isenção indispensáveis para o cargo. Em lugar do embasamento jurídico, apela ao proselitismo tucano-reacionário. Na sessão do STF que anulou o rito do impeachment manipulado por Cunha, Gilmar abandonou a hermenêutica e partiu para ataques ao governo, citando inclusive um artigo do seu líder no Senado, o Senador José Serra! Certa feita, seu então colega de STF, Joaquim Barbosa, acusou Gilmar de ter capangas. Verdade ou não, o fato é que, pelas posições assumidas, o ministro Dias Toffoli se candidata a este título tão vergonhoso.
O PSDB, que há muitos anos se juntou à velhacaria política do Brasil, ataca em todos os flancos. FHC, o conspirador-chefe, rege a orquestra de interesses heterogêneos onde se movem Alckmin, Aécio e Serra – todos unidos na estratégia golpista, porém separados quanto à tática e ao timing do golpe. É uma trajetória lastimável do PSDB; um partido que abandonou tristemente sua tradição de defensor da democracia, lapidada na luta contra a ditadura.
A mídia oposicionista é outro ator importante da dinâmica do golpe, senão o mais importante. É ela que cimenta a narrativa dos acontecimentos a partir da estratégia inteligentemente formulada pelo condomínio jurídico-policial-midiático de oposição. Esta mídia hegemônica recorta e seleciona a realidade, tornando palavra proibida qualquer menção à gênese da corrupção na Petrobrás, que data do período do governo FHC. No vale-tudo do golpe, assassina a verdade e a imparcialidade, em nome da sanha odiosa contra o PT, Lula, Dilma e o povo pobre.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Atores-do-golpismo/4/35208
Webster Franklin
21 de dezembro de 2015 4:14 am2016 está em aberto: é hora de repactuar o Brasil
Carta Maior
20/12/2015 00:00
2016 está em aberto: é hora de repactuar o Brasil
No crepúsculo de 2015, o governo conquistou a chance preciosa de recomeçar. Presidenta Dilma, lute para que possamos lutar ao seu lado.
por: Joaquim Palhares – Diretor de Redação da Carta Maior
Foi tão intensa a saraivada de revezes sofridos pela aliança entre o golpismo e a vigarice no final de 2015, que seus protagonistas e a mídia embarcada ainda se agarram à batalha do dia anterior, sem perceber que a roda da história girou.
A barragem humana que se ergueu em São Paulo na quarta-feira, 16/12, na longamente esperada união da esquerda, redefiniu os termos da correlação de forças no país.
Algo que a mídia antes manipulava à sua exclusiva conveniência ganhou um sujeito autônomo formado ali por 60 mil pessoas.
Erra desastrosamente quem acreditar que os fatos subsequentes seriam os mesmos sem a manifestação unitária que afrontou o golpe no coração da insurgência paulista.
Nas 48 horas seguintes, o Supremo desautorizou o impeachment, Levy caiu, o governo esboçou um recomeço –com a nomeação de Nelson Barbosa para a Fazenda, a pesquisa do Datafolha levada a campo então mostrou uma inflexão positiva na popularidade da Presidenta Dilma e, o mais encorajador, nela a vasta maioria afrontou o jogral do Brasil aos cacos: para 87% o Brasil tem jeito.
Coincidência?
Certamente não: um cordão de vozes interligando a avenida Paulista à Praça da República em defesa da democracia e do país, compõe uma imagem suficientemente forte para impor cautela a qualquer sedição golpista e arguir a credibilidade no terrorismo midiático .
Ausente em quase todo o ano de 2015, essa percepção deve ser desfrutada a partir das suas lições.
Reverter o golpismo em marcha envolve inúmeras tarefas.
Uma, porém, resume todas as demais.
Sem devolver a esperança no Brasil seremos derrotados.
Ainda que o governo persista até 2018, teremos sido derrotados, senhora Presidenta Dilma Rousseff.
