4 de junho de 2026

A ofensiva predatória sobre o governo Dilma, por Claudia Safatle

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“Sem apoio algum, Dilma está sob ataque de um movimento predatório, dos partidos aliados e do seu próprio partido.”

Do Valor

A ofensiva predatória sobre o governo Dilma

Claudia Safatle

É inadequada e inoportuna a incursão do PT contra a política monetária do Banco Central justamente no momento em que a instituição começa a colher ganhos de credibilidade. Depois da campanha “Fora Levy”, a facção do partido ligada a Lula quer empunhar a bandeira do “Fora Tombini”, a partir do entendimento de que é a política de elevação da taxa de juros que está levando a economia a uma retração forte e a um desemprego acelerado.

A inflação de 2015 está pior do que o esperado e segue para a casa dos 9%. Importantes instituições bancárias já contam com variação de até 9,6% para o IPCA deste ano. Essa pressão inesperada -­ o relatório de inflação do BC prevê 9% para este exercício -­ não está, porém, contaminando as expectativas de mercado para 2016 e há um processo de convergência da inflação para a meta de 4,5% em 2017. Esse esforço é fruto da taxa Selic que desde abril de 2013 passou de 7,25% para 13,75% ao ano.

É claro que os juros afetam a atividade, mas não é o único responsável pela retração da economia e pelo temor de o desemprego chegar a 1 milhão de trabalhadores este ano.

Há sete trimestres consecutivos os investimentos caem e acumulam queda de 8,2% até o primeiro trimestre deste ano. A retração dos investimentos decorre da perda de confiança dos agentes privados nos rumos da economia decorrentes das políticas de governo e, tão ou mais importante, da perda de rentabilidade do capital investido. Ganhos salariais acima da produtividade e apreciação cambial estariam na raiz da perda de margem das empresas.

Sem expansão dos investimentos não há crescimento. Ao contrário, o que ocorre é queda do PIB potencial, comprometendo a reação futura da economia.

Desde 2012 a taxa média de retorno do capital está abaixo do custo financeiro das empresas, segundo apontam estudos do economista Carlos Antônio Rocca, diretor do Centro de Estudos do Ibmec (Cemec). “Além de comprometer a geração de poupança na forma de lucros retidos, que é a principal fonte de financiamento dos investimentos, o resultado mostra que nesse período o pagamento de uma parte dos juros da dívida se fez em prejuízo do retorno do capital próprio”, assinala Rocca.

A correção de preços relativos, do câmbio e o programa de concessões de infraestrutura podem melhorar a rentabilidade das companhias, mas a tarefa não se esgota aí. Vai demandar um ajuste estrutural das finanças públicas para permitir a efetiva redução da taxa de juros, além do aumento da produtividade, com melhor qualidade da educação e maior integração do país ao mundo.

O que há pela frente para quem quer de fato que a economia brasileira saia da recessão e da estagnação é muito trabalho, persistência, reformas e uma solução urgente para o destino das empreiteiras investigadas pela Lava ­Jato, que defina se e como as elas vão continuar operando com seus principais executivos presos.

O que se vê, no entanto, é uma fragilidade sem precedentes de um governo ainda em início de mandato e os poderes Legislativo e Judiciário alheios à dimensão dos problemas. Enquanto o primeiro só cria mais despesas para um Tesouro Nacional já bastante combalido -­ como se isso prejudicasse o Palácio do Planalto e não toda sociedade brasileira -­ o segundo insiste em obter para si reajustes salariais de até 53% ao exorbitante custo de R$ 25 bilhões em quatro anos, como se o país estivesse em plena prosperidade e não mergulhado em uma recessão. Sem apoio algum, Dilma está sob ataque de um movimento predatório, dos partidos aliados e do seu próprio partido.

Não há, assim, qualquer compromisso com um ajuste estrutural das contas públicas. O que foi feito este ano, segundo o próprio ministro da Fazenda, “é muito módico, muito suave” diante do que é preciso para estabilizar a relação dívida/PIB, reduzir os juros implícitos na dívida e consertar o estrago deixado pelo primeiro mandato de Dilma Rousseff.

A recessão que o país vive não é fruto do ajuste de Levy nem decorre unicamente da elevação de 6,5 pontos percentuais da taxa de juros. Ela já estava contratada no início do ano passado por um acúmulo de erros que começaram antes e se aprofundaram de 2012 para cá. Se há alguma medida de autoria desse governo que afeta a atividade econômica ela é parafiscal, relacionada com as restrições aos créditos do BNDES; e, também, à retração dos bancos privados que travaram a oferta de crédito.

Até 2014 o governo usou, abusou e exauriu todos os instrumentos imagináveis para fazer o país crescer e descuidou das questões básicas ­ controle da inflação e das contas públicas.

Dilma chega ao fim dos primeiros seis meses de governo tendo conseguido, com Joaquim Levy no comando da economia, evitar o desastre: uma crise decorrente da perda do grau de investimento que volta a assombrar os mercados. Com a correção dos preços, evitou o apagão de energia que ameaçava o país no início do ano e deu novo comando à Petrobras que tenta, agora, se refazer em bases mais modestas. Mas a presidente não tem ancoragem política para avançar em questões mais profundas como, por exemplo, uma ampla rediscussão da despesa pública.

Diferente do ex-­ministro Guido Mantega, Joaquim Levy apoia a política do BC por saber que onde há inflação não há crescimento.

O Relatório de Inflação do Banco Central, divulgado esta semana, indica que o ciclo de aperto monetário terá que ser um pouco mais prolongado.

No cenário de referência, a projeção do BC é de inflação de 4,8% em dezembro de 2016, ligeiramente inferior aos 4,9% previstos na edição do relatório de inflação de março. O ganho foi muito pequeno mesmo depois de o BC rever a contração da economia de 0,5% para queda de 1,1% e dos juros terem subido no período, de 12,75% ao ano para 13,75% ao ano.

Combater a elevação dos juros pelo BC -­ que está determinado a trazer a inflação para a meta de 4,5% em 2016 -­ como faz o PT, não tem qualquer serventia nessa hora. O pior que pode ocorrer é, ao abortar o aperto monetário, pagar o preço de uma recessão que está aí sem o benefício da desinflação.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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26 Comentários
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  1. Alexandre Vasilenskas

    26 de junho de 2015 3:38 pm

    Algumas observações:
    – Temos

    Algumas observações:

    – Temos juros maiores que a Ucrânia em guerra civil e de que países africanos atingidos por epidemia de Ebola. Gostaria de saber como a articulista consegue defender tal “racionalidade”?

