
Enviado por Paulo F.
Do Diário de Notícias de Lisboa
por PAULO BALDAIA
A democracia não é um privilégio nem um exclusivo da Grécia. A crise grega e a falta de entendimento entre os parceiros do Eurogrupo também não é da exclusiva responsabilidade dos gregos nem afectará apenas a eles. Podem, o primeiro-ministro e o Presidente da República, tentar sossegar-nos com o facto de estarmos preparados para aguentar uma nova crise do euro, mas é fatal como o destino que vá tudo de arrasto. A Europa não cresce, antes de mais, porque está toda sobre-endividada. É até muito provável que a dívida oculta (não propositadamente escondida, mas fora dos holofotes mediáticos) seja muito superior à dívida noticiada. Se os gregos entrarem em default toda a zona euro será vista pelos mercados mundiais como estando a falhar pagamentos devidos, e aí será novamente o “salve-se quem puder”. Gostam de proclamar a democracia que elegeu o Syriza na Grécia, preparem-se porque os governos da Europa vão agir em defesa de quem os elegeu, os cidadãos dos seus países.
O pior de uma crise provocada pela saída da Grécia do euro não é, provavelmente, um problema económico e financeiro na União Europeia (UE). O pior até pode ser o regresso dos nacionalismos e o fim das solidariedades económicas e sociais. Não faltam exemplos e nesta semana houve mais um. Na Dinamarca, um partido xenófobo conseguiu ser o segundo mais votado, ajudando a afastar os sociais–democratas do poder. Na verdade, o que esta crise já revela é que os ideais (uma Europa em paz, unida e próspera) dos fundadores estão em vias de extinção.
Nem Portugal nem nenhum dos países periféricos estão preparados para enfrentar uma crise desta natureza. Quando toda a Europa começar a pagar pelo desastre grego, não esperem pela solidariedade da Alemanha, dos países bálticos e do centro da Europa, com os bem–comportados portugueses. Isso não vai acontecer! Quando a crise tocar a todos, os eleitorados do Centro e Norte da Europa vão exigir dos seus governos que não gastem nem mais um tostão a resolver os problemas dos “malandros” do Sul. Nem de braço dado Passos Coelho e Cavaco Silva conseguirão convencer esses governos de que Portugal merece um outro tratamento, porque se revelou um bom aluno que obedeceu quando tinha de obedecer.
Isto não significa que o governo não tenha agido bem e de forma preventiva ao fazer uma gestão da dívida pública que nos permite ter, agora, dinheiro nos cofres para gerir uma eventual turbulência dos mercados. Para enfrentar uma chuvada é melhor ter um guarda-chuva, mas numa tempestade perfeita a protecção desaparecerá rapidamente levada pelos fortes ventos. A Europa de um por todos e todos por um pode estar a transformar-se na Europa de cada um por si.
Alberto Nasiasene
22 de junho de 2015 11:29 amOu seja, não adiantou nada
Ou seja, não adiantou nada seguir o manual do perfeito idiota neoliberal em Portugal. “Fim das solidariedaes econômicas e sociais?” É piada? Qual solidariedade é esta que aplicaram ao povo grego? Quer dizer então que os obedientes portugueses seguiram a cartilha neoliberal ipsis literis e agora estão desprevenidos por causa da desobediência do povo grego? Mas os gregos não tentaram também seguir a cartilha e não conseguiram? Quer dizer que a Alemanha neoliberal da Merkel nada tem a ver com tudo isto?
Fabio SP
22 de junho de 2015 11:35 amSaída da Grécia pode… Só
Saída da Grécia pode… Só que não!