Reportagem do Valor responsabiliza falta de repasse do governo federal pela paralisação de obras de metrôs. Os exemplos, contudo, são de erros em governos estaduais e prefeituras

Jornal GGN – O último livro de Umberto Eco ensina como contar uma inverdade sem mentir. Na edição de hoje, o jornal Valor Econômico deu uma boa demonstração de como se valer desses recursos.
A principal manchete de hoje é sobre as obras travadas do PAC mobilidade.
A reportagem tem duas versões: uma para a capa (com muito maior visibilidade) e outra para as páginas internas.
Na capa, todas as informações remetem a responsabilidade para o governo federal. O texto de capa informa que quase 100 quilômetros de linhas de metrô ou de veículos leves sobre trilhos, planejados há três anos, ficaram apenas no papel.
O jornal informa que em abril de 2012, a presidente Dilma Rousseff prometeu recursos para “espalhar linhas de metrô pelas maiores capitais do país”, com um pacote de R$ 32 bilhões. No evento de anúncio do repasse de recursos, o Valor publicou que a presidente “atacou quem demonstrava complexo de viralata”, referindo-se ao passado, quando “diziam” que o Brasil “não tinha condições de investir em metrô”.
“Entre a promessa e a realidade, o retrato é frustrante”, continua a matéria de capa. “Até o fim do primeiro trimestre, apenas R$ 824 milhões de tudo o que Dilma havia prometido tinham sido efetivamente pagos”, aponta, como se o Orçamento da União fosse o único requisito para “tirar do papel” as construções de mobilidade.
São Tomás de Aquino dizia que uma das formas de mentir consiste em não contar toda a verdade. Na capa se resumiu tudo, menos o essencial: das sete capitais analisadas, em seis delas os atrasos são de responsabilildade dos respectivos governos estaduais: problemas de projetos, mudanças societárias no consórcio vencedor da licitação e outras razões pontuais.
Mas o jornal optou por colocar a parte mais relevante da reportagem apenas nas páginas internas.

Em Brasília, o projeto básico de engenharia (que deve ser apresentado pelo governo) atrasou. Em Goiânia, “faltam 90% das desapropriações” – por ser uma obra PPP entre a Odebrecht e o governo estadual, a desapropriação é de responsabilidade do estado. Em Belo Horizonte, erros também no projeto básico de engenharia. Em Curitiba, a licitação para as obras realizada pela prefeitura foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado e, depois de liberada, a prefeitura pede reajuste dos valores. Em Porto Alegre, “o governo estadual que entraria com a maior parte dos recursos complementares vive crise financeira”.
No Rio de Janeiro, o impasse teve início porque o governo estadual espera o dinheiro ser liberado pela Caixa e do fundo perdido do Ministério das Cidades. Mas para liberar os recursos, a obra precisa ser licitada. E a licitação não ocorre, porque o Estado quer garantia de que os recursos vão ser repassados.
De todas as sete capitais listadas pelo Valor, Fortaleza é a única que “deu sinais concretos de avanço”. E nela, “mais de 70% dos investimentos previstos têm origem no Orçamento Geral da União (OGU)”. A obra, contudo, está abandonada. “Especula-se que houve falta de repasses, mas ninguém confirma”, disse o coordenador do sindicato dos trabalhadores da construção no Ceará. Parte interessada na denúncia, se houvesse, a própria Secretaria Estadual de Infraestrutura “nega problemas orçamentários e atribui a paralisia a mudanças societárias no consórcio vencedor da licitação”.
Cintra Beutler
28 de julho de 2015 3:34 pmMau mote
Mais uma vez, repito o meu mote: a imprensa é o grande mal do Brasil.
ruyacquaviva
28 de julho de 2015 3:57 pmA imprensa não existe mais faz tempo
O Brasil precisa se livrar dessa máfia que matou a imprensa e colocou-se em seu lugar.
ruyacquaviva
28 de julho de 2015 3:55 pmNão há mais imprensa…
Mais uma vez a imprensa presta um desserviço ao país. Em vez de focar onde realmente estão os problemas, usam mais essa questão para atacar o governo federal, deixando os corruptos e incompetentes à vontade para continuar roubando e deixando as obras paralizadas.
