4 de junho de 2026

As delações da Lava Jato e a prova da falta de provas, por Janio de Freitas

Prova da falta de prova

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Por Janio de Freitas

Na Folha

As entrevistas dos integrantes da força-tarefa da Lava Jato, para comunicar a denúncia formal contra quatro ex-deputados, confirmam a impressão de que as delações premiadas movimentam muitas acusações e suspeitas, mas não suprem a carência de investigações para produzir provas. E, sem provas, as delações agitam e impressionam, no entanto não superam a sua precariedade para enfrentar as exigências de um julgamento correto.

Não que as acusações aos quatro sejam infundadas. Podem ser em tudo verdadeiras. É mesmo o que sugerem os currículos de Pedro Corrêa e Luiz Argôlo, e ainda as afirmações recentes sobre o ex-petista André Vargas e Aline Corrêa, filha de Pedro. Chega a parecer que foram escolhidos, para inaugurar a galeria dos denunciados, por não provocarem questionamentos às acusações expostas.

O que não diminuiu os pedidos, dos repórteres aos entrevistados, de esclarecimentos e mais pormenores sobre pontos envolvendo as esperadas provas. As respostas não puderam sair da vaguidão. Os procuradores não tergiversavam, foram bastante fracos. Mas as respostas eram “isso [as provas] vai ser apurado durante a ação”, “ainda não temos”, “estamos buscando”, coisas assim.

A pretendida indicação objetiva de prova foi mais insatisfatória. “Deu mais de mil telefonemas” para tal ou qual entidade pode ser um indício, mas, no caso, nada prova. Pior ainda: “Ele tinha entrada na Caixa”. Ainda que somadas, constatações assim podem fazer convicção, mas é improvável que façam condenação.

Para uma operação que há um ano e dois meses já punha suspeitos na cadeia, o coletado contra os quatro denunciados e, ao que parece, dos mais fáceis acusáveis é, pelo que foi exposto, muito pouco. A impressão de disparidade entre as delações premiadas prioritárias e as investigações policiais necessárias permanece. Agora, ela sim, com prova.

PERDAS E GANHOS

Tanto o governo Dilma como os que voltam a discutir o “fator previdenciário” não levam em conta a essência desse mecanismo: a injustiça. Ele pune os obrigados a se tornarem trabalhadores mais cedo na vida: exige-lhes, para receber aposentadoria integral, mais anos de contribuição previdenciária do que aos iniciados mais tarde no trabalho. Muitos anos mais, sobretudo, do que o exigido aos que têm meios para estender os estudos em universidade, ou mais ainda.

São “benefícios” diferenciados para quem fez o mesmo para recebê-los. E como são os despossuídos a iniciarem mais cedo a vida de trabalho e contribuição previdenciária, a diferenciação de tratamento que os prejudica é uma discriminação social e econômica explícita.

Ficou provada a constância com que os aposentados ainda na meia idade, com aposentadoria integral de homens aos 35 anos de contribuição e as mulheres 30, continuavam trabalhando. E, a depender dos patrões, a contribuir para a Previdência por terem carteira assinada. Isso porque, além do mais, a aposentadoria de trabalhador pela CLT é uma indecente porcaria.

Era a justa aposentadoria proporcional e indiscriminatória, em conformidade com o tempo de contribuição. Fora desta regra, antes do “fator previdenciário” e também com ele, só os funcionários públicos. Os civis, com o privilégio da aposentadoria integral idêntica aos vencimentos. E a mamata das mamatas dada ao militar, de receber como aposentado o soldo próprio do posto superior àquele em que se aposentou.

BEM CLARO

Fernando Henrique em Nova York: “Esses malfeitos vêm de outro governo, isso deve ficar bem claro. Vêm do governo Lula. Começou aí”.

Se é para “ficar bem claro”, vêm de outro governo, sim. Como disse Pedro Barusco em sua delação premiada e na Câmara, “começou em 1997” na Petrobras do governo Fernando Henrique. Ou o que é dito em delação premiada vale só contra adversários de Fernando Henrique?

Cintia Alves

Cintia Alves é jornalista especializada em Gestão de Mídias Digitais e editora do GGN.

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26 Comentários
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  1. Schell

    17 de maio de 2015 4:54 pm

    Talvez, se conversarmos com

    Talvez, se conversarmos com meia dúzia de juízes federais, ouviremos que estão cansados de receberem peças do MPF sem sustentação fática. Depois, como mandam arquivar por falta de provas, passam por “maldosos”. Pois é, agora, talvez (também) tenham “pegado” um juiz que não está preocupado com as provas (como no discurso da douta Rosa, no dito mensalão: de que poderia condenar sem provas: voto escrito pelo dr. Moro, não?). 

  2. anarquista sério

    17 de maio de 2015 5:12 pm

    Por algum motivo sinistro, o

    Por algum motivo sinistro, o PT quer acabar com a operação Lava Jato.

           Que horros dessas pessoas !!!!

