16 de junho de 2026

A nova marcha dos insensatos e sua primeira vítima, por Mauro Santayana

 
 
Enviado por nilo
 
Do blog de Mauro Santayana
 
 
Mauro Santayana
 
Esperam-se, para o próximo dia 16 de agosto — mês do suicídio de Vargas e de tantas desgraças que já se abateram sobre o Brasil — novas manifestações pelo impeachment da Presidente da República, por parte de pessoas que acusam o governo de ser corrupto e comunista e de estar quebrando o país.
 
Se esses brasileiros, antes de ficar repetindo sempre os mesmos comentários dos portais e redes sociais, procurassem fontes internacionais em que o mercado financeiro normalmente confia para tomar suas decisões, como o FMI – Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, veriam que a história é bem diferente, e que se o PIB e a renda per capita caíram, e a dívida pública líquida praticamente dobrou, foi no governo Fernando Henrique Cardoso.

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Segundo o Banco Mundial, o PIB do Brasil, que era de 534 bilhões de dólares, em 1994, caiu para 504 bilhões de dólares, quando Fernando Henrique Cardoso deixou o governo, oito anos depois.
 
Para subir, extraordinariamente, destes 504 bilhões de dólares, em 2002, para 2 trilhões, 346 bilhões de dólares, em 2014, último dado oficial levantado pelo Banco Mundial, crescendo mais de 400% em dólares, em apenas 11 anos, depois que o PT chegou ao poder.
 
E isso, apesar de o senhor Fernando Henrique Cardoso ter vendido mais de 100 bilhões de dólares em empresas brasileiras, muitas delas estratégicas, como a Telebras, a Vale do Rio Doce e parte da Petrobras, com financiamento do BNDES e uso de “moedas podres”, com o pretexto de sanear as finanças e aumentar o crescimento do país.
 
Com a renda per capita ocorreu a mesma coisa. No lugar de crescer em oito anos, a renda per capita da população brasileira, também segundo o Banco Mundial — caiu de 3.426 dólares, em 1994, no início do governo, para 2.810 dólares, no último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. E aumentou, também, em mais de 400%, de 2.810 dólares, para 11.208 dólares, também segundo o World Bank, depois que o PT chegou ao poder.
 
O salário mínimo, que em 1994, no final do governo Itamar Franco, valia 108 dólares, caiu 23%, para 81 dólares, no final do governo FHC e aumentou em três vezes, para mais de 250 dólares, agora.
 
As reservas monetárias internacionais — o dinheiro que o país possui em moeda forte — que eram de 31,746 bilhões de dólares, no final do governo Itamar Franco, cresceram em apenas algumas centenas de milhões de dólares por ano, para37.832 bilhões de dólares — nos oito anos do governo FHC.
 
Nessa época, elas eram de fato, negativas, já que o Brasil, para chegar a esse montante, teve que fazer uma dívida de 40 bilhões de dólares com o FMI.
 
Depois, elas se multiplicaram para 358,816 bilhões de dólares em 2013, e para 370,803 bilhões de dólares, em dados de ontem (Bacen), transformando o Brasil de devedor em credor do FMI, depois do pagamento total da dívida com essa instituição em 2005, e de emprestarmos dinheiro para o Fundo Monetário Internacional, quando do pacote de ajuda à Grécia em 2008.
 
E, também, no terceiro maior credor individual externo dos EUA, segundo consta, para quem quiser conferir, do próprio site oficial do tesouro norte-americano — (usa treasury).
 
O IED – Investimento Estrangeiro Direto, que foi de 16,590 bilhões de dólares, em 2002, no último ano do Governo Fernando Henrique Cardoso, também subiu mais de quase 400%, para 80,842 bilhões de dólares, em 2013, depois que o PT chegou ao poder, ainda segundo dados do Banco Mundial: passando de aproximadamente 175 bilhões de dólares nos anos FHC (mais ou menos 100 bilhões em venda de empresas nacionais) para 440 bilhões de dólares entre 2002 e 2014.
 
A dívida pública líquida (o que o país deve, fora o que tem guardado no banco), que, apesar das privatizações, dobrou no Governo Fernando Henrique, para quase 60%, caiu para 35%, agora, 11 anos depois do PT chegar ao poder.
 
Quanto à questão fiscal, não custa nada lembrar que a média de déficit público, sem desvalorização cambial, dos anos FHC, foi de 5,53%, e com desvalorização cambial, de 6,59%, bem maior que os 3,13% da média dos anos que se seguiram à sua saída do poder; e que o superavit primário entre 1995 e 2002 foi de 1,5%, muito menor que os 2,98% da média de 2003 e 2013 — segundo Ipeadata e o Banco Central.
 
E, ao contrário do que muita gente pensa, o Brasil ocupa, hoje, apenas o quinquagésimo lugar do mundo, em dívida pública, em situação muito melhor do que os EUA, o Japão, a Zona do Euro, ou países como a Alemanha, a França, a Grã Bretanha — cujos jornais adoram ficar nos ditando regras e “conselhos” — ou o Canadá (economichelp).
 
Também ao contrário do que muita gente pensa, a carga tributária no Brasil caiu ligeiramente, segundo Banco Mundial, de 2002, no final do governo FHC, para o último dado disponível, de dez anos depois, e não está entre a primeiras do mundo, assim como a dívida externa, que caiu mais de 10 pontos percentuais nos últimos dez anos, e é a segunda mais baixa, depois da China, entre os países do G20 (quandl).
 
Não dá, para, em perfeito juízo, acreditar que os advogados, economistas, empresários, jornalistas, empreendedores, funcionários públicos, majoritariamente formados na universidade, que bateram panelas contra Dilma em suas varandas, no início do ano, acreditem mais nos boatos das redes sociais, do que no FMI e no Banco Mundial, organizações que podem ser taxadas de tudo, menos de terem sido “aparelhadas” pelo governo brasileiro e seus seguidores.
 
Considerando-se estas informações, que estão, há muito tempo, publicamente disponíveis na internet, o grande mistério da economia brasileira, nos últimos 12 anos, é saber em que dados tantos jornalistas, economistas, e “analistas”, ouvidos a todo momento, por jornais, emissoras de rádio e televisão, se basearam, antes e agora, para tirar, como se extrai um coelho da cartola — ou da “cachola” — o absurdo paradigma, que vêm defendendo há anos, de que o Governo Fernando Henrique foi um tremendo sucesso econômico, e de que deixou “de presente” para a administração seguinte, um país econômica e financeiramente bem sucedido.
 
Nefasto paradigma, este, que abriu caminho, pela repetição, para outra teoria tão frágil quanto mentirosa, na qual acreditam piamente muitos dos cidadãos que vão sair às ruas no próximo dia seis: a de que o PT estaria, agora, jogando pela janela, essa — supostamente maravilhosa – “herança” de Fernando Henrique Cardoso.
 
O pior cego é o que não quer ver, o pior surdo, o que não quer ouvir.
 
