
Da Folha
Janio De Freitas
A instabilidade que atinge o governo mudou de lugar. Mudou também de motivação, de forma e de intensidade.
O impeachment calou, por pressão dos mais lúcidos do PSDB contra o rock pauleira de Aécio e sua banda. Enquanto soou, Dilma Rousseff pôde ter noção do volume e da natureza do adversário. Joaquim Levy não tem como fazê-lo: a seu respeito, tudo se passa em sussurros.
Em áreas que esperavam regozijar-se com a nova política econômica do governo, aumentam muito os sinais confiáveis de uma inquietação já vista em ocasiões um tanto distantes, quase esquecidas, mas de fins conhecidos. Foram as fases em que movimentações sub-reptícias corroíam o chão de Delfim Netto, Dilson Funaro, Bresser-Pereira, e tantos outros a quem estiveram atribuídos apoios amplos e a imagem de representatividade de fortes setores empresariais. O capítulo final dessas movimentações foi sempre o mesmo.
Distante de percepções públicas, dissemina-se entre empresários importantes a desconfiança –se não mais– de que Joaquim Levy não é o homem certo no lugar certo. Não falta nem a opinião de que não o é apenas na situação atual de agravamento, mas já não era ao ser escolhido –o que se teria mostrado na ausência de efusividade empresarial quando apresentado por Dilma para a Fazenda.
A aceleração dos indicadores negativos está vista, na inquietação, como evidência de que nada se passa conforme o previsto e dito por Levy, faltando-lhe portanto controle sobre o fundamental. Dessa visão decorrem vários temores, dos quais um dos maiores ainda não teve, por cautela, nem simples menção: o temor de que não se esteja longe de uma quebradeira, que se insinua nas demissões em massa, na redução dos turnos de trabalho e já no encerramento de comércios e indústrias.
O desemprego crescente traz consigo o temor empresarial de reativação do movimento sindicalista, com agitações mais propensas às violências hoje comuns à maioria das manifestações reivindicatórias. Com as próprias previsões da Fazenda, do Planejamento e do Banco Central adiando para o final de 2016 o que Levy anunciava para este ano, tudo já fora de controle –como o desemprego e a inflação– só pode agravar-se e agravar os riscos temidos. E nem ao menos o grande objetivo do “ajuste fiscal” foge à regra da falta de controle, já reduzida a previsão de superávit à metade daquele mínimo que justificou toda a nova política econômica. E a nomeação do próprio Levy.
Não se notam sinais de que o mal-estar com a condução do “ajuste” esteja percebido na Presidência. Se já está, Dilma, ainda que possa querer, não tem muito o que fazer em proteção a Joaquim Levy, por falta de condições políticas e de quaisquer outros possíveis apoios.
Situações como a atual são, às vezes, como jogo de paciência. Às vezes.
Nicolas Crabbé
23 de junho de 2015 11:41 amCulpa
Não adianta culpar o Levy, já se sabia antes dele assumir qual era a posição dele.
A culpa é única e exclusiva de quem o nomeou para o cargo. O nome do culpado: Dilma Roussef, presidente eleita pelo Partido dos Trabalhadores, suprema ironia.
Batata
23 de junho de 2015 12:46 pmManiqueísmo
– ‘Dona Culpa, ficou, Dona Culpa, ficou … SOLTEIRA!’ – já cantou um poeta desaparecido.
Olhada da posteridade, a história parece uma equação banal.
A posição do Levy que importava, em dezembro, não era sobre economia; mas sim o lugar político de onde veio, searas do capital financeiro.
Campo de tentativas de composição de um governo fragilizado por falta de sustentação no Congresso e sob fogo cruzado dos inconformados com os resultados eleitorais.
Estratégias de redução de danos, em vias de serem reduzidas.
jossimar
23 de junho de 2015 11:48 amNão me agrada o Levy. Mas,
Não me agrada o Levy. Mas, para mim, o principal culpado da ruína que se avizinha está no banco central.
emerson57
23 de junho de 2015 12:32 pmPIG (proba imprensa gloriosa)
Infelizmente a presidenta acredita e se informa pelo PIG. Tanto é verdade que ela comprou a tese piguenta do ajuste/arrocho. Aquilo deu nisso. Brejo.
Empresário sabe que prospera e vende mais quando pobre tem um pouco mais de dinheiro. Tombini e Levy (Dilma) tiraram dinheiro da base da pirâmide. Ai não se vende geladeira nem carro. E se recolhe menos imposto. E o problema de caixa da viúva só aumenta.
A bola de neve passa a subir o morro.
Flavio Martinho
23 de junho de 2015 2:38 pmÉ verdade, Emerson57 e ainda
É verdade, Emerson57 e ainda contando com a assessoria dos dois inefáveis como ressaltou o EJ, vamos para o buraco. E o pior é que nem o ex-marido nem a filha conseguem demover a Dilma dessa corrida cada vez mais veloz para o caos.
José Carlos Brandes
23 de junho de 2015 12:35 pmContrariando o discurso morno
Contrariando o discurso morno de presidentes de multinacionais, o alemão Phillipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz, não mede palavras para falar de sua desilusão com o Brasil e com o governo Dilma.
“O país perdeu a previsibilidade com as mudanças nas premissas da política econômica. Voltamos uns 20 anos no tempo”, disse Schiemer à Folha. “O PSDB vota contra suas crenças e o PT também. Você acha que alguém vai se arriscar a investir?”.