    1. Nádia Ramos

      17 de maio de 2015 6:00 pm

      Anarquista Desonesto

      Anarquista de sério não tem nada, seria melhor Anarquista desonesto. Como pode caluniar assim? Você é um irresponsável por ficar inventando e pior que espalha mentiras, quem te disse que PT quer acabar com Lava Jato???????????????????? De onde tirou essa pérola??????????????? PT quer que outros partidos como PSDB por exemplo onde Aécio foi citado no lava jato, mas a justiça como sempre fazem ENGAVETAM TUDO ´QUE É DE TUCANO, seja justa e condene TAMBÉM OUTROS TESOUREIROS. Porque Moro considerou apenta do PT como PROPINA??????? Você não raciocina????????? ou é um troll a trabalho dos tucanos????????????????

  3. chanceLer01

    17 de maio de 2015 5:18 pm

    Diante dos últimos eventos

    Diante dos últimos eventos judiciários superiores (Rosa Webber) e inferiores (Moro), as provas que constam são: incompetências do MPF e PF, malícia e alinhamento político da justiça em todas suas instâncias. Eis, a prova cabal que vivemos num Estado de exceção!

    1. Luís Henrique Donadio

      17 de maio de 2015 7:48 pm

      Estado de exceção?

      Olha, eu vivi durante o Estado de exceção. De 1964 a 1985.

      Sem mais delongas… era completamente diferente do que vivemos agora.

  4. Wsobrinho

    17 de maio de 2015 6:09 pm

    O totalitarismo do século XXI

    PML: O BRASIL E OS GOLPES À MODA DO SÉCULO XXI

    :

     

    Ao comentar o trabalho acadêmico do advogado Pedro Serrano, professor de Direito Constitucional na PUC-SP, em que trata em profundidade de direitos e garantias individuais, Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília, observa que políticos ligados ao PT têm sido o principal alvo do sistema Judiciário na última década, sendo “acusados de corrupção em processos espetaculares”, passando a “ser discriminados em seus direitos e garantias”, ao serem submetidos a prisões preventivas “em prazos extremamente longos” a mando do juiz Sérgio Moro; PML cita Hannah Arendt, que “avaliava que a democracia se encontrava em perigo quando a elite assumia modos e comportamentos antidemocráticos”, e destaca que “não é difícil reconhecer movimentos dessa natureza no Brasil de hoje”, como os episódios de agressão contra Alexandre Padilha, Guido Mantega e, em 2012, contra Ricardo Lewandowski

     

    17 DE MAIO DE 2015 ÀS 14:46

     

     

    Por Paulo Moreira Leite

    O conceito de pessoa humana talvez tenha sido o mais revolucionário da história do homem na Terra, traduzindo-se como imensa contribuição da cristandade para nossa sociabilidade. Ao divorciar o homem de sua apropriação como coisa para tratá-lo como filho de Deus, membro de uma imensa família humana, aliou-se a noção de homem à de igualdade e justiça. Todos essencialmente iguais, porque nascidos do mesmo Pai.”

    Encontrei as palavras acima no mais recente trabalho acadêmico do advogado Pedro Serrano. Professor de Direito Constitucional na PUC-SP, na semana passada Serrano foi a Portugal apresentar uma tese de pós-doutorado na Universidade de Lisboa. Num trabalho em profundidade sobre direitos e garantias individuais, Serrano debate a Idade Média, explica a queda do absolutismo e a revolução francesa para discutir noções sobre Estado de Direito, Estado Policial e Estado de Exceção. O texto debate os golpes de Estado recentes na América Latina, como a queda de Eduardo Lugo, no Paraguai, e a de Manoel Zelada, em Honduras.

    Embora seja um crítico frequente de determinadas sentenças e decisões da Justiça, na AP 470 e também na Operação Lava Jato, em sua tese acadêmica o professor evita maiores considerações a respeito. Não faz referências explícitas a situação brasileira, ainda que o Brasil seja, obviamente, o sujeito mais ou menos oculto de seu trabalho.

    Mais do que entrar num debate de assuntos da conjuntura imediata, Serrano procura fixar conceitos — o que também é uma forma de contribuir para a compreensão do momento que o país atravessa, como você poderá comprovar nos parágrafos finais deste artigo.

    Ao estabelecer a conexão entre os direitos individuais e os Estados Democráticos de Direito, Serrano constrói um método que mostra que os regimes de exceção começam a ser formados quando se constrói um inimigo interno, categoria social que define os cidadãos que não têm os mesmos direitos que os outros — e podem ser tratados por medidas de exceção. A construção do inimigo é essencial pois a partir dela é possível estabelecer diferenças “no interior da espécie humana. Onde há o inimigo, não há o ser humano, mas um ser desprovido da condição de humanidade,” explica, recordando o universo político em que se moveu o nazismo de Adolf Hitler, o fascismo de Benito Mussolini e também a ditadura militar que governou o Brasil por duas décadas. De uma forma ou outra , esclarece, eram regimes que possuiam cidadãos desprovidos dos mesmos direitos que os demais — como judeus, comunistas, estrangeiros — e a partir daí se construíu uma ordem que envolvia o conjunto da sociedade.