Está certo que não podemos ficar apenas olhando para o passado, que temos de enfrentar os desafios do presente, fruto de uma crise que é internacional, e que é constantemente alimentada e realimentada por medidas de caráter jurídico que afetam a credibilidade e a estabilidade de empresas e por uma intensa campanha antinacional, que fazem com que estejamos crescendo pouco, neste ano, embora haja diversos países ditos “desenvolvidos” que estejam muito mais endividados e crescendo menos ainda do que nós.
 
Assim como também é verdade que esse governo não é perfeito, e que se cometeram vários erros na economia, que poderiam ter sido evitados, principalmente nos últimos anos, como desonerações desnecessárias e um tremendo incentivo ao consumo que prejudicou — entre outras razões, também pelo aumento da importação de supérfluos e de viagens ao exterior — a balança comercial.
 
Mas, pelo amor de Deus, não venham nos impingir nenhuma dessas duas fantasias, que estão empurrando muita gente a sair às ruas para se manifestar: nem Fernando Henrique salvou o Brasil, nem o PT está quebrando um país que em 2002, era a décima-quarta maior economia do mundo, e que hoje já ocupa o sétimo lugar.
 
Muitos brasileiros também vão sair às ruas, mais esta vez, por acreditar — assim como fazem com relação à afirmação de que o PT quebrou o país — que o governo Dilma é comunista e que ele quer implantar uma ditadura esquerdista no Brasil.
 
Quais são os pressupostos e características de um país democrático, ao menos do ponto de vista de quem “acredita” e defende o capitalismo?
 
a) a liberdade de expressão — o que não é verdade para a maioria dos países ocidentais – dominados por grandes grupos de mídia pertencentes a meia dúzia de famílias, mas que, do ponto de vista formal, existe plenamente por aqui;
 
b) a liberdade de empreender, ou de livre iniciativa, por meio da qual um indivíduo qualquer pode abrir ou encerrar uma empresa de qualquer tipo, quando quiser;
 
c) a liberdade de investimento, inclusive para capitais estrangeiros;
 
d) um sistema financeiro particular independente e forte;
 
e) apoio do governo à atividade comercial e produtiva;
 
f) a independência dos poderes;
 
g) um sistema que permita a participação da população no processo político, na expressão da vontade da maioria, por meio de eleições livres e periódicas, para a escolha, a intervalos regulares e definidos, de representantes para o Executivo e o Legislativo, nos municípios, Estados e União.
 
Todas essas premissas e direitos estão presentes e vigentes no Brasil.
 
Não é o fato de ter como símbolo uma estrela solitária ou vestir uma roupa vermelha — hábito que deveria ter sido abandonado pelo PT há muito tempo, justamente para não justificar o discurso adversário de que o PT não é um partido “brasileiro” ou “patriótico” — que transformam alguém em comunista — e aí estão botafoguenses e colorados que não me deixam mentir, assim como o Papai Noel, que se saísse inadvertidamente às ruas, no dia 6, provavelmente seria espancado brutalmente, depois de ter o conteúdo de seu saco de brinquedos revistado e provavelmente “apreendido” à procura de dinheiro de corrupção.
 
Da mesma forma que usar uma bandeira do Brasil não transforma, automaticamente, ninguém em patriota, como mostrou a foto do Rocco Ritchie, o filho da Madonna, no Instagram, e os pavilhões nacionais pendurados na entrada do prédio da Bolsa de Nova Iorque, quando da venda de ações de empresas estratégicas brasileiras, na época da privataria.
 
Qualquer pessoa de bom senso prefere um brasileiro vestido de vermelho — mesmo que seja flamenguista ou sãopaulino, que não são, por acaso, times do meu coração — do que um que vai para a rua, vestido de verde e amarelo, para defender a privatização e a entrega, para os EUA, de empresas como a Petrobras.
 
O PT é um partido tão comunista, que o lucro dos bancos, que foi de aproximadamente 40 bilhões de dólares no governo Fernando Henrique Cardoso, aumentou para 280 bilhões de dólares nos oito anos do governo Lula.
 
É claro que isso ocorreu também por causa do crescimento da economia, que foi de mais de 400% nos últimos 12 anos, mas só o fato de não aumentar a taxação sobre os ganhos dos mais ricos e dos bancos — que, aliás, teria pouquíssima chance de passar no Congresso Nacional — já mostra como é exagerado o medo que alguns sentem do “marxismo” do Partido dos Trabalhadores.
 
O PT é um partido tão comunista, que grandes bancos privados deram mais dinheiro para a campanha de Dilma e do PT do que para os seus adversários nas eleições de 2014.
 
Será que os maiores bancos do país teriam feito isso, se dessem ouvidos aos radicais que povoam a internet, que juram, de pés juntos, que Dilma era assaltante de banco na década de 1970, ou se desconfiassem que ela é uma perigosa terrorista, que está em vias de dar um golpe comunista no Brasil?
 
O PT é um partido tão comunista que nenhum governo apoiou, como ele, o capitalismo e a livre iniciativa em nosso país.
 
Foi o governo do PT que criou o Construcard, que já emprestou mais de 20 bilhões de reais em financiamento, para compra de material de construção, beneficiando milhares de famílias e trabalhadores como pedreiros, pintores, construtores; que criou o Cartão BNDES, que atende, com juros subsidiados, milhares de pequenas e médias empresas e quase um milhão de empreendedores; que aumentou, por mais de quatro, a disponibilidade de financiamento para crédito imobiliário — no governo FHC foram financiados 1,5 milhão de unidades, nos do PT mais de 7 milhões — e o crédito para o agronegócio (no último Plano Safra de Fernando Henrique, em 2002, foram aplicados 21 bilhões de reais, em 2014/2015, 180 bilhões de reais, 700% a mais) e a agricultura familiar (só o governo Dilma financiou mais de 50 bilhões de reais contra 12 bilhões dos oito anos de FHC).
 
Aumentando a relação crédito-PIB, que era de 23%, em dezembro de 2002, para 55%, em dezembro de 2014, gerando renda e empregos e fazendo o dinheiro circular.
 
As pessoas reclamam, na internet, porque o governo federal financiou, por meio do BNDES, empresas brasileiras como a Braskem, a Vale e a JBS.
 
Mas, estranhamente, não fazem a mesma coisa para protestar pelo fato do governo do PT, altamente “comunista”, ter emprestado — equivocadamente a nosso ver — bilhões de reais para multinacionais estrangeiras, como a Fiat e a Telefónica (Vivo), ao mesmo tempo em que centenas de milhões de euros, seguem para a Europa, como andorinhas, todos os anos, em remessa de lucro, para nunca mais voltar.
 
A questão militar
 
Outro mito sobre o suposto comunismo do PT, é que Dilma e Lula, por revanchismo, sejam contra as Forças Armadas, quando suas administrações, à frente do país, começaram e estão tocando o maior programa militar e de defesa da história brasileira.
 
