5 de junho de 2026

“330 x PM”, documentário estuda mortes por policiais militares na capital paulista

Jornal GGN – Todos os boletins de ocorrência das mortes cometidas por policiais militares na capital paulista foram analisados pelos jornalistas Ciro Barros, Iuri Barcelos, José Cícero da Silva. A pesquisa, também apresentada em video-documentário, se torna pública e se apresenta como uma fonte argumentativa para questionar a abordagem policial e o despreparo da polícia da Alckmin. Nesses seis meses de coleta de histórias e pedidos através da Lei de Acesso a Informação, o grupo de jornalista também conversou com defensores públicos e familiares. Leia a reportagem completa aqui.
 
https://vimeo.com/148475190 width:700 height:394
 
Relato do produtor Iuri Barcelos exclusivo ao Jornal GGN:
 
Foram seis meses e diversos pedidos de acesso às informações sobre as mortes da PM na cidade de São Paulo em 2014. Os dados vieram brutos e desorganizados: tivemos que tabular as informações de cada B.O, para então incluí-las em nossa base. No total, mapeamos 330 ocorrências, mas apenas uma história: a do suspeito jovem, geralmente negro, morador de alguma periferia de São Paulo, e que resiste ao ser abordado. 396 civis foram assassinados com esta narrativa. 
Também visitamos os locais onde a PM matou e encontramos 15 famílias a partir dos BOs. Mas as negativas eram frequentes. “Vocês vêm, fazem a matéria de vocês e vão embora. E a gente que fica aqui?” Essa foi a frase que mais ouvimos delas, e quase sempre ficávamos sem resposta.” As que aceitaram nos receber com a câmera ligada contam suas histórias no mini-documentário que produzimos, e as revelações da pesquisa você vê também na reportagem em texto.

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Ó, algumas das principais estatísticas que levantamos. 
 
– mapeamos 396 mortes de civis, 17 PMs feridos e nenhum policial morto;
– a PM mata quando protege o patrimônio: em apenas duas vezes o crime que motivou a intervenção policial foi o homicídio ou latrocínio;
– das armas supostamente apreendidas com as vítimas, apenas 6 das 271 que encontramos eram de grosso calibre;
– apenas 3,5% das intervenções aconteceram nas 10 regiões mais ricas da cidade;
– 85% das vítimas da PM são jovens, 31% menores de idade;
– 65% são negros;
 

 

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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2 Comentários
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  1. Francisco Santos

    15 de dezembro de 2015 11:45 am

    Extermínio seletivo, programático e extremamente eficaz…

    Extermínio seletivo, programático e extremamente eficaz…

     

     

    1. Francisco Santos

      16 de dezembro de 2015 12:30 pm

      A cada mês, 40 detentos morrem nos presídios de São Paulo

      http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=87705

       

      Adital

      No pavilhão D do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Santo André, na região do ABC paulista, um grupo de detentos grita: “PS! PS!” Esta é a expressão (uma referência à palavra pronto-socorro) usada por eles para avisarem que algum preso precisa ser levado à enfermaria.

      Dois agentes penitenciários dirigem-se à cela de número 46. Nela, há 16 detentos em regime de observação (separados do restante dos presos do CDP por algum motivo de segurança). Dois deles estão desacordados.

      Os agentes os algemam e os levam, em cadeiras de rodas, à enfermaria. Felipe dos Santos Lima, o Tripa, 18 anos, desempregado, e Paulo Ricardo Martins, o Paulinho, 19 anos, servente, não apresentam nenhum sinal de agressão. Um atendente atesta: eles estão mortos. São 14p6 do dia 30 de agosto de 2013.

      Interior de unidade do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão, palco de uma série de assassinatos de detentos, nos últimos anos. Fotos: Rodrigo Freitas CCOM-MPMA (23/10/2013)

      Dois meses antes, Tripa e Paulinho participaram de um roubo a uma família de bolivianos, na Vila Bela, favela em São Mateus, zona leste de São Paulo, no qual o menino Brayan Yanarico Capcha, de cinco anos, foi morto com um tiro na cabeça. Outros dois suspeitos, que não chegaram a ser presos, foram achados mortos, dias depois.

      As mortes de Tripa e Paulinho não são um caso isolado

      Entre janeiro de 2014 e junho de 2015, 721 detentos morreram nos presídios paulistas. Isto representa uma média de 40 mortes a cada mês. É o que aponta levantamento inédito feito pelo Fiquem Sabendo, com base em dados da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária, obtidos por meio da Lei Federal nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação). (Veja o detalhamento dessas informações no infográfico abaixo).