O pessimismo do executivo –que já está em sua terceira temporada no Brasil– é explicado pela queda de mais de 40% na venda de caminhões e pelo fim dos subsídios do governo para o setor automotivo.
“É a pior crise dos últimos anos: volume caindo, preço estável e custos aumentando. Estou sendo espremido de todos os lados”, disse Schiemer, que cortou 500 vagas no mês passado e diz que tem mais 2.000 funcionários sem trabalho na fábrica.
O executivo admite que a Mercedes-Benz atualmente vê o Brasil com mais “desconfiança” e faz uma crítica indireta à presidente Dilma, que defende que o país foi afetado pela crise global. “Não sei onde enxergam crise lá fora. O que temos aqui é um problema caseiro”.
–
Folha – O sr. disse aos funcionários em um evento que a Mercedes-Benz vive sua pior crise no Brasil. É verdade?
Philipp Schiemer – Sem dúvida, estamos na pior crise dos últimos 20 anos. Temos vários problemas. O primeiro é a queda de mercado. De janeiro a maio, as vendas de caminhões caíram 44%, enquanto as de ônibus cederam 27%. É uma queda no mesmo patamar do mercado, mas muito expressiva.
As empresas acreditaram no Brasil e a capacidade instalada excede muito a demanda. Não conseguimos aumentar preços, porque a concorrência é intensa. Por outro lado, a mentalidade inflacionária do Brasil é muito forte e os custos sobem quase automaticamente.
Hoje tenho o pior cenário possível: volume caindo, preço estável e custos aumentando. Estou sendo espremido de todos os lados. A saída para isso é muito difícil.
Quantos funcionários foram demitidos?
Tivemos que demitir 330 pessoas, enquanto outro grupo saiu voluntariamente. No total, foram 500 desligamentos. Mantivemos essas pessoas sem trabalho, em casa, por 12 meses, porque a última coisa que queremos é cortar funcionários em que investimos para treinar, mas não teve outra saída.
Ainda tenho um excesso de 2.000 pessoas dentro da fábrica. Com a queda no volume de produção, não tem trabalho para essas pessoas. Já demos férias coletivas e estamos em negociação com o sindicato. Ou chegamos num acordo ou demitiremos mais gente nas próximas semanas.
Funcionários acamparam na porta da fábrica. O sr. se sente culpado?
Pessoalmente não é nada agradável. Tenho que pensar que sou responsável não por 500 pessoas, mas por 11 mil. Tenho a consciência tranquila porque tratamos o assunto com transparência. Desde o ano passado, demos inúmeras chances para aceitar um PDV (plano de desligamento voluntário).
Analistas dizem que a Mercedes-Benz já precisava de um ajuste por conta de projeções equivocadas. Qual é a parcela de responsabilidade da crise?
Realmente cheguei aqui em 2013 com a tarefa de reestruturar as operações, porque tínhamos um excesso de pessoas. Mas a maioria dessas demissões vem da queda de quase 50% do mercado. É como cortar o seu salário pela metade e manter as despesas iguais. Não tem mágica.
Por que a venda de caminhões despencou no Brasil?
O mercado está muito alinhado com o ritmo da economia porque o transporte de bens no Brasil é feito por caminhão. Mas, se a economia não cresce e existe um clima de desconfiança, os empresários param de investir. E a primeira coisa que cortam é o caminhão novo.
Além disso, o governo cortou os subsídios que mantinham os juros baixos e a maior parte dos caminhões é adquirida com financiamento. A redução dos subsídios para a indústria faz parte do ajuste fiscal, mas tem um efeito no mercado.
O sr. disse que existe um clima de desconfiança. Por quê?
O país perdeu a previsibilidade. Nos últimos anos, tivemos muitas mudanças nas premissas da política econômica e ninguém tem segurança do que vai acontecer.
Há 10 anos, a inflação estava baixa, as contas públicas equilibradas e nós sabíamos o que viria pela frente. Há 20 anos, não tínhamos nada disso. Acredito que voltamos uns 20 anos no tempo.
Também não há confiança porque o quadro político é muito complicado. O PSDB vota contra suas crenças e o PT também. Você acha que alguém vai investir nesse cenário? É melhor ficar parado.
Qual é a sua opinião sobre o ajuste fiscal?
O crescimento do Brasil já vinha sendo artificialmente estimulado pelo gasto público. A impressão que dá é que o governo tentou animar a economia para influenciar nas eleições.
O ajuste fiscal é necessário, mas seria muito positivo se o governo reduzisse os custos da própria máquina, que é muito ineficiente. Ninguém precisa de 39 ministérios.
E o mais importante é que o ajuste seja rápido. Já estamos em junho e ainda não sabemos como vai funcionar. Também é preciso ter uma agenda positiva e dizer para a população porque teremos todo esse sofrimento.
O setor automotivo recebeu muitos benefícios fiscais no primeiro mandato de Dilma. Não é justo que isso acabe?
Temos um diálogo contínuo com o governo e a mensagem que recebemos –e que aceitamos– é que cada setor vai ter que olhar o seu próprio destino.
É possível ocupar a capacidade ociosa exportando?
Não tenho muita esperança. Hoje, os parceiros do Brasil são Argentina e Venezuela. A Argentina está numa crise forte e a Venezuela economicamente não existe mais. O que nós precisamos é um acordo com a União Europeia ou com os Estados Unidos.
Como o Brasil é visto hoje pela matriz da Mercedes-Benz?