    – Inflação de custos provocadas por subida do dólar e por reajustes de preços administrados tem alguma relação com a taxa Selic?

    – Comos e pode falar em “ajuste fiscal” quando ao contrário da Saúde e da Educação o BC é autorizado a se apropriar do orçamento federa sem restrições?

    – Qua e a relação da articulaista com o mercado financeiro? Curiosamente quem costuma fazer esse tipo de “defesa” tem alguma relação com este. 

    1. Lionel Rupaud

      26 de junho de 2015 5:45 pm

      Essa coitada tem como patróes

      os 3 patetas Marinho e os meninos Frias: deve ser tão duro que quando ela escreve, o veneno de sua raiva contra uma vida tão deprimente acaba com qualquer racionalidade.

      O texto como tudo o que os jornalistas de Valor escrevem é ruim de mais. Bem feito para quem compra caro este jornal.

    2. batista neto

      26 de junho de 2015 6:15 pm

      Analistas econômicos de bancos…

      Sempre os analistas economicos “de programa” preferidos pelos banqueiros procuram o problema onde ele não está. 

      Para evitar que se entendo onde ele realmente está, ou seja, na farra da agiotagem dos bancos. O grande erro do governo foi propor um “ajuste” sem encarar o pessoal da renda fácil. Aí perdeu apoio onde tinha e não conquistou onde não terá nunca. Outro erro é manter gente inútil como elemento de decoração no Palácio. Em tempo de guerra tem que acercar-se dos melhores guerreiros e partir pra luta. Manter-se sitiado cercado de cabeleireiros só agrava o problema.

       

  2. RSF

    26 de junho de 2015 3:40 pm

    Era pule de DEZ, digo, NOVE…

    Resultado de imagem para Pé na bunda Dilma charges

     

    Eu bem que falei…eheheheheheheheheh…

     

     

     

    1. Clever Mendes de Oliveira

      26 de junho de 2015 4:43 pm

      As besteiras do passado voltam-se contra quem as diz

       

      RSF (sexta-feira, 26/06/2015 às 12:40),

      Não sei se você fazia parte da trupe que dizia “governo bom o povo põe, governo ruim o povo tira”.

      De todo modo, essa turma desse discurso vazio não disse só isso que revela pobreza intelectual, disse muito mais e que ao fim volta-se contra essa mesma turma. Se tivesse bom senso a turma com o discurso fácil ficava calada. Só que se tivesse bom senso, a turma não dizia besteiras.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 26/06/2015

  3. Julio Mariano

    26 de junho de 2015 3:49 pm

    Uma dentro

    Na onda de ferrar a Dilma, a Câmara deu uma dentro, estendendo as regrar de reajuste do salário mínimo para todas as aposentadorias, corrigindo assim, a enorme sacanagem que é desvalorizar as aposentadorias com o tempo, jogando os aposentados na humilhação de serem sustentados pela família ou viverem na miséria.
    Ao contrário da mudança no fator previdenciário, que é mais demagogia,  essa sim é uma providência JUSTA E URGENTE.
    Aliás, por isso mesmo, já estão chiando para abafar.

  4. Maria Luisa

    26 de junho de 2015 3:51 pm

    Dilma digna e corajosa

    Qualquer dia desses é Dilma quem renuncia, face a escalada de gopistas de todos os lados e a fragilidade do PT, que não a apoia, isso é evidente. A Lava-Jato isolou a presidente Dilma de todo o mundo politico e empresarial. Ela esta no que chamamos sinuca de bico. So resta uma cartada: mudar o ambiente da PF e Sisbin (PGR e o Judidiciario, não ha muito o que fazer). Mas para isso é preciso ter Ministro da Justiça. 

  5. Julio Mariano

    26 de junho de 2015 3:58 pm

    Emenda dentro
    UMA DENTRO Na onda de ferrar a Dilma, a Câmara de Deputados deu uma dentro. Estendeu a regra de reajuste do salário mínimo para todas as aposentadorias, corrigindo uma puta sacanagem que é desvalorizar as aposentadorias com o tempo, jogando os aposentados na humilhação de serem sustentados pela família, ou viverem na miséria, conforme vão envelhecendo. Ao contrário da mudança no fator previdenciário, que é mais demagogia, essa sim, é uma PROVIDÊNCIA JUSTA E URGENTE. Mas que, por isso mesmo, já estão chiando para abafar. 

  6. CB

    26 de junho de 2015 3:59 pm

    O presidente da Bolívia

    O presidente da Bolívia visitou o Brasil. Num jantar, Dilma apresentou-o aos membros do ministério. Tempos depois, em retribuição, Morales convidou Dilma para visitar a Bolívia. No jantar oferecido, ela foi apresentada ao ministério local. Quando o presidente apresentou-lhe o Ministro da Marinha, Dilma, discretamente, questionou:

    – Mas a Bolívia não tem mar, para que ministro da marinha?

    O presidente, também com discrição, retrucou:

    – Presidenta, quando estive no Brasil a senhora me apresentou ao ministro da justiça e eu não falei nada.

  7. Free Walker

    26 de junho de 2015 5:21 pm

    Em 27 de junho de 2014,

    Em 27 de junho de 2014, depois de ataques dos bate-paus petistas na imprensa, a superintendente de investimentos do Santander Sinara Polycarpo foi demitida do banco por emitir comunicado alertando os clientes sobre fundo do poço para onde se encaminhava o governo Dilma. Pois é!

     

  8. Severino Januário

    26 de junho de 2015 5:21 pm

    Francamente como dá às vees

    Francamente como dá às vees um certo desalento… É óbvio que um erro dez vezes maior que a aquisição do Levy, foi a aquisição do Tombini, lá atrás. Inclusive se tivéssemos um craque no BC, até o Levy teria se tornado outro craque.

  9. gabi_lisboa

    26 de junho de 2015 5:27 pm

    Até o Joseph Stiglitz, nobel de economia, andou criticando nossa

     taxa de juros pornográfica:

    “Vocês têm uma das taxas reais de juros mais altas do mundo. Não é de surpreender que isso esteja afugentando os investidores”.

    mas é claro, ele deve estar errado. Certos estão a Dilma, o Levy e o Tombini, por isso que a economia está indo tão bem.

