Um forte terremoto de magnitude 6 atingiu a região de Hindu Kush, no nordeste do Afeganistão, neste sábado (27). O abalo sísmico foi sentido em províncias do leste afegão, como Khost e Nangarhar, e na capital do país, Cabul. O impacto cruzou a fronteira e manifestou-se também no Paquistão, inclusive na capital Islamabad, gerando cenas de correria e pânico entre a população.
Até o momento, a Autoridade Nacional de Gestão de Desastres do Afeganistão informou, em nota, que verificações estão em andamento e que não há relatos oficiais imediatos sobre vítimas ou danos estruturais. Mais cedo, o Paquistão já havia registrado um tremor menor, de magnitude 5,4.
Pânico na fronteira
As agências de notícias internacionais AFP e Reuters relataram que moradores do distrito de Swat, localizado na província de Khyber Pakhtunkhwa, no norte do Paquistão, deixaram suas casas às pressas.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) calculou a profundidade do evento em 208,3 quilômetros, enquanto o Centro Sismológico Euro-Mediterrâneo (EMSC) apontou uma profundidade de 100 quilômetros. A divergência nas medições é comum logo após os registros. Mesmo com a profundidade atenuando o impacto na superfície, a duração do evento assustou quem estava na região.
“Foi algo enorme aqui em Swat e durou bastante tempo. As pessoas saíram de suas casas e mulheres e crianças foram vistas chorando em pânico“, disse o morador Daniyal Ahmad à Reuters. “Foi muito forte aqui em Swat e durou bastante tempo”, disse ele. “As pessoas saíram de suas casas, e mulheres e crianças foram vistas chorando em pânico“, acrescentou.
Atividade tectônica na Ásia Central
O Afeganistão está geograficamente posicionado em uma das áreas de maior instabilidade tectônica do planeta. O território fica na borda da placa tectônica Eurasiática, que compartilha uma zona de transgressão com a placa Indiana, empurrando-a em direção ao norte. Essa convergência de forças, somada à influência da placa Arábica ao sul, gera fricções constantes na crosta terrestre.
Historicamente, o leste e o nordeste do país, nas divisas com Paquistão, Tadjiquistão e Uzbequistão, concentram a maior vulnerabilidade. Desde 1990, os centros de monitoramento já contabilizaram ao menos 355 terremotos com magnitude superior a 5,0 no território afegão.
Histórico de destruição e prevenção
Os abalos sísmicos representam o desastre natural mais letal para o país. Em média, os tremores causam 560 mortes por ano no Afeganistão e prejuízos econômicos estimados em US$ 80 milhões (cerca de R$ 430 milhões). A densamente povoada Cabul lidera as projeções de perdas financeiras anuais. Nas áreas montanhosas, o perigo é amplificado pelo risco iminente de deslizamentos de terra.
Desde o início do século passado, o Afeganistão registrou cerca de 100 terremotos considerados devastadores. Em 1998, dois tremores subsequentes vitimaram mais de 7.000 pessoas no intervalo de três meses. Mais recentemente, em 2022 e 2023, eventos de magnitude semelhante ao deste sábado causaram a morte de mil pessoas em cada um dos episódios.
Especialistas e estudos locais apontam que a redução dos impactos humanos e financeiros depende de reformas estruturais urgentes. Entre as recomendações de engenharia e segurança civil estão a implementação de normas de construção antissísmica, o reforço de prédios antigos e o mapeamento de falhas geológicas por satélite para o planejamento urbano seguro e a realocação preventiva de comunidades vulneráveis.
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