Vemos o país com mais desconfiança. Continua sendo importante, porque estamos nesse mercado há 60 anos. Aqui sempre ouço que existe uma crise mundial. Não sei onde enxergam essa crise, porque China, Estados Unidos e Alemanha não estão em crise. O que temos no Brasil é um problema caseiro. Reconhecer os próprios erros é o primeiro passo para encontrar uma saída.
A Mercedes-Benz está cortando investimentos no Brasil?
Por enquanto, não. Teremos uma fábrica de automóveis no ano que vem porque as vendas desse produto ainda estão bem. Cortar investimentos significa abrir mão de melhorar. Se começarmos a fazer isso, é porque deixamos de acreditar no Brasil
Renato Miranda
23 de junho de 2015 1:18 pmNovo significado…
PT= para trás
E a toda velocidade…
É impressionante. Entre ser uma estadista ou querer ter razão, adivinhem o que a senhora decidiu?
EJ
23 de junho de 2015 1:19 pmTalvez
Talvez eu esteja errado, mas tenho forte impressão de que grande parte do inegável fracasso (ao menos até agora) do governo que elegemos se deve à “brilhante” assessoria da dupla de ministros que é ouvida, com exclusividade, por Dilma. São os “consultores” que a estão levando para o fundo do poço, tanto que ou são elogiados ou “esquecidos” (nunca criticados) pela mídia e a oposição. Até Lula já perdeu a paciência. Imaginem a militância.
gabi_lisboa
23 de junho de 2015 1:59 pmCulpar o Levy? Mas não é a Dilma que dá a palavra
final para tudo? Não foi ela que escolheu o Levy para ter “credibilidade com o mercado”? Não foi ela que foi eleita com um discurso e depois deu um “cavalo de pau no PT”, como disse o André Singer, e em seus eleitores? Não foi ela que disse que quem faz ajustes e aumenta juros é o psdb e não ela? Não foi ela que iria implementar o programa “pátria educadora” e depois fez um corte gigante no orçamento do mec? A culpada de tudo tem nome, sobrenome, e não é Levy, e muita determinação para continuar insistindo numa política que, até ontem, ela mesma se dizia contra e por isso foi eleita.
Flavio Martinho
23 de junho de 2015 2:32 pmO Nassif, MESMO ANTES DA
O Nassif, MESMO ANTES DA POSSE, já informava-nos a certeza do fracasso do Ministro. Nada de novo. Aguentemos!
Alexandre Weber - Santos -SP
23 de junho de 2015 2:54 pmHipótese
Foi acertado que o Brasil se alinharia com a Europa para o ajuste em 2015.75, assim a recessão foi adiada ao máximo, mas agora têm de ocorrer, para que cumpra-mos nossa parte no pacto.
O que importa, no meu modo de pensar, é a posição em que sairemos depois de 1 de outubro de 2015. Se teremos condições de aproveitar o realinhamento para melhorar as condições por aqui, ou vamos para um Estado falido a ser fatiado e redividido pelas potências estrangêiras.
Enfim, o Iraque será aqui ou não?
Mentes curiosas querem saber.
Clever Mendes de Oliveira
23 de junho de 2015 5:14 pmEsqueça o agora e pense no amanhã. É preciso ter paciência
Janio de Freitas,
Você ainda faz possível a leitura da Folha de S. Paulo. Não quer dizer isso que eu sempre concordei com você. Fui sempre crítico, por exemplo, de sua posição de tratar a corrupção como um grande mal que atravanca o desenvolvimento do país. Para mim a corrupção é um mal que deve ser combatido como outros males por quem tem competência técnica para a combater. E assim, o que os leigos dizem sobre a corrupção não vale nada.
De todo modo no mundo democrático pode-se dizer com precisão que a corrupção em termos percentuais vem diminuindo. E mais que ela é menor do que a avaliação do mais otimista. E também pode-se dizer que a corrupção mesmo se ocorresse no volume avaliado pelos mais pessimistas faz menos mal do que o mal que o mais otimista imagina que ela produz.
Não fugi do assunto do seu artigo. O que eu quero dizer é que a corrupção se expressa em aumento do gasto público e o que os empresários estão reclamando é da diminuição do gasto público. Ou seja, para os empresários o bom seria que houvesse mais corrupção, ou melhor, que houvesse mais gastos públicos.
Não pense que não doeu à presidenta Dilma Rousseff ter que tirar o Guido Mantega. Tirou porque não dava para manter a mesma política que foi programada que ela faria no seu primeiro mandato e que foi comandada com precisão até 2013 e que continuou sendo feita em 2014 porque não tinha como mudar. Não tinha como mudar porque era ano de eleição. E depois da eleição não havia como mudar com Guido Mantega. Não havia espaço político, não havia campo de manobra, não havia formas de articulação para Guido Mantega encaminhar medidas visando reduzir os gastos públicos no segundo mandato da Dilma Rousseff.
E a redução dos gastos públicos era imperativo para que o Brasil pudesse acompanhar a nova realidade do mercado e que seria a valorização do dólar com a perspectiva de subida dos juros americano.
É claro que Joaquim Levy não é nenhum Guido Mantega que tem uma capacidade impressionante de dimensionar a economia brasileira, sabendo como cada gasto público vai repercutir na produção. É, entretanto, o melhor que a presidenta Dilma Rousseff poderia encontrar. É engenheiro e é da escola de Chicago, ou seja, é um neandertal em economia, mas é o tipo de neandertal que se precisa no atual momento. Além disso, é dos poucos economistas que ela conhece ao ponto de ser de confiança dela com as características que ele tem e que são necessárias ao momento atual.