Uma nação sem esperança é presa fácil do conservadorismo, da cobiça geopolítica, da ganância rentista, da manipulação midiática.
Para dar uma chance à esperança, a democracia deve provar que é capaz de ordenar o passo seguinte da sociedade.
Hoje no Brasil, os desafios do desenvolvimento são apresentados pela mídia como uma disputa entre quadrilhas rivais.
Daí para terceirizar as grandes questões a um Bonaparte fardado ou ungido pelo dinheiro é um passo.
Assim se legitimam os grandes ciclos de arrocho e repressão, que a Presidenta da República conhece melhor que ninguém.
A esperança no desenvolvimento de uma nação não é matéria retórica.
Ela existe ancorada em fatos e iniciativas sonegados à sociedade desde outubro de 2014.
A principal crise do mundo hoje — a Presidenta Dilma sabe disso, é a crise de demanda.
A mais longa e hesitante recuperação de todas as grandes crises do capitalismo desde o século 20, esbarra nessa atrofia estrutural criada pela ganância rentista.
Demanda de consumo, demanda de empregos de qualidade, demanda de investimentos produtivos: a supremacia do capital celibatário obstruiu todos os canais clássicos de uma retomada econômica consistente.
O principal trunfo do Brasil nessa encruzilhada é justamente a determinação política –que o atual governo representa– de acabar com a fome, com o desemprego, com a pobreza, a insalubridade, as periferias conflagradas, a fila do SUS, a escola sem banheiro, o ensino sem qualidade.
Sem essa muralha, uma nação em desenvolvimento torna-se ingovernável.
É obsceno dizer que não há dinheiro quando somos a 14ª pior distribuição de renda do planeta.
A fortuna de brasileiros em paraísos fiscais passa de US$ 400 bilhões.
R$ 500 bilhões compõem a lista de pendências (sonegações) no Carf, o órgão de arbitragem tributária sob investigação da Zelotes.
Cerca de 8% do PIB são drenados anualmente do caixa do Estado para alimentar a acumulação do capital fictício.
O único vínculo de um pedaço da elite brasileira com a nação é a taxa de juro real.
Por ela se derruba um Presidente, abastarda-se a democracia, degrada-se o Parlamento, avilta-se o crescimento na asfixia do povo.
Um pedaço da crise brasileira é justamente a resistência da riqueza que existe às reformas que precisam ser feitas para romper esse maquinismo.
Um país não se transforma em uma verdadeira nação sem enfrentar suas provas cruciais.
Aquelas que funcionam como um clarão no discernimento coletivo.
Essa mutação é a mãe de todos os desafios do governo em 2016.
A margem de manobra do Estado estreitou-se com a crise internacional. Um ciclo de crescimento se esgotou, outro precisa ser construído.
O novo espaço de acomodação dos conflitos impõe escolhas.
São elas que podem destravar as forças da nação.
Nenhuma dessas questões essenciais encontra resposta satisfatória no moedor de carne neoliberal.
Levy caiu não por ter sua ação tolhida.
Caiu porque seu ajuste fracassou e jogaria o país numa recessão devastadora se fosse aprofundado.
A mídia simulou, mas nem o mercado lamentou o epílogo do fiasco.
O equilíbrio fiscal não é um apanágio dessa receita.
Trata-se de um requisito de soberania.
Um Estado quebrado transfere a sua insolvência ao povo e franqueia a nação aos espoliadores.
A repartição da riqueza e dos sacrifícios que condensa a equação fiscal, porém, está longe de ser prerrogativa do arrocho contra o povo.
Trata-se de uma disputa política.
É ela que escorreu para as ruas, conflagrou o Congresso, ecoa nas manchetes e move o martelete diuturno do fatalismo entreguista de tipos como Serra e assemelhados.
Não é uma questão de gestão –como queria Joaquim Levy e suas metas transcendentais.