Lula nunca pegou em armas contra a ditadura. No início de sua carreira como líder de sindicato, tinha medo “desse negócio de comunismo” — como já declarou uma vez — surgiu e subiu como uma liderança focada na defesa de empregos, aumentos salariais e melhoria das condições de classe de seus companheiros de trabalho, operários da indústria automobilística de São Paulo, e há quem diga que teria sido indiretamente fortalecido pelo próprio regime militar para impedir o crescimento político dos comunistas em São Paulo.
 
Dilma, sim, foi militante de esquerda na juventude, embora nunca tenha pego em armas, a ponto de não ter sido acusada disso sequer pela Justiça Militar.
 
Mas se, por esta razão, ela é comunista, seria possível acusar desse mesmo “crime” também José Serra, Aloísio Nunes Ferreira, e muitos outros que antes eram contra a ditadura e estão, hoje, contra o PT.
 
Se o PT tivesse alguma coisa contra a Marinha, ele teria financiado, por meio do PROSUB, a construção do estaleiro e da Base de Submarinos de Itaguaí, e investido 7 bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a França, de vários submersíveis convencionais e do primeiro submarino nuclear brasileiro, cujo projeto se encontra hoje ameaçado, porque suas duas figuras-chave, o Presidente do Grupo Odebrecht, e o Vice-Almirante Othon Pinheiro da Silva, figuras públicas, com endereço conhecido, estão desnecessária e arbitrariamente detidos, no âmbito da “Operação Lava-Jato”?
 
Teria, da mesma forma, o governo do PT, comprado novas fragatas na Inglaterra, voltado a fabricar navios patrulha em nossos estaleiros, até para exportação para países africanos, investido na remotorização totalmente nacional de mísseis tipo Exocet, na modernização do navio aeródromo (porta-aviões) São Paulo, na compra de um novo navio científico oceanográfico na China, na participação e no comando por marinheiros brasileiros das Forças de Paz da ONU no Líbano ?
 
Se fosse comunista, o governo do PT estaria, para a Aeronáutica, investido bilhões de dólares no desenvolvimento conjunto com a Suécia, de mais de 30 novos caças-bombardeio Gripen NG-BR, que serão fabricados dentro do país, com a participação de empresas brasileiras e da SAAB, com licença de exportação para outras nações, depois de uma novela de mais de duas décadas sem avanço nem solução, que começou no governo FHC ?
 
Se fosse comunista — e contra as forças armadas — teria o governo do PT encomendado à Aeronáutica e à Embraer, com investimento de um bilhão de reais, do governo federal, o projeto do novo avião cargueiro militar multipropósito KC-390, desenvolvido com a cooperação da Argentina, do Chile, de Portugal e da República Tcheca, capaz de carregar até blindados, que já começou a voar neste ano — a maior aeronave já fabricada no Brasil?
 
Teria comprado, para os Grupos de Artilharia Aérea de Auto-defesa da FAB, novas baterias de mísseis IGLA-S; ou feito um acordo com a África do Sul, para o desenvolvimento conjunto — em um projeto que também participa a Odebrecht — com a DENEL Sul-africana, do novo míssil ar-ar A-Darter, que ocupará os nossos novos caças Gripen NG BR?
 
Se fosse um governo comunista, o governo do PT teria financiado o desenvolvimento, para o Exército, do novo Sistema Astros 2020, e recuperado financeiramente a AVIBRAS ?
 
Se fosse um governo comunista, que odiasse o Exército, o governo do PT teria financiado e encomendado a engenheiros dessa força, o desenvolvimento e a fabricação, com uma empresa privada, de 2.050 blindados da nova família de tanques Guarani, que estão sendo construídos na cidade de Sete Lagoas, em Minas Gerais?
 
Ou o desenvolvimento e a fabricação da nova família de radares SABER, e, pelo IME e a IMBEL, para as três armas, da nova família de Fuzis de Assalto IA-2, com capacidade para disparar 600 tiros por minuto, a primeira totalmente projetada no Brasil?
 
Ou encomendado e investido na compra de helicópteros russos e na nacionalização de novos helicópteros de guerra da Helibras e mantido nossas tropas — em benefício da experiência e do prestígio de nossas forças armadas — no Haiti e no Líbano?
 
Em 2012, o novo Comandante do Exército, General Eduardo Villas Bôas, então Comandante Militar da Amazônia, respondeu da seguinte forma a uma pergunta, em entrevista à Folha de São Paulo:
 
Lucas Reis:
 
“Em 2005, o então Comandante do Exército, general Albuquerque, disse “o homem tem direito a tomar café, almoçar e jantar, mas isso não está acontecendo (no Exército). A realidade atual mudou?
 
General Eduardo Villas Bôas:
 
“Mudou muito. O problema é que o passivo do Exército era muito grande, foram décadas de carência. Desde 2005, estamos recebendo muito material, e agora é que estamos chegando a um nível de normalidade e começamos a ter visibilidade. Não discutimos mais se vai faltar comida, combustível, não temos mais essas preocupações.”
 
Deve ter sido, também, por isso, que o General Villas Bôas, já desmentiu, como Comandante do Exército, neste ano, qualquer possibilidade de “intervenção militar” no país, como se pode ver aqui (O recado das armas).
 
A questão externa
 
A outra razão que contribui para que o governo do PT seja tachado de comunista, e muita gente saía às ruas, no domingo, é a política externa, e a lenda do “bolivarianismo” que teria adotado em suas relações com o continente sul-americano.
 
Não é possível, em pleno século XXI, que os brasileiros não percebam que, em matéria de política externa e economia, ou o Brasil se alia estrategicamente com os BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul), potências ascendentes como ele; e estende sua influência sobre suas áreas naturais de projeção, a África e a América Latina — incluídos países como Cuba e Venezuela, porque não temos como ficar escolhendo por simpatia ou tipo de regime — ou só nos restará nos inserir, de forma subalterna, no projeto de dominação europeu e anglo-americano?
 
Ou nos transformarmos, como o México, em uma nação de escravos, como se pode ver aqui (O México e a América do Sul) que monta peças alheias, para mercados alheios, pelo módico preço de 12 reais por dia o salário mínimo?
 
Jogando, assim, no lixo, nossa condição de quinto maior país do mundo em território e população e sétima maior economia, e nos transformando, definitivamente, em mais uma colônia-capacho dos norte-americanos?
 
Ou alguém acha que os Estados Unidos e a União Europeia vão abrir, graciosamente, seus territórios e áreas sob seu controle, à nossa influência, política e econômica, quando eles já competem, descaradamente, conosco, nos países que estão em nossas fronteiras?
 
Do ponto de vista dessa direita maluca, que acusa o governo Dilma de financiar, para uma empresa brasileira, a compra de máquinas, insumos e serviços no Brasil, para fazer um porto em Cuba — a mesma empresa brasileira está fazendo o novo aeroporto de Miami, mas ninguém toca no assunto, como se pode ver aqui (A Odebrecht e o BNDES) — muito mais grave, então, deve ter sido a decisão tomada pelo Regime Militar no Governo do General Ernesto Geisel.
 