O Brasil já estava apresentando uma conta bastante negativa na Balança Comercial. Algo que pudesse configurar um déficit de até 20 bilhões de dólares. O governo precisa reverter isso e assegurar um saldo de no mínimo 20 bilhões de dólares. Há também déficit na conta de serviços que salvo viagem ao exterior guarda pouca relação com o câmbio. Então o país precisa em um primeiro momento fazer uma grande reversão. Essa reversão é feita de início com a redução de consumo. A redução de consumo é, no entanto, passageira, pois em parte a demanda interna suprida pelas importações será paulatinamente assumida pela produção interna. E haverá também maiores ganhos do setor exportador, não pelo aumento das exportações que provavelmente não ocorrerão em razão da inglobalização (É, esta palavra não existe, mas utilizaram tanto o termo globalização para referir-se a algo que acontecia desde os tempos imemoriais como se ele estivesse começando acontecer naquele momento que seu oposto pode significar também algo que não acontece nunca e que no momento atual é tratado como um momento especial em que se observa a sua não ocorrência), mas pelo mero aumento em real do valor exportado. Esses ganhos são mais tributados, o que representa mais receitas para as fazendas públicas, e mesmo após a tributação proporcionarão também maiores ganhos o que leva a investimentos, ou seja, a mais gastos. Assim já no ano que vem o país estará trilhando o caminho do crescimento econômico.
E não pense também que a presidenta Dilma Rousseff escolheu o Joaquim Levy por vingança. Não foi para tripudiar sobre Paulo Skaf que não quis a presença dela em campanha a governador de São Paulo na campanha eleitoral de 2014 que a presidenta Dilma Rousseff fez a opção por um programa de ajustes. É claro que certamente ela não vai chorar por Paulo Skaf, mas ela vai chorar pelos trabalhadores que perderem o emprego.
Infelizmente, quando abraçamos a quinquilharia que a metrópole nos oferecia: Regime de Metas de Inflação, livre fluxo de moedas, câmbio flutuante, liberação do comércio exterior, Lei de Responsabilidade Fiscal e outros pequenos adereços, nós ficamos submetidos ao humor do presidente do Fed.
Talvez a presidenta Dilma Rousseff seja o nosso primeiro governante desde Geisel que executa uma política econômica exatamente com a intenção de liberar o máximo possível da camisa de força do modelo econômico que nos foi imposto (antes apenas informalmente e depois do Plano Real via lei). No primeiro mandato adotou uma política que estava permitindo uma recuperação ideal da economia quando ocorreu o imprevisto do 3º trimestre de 2013. Foram criadas novas condições e ela está adaptando às novas condições com método e planejamento. Por sorte temos alguém na presidência com esta visão de mais longo prazo que não se deixa abater pelo imediato. E se você tiver a paciência dela verá que ela estava com a razão.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/06/2015
Alexandre Weber - Santos -SP
24 de junho de 2015 12:28 amPaciência é uma virtude das mais difíceis de ser conquistada
Em todo caso gostei da idéia de que alguém consegue enxergar os efeitos dos gastos públicos na sociedade, fico com dó do Mantega quando era obrigado a ver o legislativo e o judiciário se concederem aumentos rsrsrsrs…
Este negócio de longo prazo está parecendo com o bolo do Delfim.
Clever Mendes de Oliveira
24 de junho de 2015 1:08 amOs gastos públicos e outros adereços ou penduricalhos
Alexandre Weber – Santos –SP (terça-feira, 23/06/2015 às 17:40),
Sobre os gastos públicos no seu sentido estrito não custa nada transcrever do artigo “Os gastos públicos no Brasil são produtivos” de autoria de José Oswaldo Cândido Júnior, na época da Diretoria de Estudos Macroeconômicos – DIMAC/IPEA, a frase a seguir:
“Antes de Wagner, Thomas Malthus defendeu, em 1820, a idéia de que era necessário aumentar os gastos públicos para estimular a demanda agregada e o crescimento econômico. A esse respeito ver T. Szmrecsányi (1982)”.
O artigo “Os gastos públicos no Brasil são produtivos” pode ser encontrado no seguinte endereço:
http://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/viewFile/77/88
Este artigo foi publicado em “Planejamento e Políticas Públicas” nº 23, junho 2001. E a frase transcrita acima pode ser vista em nota de pé de página na página 235 da mencionada publicação. E nas Referências Bibliográficas do artigo “Os gastos públicos no Brasil são produtivos”, na página 259 da publicação “Planejamento e Políticas Públicas” há o esclarecimento sobre referência T. Szmerecsárnyi. Reproduzo-a abaixo:
“SZMRECSÁNYI, T. A Importância de Malthus na História do Pensamento Econômico. In: SZMRECSÁNYI, T. (Org.). São Paulo: Ática, 1982.”
No sentido menos restrito, eu defendi os gastos públicos no final da década de 80, mas assim como no meu comentário acima, apenas para polemizar. Defendia apenas para ficar em oposição a colegas que viam na corrupção o fim do mundo. E como eu insistia lá: eu sou mais inimigo da corrupção e a combato com mais afinco do que os que a consideram o fim do mundo. Quando se vê na corrupção o fim do mundo cria-se um desânimo e há até o risco de cair sob o efeito da frase de Oscar Wilde: “melhor forma de vencer uma tentação é entregar-se a ela”. Além disso, quem vê a corrupção como o fim do mundo pode ficar descrente de a combater ao descobrir que a corrupção não é o bicho papão que a pintam e assim também perde o ânimo necessário para sempre a considrar um mal que deve ser tecnicamente evitada.
