4 de junho de 2026

Renan diz que impedimento de Dilma seria “botar fogo no Brasil”

Presidente do Senado afirmou, em encontro com ministros, que o impeachment e a apreciação de contas do governo Dilma não são prioritário no Congresso

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Da Agência Câmara

Por Mariana Jungmann

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse hoje que “as pessoas perguntam sobre impedimento, sobre apreciação de contas dos governos anteriores e desse governo, e eu digo que isso não é prioritário. Porque, na medida que o Congresso tornar isso prioritário, nós estaremos pondo fogo no Brasil. E não é isso que a sociedade quer de nós” . Renan fez a declaração após reunião em sua residência oficial, na qual recebeu diversos ministros do governo federal.

A reunião serviu para que Renan definisse com os ministros da área econômica e outros uma agenda para a retomada do crescimento econômico e outras reformas que sejam necessárias para o país após a crise. Na opinião dele, essa agenda deve ser ampla a ponto de reunir as forças políticas em torno dela.

“Eu acho que agenda tem que tratar de tudo, da reforma do estado, da coalizão, da sustentação congressual. Eu acho que esse modelo político, essa coalizão, ela já se esgotou no tempo. É preciso dar fundamento ao ajuste, à agenda da retomada do crescimento, sinalizar claramente com relação ao futuro do Brasil e construir uma convergência com relação a esse futuro”, disse o presidente do Senado.

Uma das principais lideranças do PMDB, o senador Romero Jucá (RR) também participou da reunião com os ministros e disse que a proposta é que o Senado se encarregue de “capitanear a retomada da animação econômica”. Ele confirmou que foi convidado para jantar hoje à noite no Palácio da Alvorada, com a presidenta Dilma Rousseff e outros senadores e disse que o governo está “procurando construir pontes”.

“Se está procurando construir pontes, vamos ver os termos dessas pontes. O Congresso tem que procurar colocar aquilo que deseja, aquilo quer, e a partir daí procurar uma convergência. Eu acho que, no momento grave que o país está passando, nós temos que procurar construir essa convergência para superar a dificuldade econômica. Se nós conseguirmos, vai ser uma vitória da política”, disse Jucá.

Enquanto os dois peemedebistas acertavam um acordo com os ministros para a agenda de retomada do crescimento, no plenário do Senado lideranças petistas também fizeram discursos para defender o mandato da presidenta Dilma. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra da Casa Civil, acusou a oposição de inconformismo com o resultado das eleições de 2014 e de tentar burlar a Constituição, ao propor, na semana passada, novas eleições.

“Temos uma presidenta eleita, empossada e no exercício do mandato. Nossos líderes tucanos não querem o impeachment, mas querem novas eleições. De preferência, eleições que eles vençam, claro, porque, se perderem poderemos ter que ouvir novamente todas as desculpas que estamos ouvindo desde o resultado das urnas, que decepcionou tanto o PSDB”, disse Gleisi. Ainda segundo ela, desde a eleição do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a base aliada do governo na Casa está “desorganizada e mesmo sublevada contra o Executivo”.

O líder do PT, Humberto Costa (PE), ressaltou que estamos passando por “séria instabilidade política no País, que exige de todas as Lideranças responsáveis um esforço em favor de uma grande concertação nacional”. Segundo ele, as empresas já começam a sofrer os efeitos desta instabilidade e a economia é a mais afetada pelo comportamento considerado por ele irresponsável.

“Com a anuência do presidente da Câmara dos Deputados, a oposição quer atacar o governo, aprovando todo tipo de aberração fiscal, tributária e administrativa, o que poderá inviabilizar o Brasil não apenas durante este governo, mas durante um longo espaço de tempo para os próprios governos que venham a suceder o governo da presidenta Dilma”, disse o líder petista no senado.

