
Jornal GGN – Em artigo publicado originalmente no Valor Econômico, o cientista político Carlos Pereira (FGV) aponta uma razão para o PSDB de Aécio Neves não ter levado adiante, ainda, o protocolo do pedido de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara Federal. Segundo Pereira, os tucanos estariam calculando o ônus e o bônus de liderar um processo dessa magnitude. Em segundo plano haveria um receio de o partido ser taxado como “autoritário”. Para ele, “a oposição parece ter perdido o debate público para o PT por não ter conseguido desvincular o impeachment de possíveis artifícios golpistas”.
Carlos Pereira: Por que o PSDB hesita sobre o impeachment?
No blog CEPESP (Centro do Polícitca e Economia do Setor Público)
Embora o controle dos eleitores sobre o comportamento dos políticos seja imperfeito mesmo em democracias consolidadas e maduras, quando uma preferência se revela marcadamente dominante em uma sociedade seria no mínimo racional que políticos alinhassem o seu comportamento a tal preferência.
No início de abril, por exemplo, o Datafolha apontou que 63% dos eleitores brasileiros apoiam a abertura do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff a partir do que já fora revelado na operação Lava-Jato. De acordo com o mesmo instituto de pesquisa, mais de 60% dos eleitores consideram o governo Dilma ruim ou péssimo.
Passado mais de um mês da revelação dessas informações e mesmo após os grandes protestos dos dias 15 de março e 12 de abril e de vários panelaços, a oposição ao governo Dilma, especialmente o seu principal partido político (PSDB), ainda não deixou clara a sua posição em relação ao impeachment da presidente. Ora algumas de suas lideranças se posicionam favoráveis, ora outras lideranças se posicionam de forma mais reticente, afirmando que ainda não existiria elementos suficientes para o impeachment ou condições jurídicas para justifica-lo.
Como mais uma evidência dessa hesitação, uma parcela da oposição acaba de garantir, com 33 infidelidades, a vitória apertada do governo na Câmara dos Deputados do texto base da Medida Provisória que amplia o tempo de trabalho necessário para requisição do seguro-desemprego. Se a oposição tivesse sido coesa e disciplinada, o governo teria amargado mais uma importante derrota no Legislativo.
O que justificaria tamanha hesitação da oposição? Ao menos duas explicações se revelam possíveis.
Uma delas seria o cálculo estratégico entre os prováveis altos custos da liderança de um processo de impeachment em relação aos benefícios políticos dele decorrentes. Embora tenha perdido as eleições para a presidência em 2014, a oposição sentiu-se vitoriosa e competitiva diante da pequena margem de diferença. O escândalo de corrupção do petrolão, de cifras bilionárias, tem fragilizado não apenas ao governo Dilma como também afetado em cheio o próprio PT. Além do mais, a mudança radical de política macroeconômica empreendida pelo governo no início de seu segundo mandato, ancorado em um vigoroso ajuste fiscal, que gera perdas de curto prazo de formageneralizada, tem sido interpretada como um verdadeiro estelionato eleitoral.
Nutre-se, na oposição, interpretações de que esse ciclo político sob a liderança do PT estaria chegando ao fim e que o cambaleante governo Dilma seria seu ocaso. Além disso, a oposição dispõe de candidaturas críveis à Presidência da República em 2018. Portanto, nada mais racional do que esperar na “zona de conforto” que todos os custos recaiam no governo e no PT, enquanto a oposição permanece na espreita.
Uma segunda e possivelmente complementar explicação para a hesitação da oposição em relação ao impeachment seria o receio de ser confundida como uma saída de “direita” ou “autoritária”. Similar ao ocorrido com políticos conservadores após a redemocratização, que se envergonhavam do rótulo de “direita”, por ser esse termo associado com a ditadura e a repressão durante o regime militar, a oposição hoje tem receios de ser acusada de “golpista”, como se a defesa da legalidade democrática e a crítica radical à má gestão e à corrupção generalizada no governo Dilma só pudesse se configurar em uma plataforma política de “direita”.