Agora você me pareceu um pouco surpreso com o que eu disse, mas não deveria. Talvez em meu comentário acima eu só não tenha sido prolixo como de costume, mas junto ao post “Nunca se roubou tão pouco, por Ricardo Semler” de sexta-feira, 21/11/2014 às 10:51, aqui no blog de Luis Nassif e em que por sugestão de Pedro Penido dos Anjos se transformou em post o artigo publicado na Folha de S. Paulo de Ricardo Semler “Nunca se roubou tão pouco”, eu fiz alguns comentários procurando destrinchar bastante as minhas ideias sobre a corrupção. O endereço do post “Nunca se roubou tão pouco, por Ricardo Semler” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/nunca-se-roubou-tao-pouco-por-ricardo-semler
É claro que a minha avaliação de que a corrupção esteja diminuindo depende da amplitude do conceito que se dá a corrupção. Se você considera o juro um roubo e considera que os donos dos Bancos são os grandes acionistas ou emprestadores da mídia e que coube a mídia convencer a população que a inflação baixa é boa e que para isso acontecer será necessário levar os juros à altura e que em troca de se combater a inflação com juro alto os bancos financiarão as campanhas dos governantes, a corrupção no Brasil, pelo menos na nossa atual quadra complicada de que Luis Nassif apresentou lá no post “Falta governo e falta oposição no país”, está aumentando.
Eu entrei com a mídia só para embaralhar. Ela não é necessária na corrente. Se os bancos financiam as campanhas dos candidatos e em troca o eleito aumenta os juros para gaudio dos banqueiros, a corrupção está configurada e o ato de aumento de juro ainda dá ensejo ao aumento da pena de corrupção algo que não aconteceu com nenhum dos acusados pelo crime de corrupção no julgamento pelo STF da Ação Penal 470.
E a entrada da mídia foi realmente para embaralhar, pois não é necessário que a mídia induza o povo a ficar contra a inflação. Nós, o povo, somos radicalmente contra a inflação. Esta é também uma avaliação antiga que faço, provavelmente desde o início da década de 80. Avaliação que agora já conta com boa companhia, pois hoje foi estampada na primeira página do jornal Valor Econômico ainda que um tanto escondida com o título “A moral do ajuste”, uma chamada que reforça o que eu venho dizendo. Diz lá o jornal Valor Econômico:
“A moral do ajuste
Com dois livros sobre a questão do desemprego a serem lançados no Brasil, Mark Reiff, da Univerdidade de Manchester, no Reino Unido, afirma que é mais importante combater o desemprego que manter a inflação baixa. “Inflação mais alta, de 8% ou 9%, afeta toda a população. O desemprego afeta especialmente as pessoas mais pobres”. D3”
Os links para o Valor Econômico são sempre acessíveis na íntegra somente para assinantes. Assim ponho a seguir o link do site “Unidas Autogestão em saúde” onde a matéria do Valor Econômico foi reproduzida:
http://www.unidas.org.br/inflacao-e-desemprego-questao-aberta-/55991/detalhe-noticia-saude
Não deveria reclamar de ver na primeira página de um jornal importante uma matéria como essa, mas fico imaginando porque uma notícia assim só é publicada quando se faz campanha contra um governo no momento que ele faz todo esforço para reduzir a inflação? Já imaginou se divulgassem a análise de Mark Reiff em plena disputa eleitoral, quando um partido estivesse tentando arregimentar voto com a cantilena e catilinária: “a inflação é o mais injusto dos impostos pois atinge os mais pobres”?
Bem, originalmente eu pretendia falar no meu primeiro comentário sobre a inflação. A idéia seria apoiar a crítica à presidenta Dilma Rousseff por querer uma inflação tão baixa já em 2016. Só que a presidenta estaria errada do ponto de vista econômico, e do ponto de vista político ela só estaria errada se houvesse uma consciência por toda a sociedade de que a inflação é detestada por que faz mal a todos enquanto o desemprego só faz mal a alguns e em geral os mais pobres. Não é o que acontece. Em 2018, ela vai precisar de ter a popularidade em alta para ajudar o PT a ganhar a eleição. E a popularidade dela vai estar mais alta quanto menor for a inflação. Assim segue a vida. Talvez em um mandato presidencial de cinco ou seis anos sem reeleição, o presidente pudesse atacar os problemas do país sem se importar com a popularidade. Com um sistema de reeleição as forças no poder tudo farão para ganhar a eleição e isso significa manter a inflação o mais baixo possível.
A grande façanha de Guido Mantega foi ter mantido a inflação ao redor de 6%, e apesar da Ação Penal 470 e das manifestações de junho de 2013, ter conseguido deixar o país em condições que permitiram a eleição da presidenta Dilma Rousseff.