Naquele momento, em 1975, no bojo da política de aproximação com a África inaugurada, no Governo Médici, pelo embaixador Mario Gibson Barbosa, o Brasil dos generais foi a primeira nação do mundo a reconhecer a independência de Angola.
 
Isso, quando estava no poder a guerrilha esquerdista do MPLA – Movimento Popular para a Libertação de Angola, comandado por Agostinho Neto, e já havia no país observadores militares cubanos, que, com uma tropa de 25.000 homens, lutariam e expulsariam, mais tarde, no final da década de 1980, o exército racista sul-africano, militarmente apoiado por mercenários norte-americanos, do território angolano depois da vitoriosa batalha de Cuito-Cuanavale.
 
Ao negar-se a meter-se em assuntos de outros países, como Cuba e Venezuela, em áreas como a dos “direitos humanos”, Dilma não faz mais do fez o Regime Militar brasileiro, com uma política externa pautada primeiro, pelo “interesse nacional”, ou do “Brasil Potência”, que estava voltada, como a do governo do PT, prioritariamente para a América do Sul, a África e a aproximação com os países árabes, que foi fundamental para que vencêssemos a crise do petróleo.
 
Também naquela época, o Brasil recusou-se a assinar qualquer tipo de Tratado de Não Proliferação Nuclear, preservando nosso direito a desenvolver armamento atômico, possibilidade essa que nos foi retirada definitivamente, com a assinatura de um acordo desse tipo no governo de Fernando Henrique Cardoso.
 
Se houvesse, hoje, um Golpe Militar no Brasil, a primeira consequência seria um boicote econômico por parte do BRICS e de toda a América Latina, reunida na UNASUL e na CELAC, com a perda da China, nosso maior parceiro comercial, da Rússia, que é um importantíssimo mercado para o agronegócio brasileiro, da Índia, que nos compra até mesmo aviões radares da Embraer, e da Àfrica do Sul, com quem estamos também intimamente ligados na área de defesa.
 
O mesmo ocorreria com relação à Europa e aos EUA, de quem receberíamos apenas apoio extra-oficial, e isso se houvesse um radical do partido republicano na Casa Branca.
 
Os neo-anticomunistas brasileiros reclamam todos os dias de Cuba, um país com quem os EUA acabam de reatar relações diplomáticas, visitado por três milhões de turistas ocidentais todos os anos, em que qualquer visitante entra livremente e no qual opositores como Yoani Sanchez atacam, também, livremente, o governo, ganhando dinheiro com isso, sem ser incomodados.
 
Mas não deixam de comprar, hipocritamente, celulares e gadgets fabricados em Shenzen ou em Xangai, por empresas que contam, entre seus acionistas, com o próprio Partido Comunista.
 
Serão os “comunistas” chineses — para a neo-extrema-direita nacional — melhores que os “comunistas” cubanos ?
 
A questão política
 
A atividade política, no Brasil, sempre funcionou na base do “jeitinho” e da “negociação”.
 
Mesmo quando interrompido o processo democrático, com a instalação de ditaduras — o que ocorreu algumas vezes em nossa história — a política sempre foi feita por meio da troca de favores entre membros dos Três Poderes, e, principalmente, de membros do Executivo e do Legislativo, já que, sem aprovação — mesmo que aparente — do Congresso, ninguém consegue administrar este país nem mudar a lei a seu favor, como foi feito com a aprovação da reeleição para prefeitos, governadores e Presidentes da República, obtida pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso.
 
Toda estrutura coletiva, seja ela uma jaula de zoológico, ou o Parlamento da Grã Bretanha, funciona na base da negociação.
 
Fora disso, só existe o recurso à violência, ou à bala, que coloca qualquer machão, por mais alto, feio e forte seja, na mesma posição de vulnerabilidade de qualquer outro ser humano.
 
O “toma-lá-dá-cá” nos acompanha há milhares de anos e qualquer um pode perceber isto, se parar para observar um grupo de primatas.
 
Ai daquele, entre os macacos, que se recusa a catar carrapatos nas costas alheias, a dividir o alimento, ou a participar das tarefas de caça, coleta ou vigilância.
 
Em seu longo e sábio aprendizado com a natureza, já entenderam eles, uma lição que, parece, há muito, esquecemos: a de que a sobrevivência do grupo depende da colaboração e do comportamento de cada um.
 
O problema ocorre quando nesse jogo, a cooperação e a solidariedade, são substituídas pelo egoísmo e o interesse de um indivíduo ou de um determinado grupo, e a negociação, dentro das regras usuais, é trocada por pura pilantragem ou o mero uso da ameaça e da pressão.
 
O corrupto, entre os primatas, é aquele que quer receber mais cafuné do que faz nos outros, o que rouba e esconde comida, quem, ao ver alguma coisa no solo da floresta ou da savana, olha para um lado e para o outro, e ao ter certeza de que não está sendo observado, engole, quase engasgando, o que foi encontrado.
 
O fascista é aquele que faz a mesma coisa, mas que se apropria do que pertence aos outros, pela imposição extremada do medo e da violência mais injusta.
 
Se não há futuro para os egoístas nos grupos de primatas, também não o há para os fascistas.
 
Uns e outros terminam sendo derrotados e expulsos, de bandos de chimpanzés, babuínos e gorilas, ou da sociedade humana, a dos “macacos nus”, quando contra eles se une a maioria.
 
Já que a negociação é inerente à natureza humana, e que ela é sempre melhor do que a força, o que é preciso fazer para diminuir a corrupção, que não acabará nem com golpe nem por decreto?
 
Mudar o que for possível, para que, no processo de negociação, haja maior transparência, menos espaço para corruptos e corruptores, e um pouco mais de interesse pelo bem comum do que pelo de grupos e corporações, como ocorre hoje no Congresso.
 
O caminho para isso não é o impeachment, nem golpe, mas uma Reforma Política, que mude as coisas de fato e o faça permanentemente, e não apenas até as próximas eleições, quando, certamente, partidos e candidatos procurarão empresas para financiar suas campanhas, se elas estiverem dispostas ainda a financiá-los, como se pode ver aqui (A memória, os elefantes e o financiamento empresarial de campanha) — e espertalhões da índole de um Paulo Roberto Costa, de um Pedro Barusco, de um Alberto Youssef, voltarão a meter a mão em fortunas, não para fazer “política” mas em benefício próprio, e as mandarão para bancos como o HSBC e paraísos fiscais como os citados no livro “A Privataria Tucana”.
 
O que é preciso saber, é se essa Reforma Política será efetivamente feita, já que é fundamental e inadiável, ou se a Nação continuará suspensa, com toda a sua atenção atrelada a um processo criminal, que tem beneficiado principalmente bandidos identificados até agora, que, em sua maioria, devido a distorcidas “delações”, que não se sustentam, na maioria dos casos, em mais provas que a sua palavra, sairão dessa impunes, para gastar o dinheiro, que, quase certamente, colocaram fora do alcance da lei, da compra de bens e de contas bancárias.
 