Humberto Costa também declarou que a presidenta “não será impedida de governar. Não pensem que a população vai assistir passivamente uma presidente eleita legitimamente ser derrubada, que os lutadores sociais, os militantes, vão para casa colocar o pijama e assistir à novela das oito. Não, com certeza não irão! Este país viveria uma convulsão porque, sem legalidade e sem legitimidade, nenhuma coalizão política que sucedesse Dilma poderia ser aceita pelos brasileiros”, declarou Costa.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

8 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Jose Mayo

    11 de agosto de 2015 12:28 pm

    Acho interessante isso…

    Políticos, que atualmente merecem a importância de uma guimba cuspida na vala, falando em “fogo no país”…

    Será que não se enxergam?

  2. Igor Tkaczenko

    11 de agosto de 2015 12:42 pm

    A força da reflexão sobre credibilidade, a imagem defendida.

    O fracasso retumbante que se anuncia nas próximas manifestações do dia 16, contra o governo e a favor do impeachment, é fruto da conscientização e amadurecimento da república democrática brasileira, e em seu aspecto mais desejado, a saber, nação cultural.

    A vergonha em defender uma moral seletiva está reverberando na consciência do brasileiro.

    Somado a isso, estão interesses econômicos dos mais variados, de segmentos diversos, e, mais, a visualização de boa perspectiva aos mais sensatos.

    A Globo percebeu isso e caiu fora, embora também possa apenas estar tentando uma manobra de marketing político visando trabalhar de alguma forma futura sua moeda, a classe fascista que defende a aplicação de moral seletiva e seus aparatos oficiais em ministérios públicos.

    Mas para isso a manifestação tem que ser retumbante, e não será.

    Sobram os suicidas políticos, pois quem quer defender a aplicação de tamanha hipocrisia numa moral seletiva com discurso descarado sofista? Assim, numa época onde devemos verdadeiramente passar o Brasil a limpo?

    Aécio desejou isso, aparentemente.

    Outros são os fascistas, golpistas e papagaios da velha mídia que, agora, viram os seus tapetes puxados.

    Tudo é uma questão de marcar terreno político através da linguagem, da persuasão e, o que melhor qualidade tem, convencimento baseado na credibilidade e sensatez.

    A democracia, defendê-la verdadeiramente, convence sempre a ampla maioria, mesmo que ainda seja bebê como a nossa.

     

  3. levemente

    11 de agosto de 2015 12:49 pm

    A tática do PMDB

    Dilma não irá renunciar. Pedir isso é loucura. Seria o fim do PT, indiscutível e inapelável, caso algo assim viesse a ocorrer. Não ocorrerá. Impeachment? Não sai. O PMDB irá levar a coisa nesse banho maria, nesse cozimento de galo, até 2018 – quando lançará, talvez, o seu candidato, o outro Eduardo, o Paes. Para o PMDB é muito mais útil impedir o PT de reagir, como vem fazendo com inacreditável êxito, até que o período de Dilma II se esgote. Essa será uma forma para lá de eficaz de dilapidar, irreversivelmente, o capital popular do PT, conscienciosamente construído em mais de 30 anos de história, sem posar de antidemocrático (na verdade, mais de 50 primaveras, se levarmos em conta que alguns dos integrantes fundadores e agregados posteriores, feito Dilma, resistiram à ditadura nascida em 1964). Nada mais legítimo do que derrotar um adversário político nas urnas – é isso que querem os adversários mais poderosos e cerebrais do PT.

    “Ah, mas o Aécio está instigando o povo para os protestos deste agosto”. É verdade. Como não passa desapercebido ao observador mais atento que Aécio é um político impossível de ser levado a sério. O malogro de sua gestão em Minas não nos deixa mentir – Aécio foi rejeitado pelo povo do estado que governou, segundo ele, com grande sucesso. Tese de difícil sustentação. Basta lembrar que o mineiro-carioca foi derrotado nas eleições de 2014, sobretudo, por ter perdido em seu estado natal: fosse outra a contagem em Minas, tivesse esse estado conferido ao neto de Tancredo Neves uma vitória retumbante, seria Aécio o presidente dos dias que vivemos.