E voltando a escolha do momento oportuno para trazer alguma notícia para as páginas dos nossos grandes jornalões. Em 1997, quando Gustavo Franco fazia as estripulias dele para levar a inflação para o rez-de-chaussée, o Celso Pinto encontrou um texto produzido por técnico do FMI que dizia que a inflação ótima seria de 6%, a partir dai a inflação tenderia prejudicar o crescimento. Antigamente o artigo de Michael Sarel “Non Linear Effects of Inflação on Economic Growth” IMF Staff Papers, Vol. 43, nº 1, p. 199-215 estava disponível na internet. Há a tese de mestrado de Rodrigo Ayres Padilha pela Universidade Federal do Paraná sob orientação do Prof. Dr José Luis da Costa Oreiro, saída em 2007 e intitulada “Metas de Inflação: Experiência e Questões para os Países em Desenvolvimento” que menciona o artigo de Michael Sarel. Na tese Rodrigo Ayres Padilha levanta a hipótese de que para países em desenvolvimento o ótimo de inflação talvez fosse uns dois pontos percentuais acima do que os 6% preconizado por Michael Sare. A tese de mestrado “Metas de Inflação: Experiência e Questões para os Países em Desenvolvimento” pode ser vista no seguinte endereço:
http://dspace.c3sl.ufpr.br:8080/dspace/bitstream/handle/1884/10335/Disserta%c3%a7%c3%a3o%20Rodrigo%20Ayres%20Padilha.pdf?sequence=1&isAllowed=y
E só para completar nesta abordagem sobre a inflação, há um artigo muito bom de Marcelo Miterhof “Conservadorismo atávico” publicado na Folha de S. Paulo de quinta-feira, 12/12/2014, e que saiu aqui no blog de Luis Nassif no post “Conservadorismo atávico, por Marcelo Miterhof” de sexta-feira, 12/12/2014 às 06:07, e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/noticia/conservadorismo-atavico-por-marcelo-miterhof
Chamo atenção deste artigo, recomendando não só a leitura dele como também dos comentários, sobretudo pela frase que encabeça o artigo. Afirma lá Marcelo Miterhof:
“Se os preços sobem porque os salários se elevaram mais do que a produtividade, a desigualdade é reduzida”.
Enviei sábado, 06/06/2015 às 23:34, um comentário em que indico este artigo de Marcelo Miterhof “Conservadorismo atávico” junto ao post “Falando um pouco sobre juros, por Gunter Zibell” de quarta-feira, 03/06/2015 às 09:47, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria de Gunter Zibell – pró-Rede, e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.jornalggn.com.br/comment/662488
E mais do que a indicação do artigo de Marcelo Miterhof, em meu comentário eu transcrevo comentário seu enviado quinta-feira, 03/03/2011 às 17:25, e que pode ser visto na terceira página do post “A inflação distante do umbigo da blogosfera” de sexta-feira, 04/03/2011 às 09:41, publicado aqui no blog de Luis Nassif e com texto de autoria de Gunter Zibell. O endereço do post “A inflação distante do umbigo da blogsofera” é:
http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-inflacao-distante-do-umbigo-da-blogosfera
E o seu comentário que eu transcrevi na íntegra destacando em negrito a parte que mais interessa é o que se segue (o negrito volta a aparecer na transcrição abaixo:
“Falta considerar o tempo nas análises do Gunter, este tempo, em um mercado fechado onde quando um perde sempre um ganha. Neste tempo de oportunidades, os que comandam o mercado ganham quando a bolsa sobe e ganham quando a bolsa desce, não tem perdão, é sempre a mesma ladainha, o dinheiro correndo do bolso dos otários para o bolso dos espertos.
Não considerar o tempo torna iníqua qualquer análise, pois está dissociada do mais importante fator em mercado de capitais.
Só por curiosidade, com a dívida pública preponderantemente em Reais, uma inflação que diminua a taxa de juros reais, diminui, sobre qualquer ponto de vista, a transferência de dinheiro do povo para os rentistas. É lógico que os rentistas, a mídia e seus funcionários vão pregar uma redução da inflação e maliciosamente pedir ainda um aumento dos juros nominais para prevenir uma futura inflação que corroeria os seus ganhos.
Esta estratégia é interessantíssima e seu eu fosse rentista ia mover os Céus e a Terra para implementá-la, como não sou, observo o que acontece”.
Não comentei sobre a inflação como eu queria fazer no meu comentário anterior porque este tema não tem fim. No seu comentário acima dá para perceber que você descobriu o poder de ferro do Regime de Metas de Inflação. É por isso que todos se rendem ao Regime. A presidenta Dilma Rousseff está errada por perseguir uma meta baixa de inflação porque isso não é bom para o Brasil, mas politicamente para ela abaixar inflação é bom. E para baixar inflação não há nenhum instrumento mais poderoso do que o Regime de Metas de Inflação.
É tão poderoso que já se começa a reconhecer que a batalha contra a inflação será ganha pelo Banco Central apesar das choramingas de Luis Nassif no post “O BC e a Fazenda ignoraram o óbvio” de terça-feira, 16/06/2015 às 00:00, onde ele acusa tanto o Banco Central do Brasil como a Fazenda pelo destrambelhamento da economia, no post “Barbeiragens do BC começam a assustar o mercado” de quarta-feira, 17/06/2015 às 06:00, em que a acusação fica restrita ao Banco Central do Brasil e no post “Fazenda ensaia uma autocrítica” de sexta-feira, 19/06/2015 às 06:00, em que ele procura de certo modo salvar a pele do ministro da Fazenda Joaquim Levy dando a ele o mérito de reconhecer que as medidas foram muito forte. Quem para a economia entretanto não é a Fazenda. Quem para a economia são os juros altos. Até porque os juros altos aumentam o déficit, ou seja, aumentam os gastos públicos em sentido restrito ou não.