  10. Renato Lages

    26 de junho de 2015 5:28 pm

    Tem que se fase uma auditoria
    Tem que se fase uma auditoria da dívida pública.

  11. Jossimar

    26 de junho de 2015 5:37 pm

    O empresário diminui a

    O empresário diminui a velocidade dos aumentos de preços e tira a diferença na selic. o que é pior para o país?

    Na minha opinião é o aumento da selic.

  12. Jossimar

    26 de junho de 2015 5:42 pm

    onde há juro alto também não

    onde há juro alto também não tem crescimento. aliás, hoje em dia nem onde há juro baixo tem crescimento.

  13. Jesus Cristinho

    26 de junho de 2015 5:59 pm

    Parei de ler

    Parei de ler aqui:

    “justamente no momento em que a instituição começa a colher ganhos de credibilidade”

    onde foi mesmo? Ah sim, na segunda linha do 1º parágrafo. 

  14. debonis

    26 de junho de 2015 6:00 pm

    Apoio a governo

    Entendo as ponderações mas pergunto: como apoiar um governo que NUNCA dialoga com o SEU PARTIDO político, apenas anuncia e cobra apoio, colocando SEU PARTIDO em uma SINUCA DE BICO de apoiar sem restição todas medidas economicas, sejam boas ou ruins, corretas ou erradas ? Como apoiar irrestritamente um governo que não controla seus  orgãos internos (PF é um exemplo) e os deixam soltos para desgastar e desmoralizar o SEU PRINCIPAL partido de apoio político? Ministros omissos e coniventes?  Como apoiar irrestritamente um governo calado, mudo, sem ação política, que aceita ser destruído e desmoralizado, e com ele levar seu PARTIDO POLÌTICO? Como aceitar que a política econômica seja a que foi combatida durante a campanha eleitoral, sem  que ela seja (ao menos isso!) anunciada primeiro ao seu PARTIDO DE APOIO no congresso para que ele se prepare para o combate? Como apoiar irrestritamente um governo que distribui cargos e ministérios sem ao menos discutir o procedimento com seu PARDITO de sustentação no congresso? A verdade é que o governo vai errando politicamente e jogando seus erros sobre os ombros do PT, e exigindo que esse mesmo partido aceite e seja desacreditado e destruído pela imprensa. Veja o caso do ex senador Suplici. Postou a pouco tempo que um pedido seu de audiencia com a Presidente foi agendado. Conseguiu e o mesmo foi …..desmarcado sem aviso e respeito a Suplici. O procedimento é o mesmo a aliados. Enquanto D. Dilma vai a ANA MARIA BRAGA e concede entrevistas a JÔ SOARES na GLOBO (correto!) voce não vê o tratamento igualitário na RECORD com Heródoto, e olha a postura da RECORD para com o governo. E assim la nave va…. O PT não nasceu com a Dilma. A Dilma aparece com o PT no governo e os sucessos de seu governo. Mas D. Dilma parece esquecer que sua sustentação depende do FORTALECIMENTO do partido que a mentem e apoia.

  15. Wsobrinho

    26 de junho de 2015 6:14 pm

    Quem está bancando o lobby contra o BNDES e a Petrobrás????
    Publicado em 26/06/2015

    Metri: Cerra esquece 
    o valor geopolítico do petróleo

    Projeto de Cerra inundaria a área do pré-sal com petrolíferas estrangeiras.

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    O Conversa Afiada reproduz artigo de Paulo Metri, do Blog dos desenvolvimentistas, publicado na Carta Maior:
     

    PREJUÍZOS DECORRENTES DO PROJETO DO SENADOR JOSÉ SERRA SOBRE O PRÉ-SAL

    O projeto de José Serra inundaria a área do Pré-Sal com petrolíferas estrangeiras. O senador parece esquecer do valor geopolítico que o petróleo possui. 

    Faço uma estimativa dos prejuízos que serão causados à nossa sociedade se o projeto de lei (PL) 131 de autoria do senador José Serra sobre o Pré-Sal vier a ser aprovado. Sei que esta estimativa é baseada em algumas suposições, o que a torna um evento não determinístico. No entanto, as suposições feitas são o que, em inglês, chamam de “educated guess”, correspondente ao nosso “chute em direção ao gol”, que pode raspar a trave ou entrar no gol. Por outro lado, é válido fazer esta estimativa para mostrar a ordem de grandeza do prejuízo que Serra propõe.

    Segundo a Associação dos Engenheiros da Petrobras (AEPET), já foram descobertos, no Pré-Sal, 60 bilhões de barris. Todos os “barris” citados neste texto referem-se a “barris recuperáveis”. Sobre estas descobertas, os modelos de exploração e demais parâmetros já estão definidos nas leis e respectivos contratos existentes. O projeto do senador, se aprovado, só trará repercussão no que ainda deve vir a ser descoberto nesta área. Assim, a primeira suposição a ser feita é sobre quantos barris restam a descobrir.

    Após alguma insistência, geólogos tendem a citar faixas de valores para as reservas adicionais do Pré-Sal. Um ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP) disse, na época da descoberta do Pré-Sal, que poderiam existir até 300 bilhões de barris na área. Pode-se dizer, em posição equilibrada, que ainda existem 90 bilhões de barris no Pré-Sal a serem descobertos.

    Assim, o prejuízo a ser causado pelo projeto Serra é obtido da comparação da exploração de 90 bilhões de barris pelo modelo de partilha atual e pelo modelo de partilha com as modificações do PL 131. Detalhando, as alternativas que estão sendo comparadas são as seguintes. Na primeira, representada pelo modelo existente, todas as áreas do Pré-Sal ainda não leiloadas seriam arrematadas por consórcios ou pela Petrobras sozinha. E, na hipótese de serem arrematadas por consórcios, estes teriam a Petrobrás como integrante, com no mínimo 30% de participação, e como operadora dos mesmos.

    Ainda nesta alternativa, as rodadas de leilões seriam realizadas bem espaçadas para permitir à Petrobrás acumular lucros que seriam reinvestidos no negócio, minimizando a necessidade de empréstimos e de venda de ativos. Notar que não há pressa para se explorar o Pré-Sal, pois o país já tem seu abastecimento garantido pela própria Petrobrás por mais de 20 anos.