É um imperativo de repactuação do país.
A fase alegre dos consensos ficou para trás.
Há custos a serem compartilhados.
Metas e salvaguardas a serem definidas. Concessões a serem contabilizadas. Conquistas a serem preservadas, outras a serem estendidas no tempo.
Vozes afirmativas da nação precisam assumir o comando dessa empreitada para liberta-la dos coveiros da esperança.
Ou vencerá o arrocho e a dilapidação do patrimônio nacional.
Não é tarefa para um partido, um messias, uma agência de risco, ou um diretório midiático de sabidas fidelidades.
No crepúsculo de 2015, o governo da Presidenta Dilma conquistou a chance preciosa de fazer dessa encruzilhada um recomeço.
Uma frente democrática franqueou-lhe o espaço antes exclusivo do conservadorismo no agendamento político do país.
Cabe-lhe agora abrir uma janela de ar fresco em uma rotina sabidamente saturada por negociações corrosivas e imobilizantes.
Por exemplo?
Convoque-se uma Conferência Nacional do Desenvolvimento, antecedida de fóruns setoriais e locais espalhados por todo o Brasil.
Democratize-se o que hoje é um debate raptado pelo ambiente soturno da conspiração antidemocrática e antinacional.
Informe-se a sociedade. Convoque-se a nação.
Não para um colóquio. Não para uma crispação panfletária.
Mas para uma capacitação das alternativas e das forças verdadeiramente interessadas em construir o passo seguinte de nossa história.
A roda girou no final de 2015: 2016 está em aberto.
Presidenta Dilma, lute para que possamos lutar ao seu lado.
http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/2016-esta-em-aberto-e-hora-de-repactuar-o-Brasil/35210
Webster Franklin
21 de dezembro de 2015 4:38 amNavios-plataforma, no Rio: um chega, outro sai
Tijolaço
Navios-plataforma, no Rio: um chega, outro sai
Por Fernando Brito · 20/12/2015
Quem passar hoje no final da Ponte Rio-Niterói talvez não note a diferença, pois têm o mesmo tamanho, as mesmas cores e o mesmo emaranhado de estruturas sobre o convés.
Mas o gigantesco navio-plataforma, com quase 350 metros de comprimento e 60 de largura, atracado no cais do Estaleiro Brasa, na entrada de Niterói não é o mesmo que estava ali até hoje de manhã.
A nave que estava ali era o Cidade de Maricá, que ficou pronto depois de seis meses de instalação e testes de funcionamento dos módulos de processamento de óleo bruto, partiu para o campo de Lula Alto, na Bacia de Santos, onde será ligado, progressivamente, a oito poços de extração de petróleo, produzindo 150 mil barris diários de petróleo e 6 milhões de metros cúbicos de gás. A cada dez dias, um petroleiro irá encontrá-lo, em alto mar, para retirar até 1,6 milhão de barris de petróleo.
Agora, iluminado como uma cidade, é o Cidade de Saquarema, quase igual – há uma pequena diferença na estrutura dos módulos, por conta do tipo de petróleo que será extraído – que vai receber os mesmo serviços. E parte, lá por maio, para o campo de Lula Central,
Houve atraso em relação ao cronograma, um retardo de cerca de um mês. Mas aconteceu. Os dois navios, somados, são capazes, quando terminada a interligação dos poços produtores, se aumentar em 10% a produção brasileira de petróleo, com seus 300 mil barris por dia.
E quem torce pelo desenvolvimento do Brasil torce agora para que se equacionem os problemas financeiros que atrasam a conclusão da P-74, que está quase pronta para navegar ao Rio Grande do Sul e receber suas estruturas de convés e abrir espaço para que a P-77, atracada a seu lado, possa entrar em processo de terminação. Cada uma deles é ainda maior em tamanho e capacidade que Maricá e Saquarema, processando até 180 mil barris diários de petróleo da área do campo de Búzios, antes conhecido como Franco e que tem potencial igual ou até maior que o megacampo de Libra.