O endereço do post “O BC e a Fazenda ignoraram o óbvio” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/o-bc-e-a-fazenda-ignoraram-o-obvio
O endereço do post “Barbeiragens do BC começam a assustar o mercado” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/barbeiragens-do-bc-comecam-a-assustar-o-mercado
E o endereço do post “Fazenda ensaia uma autocrítica” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/fazenda-ensaia-uma-autocritica
Nessas matérias todas o Luis Nassif acompanhou o que já estava na mídia, pois todas eram notícias no Valor Econômico. Ele deveria ter dado mais destaque era à matéria no Valor Econômico de hoje, terça-feira, 23/06/2015, que trata da competência do Banco Central em levar a inflação para o centro da meta se não em 2016, mas pelo menos em 2017. Diz lá o título da matéria: “Mercado vê IPCA na meta em 2017”, como se pode ver, embora na íntegra apenas para assinantes, no seguinte endereço:
http://www.valor.com.br/brasil/4104368/mercado-ve-ipca-na-meta-em-2017
E lá dentro da matéria só há porque tecer loas para a capacidade do Banco Central em levar a inflação para o centro das metas. Eu, avaliando que o Banco Central do Brasil dispõe do Regime de Metas de Inflação, não vejo como mérito levar a inflação para o centro da meta. Eu achei mais difícil ter mantido a inflação em 6% como fez durante o primeiro governo da presidenta Dilma Rousseff. E mais saudável.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 23/06/2015
Alexandre Weber - Santos -SP
25 de junho de 2015 11:50 amO abismo e a inflação
Nada como podermos dar palpites sem ter a responsabilidade da decisão rsrsrsrsrs….
Mudando de assunto, para mim confiança hoje é blockchain.
Na hora que estiverem pegando cartórios que falsificam escrituras, volto a discussão sobre corrupção.
No mais, sempre concordei com você na questão da inflação, mas na minha opinião, a relação Capital X Trabalho já mudou e os países estão atrazados nas atualizações de suas políticas públicas, donde a desconfiança na capacidade de se enxergar os efeitos dos gastos públicos.
Obrigado pelo link e pelas citações eruditas, sempre apreendo com você.
Clever Mendes de Oliveira
27 de junho de 2015 10:14 pmA depender da definição, há uma corrupção que cresce: a da alma
Alexandre Weber – Santos –SP (quinta-feira, 25/06/2015 às 08:50),
Fui atrás das citações eruditas que, segundo você, eu teria feito em meu comentário e vejo quase de imediato que há uma citação de sua lavra, ou seja, do próprio Alexandre Weber – Santos –SP, e citação que já tem mais de quatro anos, ou seja, antiga, clássica, erudita. E fiquei a matutar. O que me ocorre é de lembrar para você que a corrupção da alma é um dos eufemismos para cabotinismo.
Bem, havia alguns pontos que eu pretendia abordar quando enviei o meu primeiro comentário. Um ponto diz respeito ao problema da corrupção tendo em vista a diferença de opinião que eu tenho com Janio de Freitas desde 1980, quando o passei a acompanhar nas páginas da Folha de S. Paulo. Comentei bastante sobre essa diferença de opinião e resumindo digo que o que me diferencia da opinião de Janio de Freitas reside no fato de que eu avalio a corrupção menor do que ela é percebida por Janio de Freitas e porque eu não considero a corrupção o grande entrave ao desenvolvimento do Brasil. Isso não quer dizer que eu não veja a corrupção como um mal em si que deva ser combatido. O que insisto é que quando o fato nos ocorre nós temos a impressão de que ele faz parte do nosso cotidiano e assim o dimensionamos bem maior do que ele o é.
Segundo eu queria apontar a irrelevância das expectativas no processo de crescimento econômico. Falei pouco sobre isso. Em resumo o que eu queria dizer é que, salvo nos momentos de estouro da manada, não é a expectativa, em meu entendimento de leigo, diga-se de passagem, que conduz a economia. É o fato de os empresários estarem auferindo mais ou menos lucros que vai direcionar os investimentos e isso pode fazer ou uma economia estagnar-se ou manter um nível de crescimento ou mesmo iniciar um processo de crescimento.
E aproveito esta referência às expectativas para mencionar o post “Ressaca econômica? Por Rodrigo Medeiros” de quarta-feira, 24/06/2015, às 14:53, aqui no blog de Luis Nassif com texto de Rodrigo Medeiros e que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/blog/rodrigo-medeiros/ressaca-economica-por-rodrigo-medeiros
No texto há uma referência a um artigo de Robert Skidelsky, intitulado “Debating the Confidency Fairy” de quinta-feira, 22/04/2015, publicado no site Project Syndicate e que trata da crença que se depositam na confiança empresarial como elemento de proa para a recuperação econômica. Deixo os dois links a seguir: Primeiro para o post “Ressaca econômica? Por Rodrigo Medeiros” que pode ser visto no seguinte endereço:
https://jornalggn.com.br/blog/rodrigo-medeiros/ressaca-economica-por-rodrigo-medeiros
E o link para o artigo “Debating the Confidency Fairy” de Robert Skidelsky é:
http://www.project-syndicate.org/commentary/consumer-confidence-policy-success-by-robert-skidelsky-2015-04#ry3qIAuP0XhFmYc1.99
Bem e há um outro item que eu não cheguei a pensar de início sobre ele, mas ele me veio à mente quando eu fiz referência no meu comentário enviado terça-feira, 23/06/2015 às 14:14, iniciando esse debate e que fora destinado ao próprio Janio de Freitas, a uma capacidade especial da presidenta Dilma Rousseff em relação aos demais presidentes desde o golpe militar. Transcrevo o trecho em que eu comento sobre a que eu entendo ser correta percepção da presidenta Dilma Rousseff sobre a realidade da economia brasileira e as dificuldades de fazer a economia brasileira crescer de modo contínuo. Disse eu lá:
“Talvez a presidenta Dilma Rousseff seja o nosso primeiro governante desde Geisel que executa uma política econômica exatamente com a intenção de liberar o máximo possível da camisa de força do modelo econômico que nos foi imposto (antes apenas informalmente e depois do Plano Real via lei)”.