    Explicando o nascimento das ditaduras, o professor lembra que “em geral a decisão jurisdicional de exceção não se declara como tal”. Pelo contrário, costuma justificar-se como um esforço para defender o próprio Estado democrático de Direito e é “envolvida em fundamentações e justificativas compatíveis com a ordem posta. ” Foi assim que a suspensão de garantias democráticas sob o regime de Hitler foi apresentada como uma resposta ao incêndio do Reichstag, o Parlamento alemão, atribuído ao Partido Comunista. Da mesma forma, o fantasma do comunismo nos anos de Guerra-Fria serviu de suporte ideológico ao ciclo militar da América Latina, inclusive o Brasil.

    Depois de analisar as ditaduras do século XX, onde havia um “Estado autoritário claro, um Estado de polícia inequívoco, um poder exercido de forma bruta,” Pedro Serrano entra no século XXI, o nosso período histórico.

    A NOVA NATUREZA DO ESTADO DE EXCEÇÃO

    De saída, o professor registra uma mudança clara e importante: “o Estado de exceção muda de natureza. Não há mais a interrupção do Estado democrático para a instauração de um Estado de exceção, mas os mecanismos do autoritarismo típico passam a existir e conviver dentro da rotina democrática.

    Assim, naquele que costuma ser considerado o mais antigo Estado Democrático de Direito do planeta, os Estados Unidos, na primeira década do século XXI nasceu o Patriotic Act. No ambiente de grande emoção e pânico produzidos pelos ataques de 11 de setembro, um decreto assinado por George W Bush “autoriza a prática de atos de tortura como método de investigação (…) bem como o sequestro de qualquer ser humano suspeito de inimigo em qualquer lugar do planeta, sem qualquer respeito a soberania dos Estados do mundo.” Os mesmos métos se espalham, em grau maior ou menor, pelos países europeus, “com cadastros esepciais de controle da intimidade, campos de confinamento, etc.”

    Aquele conjunto de medidas que em outros momentos provocariam a indignação da consciência democrática , passam a ser vistas “como uma verdadeira técnica de governo.”

    Assim — o exemplo aqui é meu — um jornalista como Julian Assange permanece há três anos como prisioneiro na embaixada do Equador em Londres. Isso porque divulgou segredos diplomáticos através do Wikileaks, num tratamento sem paralelo com o recebido por Daniel Ellsberg em 1971, na divulgação de documentos secretos e comprometedores do Pentágono sobre a guerra do Vietnã.

    Serrano avalia que na América Latina, a era dos golpes militares e ditaduras de longa duração, com desfile de tanques pelas ruas e Congressos fechados será substituída por intervenções rápidas para garantir a derrubada de um governo considerado indesejável — ainda que “regime democráticos sejam inconstitucionalmente interrompidos, golpeando presidentes legitimamente eleitos.” Analisando os dois casos concretos deste período, a deposição de Fernando Lugo e o golpe contra Manoel Zelaya, Serrano sustenta que o Judiciário desempenha um papel essencial para a construção da nova ordem.

    Em vez de assumir uma postura de resistência em nome da antiga ordem, postura que, no passado, levou até à cassação de magistrados comprometidos com os princípios democráticos, os tribunais superiores assumem outra função — dar legitimidade a medidas que atropelam a soberania popular. Escreve Serrano: “é a jurisdição funcionando como fonte de exceção e não do direito.”

    Outra novidade no século XXI é o inimigo interno, indispensável para iniciativas anti-democráticas. Serrano aponta que, nos países desenvolvidos, esse lugar é ocupado pelo “inimigo muçulmano fundamentalista.”

    Muitos analistas sustentam que essa situação é obra do 11 de setembro, o que seria uma forma de dizer que, na origem, o terrorismo de organizações árabes é responsável pela discriminação e violência que as potências do Ocidente reservam a seus povos.

    Mantendo-se no terreno jurídico, Serrano não entra nesta discussão, o que dá a este humilde blogueiro o direito de apresentar um palpite.

    Sem querer minimizar nem por um segundo o impacto terrível do ataque às torres gêmeas, acho possível defender outro argumento. Acredito que o 11 de setembro colocou em movimento forças que já se moviam na potência norte-americana e provocou reações de uma engrenagem que iria se mover de uma forma ou de outra, para defender os interesses maiores daquele país que se transformou na única potência militar do planeta após o colapso da antiga URSS.

    Em 1993, oito anos antes dos ataques, um professor de Harvard, Samuel Huntington, influente nos meios políticos e diplomáticos dos EUA, publicou Choque de Civilizações, artigo que se tornaria uma espécie de programa de trabalho do Império norte-americano e seus aliados na nova ordem mundial. No texto Huntington formula uma visão da evolução humana para as décadas seguintes. Diz que dali para a frente “o eixo predominante da política mundial serão as relações entre ‘o Ocidente e o Resto.” Num raciocínio voltado para a preservação da hegemonia e poderio, Huntington registra a emergência dos países que décadas depois seriam chamados de emergentes — e define estratégias para manter uma posição de força e domínio. Vale a pena ler: “os conflitos entre as civilizacões vão suplantar os conflitos de natureza ideológica e e outras como forma de global dominante; as relações internacionais, um jogo historicamente jogado dentro da civilização ocidental, se tornarão um jogo em que as civilizações não-ocidentais serão agentes e não simples objetos.” Na visão de Huntington, estamos falando de conflitos mais graves e intransponíveis do que a ideologia e a economia, porque sua base está na cultura, em valores inconciliáveis que opõem povos e nações através do planeta inteiro.