Só os tolos ou os venais não entendem que os preços baixos do petróleo não vão subsistir eternamente, pois o que há não é excesso de petróleo, mas uma guerra entre a Opep e os EUA, que nenhum dos dois pode sustentar indefinidamente.
Um pouco mais devagar, sim, mas parar o esforço para que a nossa petroleira possa ser a líder da exploração desta imensa riqueza do pré-sal, nunca. E nem tão devagar assim, pois uma obra é tão mais cara quanto a gente a faz arrastar-se.
http://tijolaco.com.br/blog/32746-2/
GEORGE Vidipo
21 de dezembro de 2015 7:17 amCrise política e econômica
Crise política e econômica na Espanha provoca derrota de Rajoy nas urnas
Jornal do Brasil
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O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, sofreu uma grave derrota nas eleições legislativas deste domingo (20), com seu Partido Popular (PP) perdendo um terço das cadeiras que tinha no Parlamento. A grave crise espanhola se traduziu nas urnas em redução do PP de 186 cadeiras para 123.
Com a derrota do PSOE, que obteve apenas 92, os eleitores espanhois (foram 36 milhões de convocados às urnas neste domingo) decretaram o fim do bipartidarismo no país.
Podemos e Ciudadanos, siglas novas no cenário eleitoral, cresceram e obtiveram, respectivamente, 69 e 40 vagas. O Podemos é o partido à esquerda do PSOE, enquanto Ciudadanos é a nova legenda de centro, que ficou em quarto lugar.
Para governar com maioria, o mínimo teria sido a obtenção de 176 cadeiras, o que nem mesmo o PP conseguiu. O resultado, dramático, mostra que ninguém terá maioria clara para governar a Espanha nos próximos anos, diante da força dos novos partidos.
Rajoy esperava pelo resultado, já que as pesquisas nas últimas semanas vinham apontando que pela primeira vez na história da democracia espanhola a disputa pelo Parlamento não estaria concentrada nos dois partidos de mais tradição: o Popular (PP), do atual primeiro-ministro, e o Partido Socialista (PSOE), que esteve à frente do governo anterior e, agora, tem o economista Pedro Sanchez como candidato.
Na última pesquisa oficial, feita pelo Centro de Pesquisa Sociológica, o PP estava à frente, com 28,6% dos votos, seguido dos Socialistas, com 20,8%, seguidos de 19% das intenções de voto para a legenda liberal, de centro-direita, Ciudadanos, liderada pelo advogado Albert Rivera, e 15,7% para o jovem Podemos, com tendência à esquerda e postura anti-austeridade. O partido, criado há menos de dois anos, tem no comando o professor universitário Pablo Iglesias.
Novos atores do parlamento espanhol
Logo após o anúncio, Pablo Iglesias reafirmou que os resultados das eleições gerais na Espanha indicam “o fim do bipartidismo” e considerou como prioridade do seu partido uma reforma constitucional ampla.
“Hoje nasceu uma nova Espanha. Inaugura-se uma nova etapa política no país. As forças da mudança obtiveram mais de 20% dos votos, mais de 5 milhões de votos em todo o país”, afirmou Iglesias, numa referência ao seu partido e às formações “irmãs” que apoiou, o En Comú Podem, da Catalunha, o Compromís, da Comunidade Valenciana e o En Mareas, da Galiza.
Iglesias recordou que o Podemos foi a força mais votada na Catalunha e no País Basco e a segunda mais votada em comunidades como Madrid e Galiza – em ambos os casos atrás do PP. Com 97% dos votos escrutinados, o PP registra 123 deputados, seguido do PSOE – com 92 -, do Podemos, que estreia no parlamento com 69 deputados, e do Ciudadanos, com 40 assentos.