Ou seja, a oposição parece ter perdido o debate público para o PT por não ter conseguido desvincular o impeachment de possíveis artifícios golpistas. Quando, na verdade, o impeachment é único instrumento constitucional e legítimo de democracias presidencialistas em situações extremas, para se livrar de um presidente que comete crimes de responsabilidade.
A democracia depende do debate, e todo debate se ancora em visões diferentes de mundo e de agendas. Situação e oposição não podem ser confundidos jamais com bem e mal ou com anjos e demônios. O PT é filho da democracia, e da existência de agendas de oposição depende a continuação dela. O papel da crítica e da chamada de responsabilidade dos governos eleitos é fundamental para a boa governança e a correção das ações irresponsáveis e desvios de conduta. Nenhuma hesitação deve se justificar por comportamentos avessos a risco. A política exige a capacidade de ser proativo, mesmo em zonas de desconforto.
Artigo publicado originalmente no Valor Econômico
Flavio Martins e Nascimento
15 de maio de 2015 6:01 pmComo é sexta, uma
Como é sexta, um sambinha:
[video:https://www.youtube.com/watch?v=Y1VjV2GcUdg%5D
djalma santos
15 de maio de 2015 6:44 pmAté quando vocês vão replicar
Até quando vocês vão replicar este assunto aqui no blog? Isso já encheu o saco.
Mogisenio
15 de maio de 2015 6:45 pmDemocracia dos autoritários.
Com todo respeito ao autor do texto mas, sinceramente, tem horas que bate aquele desânimo deste jogo político brasileiro em conluio com seus diversos propagadores. É o que se percebe ao ler o texto acima. Trata-se de um texto da derrota para a derrota.
Eu já sou publicamente contra os “economistas de meia tigela” que só consequem prever o futuro do passado. Noutras palavras, eles, os economistas de meia tigela, supôem que supostamente, se tudo mais permanecer constante, e se deus quiser, é provável que o brasil não cresça e não atinja a meta. E a meta, não se enganem, é a esposa do “deus”. ]
Podemos então sugerir uma mudança naquele brocardo ” o futuro a deus pertence”, qual seja:
No presente, o mercado vende o peixe de que o futuro à meta pertence.
A clarividência desses profetas falsificados só lhe proporciona enxergar as trevas e o fim do mundo. O fim do mundo brasileiro, é claro.
Como se não bastasse, eis que surge agora, com ênfase, mais um rebanho de profetas do fim do mundo “brasileiro” :os “cientístas políticos de meia tigela!
Logo, vão engordar ainda mais, o conjunto dos profetas apocalípticos do Brasil.
Vejam vocês até onde vai a petulância dessa gente:
Os tucanos hesitam em pedir o impeachment e ainda calculam o ônus e o bônus como se pudessem calcular ou hesitar diante da obrigação e responsabilidade que assumem após as eleições livres e devidamente apuradas.
Tivessem ai debatendo questões importantes para o desenvolvimento do país, exercendo o papel de uma oposição responsável, prestariam, ao menos, para alguma coisa. Mas não. Ficam ai “calculando o ônus e o bônus de se partir para o golpe autoritário, mais uma vez.
E continuam ainda com a tal de “datafolha” que com uma pesquisa acredita que compreende as percepções de 60 ou 70% dos brasileiros! Vejam bem, 60 ou 70% dos brasileiros! Tudo isso teria sido agravado pelo que foi “revelado” na operação lavajato.
Cabe a pergunta: o que mesmo foi “revelado” na operação lavajato?
Eureca! A “revelação” divina de que o futuro à meta pertence!
Fala que não é coisa de “deuses”?…
E pior, no presente, o marido da meta – adúltero por natureza – um tal de deus mercado, “vende” o peixe.