Pessoas falam e agem, e sairão no dia seis de agosto às ruas também por causa disso, como se o Brasil tivesse sido descoberto ontem e o caso de corrupção da Petrobras, não fosse mais um de uma longa série de escândalos, a maioria deles sequer investigados antes de 2002.
 
Se a intenção é passar o país a limpo e punir de forma exemplar toda essa bandalheira, era preciso obedecer à fila e à ordem de chegada, e ao menos reabrir, mesmo que fosse simultaneamente, mas com a mesma atenção e “empenho”, casos como o do Banestado — que envolveu cerca de 60 bilhões — do Mensalão Mineiro, o do Trensalão de São Paulo, para que estes, que nunca mereceram o mesmo tratamento da nossa justiça nem da sociedade, fossem investigados e punidos, em nome da verdade e da isonomia, na grande faxina “moral” que se pretende estar fazendo agora.
 
Ora, em um país livre e democrático — no qual, estranhamente, o governo está sendo acusado de promover uma ditadura — qualquer um tem o direito de ir às ruas para protestar contra o que quiser, mesmo que o esteja fazendo por falta de informação, por estar sendo descaradamente enganado e manipulado, ou por pensar e agir mais com o ódio e com o fígado do que com a cabeça e a razão.
 
Esse tipo de circunstância facilita, infelizmente, a possibilidade de ocorrência dos mais variados — e perigosos — incidentes, e o seu aproveitamento por quem gostaria, dentro e fora do país, de ver o circo pegar fogo.
 
Para os que estão indo às ruas por achar que vivem sob uma ditadura comunista, é sempre bom lembrar que em nome do anticomunismo, se instalaram — de Hitler a Pinochet — alguns dos mais terríveis e brutais regimes da História.
 
E que nos discursos e livros do líder nazista podem ser encontradas, sobre o comunismo as mesmas teses, e as mesmas acusações falsas e esfarrapadas que se encontram hoje disseminadas na internet brasileira, e que seus seguidores também pregavam matar a pau judeus, socialistas e comunistas, como fazem muitos fascistas hoje na internet, com relação aos petistas.
 
A questão não é a de defender ou não o comunismo — que, aliás, como “bicho-papão” institucional, só sobrevive, hoje, em estado “puro”, na Coréia do Norte — mas evitar que, em nome da crescente e absurda paranoia anticomunista, se destrua, em nosso país, a democracia.
 
Esperemos que os protestos do dia 16 de agosto transcorram pacificamente — considerando-se a forma como estão sendo convocados e os apelos ao uso da violência que já estão sendo feitos por alguns grupos nas redes sociais — e que não sejam utilizados por inimigos internos e externos, por meio de algum “incidente”, para antagonizar e dividir ainda mais os brasileiros, e nem tragam como consequência, no limite, a morte de ninguém, além da Verdade — que já se transformou, há muito tempo, na primeira e mais emblemática vítima desse tipo de manifestação.
 
Há muitos anos, deixamos de nos filiar a organizações políticas, até por termos consciência de que não há melhor partido que o da Pátria, o da Democracia e o da Liberdade.
 
O rápido fortalecimento da radicalização direitista no Brasil — apesar dos alertas que tem sido feitos, nos últimos três ou quatro anos, por muitos observadores — só beneficia a um grupo: à própria extrema direita, cada vez mais descontrolada, odienta e divorciada da realidade.
 
Na longa travessia, pelo tempo e pelo mundo, que nos coube fazer nas últimas décadas, entre tudo o que aprendemos nas mais variadas circunstâncias políticas e históricas, aqui e fora do país, está uma lição que reverbera, de Weimar a Auschwitz, profunda como um corte:
 
Com a extrema-direita não se brinca, não se alivia, não se tergiversa, não se compactua.
 
Quem não perceber isso — e esse erro — por omissão ou interesse — tem sido cometido tanto por gente do governo quanto da oposição — ou está sendo ingênuo está sendo fraco, ou irresponsável, ou mal intencionado.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

44 Comentários
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  1. CB

    5 de agosto de 2015 11:30 am

    Não adianta argumentar, não

    Não adianta argumentar, não adianta apresentar dados e nem nada. Estas pessoas são midiotas, se a mídia (capitaneada pela globo) mandar comer m rda, esta gente saqueia as estações de tratamento de esgoto. Isto aí é uma manada que os barões da mídia conduzem como gado. Da mesma forma, não adianta tentar argumentar com as camadas mais humildes. Infelizmente vivemos uma época em que os midiotas deverão ser tratados como aquelas crianças doentes que devemos obrigar a tomar remédio para que se curem. O que tenho visto e ouvido por aí de gente que não é burra, mas repete os mantras que a mídia conspiradora e golpista é uma grandeza. Por isso escrevi outro dia que perdi a fé em soluções institucionais para o país.

    Em 1964 os militares desfecharam  o golpe, mas não deixaram o poder quando perceberam o quanto é canalha, corrupta e burra a direita da sociedade civil.

  2. Helena/S.André SP

    5 de agosto de 2015 11:39 am

    Brilhante!

    Brilhante e irretocável esse texto de Mauro Santayanna. Nem uma virgula a acrescentar. Genial!

  3. Jose de Almeida Bispo

    5 de agosto de 2015 11:42 am

    Não basta ser a mulher do Cesar…

    Com larguíssima experiência pelos meandros do poder em Londres, Pombal sabia que o menor trastejo na condução dos negócios do Estado português e este mais rapidamente desabaria, como de fato passau a ser desde a estupidez de D. Sebastião e sua consequente morte: a Inglaterra iria continuar a fazer seu usus do claudicante império português, como o fez. Mas aí, Pombal tinha um adversário em potencial dentro do próprio Reino que o travava de fazer qualquer aposta modernizante: OS DONOS DA OPINIÃO. Os jesuítas. Tão eficientes que os nazistas neles buscariam inspiração para o se Reich de mil anos. Pombal detonou a Companhia de Jesus.

    Com o poder entregue de bandeja pela alta elite alemã e apoiada da direita internacional para varrer o comunismo e outros incômodos à direita, os nazistas não hesitaram: pegaram o poder com as duas mãos. Era, em tese, uma bando de ignorantes. MAS NÃO BURROS! E a espinha dorsal do nazismo se compôes da violência e da publicidade. Exímios, em que pese à sociedade alemã, muito disciplinada ser mais fácil injetar comportamentos simplistas.

    O PT achou que meramente com obras e ascensão social resolveria o jogo. Esqueceu que a humanidade precisa da religião. Pouco importa seu nível ou de seus deuses.

    Não basta ser; aliás, nem precisa ser, mas tem que parecer ser.

    1. Cleusa

      5 de agosto de 2015 12:38 pm

      Palavra mágica: Regulamentação da Mídia

      Na realidade faltou a regulamentação da mídia e menos republicanismo. Nos cargos estratégicos é fundamental colocar pessoas de confiança. É só ver o estrago que o Joaquim Brabosa fez ao Brasile ao PT. Quanto a religiões: considero que nunca os brasileiros tiveram tanta liberdade religiosa. Outra questão é ter um pessoal da área de comunicação e advogados que respondam a todos ataques contra o governo – venham de onde vierem.