    No modelo flexibilizado de Serra, a Petrobrás seria só mais uma petrolífera, que disputaria áreas do Pré-Sal, e só seria operadora quando conseguisse formar um consórcio em que estivesse nesta posição e ele saísse vitorioso do leilão. Embutido neste modelo está o conceito de que ela arrematar uma área ou uma petrolífera estrangeira a arrematar, para a sociedade brasileira, é a mesma coisa, o que não é verdade.

    Na alternativa Serra, as rodadas de leilões seriam bem frequentes, para retirar a Petrobras destes leilões pela incapacidade de investir freneticamente. Assim, as petrolíferas estrangeiras estariam prontas para formarem cartéis e arrematarem áreas, o que é impedido quando a Petrobrás é uma das contendoras. Também, em geral, a ganância leva as petrolíferas estrangeiras a produzir em ritmo acelerado para maximizar o lucro, e não para retirar o máximo de energia do campo, transformando-se, assim, em uma produção predatória, o que a Petrobrás não faz.

    Teremos que diferenciar os prejuízos numericamente estimáveis daqueles que não são. Nos prejuízos quantificáveis, está a redução da arrecadação de royalties. Este tributo, em um período de tempo, é proporcional à receita que é função da produção no período e o preço de transação do petróleo na época. Se a Petrobras não for a operadora única de todos os contratos do Pré-Sal, mesmo sabendo da existência da empresa do Estado brasileiro Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), que, pela lei no 12.351, tem a incumbência de gerir os contratos de partilha da produção, há a possibilidade de a produção ser declarada com um valor menor que o real, exatamente para se pagar menos royalties e, também, gerar menos lucro, o que leva a uma menor contribuição para o Fundo Social.

    Não tenho conhecimento de nenhum esquema de fraude na medição da produção. Estou falando aqui sobre a vulnerabilidade para roubos de modelos de organização do setor. No modelo proposto por Serra, a Petrobrás é tirada da condição de operadora única, quando, com ela, se pode ter o modelo mais confiável de apuração do valor da produção. Ela é a única empresa que não anseia pela maximização dos lucros dos empreendimentos. Assim, ela não tem a tentação de subavaliar a produção.

    A corrupção

    Neste ponto do desenvolvimento dos argumentos, sempre observam: “Mas a corrupção foi flagrada nela, recentemente”. O que aconteceu, lá, foi a descoberta que alguns dos seus executivos a roubavam para satisfazer a quem lhes nomeou para seus cargos e a si próprios. Roubos em empresas privadas por seus executivos também acontecem, mas não são divulgados porque os controladores das empresas roubadas, não querendo mostrar fragilidade ao mercado, penalizam os ladrões e não divulgam os ocorridos.

    Outra tradicional contraposição trazida ao debate é que a responsável por garantir medições corretas para os volumes produzidos é a ANP, que pertence ao governo. Acontece que ela, assim como muitas das agências reguladoras do nosso país, foi cooptada, desde que foi criada, pelas empresas a serem reguladas e, no caso específico, pelas petrolíferas estrangeiras. Se isto não fosse verdade, ela não sugeriria tantas rodadas de leilões de nenhum interesse social. Não teria também determinado no edital de Libra o percentual ridículo do lucro líquido a ser remetido para o Fundo Social. É claro que estas agências têm para suas ações antissociais o beneplácito do governo.

    Há necessidade de um rápido parêntese para facilitar o entendimento do leitor. Toda a estrutura de funcionamento do governo foi modificada nos anos 1990, quando princípios neoliberais e entreguistas foram introduzidos e nunca mais foram modificados. Por isso, nos deparamos, de tempos em tempos, com alguns destes entulhos do passado. Enquanto eles existirem, o grau de soberania do país permanecerá baixo.

    Por outro lado, a PPSA não irá inibir a subavaliação da produção, por esta estatal ser chefiada, hoje, por pessoas, que, até há pouco tempo, trabalhavam em petrolíferas estrangeiras ou em fornecedores estrangeiros do setor. Mais uma vez, não critico as pessoas que estão, hoje, nesta estatal. Critico o modelo de organização do setor, que permite a nomeação de pessoas para cargos-chave de controle, que deveriam ser declaradas impedidas in limine, porque os interesses dos seus novos cargos conflitam com os interesses das empresas nas quais trabalhavam até recentemente.

    Assim, ao serem produzidos os 90 bilhões de barris, que ainda serão descobertos, suas medições poderão atestar somente em torno 81 bilhões, com uma “perda” de nove bilhões, ou seja, 10% do volume total. Este é um valor estimado, que representa “um chute plausível” do que pode ser escondido. Como esta eventual fraude ocorreria durante a vida útil do campo, tal petróleo será comercializado a diversos preços, podendo ser tomado, como média, US$ 100 por barril. Então, a fraude da subavaliação da produção poderá ser de US$ 900 bilhões em 35 anos. Como o royalty é 15% sobre a receita, neste caso, o royalty desviado será de US$ 135 bilhões em 35 anos. O modelo proposto pelo Serra permite esta fraude, o que é barrado pela Petrobrás no modelo atual.

    Outro momento em que pode ocorrer fraude é no cálculo do custo da produção do petróleo, que irá influir sobre o lucro líquido e, assim, influenciará o valor a ser remetido para o Fundo Social. Em tese, esta fraude pode ser quantificada por fiscais competentes, mas, sem muitos dados, sua estimativa é difícil de ser feita. Como as petrolíferas estrangeiras trabalham basicamente com seus tradicionais fornecedores do exterior, a entrega de faturas superfaturadas pode ocorrer sem dificuldade e, depois, o acerto de contas pode ser feito, através das matrizes, no exterior. Assim, o Fundo Social, uma idéia nobre para dar função social ao aproveitamento do Pré-Sal, tende a se tornar inócuo.

    “Esquecimento” do valor geopolítico

    Prejuízos acarretados pelo projeto do senador José Serra não quantificáveis são muitos. Primeiramente, é preciso estar consciente que seu projeto irá “inundar” a área do Pré-Sal com petrolíferas estrangeiras. Elas, que estão com dificuldade para aumentar suas reservas, graças ao petróleo brasileiro, conseguirão garantir seus futuros. Além disso, elas só compram plataformas de petróleo no exterior, pois, após 20 anos do término do monopólio estatal, nenhuma destas empresas comprou uma única plataforma no Brasil, enquanto a Petrobrás, desde o governo Lula, só as compra aqui.