    Aécio não é um político a ser levado a sério. Quem se deve temer? Observem Eduardo Paes – e o Cunha – e os desdobramentos das Olimpíadas do ano que vem, que colocarão o Rio de Janeiro no centro das atenções. O PMDB tem tempo para construir musculatura para 2018. Fortaleza que construirá, pelo que se vem observando, às custas do sangue petista que vem bebendo – com incríveis bençãos do próprio parasitado. Dilma fica. O PT não cairá. Por que derrubar essa vaca leiteira? Esse ruminante que vem cevando PMDB, mídia, empresariado etc.? O PT sobreviverá. O problema é: em qual estado chegará até 2018? O tempo vem se esgotando. E o PT não reage – Cunha e cia. deitam e rolam. Em breve entraremos no segundo ano de governo. E nada. Do lado petista. Já do lado pemedebista…

    Parece que há a facção ultra-apressada e a que tem menos açodamento (a que entendeu que ganhará mais sendo paciente: “moderadora”). Está aí o Renan Calheiros a agir com parcimônia em relação à conjuntura atual (sabe-se lá a que custo…). O Cunha morde? Pois o Renan assopra…

    Por que afundar irrevogavelmente o país, condenando-o ao futuro de uma Grécia, quando é possível seguir com o barco na mesma toada, só que com o timoneiro devidamente trocado em 2018? Desnecessário. Tenho a impressão de que o Renan Calheiros, daqui a 10 anos, ainda estará na cena política. Nasceu no meu espírito, há uns dias, a impressão de que ele será poupado na “Operação Mensalão II”. Daí sua moderação, no meu entendimento. Ao contrário do Eduardo Cunha, que deve estar a um passo da guilhotina (o Rodrigo Janot, dizem, irá denunciá-lo), o que explicaria as suas atitudes, que demonstram a precipitação de quem sabe que será apagado dentro em breve – nada de 10 anos pela frente.

    Vamos ver aonde chegaremos com isso. Uma parte do povo se comporta como criança, a verdade é essa. Daquele tipo de criança que bota e bola debaixo do braço e diz que vai embora. Quando, no mundo real, a regra do jogo democrático, um jogo para povos adultos, é a de que, uma vez eleito, o governante completa seu mandato, só sendo posto para fora se cometer bandalheira grande. A mera incompetência, por mais grotesco que isso seja, a despeito da gravidade que tal fato represente, não justifica o defenestramento de um eleito via impeachment. Caso isso ocorra, deu-se um golpe (branco, azul, verde ou amarelo, não importa, é golpe). É o que a turma do “Fora Dilma” quer fazer no Brasil, estimulada pela estatura de estadista (“só que não”) do mineiro Aécio Neves. 

    Só posso dizer uma coisa: nossa democracia vive uma inflexão. Não se sabe ainda para qual lado: se para o lado da maturidade ou para o lado da eterna infância. Caso se dê o impeachment, a coisa ficará ingovernável, seja lá para quem for, num futuro brevíssimo. As loucuras orçamentárias que se quer implementar, através de “pautas-bomba” são a prova, o aviso do que virá pela frente, num futuro tenebroso. Caso se dê o golpe à la Paraguai, estaremos condenados por décadas a ser nada mais que uma republiqueta de bananas – cajás, cajus, carambolas, mangas, cocos etc., vá lá. Do contrário, com o governo indo em frente, talvez, quem sabe, um dia poderemos efetivamente pensar como gente grande! Em algum futuro, mesmo que muito distante. 