  4. Cleusa

    5 de agosto de 2015 11:50 am

    Como sempre perfeito em suas colocações!

    Mario Santayana, como sempre perfeito em suas colocações, sempre amparadas em vastos argumentos muito bem fundamentados, que não podem ser refutados por ninguém. Que aula magistral! Muito obrigada!!

  5. Cris Kelvin

    5 de agosto de 2015 11:56 am

    Mais informação, menos insensatez

    Não há dúvidas. Contra fatos, não há argumentos. 

    Todo manifestante deveria ler este texto, antes de sair às ruas. 

    Houvesse mais realismo e menos credulidade,

    o Brasil não seria instrumento das forças golpistas do retrocesso.

    1. Jossimar

      5 de agosto de 2015 2:39 pm

      Para não chamar de burrice,

      Para não chamar de burrice, chamo de ignorância.

      A maioria do povo brasileiro ignora a realidade em que vive. não sabe o que o governo fez nestes doze anos.

      Ignorânca do povo gestada pelo PIG e pela incompetência do PT e governo em divulgar para a sociedade o que faz e porque faz.

      Agora, penso que já é tarde. O PT e suas lideranças serão dizimados pelo PIG e judiciário.

  6. Eliane Campello

    5 de agosto de 2015 12:13 pm

    O que fazer?
    Caro Sr. Santayana.
    O Sr. ainda acredita que a racionalidade predomina sobre a irracionalidade, o preconceito, a manipulação ou a simples ignorância política no Brasil de hoje pra estar sensível e aberto a compreensão dos dados que Sr. ilustrou no seu artigo. Eu não acredito mais. A questão que se coloca agora é :qual o passo a tomar quando o estado de direito está em sério risco?

  7. Francisco Santos

    5 de agosto de 2015 12:19 pm

    Texto

    Uns dos melhores textos já pulbicados aqui no site do nassif, parabéns!

  8. Fernando J.

    5 de agosto de 2015 12:19 pm

    Mestre Santayana de saco cheio

    Ufa! Não ficou pedra sobre pedra, mestre Santayana não deixou nada de fora. A esta altura da vida demonstra que não tem mais paciência para aturar ignorâncias.

  9. Marcos K

    5 de agosto de 2015 12:49 pm

    Palavras vãs. A midiotização

    Palavras vãs. A midiotização secou o cérebro daqueles que acham que o problema e a “currupição do PT”. Nada vai fazer os idiotas deixaram de sê-lo. Bem, a esperança é que depois que os neoliberais voltarem ao poder e arrasarem com nosso país, talvez (mas dúvido muito), os milhões de imbecis teleguiados consigam enxergar alguma coisa sem as viseiras anti-petistas. Mas aí, já vai ser tarde para lamentar.

  10. maria rodriguesm

    5 de agosto de 2015 1:03 pm

    A ignorância do povo é tão

    A ignorância do povo é tão grande, que como se não bastasse desentender o grau da crise mundial, hoje atingindo até mesmo a China, um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, também não tem a sensibilidade, o senso crítico pra ver que o Governo Federal, com todos os seus defeitos, jamais abri mão de ser um governo absolutamente democrático, daí todos dizerem e fazerem o que bem querem, inclusive saírem em passeata num comportamento totalmente desrespeitoso com a mulher e Presidente da Nação. 

    O golpe tão bem ensaiado e desenvolvido já desperta mais ganas na imprensa e em todos que são movidos a ódio, no sentido de chegar a Lula, se possível antes do final do ano. A imprensa, ao ditar suas pautas para o mimoso Moro, já tem nas vozes de Merval e de Dora Crammer o chamamento à prisão do ex-Presidente. Com certeza será por uma questão de tempo, e também porque Moro não poderá ser desmoralizado se uma das instâncias superiores negar tal decisão. Será preciso que todas as ações desse procurador de primeira instância caminhem com a mesma verocidade, sem breques, afinal o homi já atingiu graus inimagináveis de poder, com muita habilidade e inteligência, dentro da realidade brasileira. Já é parte da História.

  11. rdmaestri

    5 de agosto de 2015 1:14 pm

    O que a lideres destas marcha querem é um CADÁVER!

    Em 2013 as manifestações não seguiram em frente simplesmente porque não ocorreu o esperado, UMA MORTE DE ALGUM MANIFESTANTE.

    O objetivo principal das novas manifestações é que ALGUÉM MORRA e que possam atribuir esta MORTE ao governo federal (MESMO QUE NÃO SEJA).

    Pois bem, que fique claro e que as pessoas tomem cuidado e providências para REGISTRAR QUALQUER INCIDENTE MAIS GRAVE, há sérias chances que ocorram a ação de FRANCO-ATIRADORES (nome correto em português para snipers) saídos do nada contra os manifestantes.

    ESTE SERÁ O GATILHO PARA O GOLPE.

    1. Felipe@

      5 de agosto de 2015 1:22 pm

      Como o foi na Ucrânia.Não

      Como o foi na Ucrânia.
      Não duvido que imputem a culpa ao PT, assim criando um pretexto para exterminar o partido (grupo terrorista).

    2. CB

      5 de agosto de 2015 3:26 pm

      Como foi mesmo o episódio que

      Como foi mesmo o episódio que serviu de pretexto para o golpe paraguaio original, contra Lugo?

  12. Adriano Marcio S.C de New York

    5 de agosto de 2015 1:20 pm

    A intolerância nos

    A intolerância nos abateu!!!

    Assim como os dados apresentados, também existe os dados da corrupção, registrada no balanço da Petrobras e reconhecida por seus atores.

    As pessoas podem protestar contra o governo que patrocinou vários escândalos de corrupção. Quem discorde dessa atitude, pode organizar uma manifestação de apoio ao governo. Qual é o problema de uma ou outra ação?

    Acho que precisamos aprender a conviver com a democracia e deixar de desqualificar movimentos que achamos contrários a nossas ideias.

    Deixemos a intolerância de lado!!

    1. Fr@ncisco

      5 de agosto de 2015 4:02 pm

      Se Não Ignorante, Pior Ainda, Cínico e Hipócrita.

      E a ignorância também!

      No Brasil também os partidos tem que pagar as contas para existirem e a prática é essa para todos os partidos que contam, mas seletivamente, infelizmente sem reação da vítima,  o consórcio jurídico-midiático transmite aos brasileiros ser prática apenas do PT, que por ironia do destino não o criou e foi o último a utilizar-se do mesmo, pois sem o mesmo, não se chega ao poder e governa-se, daí a tal de governabilidade tão decantada.

      A nossa história registra que o PT desde sempre defendeu e batalhou pelo financiamento público de campanha, exatamente para acabar com essa prática  e poder chegar ao poder, que pragmaticamente chegou após utiliza-la.