      De acordo com os dados disponibilizados pelo governo Geraldo Alckmin [Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB], 661 (92%) dos casos foram de morte natural. Foram registrados 21 (3%) homicídios e 39 (5%) suicídios.

      Segundo a autoridade penitenciária estadual, do total de mortes naturais, 610 (85%) se deram em hospitais (fora das unidades prisionais) e 39 (8%) ocorreram nas celas, onde os presos cumpriam pena ou aguardavam julgamento. Em junho deste ano, os presídios paulistas abrigavam 224.965 presos.

      Pelo menos 136 presos morrem por mês, em todo o país

      Entre janeiro e junho de 2014 (dado mais atualizado), o Ministério da Justiça divulgou, em seu relatório “Levantamento nacional de informações penitenciárias”, que “foram registradas 565 mortes nas unidades prisionais, no primeiro semestre de 2014 (sem dados de São Paulo e do Rio de Janeiro)”. Segundo o documento, parte da ausência desses números se deu porque “o Estado de São Paulo não respondeu ao presente levantamento”.

      Somadas, essas mortes com os 250 casos contabilizados no período, nos presídios paulistas, pode-se afirmar que o país registrou, entre janeiro e junho de 2014, 815 detentos mortos (136 a cada mês, em média).

      Questionada sobre o assunto, a Secretaria da Administração Penitenciária informou, em nota, que “os dados estão à disposição na Secretaria da Administração Penitenciária, para qualquer pessoa ou órgão interessado”.

      O Estado impõe duas penas ao preso, diz jurista

      Na avaliação do jurista e presidente do Instituto Avante Brasil – IAB (Instituto de Prevenção do Crime e da Violência), Luiz Flávio Gomes, o número de mortes de presos no Estado é alto e reflete uma política de Estado apoiada por “uma sociedade insegura, que não suporta o atual nível de violência”.

      “É um genocídio estatal, com amparo da sociedade. Isto prova que mandar um cara para a cadeia, hoje, não é só punir com a pena de prisão. Há também uma pena implícita. A pena implícita que o preso corre é a morte, ou pela Aids ou pelo assassinato”, afirma Gomes.

      Para o jurista, os dados apontam ainda a suspeita de que quem comanda os presídios e tem o poder da força dentro deles é a facção criminosa PCC (Primeiro Comando Vermelho). “Talvez, as mortes não sejam do Estado. É bem provável que elas sejam, em sua grande maioria, do próprio PCC”.

      Segundo ele, o Estado omite-se em relação a essas. “O Estado não coloca seu poder de investigação, de laudos, de exame médicos. Não se coloca isso a serviço do bem estar geral, não cumpre seu papel. Ele é omisso”.

      Detentos são uma população invisível, afirma integrante da ONU

      Para a advogada brasileira Margarida Pressburguer, integrante do SPT (Subcomitê para Prevenção da Tortura), da ONU (Organização das Nações Unidas), os presos são uma população invisível e a maior parte da sociedade não se importa com o que se passa dentro dos presídios. “Hoje em dia, você está vendo a população enraivecida, querendo fazer justiça com as próprias mãos. Então, quando você fala da população carcerária, é aquela velha resposta: ‘Mas não tem nenhum santinho lá dentro, deixa matar, deixa morrer, não vai fazer falta’”.

      Mortes estão em queda, afirma Secretaria

      A Secretaria de Estado da Administração Penitenciária disse, por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa, que as mortes nos presídios paulistas estão caindo e que a população prisional paulista tem atendimento de saúde garantido.

      Não soubemos de mais nada, diz familiar de preso morto

      Passados mais de dois anos da morte de Felipe dos Santos Lima, o Tripa, um dos presos encontrados mortos, em uma cela do CDP de Santo André, familiares dele não querem conversar sobre o caso.

      Na casa onde ele morava (a menos de 50 metros do local da morte do menino Brayan), na Vila Bela, uma parente, que não quis ser identificada, diz que os pais dele se mudaram para o interior paulista, logo após o crime.

      Ela conta que a morte dele foi informada à família por meio de um telefonema feito por um funcionário do presídio. “De lá para cá, não soubemos de mais nada. Os pais dele não querem conversar sobre isso”, diz.

      *Com colaboração da repórter Bianca Gomes de Carvalho

       

       

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