O que eu queria dizer sobre essa frase é que eu pensei em fazer referência também a minha percepção de que Fernando Henrique Cardoso também tinha essa compreensão da realidade econômica brasileira e do que era necessário para que o Brasil pudesse sair dessa nossa subserviência ao capital internacional. O que impediu Fernando Henrique Cardoso de agir conforme aquilo que ele tinha apreendido não foi exclusivamente a própria natureza do Plano Real e a dependência de Fernando Henrique Cardoso ao sucesso do Plano para ele manter a popularidade o que o fazia radicalizar nos aspectos ruins que o Plano Real continha. Só que no meu entendimento, facilitou a radicalização do Plano Real, com a redução rápida da inflação e a abertura da nossa economia ao mercado externo, principalmente ao mercado financeiro externo, o jeito airoso de nefelibata volúvel e fútil de que ele é impregnado e que o deixa levar por qualquer modismo alienígena que apareça e que ele de certo modo esconde via a mitificação de um intelectual cosmopolita. Um amigo costuma referir-se a Fernando Henrique Cardoso como um aculturado. E ele é mais do que isso. Ele é mais uma contrafação de um cosmopolitismo aculturado.
Quando foi presidente, o modismo era a globalização e Fernando Henrique Cardoso se deixou levar pela onda do momento. Foi uma oportunidade que ele perdeu e por causa dele, o Brasil. Um pouco mais de Fernando Henrique Cardoso pode ser visto no comentário que eu enviei terça-feira, 09/06/2015 às 20:32, para Luis Nassif no post “FHC e a hipocrisia da indignação com os boatos” de terça-feira, 09/06/2015 às 14:34. O endereço do post “FHC e a hipocrisia da indignação com os boatos” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/fhc-e-a-hipocrisia-da-indignacao-com-os-boatos
O que há de especial no meu comentário é a transcrição de uma peça de teatro oriunda de uma demanda que a Folha de S. Paulo fez a alguns famosos teatrólogos da época de transformar em peça teatral o dia seguinte da campanha teatral de quatro candidatos –Fernando Henrique Cardoso, Lula, Leonel de Moura Brizola e Eneas, na eleição de 1994, na suposição de que cada um houvesse perdido as eleições. As quatro peças teatrais foram publicadas no domingo, 02/10/1994, véspera do primeiro turno da eleição que aquela época realizava em três de outubro, no suplemento dominical Mais da Folha de S Paulo. Transcrevo um trecho do meu comentário em que eu falo sobre as peças:
“A peça que eu mais gostei foi a de Gianfrancesco Guarnieri tratando da derrota de Leonel de Moura Brizola. Na peça talvez Leonel de Moura Brizola tenha aparecido maior do que talvez tenha sido. Na minha avaliação ficou um elogio merecido tanto pelo retratado como pelo autor da peça. Marcos Caruso e Jandira Martini fizeram a peça sobre Lula.
A peça de Eneas fora escrito por Plínio Marcos e deixou muito a desejar. A peça retratando a derrota de Fernando Henrique Cardoso que de fato já se sabia que não ocorreria fora escrita por Mauro Rasi. Na época eu a achei muito fútil. Depois relendo é que eu vejo que ela conseguiu retratar Fernando Henrique Cardoso com muita fidelidade”.
Tenho as outras peças, mas só transcrevi a peça contando o dia seguinte de Fernando Henrique Cardoso como se ele tivesse perdido as eleições. Foi de longe a mais divertida. Ler a peça não o faz mais culto ou inteligente, mas vale a pena ler pelo que ela traz de humor.
Bem, creio que já dá para encerrar esse comentário aqui neste post. Se tiver algo mais para dizer talvez ainda que seja pertinente ao assunto deste post certamente optarei por utilizar um post mais atual.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 27/06/2015
André Oliveira
23 de junho de 2015 6:57 pmEstão chegando a conclusão
Estão chegando a conclusão que o ministro não é parte da solução mas sim parte do problema.
wendel
23 de junho de 2015 9:52 pmE ……………………..
“O que nós precisamos é um acordo com a União Europeia ou com os Estados Unidos.”
Mais um a querer detonar o Mercosul !!!!
“Europa e Esados Unidos não estão em crise “, lendo esta esta afirmação, nãos ei se devo rir ou chorar de tanta presunção em qerer manipular. É só ler os analistas economicos e veremos que a crise é global !!!
Quando o governo fez a gigantesca renúncia fiscal plara as montadoras, não se viam nenhum queixume, agora ……
Todos nós sabemos que emmpresários no sistema capitalista, ainda mais tratando-se de multinacional, não “prega prego sem estopa”, e querem é subsídios e se possível, nenhum imposto, plrincipalmente livre remessa de lucros !!!
Mas, como agora a ordem é para beneficiar Banca, os rentistas é que estão rindo com a elevação dos juros, e a produção, que gera empregos que se dane !!!
Mas, eles não se importam em nada com os problemas socias,e quando não der mais retorno, suas industrias e fábricas levantarão vôos para outras plagas, que lslhes oferecerem mais benesses!!!
Paulo Coelho
24 de junho de 2015 12:00 amVai escrever bem assim la na
Vai escrever bem assim la na casa…Tem meu apoio e de uma legião para a um lugar na A.B.L.