    __
    PS. Sabem por que o Cid Gomes “viralizou” quando disse umas verdades sobre o Eduardo Cunha? Por ter se portado com ombridade. Por ter sido corajoso – por ter reagido. “Ah, mas ele perdeu o ministério”. Sim. Ministério que ele sabia perdido de qualquer forma. Resolveu perdê-lo com honra, de modo politicamente digno – conseguiu. É desse tipo de postura mais altiva que um político lança mão para trazer o povo para seu lado, na falta de benesses econômicas a oferecer. O irmão, Ciro, anda por aí maquinando a possibilidade de vir a se candidatar presidente. Dizem que há uma frente de esquerda nova a surgir por aí. Observemos, discretamente, os passos que dará Ciro Gomes, até 2018. A fala do Cid Gomes, contra o Eduardo Cunha, daria um excelente material de campanha!

     

  4. Oto Mista

    11 de agosto de 2015 12:55 pm

    Parece que a razão está começando a vencer a emocinha…

    A virtude pacientemente derrotando a vissitude, a intemperança, a indignidade.

    Que o Brasil mostre a sua (melhor) cara e que o tal dia 16 seja um estertor deste processo “atrasatório” dispersivo e sem rumo que começou a reinar neste país com protestos “difusos” (protestar é preciso, mas objetiva e contributivamente) e anabolizado ao delíro desde as eleições.

    Difuculdades há, mas sempre huove e sempre haverá

    Assim como o esforço em enfrentá-las.

    Xô corvos e abutres! Dá-lhe, presidenta! Dá-lhe Brasil!

  5. Gilson AS

    11 de agosto de 2015 12:55 pm

    Renan mudou de opinião e

    Renan mudou de opinião e atitude muito rápido.

    O que houve ?

    Teve garantias que não será denunciado, ou é puro republicanismo, consciência do cargo que ocupa.

    Cada vez me convenço mais  que a politica é a arte de comer merda sem sentir o cheiro.

    E vamos que vamos !!! o que falamos ontem não serve para hoje, e o que dissermos hoje, não garantiremos amanhã.

  6. Marcelo Cruz

    11 de agosto de 2015 1:42 pm

    Mudança da água para o vinho

    Renan mudou de idéia rápido? Será que ele e os seus pares pensaram melhor a respeito e estão com medo de a Dilma convocar novas eleições caso haja mesmo o Impeachment? Acompanharemos as cenas dos próximos capítulos!!!!

  7. joao

    11 de agosto de 2015 2:01 pm

    Como sempre
    O homem pequeno eh homem pequeno nem de salto ou perna de pau cresce e so muda o estilo mais o tamanho eh o mesmo.
    A base gritou lah do nordeste e seus interresses em nao deixar este seu coronealismo morrer pq eh um dos grandes beneficiario das mudancas do Brasil. Igual os rentistas e banqueiros que nunca ganharam tanto nos governos petistas.
    Agora que Cunha te colocou como papagaio de pirata no senado colocou e tomou de assalto todo o congresso! Nao tenho duvidas.
    Agora sem lideraca e a reboque da pauta da camera/Cunha, procura rapido outro lider e o governo ta de bom tamanho. Kkk
    Soh que esta indo com muita sede ao pote!
    A crise politica, o lava jato e nem Dilma mudou ou passamos para outros mares mais tranquilo.
    As nuvens estao chegando, o ceu esta escuro e o sinais da tormenta jah se anunciou na metrologia do tempo. Dos produtores, politicos como tu e do Pig estao procurando terra altas e seguras.
    Qua! Qua! Qua!
    Vamos em frente o mes de agosto para mim nao significa nada, alias sim eh aniversario das feras na minha vida eh bom sempre as leoas e leoes.
    Fraco como voces politicos, indiustriais e o PIG soh indo a falencia e por favor deixe o Brasil para nos.
    Entao vamos as ruas!
    I

  8. Allex

    11 de agosto de 2015 2:24 pm

    Onde foi parar o governo

    Onde foi parar o governo Dilma! É humilhante e vergonhoso precisar da chancela de Renan Calheiros, que até já teve a sua suposta agenda de “salvação nacional” aceita pela presidenta poliana. 

Recomendados para você

Recomendados