      Enquanto o PT tenta derrotar essa prática, exatamente esse consórcio que o acusa de prática ilícita, através da oposição aliada a Eduardo Cunha e ao supremo Gilmar Mendes, que senta há mais de ano em cima da decisão vencedora no STF de proibir-se doações de empresas a partidos políticos, tenta tornar pétrea na constituição as doações de empresas a partidos políticos. Hipocrisia pura.

      Se não for ignorante, pior ainda, é cínico e hipócrita tentando iludir desavisados à ignorância.  

  13. Felipe-mad

    5 de agosto de 2015 1:37 pm

    Resumo do opera: vamos deixar

    Resumo do opera: vamos deixar roubar, os índices melhoraram em comparação ao período FHC. Aproveitando a oportunidade, chega a ser uma obsessão o FHC na vida de muitos aqui, nem os militares, Sarney, Collor são tão perseguido s como o FHC, ele governou 8anos e não 80 anos. Quando formos olhar o retrovisor, é mais inteligente observar o carro que está mais perto ou ao lado, e não o que está a 12 anos atrás. Não vejo o Obama acusando incessantemente o Bush pela crise econômica. Quando um presidente se candidata e se elege, ele sabe muito bem como está a econômica( nossa presidenta é doutora em economia) ou pelo menos deveria saber. É só a simples opinião de um jovem, médico, recém formado, e antes que me acusem de direita-facista-coxinha, só quero entender como chegamos neste ponto. 

    1. Luis Fraga

      6 de agosto de 2015 6:05 am

      situação desabonadora…

      Vixi…

      1) Jovem

      2) Médico

      Com capacdade de interpretaçao reduzidíssima, pois teu resumo da ópera depõe contra. Que lástima!

      Tenta ler de novo sem a catequese midiática…ou familiar (provavelmente).

    2. João Farias Duarte Monteiro

      7 de agosto de 2015 1:11 am

      respondendo ao colega

      Então, se sua intenção é entender, posso colaborar com isso. O fato é que os meios de comunição de massa tenta passar a idéia de que FHC. foi um presidente acima de todas essas mazelas e quando se compara dados vê-se que não é assim.

      a comparação com o governo FHC. é simplismente por ser ele, o antecessor do PT.

      com relação a deixar roubar: note que pessoas, antes inatingíveis, estão sendo presas e pessoas do próprio governo do PT. Você não acha que isso é um avanço?

      nós somos a sétima economia do mundo, e com relação a desigualdade social estamos ainda muito longe do aceitável. 

       

       

       

  14. Gilmar

    5 de agosto de 2015 1:50 pm

    Enviar link

    Bom dia,

     

    Por favor como faço para madar este link a um amigo .

    Desde ja agradeço

     

    Gilmar

    1. Natanael Diniz

      5 de agosto de 2015 2:32 pm

      LINK PARA O AMIGO

      Gilmar, o link para a matéria é:

       

      http://www.maurosantayana.com/2015/07/a-nova-marcha-dos-insensatos-e-sua_31.html

       

      Basta vopiar e colar em um e-mail para ele.

       

      abs, 

    2. Helena/S.André SP

      5 de agosto de 2015 3:32 pm

      Enviar link

      É só clicar no ícone, o do “envelope”, o último após o icone do face, twitter, g+ e in.

  15. Selma G

    5 de agosto de 2015 1:50 pm

    Nossa, a situação pintada no

    Nossa, a situação pintada no post não condiz com as matéria publicadas com frequência pelo Nassif  aqui no blog, que o governo Dilma não tem projeto de país. 

  16. Vixe

    5 de agosto de 2015 1:51 pm

    Eu não tenho mais paciência

    Eu não tenho mais paciência para tentar explicar pros imbecis que me rodeiam, tudoi isso que o Santayana apontou.

    Não dá, chega!

    Estão surdos, cegos e loucos.

    A esquerda brasileira está assistindo um golpe de estado se concretizar e não tomo posição nenhuma.

    Chega!

    Se o povo quer ir para o abismo, BOA VIAGEM.

  17. Andre B

    5 de agosto de 2015 1:58 pm

    onde estão os ‘trabalhadores’?

    Essa é a defesa mais clara e lúcida do governo do PT. Sem meias palavras o autor aponta quais são as reais bases do governo do PT: os grandes empresários, os bancos, as forças armadas. Nenhuma palavra sobre trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais. Então que fique claro: o PT não só não é comunista como não é um partido ‘dos trabalhadores’ -seja reformista, social-democrata, revolucionário, comunista, o que for – , mas do capital contra os trabalhadores!

  18. Islandes

    5 de agosto de 2015 2:14 pm

    Tem muito midiota de direita,

    Tem muito midiota de direita, mas tem muito de esquerda também. Prova disto foram os protestos de 2013, teve muito esquerditas achando o máximo, foi a partir disto que esse estado de coisas começou.

  19. Cunha

    5 de agosto de 2015 3:17 pm

    Santayana falou tudo e um

    Santayana falou tudo e um pouco mais.

    Sem comentários.

    Missão impossível:  fazer os coxinhas lerem.

     

     

     

     

  20. alvaro marins

    5 de agosto de 2015 3:38 pm

    Assino embaixo.

    Assino embaixo.

  21. Fr@ncisco

    5 de agosto de 2015 4:17 pm

    Só Podia Dar, No que Deu. O Que Espera Mais A Coração Valente?

    De que adianta as informações do Santayana, se esse governo sequer consegue organizar a Secom para fazer o óbvio, a cada desinformação, a presidenta em cadeia de rádio e Tv, explicando ao povo com o contraditório, seguido de pressão para responder nos orgãos de desinformação também. Insistiram na desinformação, cobrança na justiça, pouco importando as articulações corporativas na dita cuja, o negócio é deixá-los tendo que também defenderem-se e não apenas atacando, como atualmente. 

    Hoje, a cada dez simples e mortais interlocutores, onze dizem que a Petrobrás está falida e a Secom não consegue fazer o contraditório com dados e informações, escancarando a manipulação canhestra que estão a fazer para desinformarem os desavisados entre os brasileiros, tomando os, todos, por idiotas, tamanha a realidade disparadamente favorável da Petrobrás quebrada de hoje em relação a Petrobrax fragmentada de 2002.

    Não dá para acreditar em governo que acredita serem os inaptos e medrosos, Mercadante e Zé Cardozo, assessores de primeiro escalão para governar-se o Brasil.

    Só podia dar, no que deu.

    O que espera mais a coração valente?   

    1. sebastiao souza

      5 de agosto de 2015 11:53 pm

      Para os que são e
      Para os que são e principalmente para os que pensam que são inteligentes, uma bela lição de história e de economia. Muito obrigado meu caro Santayana pelos seus lampejos de lucidez num mar de estupidez.

  22. Paulo Roberto Souza

    5 de agosto de 2015 11:47 pm

    Excesso de Democracia

     

    Lula e Dilma pecaram pelo “EXCESSO DE DEMOCRACIA”excesso de democracia”, para um povo acostumado à escravidão e servilhismo aos donos da Casa-Grande.

    Quem governa tem que ter também um porrete na mão para defender a própria democracia, falta o porrete ao governo do PT….