    Transportada para o direito internacional — não custa lembrar que a ONU foi fundada por uma Carta de Direitos Humanos, frequentemente ignorada na vida real — essa política do inimigo chegará não só a guerras de grande porte, como a do Iraque. Também levou a formulação do chamado Eixo do Mal, que justificava a persistência do bloqueio a Cuba e o apoio a duas tentativas de golpe na Venezuela de Hugo Chávez, em 2002. Com a possibilidade da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição presidencial daquele ano, a diplomacia republicana chegou a cogitar a inclusão do Brasil no conjunto de inimigos a abater, mas essa política foi desmontada por uma ação múltipla, que incluiu o governo Fernando Henrique Cardoso, o próprio Lula e ainda uma viagem bem sucedida de José Dirceu para conversas em Washington e Nova York, meses antes da vitória.

    Falando da América Latina e do Brasil, Serrano diagnostica uma situação de duplicidade. Explica que na região convivem um Estado de Democrático de Direito, acessível a população mais endinheirada dos grandes centros urbanos, com um Estado policial de exceção, “localizado nas periferias das grandes cidades, verdadeiros territórios ocupados, onde vive a maioria da população pobre.” Desse ponto de vista, explica, a exceção é a regra geral para a maioria das pessoas.

    Referindo-se ao universo que deu origem ao golpe de 1964 no Brasil, o professor explica que ,”o inimigo a ser combatido e que ameaça a sociedade não se identifica mais do a figura do comunista das ditaduras militares, mas sim com a figura do bandido, impreterivelmente identificado com a condição social de pobreza. “

    Impossível discordar.

    SOFISMA SOCIÓLOGICO

    Eu gostaria de acrescentar, por minha conta, observações sobre as ideias de Serrano e o Brasil de 2015.

    Há uma novidade curiosa no comportamento do Judiciário na última década. Estamos falando de um período no qual, como demonstram estatísticas que ninguém discute, os mais pobres conseguiram melhorar — parcialmente, é verdade — sua posição na pirâmide social e ter acesso a um padrão de consumo e igualdade que nunca se viu na história. Estudam mais, alimentam-se melhor, tem oportunidades mais amplas.

    Justamente os políticos e personalidades ligados ao Partido dos Trabalhadores e seus aliados, o mais identificado com esse processo, benéfico para o conjunto da sociedade brasileria, têm sido alvo de medidas– classifique como quiser, de exceção, perseguição, ou qualquer outro adjetivo — por parte do Judiciário. Acusados de corrupção em processos espetaculares, acompanhados com espírito de circo pelos grandes grupos de comunicação, passaram a ser discriminados em seus direitos e garantias.

    Através da AP 470 e da Operação Lava Jato, são tratados como inimigos internos, habitantes daquilo que Serrano chama de “territórios ocupados da periferia” e não como cidadão que, em função de sua posição na pirâmide social, teriam acesso assegurado ao Estado Democrático de Direito.

    Sempre que se debate — por exemplo — as prisões preventivas dos acusados da Lava Jato, em prazos extremamente longos, sem provas nem indícios consistentes de culpa, configurando um abuso destinado a forçar confissões e delações premiadas, os aliados do juiz Sérgio Moro e do Ministério Público pedem ajuda a um sofisma sociológico.

    Alegam que um terço do meio milhão de condenados que habitam nosso sistema prisional, habitado em sua imensa maioria por cidadãos pobres, em maior parte pretos, incapazes de contar com bons advogados, também enfrentam a mesma situação, padecem das mesmas dificuldades, quem sabe até piores.

    A sugestão de que uma coisa poderia justificar a outra não faz sentido, quando se recorda que o esforço civilizado consiste em estimular a ampliação do Direito, e não seu rebaixamento através de medidas de exceção, que apenas perpetuam um estado geral de coisas.

    O que se procura, aqui, é construir um inimigo interno — personagem indispensável das medidas de exceção de que fala Pedro Serrano.

    O que se vê é um tratamento discriminatório — com motivação política — tão brutal e dirigido que atravessa as distinções de classe social, sempre profundas e persistentes no Brasil. A grande lição dos julgamento da AP 470 e a Operação Lava Jato é mostrar que não basta ter dinheiro — quem sabe muito dinheiro — para pagar bons advogados e garantir um acesso ao Estado Democrático de Direito, aquele onde vigora o princípio segundo o qual todos são inocentes até que se prove o contrário. Talvez não baste ser filiado ao partido que há 12 anos ocupa a presidência da República, dispondo de privilégios e prerrogativas correspondentes.