    A encomenda de desenvolvimentos tecnológicos e a contratação da engenharia pelas empresas estrangeiras ocorrem com entidades do exterior. As multinacionais não têm interesse de abastecer o Brasil com derivados, exportando totalmente o petróleo produzido por elas, sem nenhum valor agregado e, ainda mais, sem pagarem o imposto de exportação, por se beneficiarem da lei Kandir.

    Muito mais poderia ser acrescentado ao já extenso artigo. No entanto, desejo só dizer que o petróleo não vale unicamente por ser um energético com milhares de usos e o setor de transporte, em escala mundial, ser dependente dos seus derivados. Petróleo significa também poder político para nações que o detêm soberanamente. O projeto do senador Serra esquece por completo este valor do petróleo, pois, ao entregá-lo a firmas estrangeiras, o Estado brasileiro perde o poder geopolítico.

    Assisti a uma palestra recentemente, na qual o orador falou sobre o uso dado pela Noruega ao seu petróleo do Mar do Norte com grande impacto social, o que trouxe uma melhoria considerável no IDH deste país. O mesmo não acontecerá com o Brasil se o projeto Serra passar. Deste modo, a diferença que existe entre a Noruega e o Brasil é o grau de conscientização política do povo. Um congressista norueguês, mesmo que quisesse, não apresentaria um projeto análogo ao do Serra lá, dado o grau de constrangimento a que seria submetido.

    ***

    Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia e colunista do Correio da Cidadania.

    Leia também:
     

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    1. José Carlos Brandes

      26 de junho de 2015 10:53 pm

      Putz

      Assisti a uma palestra recentemente, na qual o orador falou sobre o uso dado pela Noruega ao seu petróleo do Mar do Norte com grande impacto social, o que trouxe uma melhoria considerável no IDH deste país. O mesmo não acontecerá com o Brasil se o projeto Serra passar. Deste modo, a diferença que existe entre a Noruega e o Brasil é o grau de conscientização política do povo. Um congressista norueguês, mesmo que quisesse, não apresentaria um projeto análogo ao do Serra lá, dado o grau de constrangimento a que seria submetido.

      Meu querido, na Noruega ninguém pode apresentar um projeto como o do Serra simplesmente pelo fato de que lá a exploração já é assim.

      A Statoil tem que concorrer com qualquer empresa que queira explorar o petróleo lá. Ganha quem oferecer mais ao Estado da Noruega.

      Recentemente no Brasil, o presidente da Statoil disse que se a empresa que ele comanda não for tão competente quanto suas concorrentes estrangeiras, merece fechar, e não transferir sua incompetência como um custo para o povo norueguês. QUe é justamente o que acontece no Brasil, onde o povo há 60 paga pelo custo-Petrobrás. Aliás, o monopólio da Petrobras, até 97 de direito, e até hoje de fato, é um fardo bastante pesado para a economia nacional. 

      E a Associação dos engenheiros da Petrobrás é muito, mas muito, suspeita para dar opinião nesse assunto. Tudo que eles querem é que a concorrência fique longe.

      1. Wsobrinho

        29 de junho de 2015 12:07 pm

        Não querendo prolongar a polêmica..

        Mas o regime que rege lá na Noruega é o de partilha. Nào digo que seja exatamente igual ao nosso, mas o princípio é o mesmo. No regime de partilha o estado recebe parte de seu pagamento em PETRÓLEO e não apenas os royalties da retirada e com este volume, o valor final recebido é significativamente maior. O estado é que decide então o ritmo da retirada, de acordo com as suas necessidades e capacidade da sua sociedade de absorver estes recursos, evitando assim a denominada doença holandesa (o melhor exemplo desta não está na Holanda e sim na Indonésia, que fez uso do sistema de concessão, como prega o Serra e sua turma, e deixou praticamente 100% de suas reserva na mão da Chevron, que como todo bom capitalista estraiu o máximo no mais curto espaço de tempo, exportanto quase 100%. Os royalties pagos encheram o caixa do governo em um curto espaço de tempo e por consequencia a sociedade promoveu uma farra de consumo, sendo que praticamente nada de infraestrutura tenha sido beneficiada, nem mesmo a ind;ustria loal, pois a velocidade de exploração não permitia o seu desenvolvimento. Resultado final, hoje a Indonésia importa petróleo e sofre para sair do subdesenvolvimento).

        Assim, da mesma forma que os EUA vêm o petróleo não apenas como uma simples produto de exploração e exportação para fazer caixa, eles o vêm como produyto ESTRATÉGICO que deve ser inserido dentro de uma visão GEOPOLÍTICA de projeção do país e de sua segurança e portanto não pode ser deixado ao bel prazer do mercado (lembremos que por LEI o petróleo extraído em território americano não pode ser exportado e o gás de xisto, hoje é vendido a preço subsidiado para reativar a indústria siderúrgica americana, portanto dentro de visa estratégica e geopolítica).

        Quando ao comentário final, sobre a os engenheiros da petrobrás, sem sê-lo, mas sendo engenheiro, creio que seu comentário é preconceituoso e enviezado, pois parte da premissa que só o espírito de corpo e interesses mesquinhos os motivam, no que não compartilho, aliás poderia dizer o mesmo de quem tem por exemplo vinculo com alguma multinacional (como por exemplo o ilustre senador tucano, comprovado pelos emails vazados da embaixada americana) e entre interesses de nacionais e estrageiros, tendo a ficar com os nacionais.

  16. Wsobrinho

    26 de junho de 2015 6:22 pm

    Mais um a canibalizar a Petrobrás?????

    PETROBRAS SOBE COM CUNHA E PLANO DE NEGÓCIOS

    :

     

    Papéis da estatal subiam cerca de 4% nesta tarde com a expectativa dos investidores pela reunião do conselho de administração da estatal, que pode definir o plano de negócios da empresa no período de 2015 a 2019; segundo analistas, alta é motivada ainda pela fala do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que nesta sexta-feira afirmou que a obrigatoriedade de presença da petroleira em todas as áreas do pré-sal será “corrigida” pelo Congresso; projeto do senador José Serra (PSDB-SP) sobre o tema tramita em regime de urgência no Senado; Ibovespa subia 1,25 às 15h, apagando as perdas de ontem com o efeito do habeas corpus do ex-presidente Lula

     

    26 DE JUNHO DE 2015 ÀS 14:15

     

     

    Da Reuters – As ações da Petrobras disparavam mais de 3% nesta sexta-feira (26) com a expectativa dos investidores pela reunião do conselho de administração da estatal, que deve discutir o plano de negócios da empresa no período de 2015 a 2019.