O líder do Podemos destacou que o PP, de Mariano Rajoy, obteve o seu pior resultado desde 1989 e o PSOE, de Pedro Sánchez, o seu pior resultado desde que há democracia na Espanha (1977). “Acabou-se o sistema da rotação [de poder] na Espanha, acabou-se o bipartidismo. Somos a única força política de âmbito estatal capaz de liderar um acordo plurinacional que respeite as forças da mudança que os espanhóis pedem”, disse Iglesias.
Ele enumerou suas prioridades: “em primeiro lugar a blindagem dos direitos sociais na constituição”, defendendo o direito à habitação contra os despejos, a saúde pública e a educação.
Também recordou como prioridade do seu programa uma reforma do sistema eleitoral, “imprescindível e inadiável”, que permita o desenvolvimento “plurinacional de Espanha” e uma moção de confiança ao governo em caso de não cumprimento do seu programa.
“Estamos começando uma nova era política no nosso país e a nossa agenda, antes de mais nada, é a reforma constitucional”, disse Iglesias, ao ser questionado sobre possíveis acordos para formar o governo ou para a votação de investidura do presidente do Governo.
Eleições de maio anteciparam crise do PP nas urnas
Em maio deste ano, as eleições municipais e regionais já haviam colocado em xeque o bipartidarismo no país, com a ascensão do Ciudadanos e do Podemos. Os escândalos de corrupção envolvendo o partido do governo, a economia em crise, que não mostrou sinais consistentes de recuperação após as medidas de austeridade e a alta taxa de desemprego, de 21%, a segunda maior da Europa, atrás apenas da Grécia, fizeram com que os espanhóis olhassem para alternativas.
Criar empregos e apresentar soluções para a economia sem perda de direitos e benefícios sociais para a população serão os principais desafios do próximo governo, que ainda precisará lidar com o movimento pela independência da Catalunha, cada vez mais forte.
GODPLAYER
21 de dezembro de 2015 9:40 amAcho que o país está doido
O ex Primeiro Ministro de Portugal, Pedro Santana Lopes, estava dando uma entrevista ao vivo na televisão para o programa português SIC Notícias sobre a situação política/econômica de Portugal quando foi interrompido pela entrevistadora para anunciar a chegada do técnico de futebol José Mourinho (Mourinho já treinou e foi campeão com Chelsea, Porto, Real Madrid, etc.).
Ao retornar para a entrevista, visivelmente chocado, disparou: “Eu vim com sacrifício pessoal e sou interrompido por causa da chegada de um treinador de futebol…acho que o país está doido.”
Após o esculacho ao vivo (com muita classe, diga-se), se retirou da entrevista
Fico me perguntando quem aqui no Brasil teria coragem para fazer o mesmo e depois aguentar as consequências de tamanha “ousadia” (lembram do Dunga não deixando a Fátima Bernardes interromper um treino da Seleção, mesmo ela sendo da Globo? Deu no que deu para ele…)
http://www.publico.pt/politica/noticia/santana-lopes-abandona-entrevista-a-sic-noticias-cortada-pela-chegada-de-mourinho-1305892
https://www.youtube.com/watch?v=pAt1xfUyfOg
Paulo F.
21 de dezembro de 2015 12:38 pmExplicável
ex Primeiro Ministro.
É EX, não apita nada. No máximo vai liderar a oposição. Já era!
alfeu
21 de dezembro de 2015 11:44 am*
A cobiça de Wall Street está destruindo economia dos EUA, diz democrata Bernie Sanders
Opera Mundi
No terceiro debate dos democratas, o pré-candidato de Vermont acusou a adversária, Hillary Clinton, de obter respaldo empresarial em campanha
Os pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos participaram de um debate na noite de sábado (19/11) em que se uniram para criticar o republicano Donald Trump, mas também trocaram algumas farpas entre si.