    É preciso estar do lado certo da disputa política.

    Os mesmos executivos e empresários, acusados dos mesmos crimes definidos na AP 470 e também no mensalão PSDB-MG, foram julgados por tribunais diferentes, com direitos diferentes, obtendo penas diferentes. Basta recordar que os primeiros condenados da AP 470 começam a deixar a prisão, depois de cumprir penas definidas pela Justiça. Os outros sequer receberam uma condenação. Quando isso acontecer, aqueles que não tiveram a pena prescrita terão direito a um segundo julgamento, com outros juízes, outro tribunal.

    Está demonstrado que os mesmos empresários que, conforme as investigação da Lava Jato, abasteceram os cofres do PT entregaram as mesmas quantias, no mesmo período, para tesoureiros do PSDB. Está provado, registrado na Justiça Eleitoral. O principal delator, aliás, entregou R$ 2 milhões a mais para a campanha de Aécio Neves. Nada disso foi suficiente para o lançamento de uma eventual fase zero da novela Lava Jato, agora mais plural, sem culpados nem inocentes previamente escolhidos, certo?

    Alguém convive em paz com a noção de que o dinheiro que chega para os tucanos como “contribuição eleitoral” se transforma em “propina” quando se destina ao PT?

    A leitura dos estudos de Hannah Arendt sobre o nascimento de regimes totalitários demonstra que um dos instrumentos básicos empregados na disputa entre parcelas da elite dirigente de determinada sociedade — um aspecto inevitável de toda luta política desde sempre — consistia em mobilizar e estimular preconceitos e ressentimentos da “ralé”. Como tantos observadores sociais de seu tempo, Arendt se referia nestes termos àquela parcela da população que se encontrava abaixo das classes sociais tradicionais, sem acesso a educação, ao bem-estar e que mal conseguia exercitar os próprios direitos políticos. Ela avaliava que a democracia se encontrava em perigo quando a elite assumia modos e comportamentos antidemocráticos e agia de turba, como manada, estimulando gestos violentos e atos de barbárie.

    Não é difícil reconhecer movimentos dessa natureza no Brasil de hoje. Os brasileiros assistem isso quando Alexandre Padilha é impedido de jantar em paz com amigos num restaurante no Itaim Bibi — cena que repete um tratamento semelhante oferecido a Guido Mantega quando foi fazer uma visita a um paciente no hospital Albert Einstein. Em 2012, Ricardo Lewandovski, hoje presidente do STF, ouviu comentários ofensivos quando foi à zona eleitoral exercer o direito de voto. São atos que formam um conjunto, contestam a noção de que homens e mulheres pertencem a uma mesma família humana, com direitos a igualdade e a justiça, como diz Pedro Serrano.

    É um comportamento lamentável e preocupante. Mas é difícil negar que o exemplo vem de cima, certo?

     

    1. Adriano Picarelli

      17 de maio de 2015 9:31 pm

      Parabéns

      Ótima contribuição para pensarmos nossa sociedade. Obrigado por lembrar da importância da leitura de Hanna Arendt.

  5. Frederick Cunha

    17 de maio de 2015 6:21 pm

    Verosimilhante ou verdadeiro?

    É a velha discussão que havia na antiga democracia grega. Grande parte dos discursos de julgamento eram baseados em fatos de verossemelhança, ou seja, algo que “aparenta” ser verdadeiro. uma representação da verdade. Os diálogos platônicos denunciaram esta prática, porque elas se baseavam mais na tentativa de influenciar a opinião pública do que de revelar a verdade. Portanto, 2500 anos depois, continuamos nos valendo das mesmas práticas dos sofistas.

  6. alext4e

    17 de maio de 2015 6:35 pm

    “E a mamata das mamatas dada

    “E a mamata das mamatas dada ao militar, de receber como aposentado o soldo próprio do posto superior àquele em que se aposentou.”

    Alguém tem que falar para o Jânio que isso acabou em 29 de dezembro de 2000. O militar se aposenta com o mesmo soldo. A aposentadoria com o posto acima acabou através da Medida Provisória 2215. Se pesquisasse antes de escrever algo que será lido por minhares de pessoas do Brasil inteiro, não teria errado de forma crassa como errou agora! Nassif, se puder, pede para o Jânio se retratar em sua próxima coluna. Tenho muito respeito pelo Jânio… Mas que vacilada!

  7. anarquista sério

    17 de maio de 2015 7:08 pm

                  NASSA:
      Quem

                  NASSA:

      Quem ressuscita morto é Jesus Cristo.

      Deixe Janio em paz no seu jazigo.

    1. JB Costa

      18 de maio de 2015 3:34 am

      Falou o Anarquista (nada)

      Falou o Anarquista (nada) sério do fedor da sua catatumba! 

      Ele e o Mauro Santayana não morrerão jamais!

  8. maria rodrigues

    17 de maio de 2015 7:22 pm

    Claro como o sol que para

    Claro como o sol que para todos que odeiam o PT todos os delagores só são respeitados, e até considerados heróis quando denunciam gente do PT. 