    Às 13p5 (de Brasília), os papéis preferenciais da Petrobras, mais negociados e sem direito a voto, tinham valorização de 3,80%, para R$ 13,08 cada um. Já os ordinários, com direito a voto, ganhavam 4,36%, para R$ 14,59.

    O desempenho ajudava o principal índice da Bolsa brasileira a se manter no azul. O Ibovespa avançava 1,43%, para 53.937 pontos. O volume financeiro girava em torno de R$ 2,5 bilhões. O indicador caminhava para fechar sua quarta semana consecutiva em alta.

    “A diretoria da estatal apresentará ao conselho de administração três propostas de corte nos investimentos para o período de 2015 a 2019: R$ 44,1 bilhões, R$ 66,2 bilhões e R$ 88,2 bilhões. (…) Se vier um corte de R$ 44 bilhões, negativo para as ações, se vier o maior corte, diríamos que é positivo. Permanecemos céticos com o ativo”, disse na véspera Ricardo Kim, da XP Investimentos, em relatório.

    A alta das ações da Petrobras reflete ainda, segundo analistas, a notícia de que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse nesta sexta-feira que a obrigatoriedade de presença da estatal em todas as áreas do pré-sal será “corrigida” pelo Congresso.

    “Erramos na mudança do regime de concessão para partilha. A obrigação da Petrobras participar (no pré-sal) vai ser corrigida. A mudança de regime eu não sei”, disse Cunha durante evento com jornalistas no Rio de Janeiro.

    O bom desempenho das ações de bancos também ajudava o Ibovespa a se manter no azul. Este é o setor com maior peso dentro do índice. O Itaú ganhava 0,96%, enquanto o Bradesco subia 1,64% e o Banco do Brasil mostrava valorização de 3,18%.

    O BTG Pactual disse em nota a clientes que a elevação da TJLP de 6% para 6,5% no terceiro trimestre e possivelmente para 7% no quarto significa aumento do benefício fiscal dos Juros sobre Capital Próprio, “portanto, boa notícia para os bancos”, embora possa trazer de volta discussão sobre o fim do mecanismo.

    O dia também era positivo para os papéis preferenciais da Vale, que tinham alta de 1,03%, para R$ 16,67 cada um, devolvendo parte das perdas recentes.

    Em sentido oposto, as ações do setor educacional lideravam a ponta negativa do Ibovespa, com Kroton em queda de 5,72%, para R$ 12,19, e Estácio em baixa de 4,14%, a R$ 18,05.

    O governo federal anunciou nesta sexta-feira a abertura no segundo semestre de 61.500 vagas para o Fies, fundo destinado ao financiamento de estudantes no ensino superior privado, totalizando 314 mil vagas em 2015, patamar que o governo espera manter nos próximos anos.

    CÂMBIO
    No câmbio, a expectativa de entrada de dólares no Brasil diante do aumento nos juros no país amenizava em partes a cautela do mercado em relação ao impasse nas negociações entre Grécia e seus credores internacionais para chegar a um acordo antes de o país dar calote na terça-feira (30).

    Às 13p5, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, tinha valorização de 0,24% sobre o real, cotado em R$ 3,123 na venda. No mesmo horário, o dólar comercial, usado no comércio exterior, cedia 0,19%, para R$ 3,122.

    As atuações do Banco Central do Brasil no câmbio continuam sendo observadas pelo mercado, após a autoridade monetária ter reduzido ao longo do mês suas intervenções através da rolagem de contratos de swap cambial (operação que equivale a venda futura de dólares).

    Na quarta-feira (17), o BC anunciou que passaria a fazer leilão de até 5.200 swaps cambiais diários para estender o vencimento do lote de contratos que vence em julho. Na semana anterior, a autoridade monetária vinha ofertando até 6.300 papéis por dia e, antes disso, até 7.000. Nesta sexta, o BC vendeu todos os 5.200 swaps oferecidos na rolagem, por US$ 253,7 milhões.

     

  17. Miguel A. E. Corgosinho

    26 de junho de 2015 6:38 pm

    A crise de juros é o

    A crise de juros é o verdadeiro fundamento da economia.

    Os interesses ocultos amarram os juros ao serviços da dívida como um ideal nacional. Portanto, é necessária a gradual sucessão de juros, através deles se eleva a nação e se finaliza uma totalidade compreensiva do único espírito universal. 

    Dito isso, o homem jamais vai colher os frutos do seu trabalho (o valor) que poderia se identificar para o dinheiro circular de forma global entre a razão e a história do Estado.

    Os bancos aparecem como um patíbulo da miséria e destruição, exaltando onde se fará o sacríficio da felicidade dos povos em geral, que dali resulta.

    Embora infelizmente não se realize seus desígnios, com seus sofrimentos e seus fracassos , Dilma tentou estabelecer pela primeira vez os traços principais do Estado social, repartindo a coexistência das forças públicas e de tudo que se expressam nelas organicamente com a liberdade (privada), mas o ardil do egoísmo jamais vai deixar os meios de sustentação denominar o espírito objetivo de um período do desenvolvimento. 

  18. Centelha, o retorno

    26 de junho de 2015 6:56 pm

    Quero uma acareação…

    … entre essa Claudia Safatle (quem?), o Levy, o Delfim e o Stiglitz.

    Tema: ajuste fiscal e política econômica para tirar o Brasil do buraco.

    Nassif, convida a galera para o próximo Brasilianas! Ou para uma teleconferência por Skype…

    Cancelo qualquer compromisso pra assistir a um debate como esse!

  19. Marly

    26 de junho de 2015 8:07 pm

    Atenção:

    Atentem para os importantes posts do Wsobrinho, colocados abaixo. No twitter do Burburinho há os e-mails dos senadores para quem quiser se manifestar. Serra e Cunha querem acabar com a petrobrás dos brasileiros.