E por fim, essa turma de apocalípticos solta uma de que a democracia depende de debate…
Ah, francamente… dá ou não preguiça de ler uma coisa destas.
wendel
15 de maio de 2015 6:49 pmEntão
A verdade a meu ver, é puramente covardia !!!!! Eles não têm moral para pedirem o impeachment da Dilma, como tb não tiveram cunhões para pedirem o do Lula. Tentaram até que tentaram, mas faltou-lhes competência.
Agora, vejo tb que não interessa as elites financeiras, tanto paulistas como do exterior, este evento, plois teriam muito a perder caso isto viesse a ocorrer. Vejam que os Estados Unidos e a UE estão cabaleantes, e os juros nestes paises baixíssimos, então……………
Quando o ventos soprarem ao contrário, sem duvida irão pedir a cabeça dos infiéis !!!!
Carlos B.
15 de maio de 2015 8:17 pmEu acho que a oposição não
Eu acho que a oposição não tem projeto! A bem da verdade, as ações que o governo atual está implementando são aquelas que o PSDB queria fazer: lembram das “medidas impopulares” que o Aécio vociferou junto ao Armínio Fraga na casa do produtor de nada João Dória? Digamos que o PSDB adotaria mais ajuste ainda! Mas é esse “estelionato eleitoral”, além da derrota propriamente dita que está deixando o PSDB louco. Se você faz o que o outro iria fazer, qual o debate? Ironicamenete, em represália o PSDB vota contra o ajuste que ele mesmo iria fazer…. É essa terra arrasada que eles querem, tumultuar o país por pura vaidade! E isso tudo empobrece a política e o país, infelizmente! A mídia, por sua vez, confunde e incita o radicalismo …… Que pena, o Brasil merecia coisa melhor!
Fernando Lujz
15 de maio de 2015 8:27 pmPelo que tenho lido, parece
Pelo que tenho lido, parece que os tucanos optaram por tentar o golpe atraves da impugnação das contas da campanha de Dilma. O impeachment significaria o PMDB no executivo. A impugnação das contas, via delações do cara da UCT, parece que levaria a uma nova eleição.
Danilo pro
15 de maio de 2015 9:02 pmNão pediu porque sabe que não
Não pediu porque sabe que não há motivos. Simples. O resto é contorcionismo do articulista.
Lucinei
16 de maio de 2015 5:03 pmExatamente. Até os tucanos
Exatamente. Até os tucanos sabem que isso é levar a cara de paau ao extremo do extremo, mesmo que seja pelo poder.
Essa “ciência política” feita a base somente de procedimentos e custos não está acrescentando nada. O cara ainda vem dizer que ‘a oposição perdeu o debate pro PT”… Que debate, meu deus? Estão falando sozinhos!
Impeachment é golpe porque é golpe, ora. Porque não é recall. Porque não tem crime de responsabilidade no exercício do mandato que o justifique. Porque não se deruba presidente só porque a oposição não aceita resultado de eleição, ora, ora.
São Paulo já foi chamada de túmulo do samba. Desse jeito vai ser chamada de túmulo da ciência política.
zé lima
15 de maio de 2015 9:11 pmQuanta bobagem…
Quanta bobagem articulada num só amontoado de frases tolas e desconexas.
O governo Dilma, por pior que seja e se agrave em ruindade, ainda, será mil vezes melhor do que o dos entreguistas e corruptos do tucanato e seus asseclas.
Simples assim!
Dorme tranquila, Dilma Rousseff!
Anarquista Lúcida
15 de maio de 2015 9:51 pmHá alguma norma q diga q o Blog deve pautar esse tema todo dia?