EFE

Bernie Sanders está em segundo lugar nas pesquisas de opinião; Hillary lidera com mais de 50% das intenções de voto
Um dos temas que gerou polêmica foi quando o pré-candidato e senador pelo estado de Vermont, Bernie Sanders, acusou sua adversária, Hillary Clinton, de obter respaldo empresarial em sua campanha política.
“A cobiça de Wall Street está destruindo nossa economia”, afirmou Sanders. “É uma ameaça para a economia norte-americana e tem muito poder político”, acrescentou, dirigindo-se à rival.
Durante o debate, Hillary foi questionado pelo moderador David Muir, da emissora ABC News, por sua relações com diretores das grandes empresas em com as quais mantinha contato há anos.
“As corporações dos Estados Unidos devem amar Hillary Clinton?”, questionou o moderador. A ex-secretária de Estado (2009-2013) respondeu, em tom de ironia: “todo mundo deveria”.
Reprodução
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Em seguida, Sanders aproveitou a resposta da adversária e afirmou que se for presidente não obteria o afeto das grandes empresas e muito menos de Wall Street — uma crítica que arrancou aplausos do público.
“Recebo muito mais doações de estudantes e professores que de Wall Street”, defendeu-se a candidata para reivindicar suas políticas sociais.
Esta não é a primeira vez que Sanders e Hillary entram em uma discussão acalorada. No debate dos democratas de 14 de novembro, o senador de Vermont afirmou que a “desastrosa” invasão dos EUA ao Iraque em 2002 — sustentada à época por Hillary — levou a um vácuo de poder no Oriente Médio que favoreceu a criação de grupos como Estado Islâmico.
O terceiro debate democrata também contou com a presença do ex-governador de Maryland, Martin O’Malley. Entretanto, Hillary e Sanders centralizam as discussões e concentram a esmagadora maioria das intenções de votos para as primárias: segundo uma pesquisa encomendada pela Fox News de 16/12, 56% dos norte-americanos dizem que pretendem votar nela, ao passo que 34% afirmam que Sanders é o seu candidato.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/42682/a+cobica+de+wall+street+esta+destruindo+economia+dos+eua+diz+democrata+bernie+sanders.shtml
Anna Dutra
21 de dezembro de 2015 1:23 pmDESEMBARQUE: Aécio rechaça Temer
http://www.brasil247.com/pt/247/poder/210439/A%C3%A9cio-agora-recha%C3%A7a-Temer-seria-ileg%C3%ADtimo.htm
AÉCIO AGORA RECHAÇA TEMER: SERIA ILEGÍTIMO
Após o fracasso do impeachment, senador Aécio Neves (PSDB) agora rechaça aliança com eventual governo de Michel Temer (PMDB); segundo ele, tucanos não devem “nem sequer pensar em cargos” em uma gestão que não sabe “de que forma se colocará”; ‘Temer foi um parceiro permanente e ativo da gestão que fez o Brasil retroceder 20 anos. Só enxergo o Brasil resgatando sua credibilidade e esperança no momento em que um novo governo for eleito. E, obviamente, essa legitimidade do voto faltará ao presidente Michel’, acrescenta; ele diz que só fala definir como Dilma sairá: “Não se pode dizer qual será o caminho, se impeachment, cassação da chapa eleitoral ou renúncia, mas acho que a presidente não governará o país por muito mais tempo”; e também reconhece que Eduardo Cunha é uma pedra no caminho do impeachment
21 DE DEZEMBRO DE 2015 ÀS 04:34
247 – Após declarações de apoio a um eventual governo de Michel Temer (PMDB), senador Aécio Neves (PSDB) muda de campo e agora afirma que tucanos não devem “nem sequer pensar em cargos” em uma gestão que não sabe “de que forma se colocará”: “O método será o que vigorou na última década, do qual o PMDB foi parceiro?”, questionou.