    Todos os blogueiros precisam reproduzir, sistematicamente, a fala de Youssef indicando Aécio como um dos que enriqueceram com o esquema de Furnas. Tem o vídeo, que sequer foi divulgado na imprensa, mas nós, por aqui assistimos, sabemos que existe. Se Youssef menitu ali, tem que ter mentido em outros cantos, inclusive quando se firma em nomes petistas.

    Dá uma gastura saber que ao delator já se determinou seu destino próximo. Nada de cadeia, e 2% da soma total dos valores de todas as delações. Ou seja, quanto maior o número de dalatados, maior o somatório da roubalheira, e, por consequência, maior o lucro dos bandidos. De repente, quem sabe esses retornos dos caras pra mais alguma coisa que não lembrara antes, seja a razão para o auemnto dos seus lucros.

    Youseff e P. R. Costa estão com a bola toda. Tem até direito de hoje se dizer enfastiados com a roubalheira que eseles mesmos fizeram, dando uma de gente boa. 

    Pelo andar da carruagem tá difícil duvidar de que o malfadado Domínio dos fatos não venha a ser mais uma peça do processo, jogando os ministros do STf contra Lula, em primeiro lugar. 

     

  9. Martins Andrade

    17 de maio de 2015 7:24 pm

    A Prova da Falta de Provas

    Nassif e equipe, estou enviando este artigo como complemento ao artigo de Janio de Freitas – A Prova da Falta de Provas, que acabo de publicar em meu Blog Martins Andrade e Você… Do Cearápara o Mundo.

    Se interessar ao amigo esse complemento,  serei bastante grato pela sua publicação.

    A MÍDIA COMANDA UM CANGAÇO

    Do Blog Martins Andrade e Você.

    Quando pequeno, assisti ao filme “A Morte Comanda o Cangaço”.

    Contava trechos da história de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, quando resolveu enveredar com seu bando, Nordeste a dentro, matando e roubando.

    A morte, que comandava o Cangaço, era o próprio Lampião.

    O nordestino sempre conviveu com o espetro de Lampião.

    E Lampião significava para uns: justiciamento; para alguns humanismo; e para muitos: um criminoso que matava sem dó, nem piedade.

    Pessoas eram mortas pelo bando de Lampião pelo simples fato de “ouvi dizer”.

    “Ouvi dizer que você me delatou para os espiões da polícia!… Ouvi dizer que você matou um cabra porque ele olhou para sua filha!… Ouvi dizer que você não gosta de mim!…”

    A justiça de Lampião era ele mesmo: sem provas, sem julgamento, sem nada.

    Tudo isso ocorreu no último século do segundo milênio.

    No primeiro século do terceiro milenio, quando adentramos na era da moderna tecnologia, quando a ciência nos brinda com avanços na pesquisa, e cientistas de todas as matizes buscam desvendar aquilo que, até então, era ignorado… Pois neste século, neste incío de milênio, a justiça brasileira esta prendendo e condenando  pessoas sem provas.

    O Brasil acompanha com vivaz interesse, o inquérito da Lava Jato, sobre uma quadrilha que operava dentro da Petrobrás, envolvendo cartéis e funcionários da empresa, e alguns políticos.

    A se levar em conta a última entrevista coletiva dos Procuradores da República, que fazem parte da força tarefa investigativa da Operação Lava Jato, muitos cidadãos estão sendo presos sem a devida prova de culpa.

    Não se quer aqui, definir se fulano ou sicrano é culpado ou inocente.

    O que se põe em dúvida é a juntada de provas, que ainda não foi feita.

    Na entrevista, foi perguntado aos Procuradores se existia provas contra o suspeito de lavagem de dinheiro, Sr. Fulano de Tal; se os procuradores tinham provas para pedir a prisão preventiva de Sicrano; com base em que provas o Senhor Beltrano está preso…

    As resposta deixariam o mais sanguinário dos ditadores de queixo caído, menos os encarregados de exercerem e executarem a justiça em nosso país: os Pocuradores e o Juiz Sérgio Moro.

    Vaguearam pelos microfones da entrevista coletiva dos Procuradores, frases como: “Isso (as provas) vai ser apurado durante as investigações”; “Ainda não temos” ; “Estamos buscando”.

    Recentemente Nestor Cerveró, um dos presos preventivos da Operação Lava Jato, confrontou o Juiz Sérgio Moro.

    Foi incisivo: “Essa investigação foi feita a partir de uma denúncia de revista. Achei que a Polícia Federal trabalhasse com coisas mais sólidas”

    A revista é a Veja, que publicou uma matéria em setembro de 2014, afirmando que o investigado tinha uma Offshore no Uruguai.

    Quem tem manipulado a justiça brasileira é a mídia.

    Procuradores Federais e Juizes noviços, cidadãos saídos do ostracismo social, que vislumbram seus 15 minutos de fama, são os alvos prediletos das investidas midiáticas.

    E eles correspondem.