Parece que há…
Free Walker
15 de maio de 2015 10:01 pmA foto ficou estranha, parece
A foto ficou estranha, parece que é só dar um empurrãozinho que ela desaba rampa abaixo…hehehe
Ricardo Cesar
15 de maio de 2015 10:17 pmEta artigo ruinzinho…
Eta artigo ruinzinho…
MANREL
15 de maio de 2015 10:49 pmGui Oliveira
16 de maio de 2015 12:30 amGolpismo puro
Fraquinho mesmo. Deu mil voltas para, enfim, assumir escancarado golpismo. Tipo combatendo o desânimo e injetando energia na tropa golpista.
revenger
15 de maio de 2015 10:38 pmImpitiman.é.meuzovo
Impitiman.é.meuzovo
Clever Mendes de Oliveira
16 de maio de 2015 12:27 amMal o JornalGGN na introdução e mal o Carlos Pereira no artigo
JornalGGN,
Li este artigo há mais tempo. Não conhecia o cientista político Carlos Pereira, mas o texto dele deixou-me um tanto ressabiado por considerar que o texto estava dentro de uma tendência muito forte que eu percebia no Valor Econômico de bater direto na presidenta Dilma Rousseff.
Numa semana anterior aqui no blog de Luis Nassif houve no mesmo dia dois posts com artigos retirados do Valor Econômico que eram uma lástima. Faço a indicação deles aqui. Há o post “A solidão de Dilma, por Raymundo Costa” de quinta-feira, 07/05/2015 às 17:31, reproduzindo artigo de Raymundo Costa e há também o post “O principal ministro do governo paralelo, por Maria Cristina Fernandes” de quinta-feira, 07/05/2015 às 07:33, contendo a reprodução do artigo de autoria da Maria Cristina Fernandes que não chega a ser crítico do governo da presidenta Dilma Rousseff, pois se destaca mais por fazer um endeusamento do senador José Serra.
O endereço do post “A solidão de Dilma, por Raymundo Costa” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/a-solidao-de-dilma-por-raymundo-costa
E o endereço do post “O principal ministro do governo paralelo, por Maria Cristina Fernandes” é:
https://jornalggn.com.br/noticia/o-principal-ministro-do-governo-paralelo-por-maria-cristina-fernandes
Eu até torci para que os textos viessem para as páginas deste blog, mas queria também que os artigos fossem apresentados. Eu sempre considerei enriquecedor que textos como este de Carlos Pereira fossem trazidos em um blog como o de Luis Nassif que quer ser eclético uma vez reconhecer a impossibilidade da imparcialidade para que os comentaristas com visões diferentes pudessem se manifestar. Assim dá para mais bem compreender qualquer artigo. E é importante para a compreensão que se saiba mais sobre o autor. E além disso, que seja mencionado quem sugeriu o artigo e que ele faça uma breve introdução sobre o texto. Fica-se sabendo muito mais sobre um texto quando há este pano de fundo bem apresentado e compreendido.
Para este texto de Carlos Pereira que se chamava “Por que tamanha hesitação?” e que foi publicado no início da semana, isto é, segunda-feira, 11/05/2015, o que me pareceu pior foi a má introdução ao artigo. Quem já havia lido o artigo no Valor Econômico e queria saber pelo menos quem era Carlos Pereira nada aprendeu. Talvez a introdução do artigo, de tão ruim que é, sirva pelo menos para que se conheça um pouco você, isto é, o JornalGGN.
Transcrevo a introdução para mostrar o quanto ela é falha:
“O cientista político Carlos Pereira (FGV) aponta uma razão para o PSDB de Aécio Neves não ter levado adiante, ainda, o protocolo do pedido de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara Federal. Segundo Pereira, os tucanos estariam calculando o ônus e o bônus de liderar um processo dessa magnitude. Em segundo plano haveria um receio de o partido ser taxado como “autoritário””.
É disto mesmo que trata o título do artigo e o autor explica nessas duas razões o motivo para não se ter ainda pedido o impeachment. Ocorre que o Carlos Cunha aborda essas razões recheando o texto com críticas fortes ao governo da presidenta Dilma Rousseff. Vou reproduzir os trechos mais críticos, mas antes reproduzo um trecho em que Carlos Cunha parece contrariado com a vitória do governo. Afirma ele:
“Se a oposição tivesse sido coesa e disciplinada, o governo teria amargado mais uma importante derrota no Legislativo”.