    Porrete na mídia golpista, porrete no judiciário leviano e partidário, porrete num congresso dirigida por oportunistas corruptos….

  23. Cafezá

    6 de agosto de 2015 1:55 am

    Há esperança! Do nosso lado,

    Há esperança! Do nosso lado, temos o mestre Mauro Santayana. Do lado dos golpistas, eles têm Merdal Pereira, o meia tonelada de esgoto.

  24. Elvys

    6 de agosto de 2015 2:01 am

    Gente, peloamordeDeus!!!!Não

    Gente, peloamordeDeus!!!!Não fiquem batendo na tecla de mudar pensamento de coxinhas!!! Ou não vou poder passar mal de tanto rir das merdas que eles escrevem em cartazes expostos nas muvucas convocadas pela rede globo, todos devidamente uniformizados com a camiseta da seleção da cbf e cantando o horrendo hino ‘sou brasileiro com muito orgulho’????? Não façam mais isso!!!!!

  25. Rabuja

    6 de agosto de 2015 2:40 am

    Tudo correto, mas o governo perdeu a guerra na comunicação

    A completa inanição do governo (não somente na comunciação) mostra que ele realmente acabou sem nem mesmo começar o segundo mandato. Se a Dilma não está muito doente, parece que o regime atacou o cérebro dela.

    Depois da entrevista do Mercadante hoje, eu joguei a toalha e começo a torcer para a solução mais radical: Dilma e Temer fora, Cunha presidente por 3 meses (o Brasil está merecendo) e novas eleições.

    Temer presidente seria sinônimo de “deixa tudo como está com todos os petistas na cadeia e todos os demais corruptos agindo livremente”.

  26. Marcelo Aquino

    7 de agosto de 2015 12:30 am

    oi?

    oi?

  27. vanderley de Oliveira

    8 de agosto de 2015 3:13 pm

    TEXTO pouco prático e de

    TEXTO pouco prático e de futuro …….  Deixando de lado: quem é o pai da criança, precisamos de ORDEM E PROGRESSO …..  O resto deve ficar na história ou no cemitério ….

    .. Ficar comparando o RUIM com o PÉSSIMO é idiotice ….

  28. rosiris caramicoli

    10 de agosto de 2015 12:31 am

    Site de Mauro Santayana

    Oi, Nassif!

    Há alguns dias, entrei no site do próprio Mauro Santayana ( http://www.maurosantayana.com/2015/07/a-nova-marcha-dos-insensatos-e-sua_31.html )  e reparei que, logo abaixo do título, havia uma foto da presidente Dilma com o seguinte texto sobre ela:  CURTA SE VOCÊ CONCORDA QUE DILMA QUEBROU O BRASIL.  Achei estranhíssimo, óbvio Tentei achar um contato do próprio p/ avisá-lo, mas não achei. Alguém me disse p/ mandar um recado via twitter do JB , pois ele publica textos lá. Mandei, mas não obtive resposta. Acabei esquecendo. Hoje, ao ler a mesma matéria no GGN, resolvi entrar no site dele novamente pra ver se aquela foto e o texto tinham sido removidos. Não foram.

    Você tem como ajudar para que o acima exposto chegue até ele?

    Obrigada,

     

    Rosi 

    1. Natanael Diniz

      10 de agosto de 2015 12:10 pm

      Blog do Mauro Santayana

      Rosi, o Mauro Santayana quis apenas ser irônico ao colocar ali uma ilustraçõa que tirou de outro lugar, para chamar a atenção para o texto, no qual prova, com dados do Banco Mundial, exatamente o contrário, que o PT e Dilma não quebraram o Brasil. Tanto é que no blog dele não existe botão para curtir absolutamente nada, só no Facebook.

       

       

  29. Pedro Mundim

    10 de agosto de 2015 9:12 pm

    Manipulação grosseira de indicadores econômicos

    Orra meu! Então o país cresceu 400% em 12 anos? Temos que corrigir a versão divulgada de que nosso crescimento anual foi de 4,5% em média desde que o PT assumiu o governo. Para crescer 400% em 12 anos, o índice teria que ser quase 20% ao ano! Uma goleada na China!

    É claro que todos esses números são uma manipulação grosseira feita pelo autor. Não sei onde ele desencavou esses indicares, mas provavelmente misturou cotações real x dolar de anos diferentes sem descontar a inflação (velho truque). Impressiona-me essa obsessão dos petistas em fazer comparações descontextualizadas dos anos Lula com os anos FHC.

    Uma coisa eu concordo: o pior cego é o que que não quer ver , o pior surdo é o que não quer ouvir. E o pior leitor é o que entende de economia, pois não se deixa enganar por manipulações como esta.

    1. Yuri mc

      11 de agosto de 2015 4:39 am

      Faustao, acho q o Mauro não e

      Faustao, acho q o Mauro não e petista não. Ele trabalhou com o avô desse grande democrata chamado Aecio Neves, um tal de Tancredo. já ouviu falar? 

    2. Célio C Oliveira

      16 de agosto de 2015 12:38 am

      Sobre Manipulação Grosseira de indicadores Econômicos.

      Meu Caro Pedro Mundim, creio que sua leitua foi equivocada, pois em nenhum momento o autor disse que o PIB do Brasil cresceu 400% e sim que os investimentos aumentaram 400%. Só para constar.

  30. Mauricio Kotvan

    13 de agosto de 2015 5:30 am

    A nova marcha dos insensatos – falta complementar

    Sr. Mauro Santayana,

            O seu texto foi magnifico, apresentando a verdadeira situação dos fatos em nosso País. Todavia, sei que um assunto melindroso não foi tratado – a participação de outros países nos fatos comentados -.

             Em pouco tempo, em diversos países ocorreram protestos populares que derrubaram (ou tentaram) governos democráticos ou não, e o Brasil passou a ser um deles. Qual o motivo? Via de regra países com petróleo ou do interesse da hegemonia americana. O Brasil, com as recentes descobertas de petróleo e ainda participando do BRICS passou a ser talvez o mais importante alvo dessa política americana. Um importante agente americano, em passagem por nosso País, solicitou a presidente Dilma a abertura de nosso setor petrolífero, logicamente recusado, pouco tempo depois começaram os manifestações e quebradeiras devido ao aumento da tarifa de ônibus em São Paulo. A grande mídia passou enegrecer a economia – que estava apenas um pouco fraca -, incitar a inflação – sempre publicando artigos que estava disparando, etc.,e logicamente a corrupção – mas somente a corrupção do PT, os demais que participaram nunca eram denunciados publicamente. Quanto aos políticos de oposição ao governo foi lamentável, foram tomar medidas para abrir o setor petrolífero aos estrangeiros – creio que seria o pagamento, no caso de participarem de um golpe, de seu governo ser reconhecido pelos Estados Unidos. Considerando tais fatos, poderia elencar outros, não tenho dúvida da participação estrangeira dos fatos em causa, bastas lebrar a Revolução de 1964, na qual, posteriormente foi admitida a participação americana.    

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