    No afã de se tornarem meninos midiáticos, se travestem de justiceiros, engravidam da intolerancia social e partidária, e vão parir injustiça nos tribunais;

    Nos tempos de Lampião, ele era a própria morte. E A Morte Comandava o Cangaço.

    Hoje, a mídia é o próprio Código Civil e Penal. Ela investiga, incrimina e julga.

    Como Lampião, a mídia comanda um cangaço.

  10. Francy Lisboa

    17 de maio de 2015 8:16 pm

    Porvas? Para o quê se a

    Porvas? Para o quê se a “literatura permite”?

    by Rosa Weber (cujo assistente era…Sérgio Moro.

  11. Ivan de Union

    17 de maio de 2015 8:31 pm

    8

    8 palavras:

    DELEGADOS

    DE

    MERDA.

    As outras voces nao querem ouvir nao, e eu seria expulso do blog por 30 anos…

  12. joão adalberto

    17 de maio de 2015 8:45 pm

    BISTURI

    FOLHA EDITORIAL – 17.05.15 

    ,,”Para entender melhor a cabeça que comanda a Lava Jato, vale ler o artigo “O uso de um criminoso como testemunha: um problema especial”, do juiz americano Stephen S. Trott. O próprio Moro traduziu o texto para o português, em 2007.

    Trott defende as delações, mas frisa que é necessário corroborá-las com provas. Ele alerta que os delatores são “notadamente manipuladores e mentirosos” e ensina a fugir de armadilhas e pistas falsas que podem levar à anulação de processos e à absolvição de corruptos.

    O autor compara a delação premiada a um bisturi. Nas mãos de um médico talentoso, pode salvar a vida do paciente. Em mãos inexperientes ou sem cuidado, pode cortar uma artéria e matá-lo. O doutor Moro deve pensar na metáfora a cada vez que se depara com uma nova veia do petrolão.”

    ,

     

  13. IZA13

    17 de maio de 2015 8:57 pm

    Falta o sr. Jânio

    Falta o sr. Jânio combinar com os “russos” …………………….seus patrões!

  14. joão adalberto

    17 de maio de 2015 9:10 pm

    Micharia

    Mobilidade (Elio Gaspari)

    O juiz Sergio Moro foi a São Paulo e andou de táxi. Parece pouco, mas, para quem vê carros oficiais de maganos de Brasília estacionados na porta de restaurantes, é uma enormidade.

    1. Fernando C. M. Andrade

      17 de maio de 2015 11:39 pm

      Vou de táxi

      Duas coisas:

      – Moro é juiz no Paraná. Nunca iria com motorista oficial, de carro, para Sampa;

      – Não sei no Paraná, mas no Rio de Janeiro só quem tem motorista são os desembargadores. Os juízes não tem.

  15. Sergio SS

    17 de maio de 2015 9:22 pm

    É sempre bom saber…

    … que o JF não mais escreve bobagens durantes estas fases de denuncismo vazio, como fez em 2005 com o mentirão.

    http://portal.pps.org.br/portal/showData/37867

    Falta, agora, ele dar um chega pra lá na sua condição de membro do Conselho Editorial da Falha, de onde saem as maiores canalhices atuais, para que eu não fique confuso sobre como ele vê e se posiciona diante de jornalistas como Frias e demais comparsas…

  16. jc.pompeu

    17 de maio de 2015 11:34 pm

    esse “janio dos classificados

    esse “janio dos classificados folha” da corrupção pública é xaropão mesmo!

    prima pelo argumento bobinho das filigranas formais cartoriais escrito, creio, com vasta e profunda consulta ao “Dicionário das ideias feitas” e à “Enciclopédia das besteiras humanas” da obra Bouvard e Pécuchet de Flaubert.

    com sua implicância sofística das tais provas e mais provas carimbadas em quatro vias rubricadas e reconhecida firma autenticada no cartório da esquina da praça é nossa… janio cai na “vacuidade de se querer saber tudo sem compreender nada”.

    desconfio que tá com inveja mortal da operação lava jato que fez do seu furo “classificados folha demo das obscuras engrenagens do patronato” uma inocente historinha infantil pra ninar crianças…

    aqui vai um sábio, genial, viajante na experiência humana de vida in loco no espaço teatral testemunha ocular dos acontecimentos, um joseph conrad bem certeiro nas ideias de aluguel do jornalista de pijama a bater sempre na mesma tecla viciada insondável… coração das trevas do métier notório saber comparado de como é que se faz salsichas, leis e notícias críticas editoriais de jornal.

    “A ficção é história humana, ou não é nada. Mas também é mais que isso: ela se apóia em chão mais firme, baseando-se na realidade das formas e na observação dos fenômenos sociais, enquanto a história é baseada em documentos e na leitura de impressos e de manuscritos – em conhecimento de segunda mão. Assim, a ficção está mais próxima da verdade. Mas deixemos isso de lado. Um historiador também pode ser um artista, e um novelista é um historiador, o preservador, o detentor, o expositor, da experiência humana.