  20. edmorc

    26 de junho de 2015 10:02 pm

    Baboseiras

    Canalhice total. Taxa Selic nas alturas, arrebentando o crescimento econômico, transferindo renda para os rentistas, visando supostamente combater uma inflação que NÃO é de demanda, mas sim fruto da correção de preços administrados. E quando a nossa presidenta tentou peitar o deus mercado e baixar a Selic, os oligopólios subiram seu preços e aí sim provocaram inflação. Cambada!!!!!!!

  21. Clever Mendes de Oliveira

    26 de junho de 2015 11:48 pm

    Vale pelo contraditório, mas muito do escrito é péssimo

     

    Claudia Safatle,

    Pelo menos o seu texto serve como um contraponto aos posts enviesados que Luis Nassif andou publicando nos últimos dias. Primeiro publicou “O BC e a Fazenda ignoraram o óbvio” de terça-feira, 16/06/2015 às 00:00 de autoria dele mesmo para falar mal do Banco Central do Brasil e do Ministério da Fazenda. O link para o post “O BC e a Fazenda ignoraram o óbvio” é:

    https://jornalggn.com.br/noticia/o-bc-e-a-fazenda-ignoraram-o-obvio

    Depois veio o post “Barbeiragens do BC começam a assustar o mercado” de quarta-feira, 17/06/2015 às 06:00, também de autoria dele em que a crítica de Luis Nassif centrou mais no Banco Central. O post “Barbeiragens do BC começam a assustar o mercado” pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/barbeiragens-do-bc-comecam-a-assustar-o-mercado

    E a crítica dele ganhou contornos suaves de delicadeza ao fazer o elogio ao Ministério da Fazenda por reconhecer o exagero dos cortes como se pode ver no post “Fazenda ensaia uma autocrítica” de sexta-feira, 19/06/2015 às 06:00, aqui no blog dele e de autoria dele. Elogio que evidentemente visava lançar mais críticas ao Banco Central. O endereço do post “Fazenda ensaia uma autocrítica” é:

    https://jornalggn.com.br/noticia/fazenda-ensaia-uma-autocritica

    Crítica que poderia ser feita desde o início. Bastava deixar bem explícito: “eu defendo inflação mais alta, acho que os que defendem meta de inflação muito baixa e para ser atingida no curto prazo só dizem isso quando tem certa garantia de emprego e ou bem instruído sabe que na pior situação ele terá bons meios de sobreviver”.

    Não é bem isso que ele diz, pois se disser isso perde leitores. É um pouco de medo, que é demonstração de inteligência, mas não é uma opinião esclarecedora. Apenas acusa o Banco Central de não ser capaz de avaliar os efeitos da política monetária que adota. Justamente o Banco Central do Brasil que, embora em um blog no Financial Times, foi destacado entre os Bancos Centrais guias do mercado, como se pode ver junto ao post “EM central bankers: guiders, reactors and mavericks” de 03/02/2014 às 15:49, de autoria de Jonathan Wheatley e que pode ser visto no seguinte endereço:

    http://blogs.ft.com/beyond-brics/2014/02/03/em-central-bankers-guiders-reactors-and-mavericks/

    E mais, ele acusa justamente o Banco Central do Brasil que durante os quatro anos do primeiro governo da presidente Dilma Rousseff amarrou a inflação em 6% e praticamente a deixou variando entre 5,5% e 6,5%. E no período mais longo de juros mais baixos que vivemos desde 1994.

    E vendo que as críticas dele não levavam a lugar nenhum resolveu partir para o tudo ou nada e acusou o governo da presidenta Dilma Rousseff de já ter acabado, como pode ser visto junto ao post “Falta governo e falta oposição no país” de domingo, 21/06/2015 às 07:31, como pode ser visto no seguinte endereço:

    https://jornalggn.com.br/noticia/falta-governo-e-falta-oposicao-no-pais

    Então vir aqui no blog de Luis Nassif e encontrar um artigo defendendo o Banco Central é gratificante. Se bem que fica parecendo que agora que não há mais nada de pé, só resta a ele tentar a reconstrução. Agora, você não precisava fazer um artigo assim com bons argumentos acompanhados de trechos tão ruinzinhos.

    “A retração dos investimentos decorre da perda de confiança dos agentes privados nos rumos da economia decorrentes das políticas de governo e, tão ou mais importante, da perda de rentabilidade do capital investido. Ganhos salariais acima da produtividade e apreciação cambial estariam na raiz da perda de margem das empresas”.

    Eu ia suprimir a frase inicial do parágrafo que eu transcrevi, mas vou apenas a deslocar lá do início para a transcrever a seguir:

    “Há sete trimestres consecutivos os investimentos caem e acumulam queda de 8,2% até o primeiro trimestre deste ano”.

    Esta frase não é ruinzinha, pois ela é um fato, mas a se referir aos sete trimestres com investimentos decrescentes você deveria fazer a observação de que nos três trimestres anteriores os investimentos estavam crescendo a um ritmo há muito não visto.

    E eu transcrevi o parágrafo como exemplo de trecho ruinzinho do seu comentário porque esse papo de perda de confiança é conversa para boi dormir. Eis um bom conselho que eu lhe dou de graça: “vá lá no post “Ressaca econômica? Por Rodrigo Medeiros” de quarta-feira, 24/06/2015 às 14:53, aqui no blog de Luis Nassif e leia o texto do economista Rodrigo Medeiros e caso não tenha tempo leia pelo menos a matéria que está no link 4”.

    O endereço do post “Ressaca econômica? Por Rodrigo Medeiros” é:

    https://jornalggn.com.br/blog/rodrigo-medeiros/ressaca-economica-por-rodrigo-medeiros

    E o artigo “Debating the Confidence Fair” de quarta-feira, 22/04/2015 de Robert Skidelsky e que foi indicado no item 4 do artigo de Rodrigo Medeiros pode ser visto no seguinte endereço:

    http://www.project-syndicate.org/commentary/consumer-confidence-policy-success-by-robert-skidelsky-2015-04#ry3qIAuP0XhFmYc1.99

    Espero que lendo esse artigo você reconheça que é colocar muita crença na perda de confiança como a justificativa para o que aconteceu nos últimos sete trimestres já terminados na economia brasileira.

    Logo depois de sua digressão sobre a perda de confiança você diz:

    “Sem expansão dos investimentos não há crescimento. Ao contrário, o que ocorre é queda do PIB potencial, comprometendo a reação futura da economia”.

