
Enviado por Odonir Oliveira
Do O Globo
Luis Fernando Verissimo
A oposição entre corpo e alma não existia em tempos bíblicos, ou pelo menos na linguagem bíblica. Mas a versão em latim antigo das Escrituras que Santo Agostinho lia usava “anima” para traduzir “nefesh”, que em hebraico não quer dizer alma mas algo como sopro vital, ser, uma forma exaltada do “eu”. E foi nesse engano que tudo começou.
A alma e o corpo se separaram e nunca mais se encontraram. E nunca mais se pode ler o Velho Testamento a não ser como Agostinho o lia, não como um relato da aventura do corpo humano no mundo como Deus o fez, cheio de som, fúria, sangue e sacanagem, mas como uma alegoria espiritual, em que até os cantares eróticos de Salomão queriam dizer outra coisa: a luta da alma para transcender o corpo, que para Agostinho significava a sexualidade.
Tudo culpa de um mau tradutor.
Freud tentou, de certa maneira, retransformar “anima” em “nefesh”, mas como muito do que ele escreveu em alemão também foi mal traduzido em outras línguas, a confusão só aumentou. No fim a grande danação sob a qual vive a Humanidade não é a da História nem da carne, é a insanável danação de Babel.
Deus disse “que haja muitas línguas, e que cada língua tenha muito dialetos”. E depois, para ter certeza que os homens nunca mais se entenderiam, completou: “E que haja tradutores.”
Um estudo, mesmo superficial como o meu, da etimologia e das transformações que as palavras sofrem através do tempo e das más traduções revela coisas fascinantes.
“Escândalo” — uma palavra que nos diz muito respeito — está indiretamente ligado, na sua origem, aos pés. Sua raiz indo-europeia é “skand”, pular ou subir, de onde também vem escalada. Quem pula ou sobe precisa cuidar onde põe os pés e o grego “skandalon” significa um obstáculo ou uma armadilha.
“Scandalum“ em latim tanto pode significar tentação como armadilha. No francês antigo “scandal“ era um comportamento antirreligioso que agredia a Igreja todo-poderosa e, da mesma origem, existia a palavra “sclaudre”, de onde vem o inglês “slander”, ou difamação.
Alguns escândalos não investigados, como acontece muito no Brasil, acabam virando anedotas. “Anedota” vem, através do francês “anecdote”, do grego “anekdotos”, história não publicada, presumivelmente tanto no sentido de inédita quanto no sentido de versão não oficial, secreta, clandestina, enfim, tipo “em Brasília não se fala em outra coisa”.
Em francês queria dizer pequeno relato ilustrativo à margem de um relato maior. No seu sentido brasileiro continua sendo uma história marginal, só que engraçada, ou se esforçando para ser.
Sobrevive, na anedota, a tradição homérica da literatura oral, passada de geração a geração sem necessidade de escrita. Se for escrita, deixa de ser anedota. Muitos contadores anotam o fim da anedota para não esquecê-la, mas se sentiriam heréticos se a escrevessem toda. E assim correm o risco de esquecerem o resto e ficarem com uma coleção de últimas frases sem sentido.
Odonir Oliveira
22 de julho de 2015 12:14 pmWeb-blasé !
Tutty Vasques18 de julho ·
Se você tem alguma preocupação ou interesse em se mostrar moderno nas redes sociais, um conselho amigo: não entre em nenhuma dessas grandes polêmicas que pipocam todos os dias no Facebook. Tipo, para citar casos recentes, a barriga meia cueca do Caetano, o sincericídio sertanejo do Zeca Camargo, o advento da Maju e a tricotagem da Dilma com o Jô. Pega superbem nessas horas ficar calado, surfando de voyeur no bate-boca! A onda do momento é web-blasé!
Se bem que, cá pra nós, qualquer um dos assuntos supracitados é mais instigante que as manchetes de primeira página de hoje – de ontem ou de amanhã, tanto faz – nos portais de notícia. Cafona, convenhamos, é invadir a privacidade dos amigos virtuais para dar sua opinião sobre Eduardo Cunha. Basta !
Odonir Oliveira
22 de julho de 2015 12:35 pmPiadaria, anedota, chistes…
Odonir Oliveira
22 de julho de 2015 12:37 pmTerceirizando em nome de Deus !
Odonir Oliveira
22 de julho de 2015 12:17 pmO SENSCIONALISTA
Após dia do amigo, Facebook promove o dia do amigo bloqueado por causa da posição política
Se ontem foi o “Dia do Amigo”, hoje o Facebook espera promover uma iniciativa nova. É o “Dia do Amigo Bloqueado Por Causa da Posição Política”. O nome é longo mas a ideia é simples: uma forma de reunir aqueles amigos que acabaram se excluindo mutuamente na rede depois de discutir sobre política desde as eleições de outubro.
“A ideia é promover encontros ao vivo para extravasar essa raiva”, disse o representante do Facebook, Joseílson Zuckerberg, primo do fundado do site. “Sugerimos para as pessoas guerra de travesseiros, rodada de drinks com a presença de strippers, enfim, coisas simples e divertidas que unem as pessoas.”
Até agora, apenas uma pessoa aderiu à hashtag #DiaDoAmigoBloqueadoPorCausadaPosiçãoPolítica, mas logo apagou o post depois que um amigo que ele havia bloqueado comentou “seu coxinha palhaço” usando uma conta fake.
Odonir Oliveira
22 de julho de 2015 12:22 pmO SENSACIONALISTA
Eduardo Cunha pede ajuda ao STF e Deus alfineta: ‘Ué, o Supremo não era eu?!’
O presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, protocolou ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) um pedido para que o processo que corre contra ele na Justiça do Paraná seja levado à mais alta corte da Justiça brasileira.
Cunha diz que, por ter foro privilegiado, não poderia ser julgado em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro. O deputado é acusado de ter recebido U$ 5 milhões em propina e também de ter recebido milhares de votos no Rio de Janeiro.
O pedido de ajuda de Cunha ao Supremo surpreendeu não apenas analistas políticos. Um personagem citado frequentemente pelo deputado resolveu se pronunciar.
“Ele vive falando de Mim, invocando Meu santo nome em vão”, disse Deus em nota. “Agora que o bicho pegou, vai atrás de outro Supremo? Ué, o Supremo de quem ele tanto falava não era eu? Se tu não fizeste nada de errado, Eduardo filho de Betsabá, bastava pedir a mim por Justiça.”
M Zorzanelli
Odonir Oliveira
22 de julho de 2015 12:25 pmConversinha mineira
[video:https://www.youtube.com/watch?v=HidlEZda2MA%5D