É claro que a frase é uma expressão de um fato que confirma a crítica que ele vai fazer no fim do artigo à oposição, e nisso ele pode-se escusar, mas ficou parecendo que ele torcia para a derrota do governo principalmente quando se leva em conta a frase que ele termina o artigo e que eu transcrevo a seguir:
“O papel da crítica e da chamada de responsabilidade dos governos eleitos é fundamental para a boa governança e a correção das ações irresponsáveis e desvios de conduta. Nenhuma hesitação deve se justificar por comportamentos avessos a risco. A política exige a capacidade de ser proativo, mesmo em zonas de desconforto”.
No fundo fica a impressão que ele reclama da oposição de não levar adiante o pedido de impeachment.
É bem verdade que há nisso uma posição de cientista político. Seria como se ele dissesse, a oposição para ser vitoriosa tem que vencer a situação. E nessa luta tudo é válido. E ele está certo, mas tudo isso foi recheado com críticas como eu disse fortes à presidenta Dilma Rousseff e que eu transcrevo a seguir.
Primeiro transcrevo mais uma verdade apresentada pelo autor. Afirma Carlos Pereira:
“O escândalo de corrupção do petrolão, de cifras bilionárias, tem fragilizado não apenas ao governo Dilma como também afetado em cheio o próprio PT”.
Uma verdade, no entanto, que o desqualifica como cientista político ao usar o termo petrolão. E ele continua com mais verdades quando diz:
“Além do mais, a mudança radical de política macroeconômica empreendida pelo governo no início de seu segundo mandato, ancorado em um vigoroso ajuste fiscal, que gera perdas de curto prazo de forma generalizada, tem sido interpretada como um verdadeiro estelionato eleitoral”.
Então para Carlos Pereira a política de ajuste fiscal tem sido interpretada como um verdadeiro estelionato eleitoral. Aqui a ausência do cientista político mais se evidencia na presença do termo verdadeiro junto a estelionato eleitoral. Como cientista político bastava dizer que a política de ajuste fiscal tem sido interpretada como um estelionato eleitoral.
E a seguir mais uma forma de se camuflar o pensamento do autor, mas dando espaço para crítica ao governo da presidenta Dilma Rousseff. Diz Carlos Pereira:
“Nutre-se, na oposição, interpretações de que esse ciclo político sob a liderança do PT estaria chegando ao fim e que o cambaleante governo Dilma seria seu ocaso”.
Nem sempre ele obtém êxito em se esconder nas acusações presentes no artigo. No trecho acima caberia perguntar: o cambaleante governo Dilma seria uma interpretação das oposições ou uma avaliação de Carlos Pereira?
Agora trago um trecho que não vejo como Carlos Pereira poderia justificar como mera reprodução de um fato. Afirma ele:
“a oposição hoje tem receios de ser acusada de “golpista”, como se a defesa da legalidade democrática e a crítica radical à má gestão e à corrupção generalizada no governo Dilma só pudesse se configurar em uma plataforma política de “direita””.
Mã gestão e corrupção generalizada são expressões construídas exclusivamente pelo Carlos Pereira. Não se trata de interpretação de oposição, mas de opinião de Carlos Pereira. Opinião que ele, igual uma criança quando acusa alguém, não comprova com fatos.
E na sequência ele afirma:
“Ou seja, a oposição parece ter perdido o debate público para o PT por não ter conseguido desvincular o impeachment de possíveis artifícios golpistas. Quando, na verdade, o impeachment é único instrumento constitucional e legítimo de democracias presidencialistas em situações extremas, para se livrar de um presidente que comete crimes de responsabilidade”.
Interessava-me aqui apenas a segunda e última frase do parágrafo. Reproduzir o parágrafo inteiro para lembrar que você, Jornal GGN, deu destaque ao trecho sem importância para fazer a chamada do artigo. Ora o importante no parágrafo é que para Carlos Pereira a oposição deveria fazer uso do impeachment para o país “livrar de um presidente que comete crimes de responsabilidade”.
