O governo brasileiro intensificou a mobilização de ajuda humanitária para a Venezuela após os dois terremotos de forte magnitude que atingiram o país vizinho na última quarta-feira (24). Três aeronaves da Força Aérea Brasileira (FAB) foram escaladas para transportar equipes de resgate, suprimentos médicos e infraestrutura hospitalar de emergência. O balanço de vítimas e feridos ainda oscila entre as autoridades regionais enquanto as buscas prosseguem.
A primeira aeronave, um KC-390 Millennium, pousou na Base Militar El Libertador, em Maracay, no final da noite de sexta-feira (26). O avião transportou uma equipe especializada de Busca e Resgate Urbano, cães farejadores e técnicos de telecomunicações. A operação é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE).
Corrida contra o tempo
O contingente inicial reúne profissionais da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec/MIDR) e bombeiros militares dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná. O foco inicial das equipes está concentrado na localização de sobreviventes sob as estruturas colapsadas. A previsão é que a permanência em solo venezuelano dure 15 dias, com possibilidade de prorrogação.
“Quando cai um prédio, formam-se bolsões de ar. Então, as pessoas, muitas vezes, permanecem dentro desses bolsões com uma sobrevida até considerável, cinco, dez dias“, diz Karoline Magalhães, porta-voz do Corpo de Bombeiros de SP.
Hospital de campanha e insumos
O esforço logístico brasileiro continuou neste sábado (27) com a decolagem de mais duas aeronaves a partir da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro. Os voos transportam uma unidade avançada de trauma do Hospital de Campanha da Marinha do Brasil, militares de saúde e purificadores de água, além de módulos complementares para a estrutura de atendimento físico.
O Ministério da Defesa confirmou o envio de cinco “kits de calamidade”, que somam 111,8 mil medicamentos e insumos básicos de saúde, como antibióticos, analgésicos e materiais de curativo. Segundo nota oficial do Palácio do Planalto, o volume é suficiente para atender 1.500 pessoas por um mês. O governo enfatizou que “as doações ao país vizinho não comprometem o estoque do Sistema Único de Saúde (SUS)“.
O ministro da Defesa, José Múcio, planeja viajar à Venezuela na próxima semana para supervisionar os trabalhos e alinhar o suporte com o governo local.
Resposta internacional e civil
O Brasil integra um grupo de assistência internacional que já conta com delegações enviadas por México, Chile, El Salvador, Estados Unidos, Catar, Espanha e órgãos vinculados à Organização das Nações Unidas (ONU).
Paralelamente às ações de Estado, a sociedade civil iniciou campanhas de arrecadação na fronteira. Em Roraima, grupos formados por brasileiros e imigrantes venezuelanos recolhem alimentos e vestuário.
“A situação lá já é ruim e, com o que está acontecendo, fica pior. Se você tiver alguma coisa para doar, pode ser alimentação, comida, ajuda… Seja bem-vinda“, diz a voluntária Ubeimi Giraldo.
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