    Não discordo da segunda frase, mas a primeira frase ficou incompleta. O correto seria:

    “Sem expansão dos investimentos não há crescimento sustentável”.

    Do jeito que você escreveu a frase é falsa. Muitas vezes é preciso primeiro crescer sem investimento para poder acender a chama do investimento.

    Há também como de péssima qualidade esta forma mesmo que seja às escâncaras e não sub-reptícia de se ficar fazendo intriga entre o PT e a presidenta, quando você diz:

    “Sem apoio algum, Dilma está sob ataque de um movimento predatório, dos partidos aliados e do seu próprio partido”.

    Essa é uma afirmação contra os fatos que não pode ser chamado nem de jornalismo noticioso. É jornalismo de escritor na área do realismo fantástico.

    No reajuste do valor da aposentadoria, valor realmente baixo mas dentro da realidade do país e que segue corrigido pela inflação, e que não poderia ter relação nenhuma com o salário mínimo, pois significaria não favorecer o processo de distribuição de renda que o aumento do salário mínimo além da inflação acarreta, só a Luizianne Lins do PT do Ceará e o Weliton Prado do PT (O Weliton Prado parece-me bem demagogo e que o PT só o mantem porque traz votos para o partido e provavelmente deve ter dinheiro) de Minas Gerais votaram a favor da extensão da regra do salário mínimo para os aposentados.

    Não vou entrar na discussão da frase que transcreverei a seguir porque se trata de uma interpretação subjetiva, mas faço aqui o destaque. Disse você:

    “O que foi feito este ano, segundo o próprio ministro da Fazenda, “é muito módico, muito suave” diante do que é preciso para estabilizar a relação dívida/PIB, reduzir os juros implícitos na dívida e consertar o estrago deixado pelo primeiro mandato de Dilma Rousseff”.

    Há, entretanto, dois dados objetivos que você menospreza. Primeiro chamar de estrago, o Brasil ter chegado a uma das mais baixas taxas de desemprego da história. Provavelmente você estava empregada quando o Brasil apresentava as taxas mais altas de desemprego e não percebe nenhuma diferença. E segundo você esquece de associar ao estrago, a reversão da economia que ocorreu há sete trimestres, exatamente em cima dos investimentos que vinham de três trimestres de crescimento elevados.

    Há ainda uma pérola para transcrever:

    “Diferente do ex-­ministro Guido Mantega, Joaquim Levy apoia a política do BC por saber que onde há inflação não há crescimento”.

    De imediato considero que talvez seja mais adequado dizer que o BC apoia a política de Joaquim Levy. Esta frase é mais adequada primeiro porque ela é correta e segundo, porque assim fica coerente com dizer também que o BC apoiava a política de Guido Mantega. E a correção que eu faço na sua frase tem duas fundamentações que até eu que não sou economista posso fazer. Não deve existir independência entre Ministro da Fazenda e Banco Central, isto é, os dois devem trabalhar em harmonia. Segundo porque assim como Joaquim Levy prefere trabalhar com uma inflação de 4,5%, Guido Mantega prefere trabalhar com uma inflação de 6,5%. E o Banco Central procurou e procura não adotar uma política monetária em contradição com a política fiscal do Ministério da Fazenda.

    E um outro ponto em relação a pérola que você redigiu é afirmar que “onde há inflação não há crescimento”. É verdade que a inflação reduz a demanda e, portanto, reduz um dos componentes do PIB. Só que a poupança também reduz a demanda e no entanto não se vê ninguém combatendo a elevação da poupança.

    E não se pode esquecer que na década de 80, quando a China tinha as mais altas taxas de crescimento do PIB sempre superiores a 10%, a inflação chegou a 20%. O problema da inflação é político. Na mesma época de altas taxas de inflação, ocorreu o que ficou conhecido como Massacre da Praça da Paz Celestial.

    De todo modo deixo a indicação de dois trabalhos que tratam com mais atenção sobre a inflação. Primeiro o artigo de Laurence M. Ball “The Case for Four Percent Inflation” de maio de 2013, e que pode ser visto no Central Bank Review, Vol 13 (May 2013), pp 17-31, no seguinte endereço:

    http://www.econ2.jhu.edu/People/Ball/four%20percent%20inflation%20cbank.pdf

    E o segundo, de autoria de Paul Krugman, é “Inflation Targets Reconsidered”, apresentado um ano depois, em maio de 2014, no ECB Forum on Central Banking/ May 2014 e se encontra da página 110 até a página 122 do relato das conferências do ECB Forum On Central Banking consolidado no que foi intitulado “Monetary Policy in a Changing Financial Landscape” e que pode ser visto no seguinte endereço:

    https://2014.ecbforum.eu/up/artigos-bin_file_pdf_0578523001423239838-779.pdf#page=110

    E nem precisava ir tão longe. Se você lesse mais o jornal para o qual você escreve, Valor Econômico, teria observado ainda que um tanto escondida com o título “A moral do ajuste”, uma chamada que escancara o quanto que existe de defesa de interesse próprio na frase “onde há inflação não há crescimento”. Transcrevo a seguir o que aparece na primeira página do jornal Valor Econômico de terça-feira, 23/06/2015. Diz lá o jornal Valor Econômico:

    “A moral do ajuste

    Com dois livros sobre a questão do desemprego a serem lançados no Brasil, Mark Reiff, da Universidade de Manchester, no Reino Unido, afirma que é mais importante combater o desemprego que manter a inflação baixa. “Inflação mais alta, de 8% ou 9%, afeta toda a população. O desemprego afeta especialmente as pessoas mais pobres”. D3”

    O Mark Reif que foi entrevistado no Valor Econômico não é economista, mas filósofo e talvez exatamente por essa razão ele tenha esse entendimento mais humano da questão.

    Os links para o Valor Econômico são sempre acessíveis na íntegra somente para assinantes. Assim ponho a seguir o link do site “Unidas Autogestão em saúde” onde a matéria do Valor Econômico foi reproduzida:

    http://www.unidas.org.br/inflacao-e-desemprego-questao-aberta-/55991/detalhe-noticia-saude

    É de se torcer para que esses trechos equivocados que eu apontei acima sejam só fruto do desconhecimento e não se relacionam com a defesa de interesses próprios.

    Clever Mendes de Oliveira

     

    BH, 26/06/2015

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