E antes das duas frases finais em que Carlos Pereira critica a oposição de hesitar, de não correr risco, de não ser proativa ele ainda encontra espaço para afirmar:
“O papel da crítica e da chamada de responsabilidade dos governos eleitos é fundamental para a boa governança e a correção das ações irresponsáveis e desvios de conduta”.
É claro que da forma como ele construiu a frase as ações irresponsáveis e desvios de condutas são acusações genéricas e ele pode bem se eximir na generalidade qualquer critica que se faça a ele por ser duro com o governo da presidenta Dilma Rousseff. Ai também o artigo não se prestaria para nada porque ele pode dizer que a oposição de que ele fala é genérica. Eu até poderia acreditar se fosse levado pelo que eu consegui ler a respeito dele ou de entrevistas dele, uma vez que após buscar alguma referência mais detalhada sobre Carlos Pereira eu acabei encontrando o bom texto que foi publicado no Jornal Opção com o título “Doutor em ciência política duvida de chance da terceira via no Brasil” com data, pelos comentários, de um ano atrás e que pode ser visto no seguinte endereço:
http://www.jornalopcao.com.br/editorial/doutor-em-ciencia-politica-duvida-de-chance-da-terceira-via-brasil-3851/
Não concordo com muito do que ele disse na entrevista ao jornal Opção, mas acho que ele pode estar certo, ou pelo menos que há coerência no que ele diz. Este artigo no Valor Econômico, entretanto, pareceu-me mais panfletário. E não o avaliei como um estranho no ninho uma vez ter sido publicado pelo Valor Econômico. É um jornal do Globo e do Uol, mas tinha uma linha um pouco à maneira de Luis Nassif, ou seja eclética, mas nos últimos meses parece que partiu para apelação. Houve uma série de reportagens sobre a Petrobras que pareciam escritos por jornalistas sem nenhum compromisso com a informação. (Depois do Aldemir Bendine, o arroubo anti Petrobras arrefeceu-se, o que pegou muito mal tanto para Aldemir Bendine como para os grandes meios de comunicação).
De todo modo valeu a transcrição do artigo e talvez mesmo em atraso tenha sido oportuno chamar atenção para ele. Ainda que concorde com a opinião de Anarquista Lúcida que no comentário enviado sexta-feira, 15/05/2015 às 18:51, considerou impróprio a insistência do blog com o tema do impeachment, e ai o atraso na chamada para o artigo parece até proposital, avalio que quase cinco dias após a publicação do artigo, ele possa ser mais bem analisado. Pena que provavelmente só deve haver críticas ao artigo e feito por comentaristas favoráveis ao governo, pois os comentaristas da oposição vão achar que não vale a pena dar corda a quem faz um artigo para falar mal do governo, mas criticando a oposição.
Agora uma possibilidade para a hesitação pode ser que a oposição percebeu que a manifestação de 15 de março foi uma grande manifestação da direita, mas da direita mais reacionária que não leva a lugar nenhum e, portanto, ela, a oposição, sabe que não vale a pena embarcar nesta canoa. No fundo a manifestação de 15 de março de 2015 acabou se voltando contra os interesses dos próprios manifestantes.
Clever Mendes de Oliveira
BH, 15/05/2015
Malú
16 de maio de 2015 12:31 amO urro animal da dor da perda
O urro animal da dor da perda desta oposição inconformada é ensurdecedor. Haja saco para aguentar tanta histeria. Mais uma vez: Aceita que dói menos, pôxa!
L. Souza
16 de maio de 2015 12:33 amMeio sem pé nem cabeça essas
Meio sem pé nem cabeça essas ideias hein senhor Carlos Pereira?
Galvão
16 de maio de 2015 12:39 amMais um golpista
“Quando, na verdade, o impeachment é único instrumento constitucional e legítimo de democracias presidencialistas em situações extremas, para se livrar de um presidente que comete crimes de responsabilidade.”