    Joseph Conrad, “Henry James: an appreciation”

  17. Messias Franca de Macedo

    18 de maio de 2015 12:21 am

     
    JANIO DE FREITAS
    Compra de

     

    JANIO DE FREITAS

    Compra de Votos no Congresso de 1997 – fatídica e nefasta era corrupta FHC

    Vídeo histórico

    https://www.youtube.com/watch?v=K6joVubZdwA

     

  18. Messias Franca de Macedo

    18 de maio de 2015 12:25 am

     
     
    … Existe ainda outro

     

     

    … Existe ainda outro depoimento insuspeito e avassalador:

    Jornalista Fernando Rodrigues – Compra de votos para a emenda da reeleição

    https://www.youtube.com/watch?v=szoEkNp4a0s

    Felicidades a todos!

    Hasta la Victoria Siempre!

    Messias Franca de Macedo
    Feira de Santana, Bahia
    Brasil – em homenagem ao honesto e sapiente povo trabalhador brasileiro

  19. Djalmao23

    18 de maio de 2015 3:51 am

    Janio é o beijo!

    Nassif,

    A Folha éstá exercitando Maquiavel: Um beijo depois de três porradas no fígado!

    SDS

  20. paulmoura

    18 de maio de 2015 10:23 am

    Desembarcando da nau a deriva.

    Mesmo os mais incautos na área do direito começam a perceber que operação que começou investigando uma lavanderia em brasilia por conta da  lavagem de dinheiro do trafico de drogas e contrabando, onde aparecia a figura de Youssef velho conhecido do Moro de dos idos do precesso do prefeito de Maringá Jairo Gianotto, começa a fazer tanta água quanto a que jorra nas Cataratas do Iguaçu em tempos de cheia.

    Arbitrariedades, escutas ilegais inclusive na sede da própria PF paranaense, procurados imberbes, cerceamento de defesa, vazamentos de depoimentos sigilosos, apelos a condenação antecipada da mídia, Etc. são fatos que estão começando a alguns dos editorias da midia velha.

    Para salvar um pouquinho da dignidade ou não se expor ao vexame de se mostrar não somente com o rabo mas a alma presos, os roedores começam a abandonar sorrateiros as naus dos conservadores cafajestes.

     

     

  21. HumbertoGuedes

    18 de maio de 2015 3:04 pm

    Da culpa à prova, um caminho

    Da culpa à prova, um caminho de civilidade

    Aprecio a simplicidade da sabedoria, aliás, da inteligência, sem a qual não se chega naquela.

    A sabedoria jurídica reputa de prostituta a prova testemunhal, por todos os óbvios motivos.

    Na Idade Média, bastava um desafeto, pessoal que fosse, ou um simplório crer num malefício provocado  por alguém (claro, imaginariamente provocado, como sói acontecer a malefícios), para a bruxa, assim, mal reputada vítima da acusação, conhecer as masmorras da Inquisição e seus santificados métodos.

    É preciso conjunto doutras provas que reforcem e completem o testemunho, máxime, se obtido mediante tortura psicológica  no que, em última instância, se reduz a simples prisão, abstraídas suas condições físicas – note-se, prisão para estimular delação; ou alguém em sã consciência considera o trancafiamento algo banal e até agradável?!.

    Donde, delação por delação, sem consequente reflexo probatório, sempre sob o princípio da verdade real, tudo reduz-se a alarmismo, a espetacularização, a serviço, e muito, da senha de massas histéricas, fascistas, tudo de incompatível com a dignidade da Justiça e da Cidadania em tempos de civilidade – não há tertium genus.

    Num país sério, como apontado em “Segura Nacional e Cidadania: entrelaçamentos inevitáveis” (http://blogln.ning.com/forum/topics/seguran-a-nacional-e-cidadania-entrela-amentos-ineviti-veis), e “Ah! Isso recende a desastre em curso” (http://blogln.ning.com/forum/topics/ah-isso-recende-a-desastre-em-curso), enfim, isto não prosperaria de modo algum.

    Tudo indica, porém, estarmos em verdadeira stasis, isto é, sitiados em sublevação por vaga de pulsões de dominação e de posses, afinal, tudo está em movimento, especialmente a riqueza, de modo que a libido dominandi ultrapassa a libido sciendi (respectivamente, pulsão por dominação e pulsão por conhecimento), assim, em ambiência de hýbris (desmedida criminosa)…, ou seja, voltamos à barbárie nobiliárquico-clerical, de dar inveja aos barões do Ruhr, nostálgicos cavaleiros teutônicos a cristianizar pelo fio da espada.

    Isto, entretanto, é do capitalismo selvagem, desregulamentado, desde já no mundo dos fatos, onde a regra é não ser flagrado, onde vale-tudo é estilo darwinista, diga-se,b cretinizante, onde há é primazia do lucro e/ou da fama, versão pós-moderna da honra, da nobreza, viabilizando-se por redes de influência de todo tipo, enfim, culto paranoico de estrategismo obsessivo-compulsivo.

    Discute-se, aqui, enfim, como alhures, não, se há culpados ou não, e, sim, o caminho que se percorre a identifica-los, pois, o Tao é o caminho.

    Saudações libertárias e de Justiça.

     

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