O que essa massa coxinhesca que consome o detrito sólido do esgoto que se tornou a antiga imprensa brasileira, é que seu discurso pseudomoralista usado para fazer proselitismo é o que mais protege os corruptos e incompetentes.
oneide
28 de julho de 2015 4:19 pmNa origem de tudo o
Na origem de tudo o federalismo capenga.
Se os cariocas soubessem que cada um paga 7200 reais por ano para a união sei lá como reagiriam.
Ninguém
28 de julho de 2015 4:29 pmA origem disso está no DNA.
Quem são os donos do Valor? Não precisa responder. Eu só queria perguntar…
Chico O Cavalo Manso
28 de julho de 2015 6:07 pmQuem tem só um pouco de
Quem tem só um pouco de formação política identifica com clareza as intenções da mídia conservadora.
Na ânsia de desmarcarar o conteúdo de suas notícias, entretanto, vocês – blogosfera progressista – produzem material jornalísito de qualidade bastante duvidosa.
O movito é o desconhecimento da estrutura e do engenho estatal, seus aspectos e características.
Há duas que justificam minha afirmação:
A União tanto concentra muito os recursos financeiros arrecadados quanto a capacidade técnico-administrativa.
As duas combinadas explicam o motivo que não eximem de superficialidade a matéria da velha mídia nem tampouco esta produzida pelo Blog.
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A construção de equipamentos de mobilidade urbana, notadamente aqueles que se fazem sobre trilhos, exige elevada capacidade técnica dos projetos.
Há muita ignorância jornalística quanto a esta função chave do processo porque Estados e Municípios, simplesmente, não possuem quadros técnicos capazes de fazer frente ao desafio de elaborar o projeto.
O outro detalhe solenemente ignorado é a ingenuidade de considerar que há recursos disponíveis.
Deixam de lado os implacáveis cortes de recursos que atingiram TODOS os setores da administração da educação à saúde. Basta ter olhos para ver.
A exigência dos “projetos técnicos” PODEM ser ao final a velha artimanha ou subterfúgio que empurra para os entes subanacionais uma responsabilidade de execução sem que a estes seja oferecido recursos técnicos e financeiros.
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Para tornar este ponto de vista mais parrudo, observem que as obras sob a responsabilidade do governo federal padecem de problemas relacionados a atrasos na liberação de recursos e desenho equivocado das ações.
A Transposição do Rio São Francisco é um desses projetos, a Ferrovia Norte-Sul um outro que lembro rapidamente.
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Fica a dica, portanto:
Muito cuidado e apreço pela bom conhecimento de assuntos complexos para que a justa intenção de desnudar os ardis midiáticos acabem produzindo mais desinformação.
Luiz Cesar 2
28 de julho de 2015 7:52 pmUm dia é o uso da manchete
Um dia é o uso da manchete para a preparação do golpe, no outro dia também e no dia seguinte também.
Vale para toda a mídia “hegemònica”.
E nós, espectadores privilegiados, só olhando, só olhando, só olhando…
joao
28 de julho de 2015 11:41 pmquem se calou!
quem se acovardou!
Ivo Zefiro
29 de julho de 2015 2:21 amAté o almirante é culpado por economizar bilhões de dólares
A imprensa faz de tudo para confundir a opinião pública. E esse Moro que mandou prender o almirante Othon, o que dizer deste juiz? Acabo de ler algo sobre Othon que Moro pelo jeito não sabe…
Com US$ 1 bilhão o almirante Othon enriqueceu urânio a 4%. Os iranianos gastaram mais de US$ 36 bilhões e não conseguiram chegar a 1%. E Moro ainda prende o cara que ajudou o Brasil a economizar bilhões de dólares? Veja a reportagem e leia os comentários no Youtube:
[video:https://www.youtube.com/watch?v=fICKWKalzxs%5D
Maria do Carmo
29 de julho de 2015 2:41 amComportamento da velha e carcomida imprensa.
Estou muito impressionada com tudo que está sendo colocado nas costas do PT, do Lula e da Dilma. Li que um deputado baiano do DEM disse que a queda do Vitória e do Bahia para a segunda divisão e a má fase de ambos se devem, ao PT. Estão loucos e querendo me enlouquecer..