Sendo assim: Aguarde a Presidenta cometer crime responsabilidade, sem a caracterização desse crime, só resta o golpe. É bom lembrar que a Dilma não é o Collor; nem o PT é o PRN. No PT existem mais de um milhão de filiados, que podem transformar a vida da direita num inferno na terra. Tentem!
Juliano Santos
16 de maio de 2015 2:40 amEsse sujeito lamenta que o
Esse sujeito lamenta que o `PSDB não tem culhão para ir em frente com o tal impeachment. Só que traveste isso com uma análise pseudo-academica. Mas o importante é que o assunto não morra, para manter o governo sobre pressão.
O Nasif deveria virar essa página. O impeachment virou sexo dos anjos, quando na verdade o buraco é bem mais embaixo
Anarquista Lúcida
16 de maio de 2015 3:44 amMas o Blog está ativamente apostando nesse “tema”…
Parece que o Nassif nao quer que o tema saia de pauta. Talvez para manter o governo sob pressao…
José Muladeiro
16 de maio de 2015 2:44 amSuposições, façamos
Suponha que Dilma sofra o impedimento. Caso este não seja acompanhado da cassação do registro eleitoral do PT, em 4 anos o PT teria grandes chances de voltar ao poder através do Lula. Caso se casse o registro do PT, o que acontecerá com os seus parlamentares, governadores, prefeitos e vereadores? Seria sumamente impossível cassar a todos. Só através de um golpe de Estado. Não podendo cassar a todos, seria natural que houvesse um reagrupamento em outra legenda ou mesmo a criação de uma nova, e Lula ainda teria chances de ser eleito. Caso impeçam Dilma, Lula e cassem o registro do PT, mesmo assim Lula continuaria sendo o maior e melhor cabo eleitoral do Brasil, com grandes chances de eleger o próximo presidente. Aliás, não seria novidade na América Latina se o nome da Marisa Lula fosse lançado de uma forma magistralmente simbólica.
O grande problema da oposição é que o PT é um grande partido, com uma imensa miltância que foi capaz de reeleger a Dilma, quando tudo indicava que o Aécio estaria eleito. Esta militância, sendo Lula a maior delas, tirou o canudinho da boca do playboy que estava se considerando o eleito, em seu significado eleitoral e bíblico. Esta derrota foi particularmente arrazadora, pois eles usaram de todas as armas possíveis, sendo a maior delas o apoio descarado e golpista da imprensa. Quantos anos serão necessários para que esta imprensa recupere sua credibildade, se é que isto ainda é possível? Eles foram muito com muita ânsia ao pote e hoje não tem mais armas.
Enfim, impedir Dilma poderia ser a pior alternativa, e criaria o clima de comoção nacional, colocando o ônus nos ombros da oposição declarada e da infiltrada. Impedir Dilma poderia até ajudar o PT, livrandro-o de uma presidente que tem demonstrado grande inépcia para governar, mas que cassada se tornaria um símbolo.
Por fim, os que gostam de música, sabem o papel simbólico que esta joga como representação dos sentimentos profundos da sociedade. Pois mirem-se na história. Tirado do poder, Getúlio voltaria 5 anos depois ao som da marchinha: Bota o retrato do velho outra vez, bota no mesmo lugar, o sorriso do velhinho faz a gente trabalhar.
Não há força capaz de derrotar um mito como o foi Getúlio, só a morte. Lula hoje é o mito, e ele conta com o apoio, meu e de milhões de brasileiros que odeiam a avareza de nossa elite e sonhamos com um Brasil melhor para seu povo.
Hoje, a melhor recomendação ao PSDB é: cuidado com o andor, não coloque todos os ovos em uma única cesta, afastem-se dos que fazem política com o fígado, e lembrem-se que Lula recomendou recentemente ao FHC, “tente ser mais admirado.” Há precisão de dizer mais alguma coisa?