Em entrevista à ‘Folha de S. Paulo’, ele coloca o peemedebista como ‘um parceiro permanente e ativo da gestão que fez o Brasil retroceder 20 anos’. “Só enxergo o Brasil resgatando sua credibilidade e esperança no momento em que um novo governo for eleito. E, obviamente, essa legitimidade do voto faltará ao presidente Michel”, acrescentou.
O tucano afirma ainda que o mandato de Dilma esta perto do fim: “Não se pode dizer qual será o caminho, se impeachment, cassação da chapa eleitoral ou renúncia, mas acho que a presidente não governará o país por muito mais tempo.”
Reconhece também que ‘Eduardo Cunha é uma pedra no caminho do impeachment’: “Acho que a situação dele chegou a um ponto insustentável. As denúncias se avolumam, as respostas são muito pouco consistentes e o processo do Eduardo Cunha, de alguma forma, se coloca como diria o poeta da minha terra: ‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’. Tem o Eduardo Cunha no meio do caminho e essa questão terá que ser resolvida”.
Aécio criticou ainda a troca de Joaquim Levy por Nelson Barbosa na Fazenda: “A saída de Levy e a nomeação do ‘arquiteto da nova matriz econômica’ sinalizam perigosamente na direção oposta ao necessário equilíbrio das contas públicas. Foi, sem dúvida, uma vitória do PT, e como sempre acontece quando o PT vence, quem perde é o Brasil” (leia mais).
Anna Dutra
21 de dezembro de 2015 1:28 pmBarbosa e as Reformas
http://www.brasil247.com/pt/247/economia/210443/Barbosa-chega-com-promessa-de-reformas-estruturais.htm
BARBOSA CHEGA COM PROMESSA DE REFORMAS ESTRUTURAIS
Além de defender a redução dos gastos obrigatórios, novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, acena com mudanças profundas, como a reforma de Previdência e a criação de um limite para crescimento do gasto público; “Sabemos que a situação da economia brasileira requer ações imediatas, sinalizações imediatas e estamos trabalhando nisso. Sabemos que temos de avançar rapidamente e apresentar medidas no primeiro trimestre de 2016”, disse
Além de defender a redução dos gastos obrigatórios, acena com mudanças profundas, como a reforma de Previdência
21 DE DEZEMBRO DE 2015 ÀS 05:45
247 – O ministro Nelson Barbosa, que assume hoje a Fazenda, acena com promessa de reformas estruturais e diz que é hora de reduzir os gastos obrigatórios. Ele também se comprometeu com a meta de superávit primário de 0,5% do PIB para 2016, tal como aprovada pelo Congresso.
“Sabemos que a situação da economia brasileira requer ações imediatas, sinalizações imediatas e estamos trabalhando nisso. Sabemos que temos de avançar rapidamente e apresentar medidas no primeiro trimestre de 2016”, em entrevista ao Valor. “Temos que avançar nas reformas estruturais”, completou.
Segundo ele, a primeira reforma será a da previdência social, com a introdução da idade mínima para aposentadoria, que será apresentada no primeiro trimestre do próximo ano; outra é a criação de um limite para crescimento do gasto público (leia mais).
antonio francisco
21 de dezembro de 2015 9:09 pmTCM-GO pagará auxílio moradia retroativo
Em 27/11/2015 a repórter Fabiana Pulcinelli publicou o seguinte, em seu blog:
O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) decidiu pagar auxílio-moradia retroativo aos conselheiros, a exemplo do Tribunal de Justiça (TJ-GO) e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-GO). Resolução administrativa que estabelece o pagamento foi publicada no Diário Oficial de Contas na sexta-feira (20), mas não há detalhes sobre valores e nem se será integral ou parcelado.
Leia mais, em
http://www.opopular.com.br/editorias/blogs/fabiana-pulcineli/blog-da-fabiana-pulcineli-1.526/tcm-go-pagar%C3%A1-aux%C3%ADlio-moradia-retroativo-e-mant%C3%A9m-sigilo-sobre-valores-1.996372